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Ouvimos: Grade 2 – “Talk about it”

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Resenha: Grade 2 – “Talk about it”

RESENHA: No álbum Talk about it, o Grade 2 leva o street punk ao limite entre melodia e urgência, com refrões de estádio, letras íntimas e energia de rua.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Hellcat
Lançamento: 3 de abril de 2026

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Mais agressivo e naturalmente rueiro que qualquer outra variação do punk, o street punk não parece um estilo fácil de acrescentar novidades – geralmente são vocais altos, músicas rápidas, corais no estilo grito de torcida, um “oi oi oi” para honrar a origem classe operária, guitarras sujinhas, vai por aí. A diferença está quase sempre na escolha de temas e acordes, e não em alguma revolução sonora do tipo “vamos misturar street punk, synth pop e forró” (muito embora tudo isso tenha bastante a ver com a variedade sonora do The Clash).

O Grade 2 chega ao quinto disco, Talk about it, honrando as tradições do estilo e acrescentando a ele letras emocionadas e climas bastante melódicos. O repertório ganha pela rapidez e pela intensidade, em faixas como Better today, Cut throat, a romântica Hanging onto you e o punk stoniano de Talk about it. As letras, por sua vez, aludem a estados interiores e a uma escrita quase íntima, em que sentimentos têm que ser postos para fora (a faixa-título) e os velhos tempos, por melhores que tenham sido, precisam ficar no passado (Better today, Standing in the downpour).

  • Ouvimos: La Estrategia del Caracol, Cámara Chilena de la Destrucción – El hambre y las ganas de comer

O punk garageiro de Don’t worry about me, por sua vez, conta uma verdade inconveniente: nem todo mundo vai conseguir se enfiar em buraco de rato para ganhar grana, validação e tapinha nas costas (“você só tem uma chance de viver seu sonho / tentei aderir à corrida de ratos, mas não deu certo pra mim”). Rotten fala sobre censores tentando reescrever a história e sobre uma nação em conflito – e traz encartados alguns estilhaços de 1984, de George Orwell, além de partículas de reggae no som.

Bastante esperançoso nas letras, o Grade 2 encerra Talk about it com Otherside, asseverando que, de fato, agora está tudo bem: “Minha identidade foi comprada e vendida / meus inimigos mais antigos assumiram o controle / gratidão e consolo a todos que me rodeiam / e agora sei que estou exatamente onde deveria estar”.

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Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

Crítica

Ouvimos: Is This Real? – “Let you in” (EP)

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Wipers ganha tributo da banda Is This Real? em EP que mescla regravação do grupo e três faixas autorais afiadas, entre punk melódico e riffs poderosos.

RESENHA: Wipers ganha tributo da banda Is This Real? em EP que mescla regravação do grupo e três faixas autorais afiadas, entre punk melódico e riffs poderosos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Keep It Trippy Records
Lançamento: 14 de novembro de 2025

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Tida como a primeira banda punk do Noroeste do Pacífico norte-americano, Wipers surgiu em 1978, gravou vários discos, mas acabou ficando restrito a Portland, onde nasceu, e cercanias. Como Oregon, estado em que Portland fica, é vizinho do estado de Washington, cidades como Seattle e Aberdeen souberam da novidade rapidinho – e aí dá para ter uma bela ideia do legado que essa banda, que no início queria gravar todos os seus discos num estúdio caseiro de quatro canais, deixou por aí.

  • Fizeram uma versão de CINCO HORAS E MEIA de Brainwash, do Flipper

Os Wipers já não existem há bastante tempo – em 1999 saiu o último disco, Power in one. Greg Sage, líder do grupo, administra as memórias da banda, além de sua gravadora Zeno Records. No ano passado, o Is This Real?, quarteto formado por Matt Cameron (ex-baterista do Pearl Jam e do Soundgarden, mas aqui cantando e tocando guitarra), Will Andrews (bateria), Caspian Coberly (guitarra solo) e Shane Smith (baixo) decidiu fazer shows em tributo aos Wipers, relembrando músicas do grupo.

Is this real?, vale recordar, é o nome do primeiro álbum da banda (1980) e da faixa-título, pérola power pop-punk digna de uma mescla de Ramones e Elvis Costello. Ela não aparece no primeiro EP do Is This Real?, Let you in, em que a banda homenageia os Wipers com apenas uma regravação, a releitura quase pós-punk da sombria e guerreira Let me know.

As outras três faixas são músicas autorais, bastante reverenciais à primeira onda dos três acordes. Let you in é punk com melodia introspectiva e ataque explosivo. Taking the fall tem estrutura lembrando um misto de Motörhead e Sex Pistols. Fall apart é pós-punk com riff poderoso, vocal quase falado e bateria cercando a música. Uma diversão à parte para os músicos e para quem ouve.

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Crítica

Ouvimos: Calvin Voichicoski e Pelocurto – “Bodoque”

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Calvin Voichicoski e Pelocurto unem psicodelia, rock 60s e brasilidades em Bodoque, disco que soa como um delírio sonoro multicolorido.

RESENHA: Calvin Voichicoski e Pelocurto unem psicodelia, rock 60s e brasilidades em Bodoque, disco que soa como um delírio sonoro multicolorido.

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Unindo o cantautor e produtor Calvin Voichicoski à banda paulista Pelocurto, Bodoque é um daqueles discos que parecem vir de um delírio sonoro, no melhor dos sentidos. O som varia entre vários lados diferentes, tudo balizado pela psicodelia e por um entendimento progressivo da música – ainda que o som não seja necessariamente “progressivo”.

E.M.T./Domingo, a faixa dupla que abre o álbum, até engana começando numa onda meio pós-punk meio Strokes, para depois embarcar numa onda blues rock e pós-tropicalista. (No rehearsing) for hearses leva uma cara oitentista ao disco, com emanações do Ultravox dos primeiros tempos. Faixas que unem beats brasileiros e indie rock, como o samba-rock Arena, a bossa-rock Rebordoque e a quase jazzística Cemitério de orelhões, também são comuns em Bodoque.

Mas a parada de Calvin e do Pelocurto é mesmo na esquina entre os anos 1960 e o que veio imediatamente depois, com direito a referências de bandas recentes que dão outros sons e texturas à música da época. Esse som se espalha por todo o álbum e domina faixas como This pain (Tastes like outside), que tem filiação sonora entre Kinks, Beatles e Tame Impala. Ou o country floydiano de Submarine man e Ipiranga heights. Há psicodelia de garagem em YEAYEAYEAYEAYEAYEAYEAH e Um alvo tenro e lembranças de In another land (Rolling Stones) em Nada de ideias fora das coisas. No final, distorções e viagens sonoras em O vento nos caniços, música de quase dez minutos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 21 de agosto de 2025.

  • Ouvimos: Anti-Spectacular – I don’t want to be angry anymore
  • Ouvimos: Bahsi – Castle

 

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Crítica

Ouvimos: Stela Cole, “I die where you begin”

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Ouvimos: Stela Cole, “I die where you begin”

Após temporadas frustradas em grandes gravadoras, a norte-americana Stela Cole decidiu trilhar o caminho independente – ainda que com distribuição pela plataforma digital Amuse. O resultado é I die where you begin, um disco de indie pop que flerta com o rock adulto contemporâneo E consegue remeter a coisas legais do passado sem soar retrô ou vintage.

Para começar, Stela contratou um baterista aparentemente maluco por Charlie Watts, falecido batera dos Rolling Stones. Muita coisa do álbum reaproveita as fórmulas mais pop da banda britânica, misturando-as com texturas ainda mais acessíveis. Em Blue moon, por exemplo, o clima inicial evoca trilhas de soft porn dos anos 1980 antes de evoluir para um híbrido de R&B e rock que lembra tanto os Stones quanto Kylie Minogue. Já a sussurrada Stereoqueen, combina algo próximo ao beat de Start me up, hit dos Stones, com uma pegada herdada de Physical, de Olivia Newton-John, trazendo à tona o espírito do pop pós-disco.

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Vai por aí I die where you begin: da sacana God loves you (“Deus ainda ama você, mesmo que eu não ame”, provoca a letra) – um pop com batida que lembra samba e vocais que transitam entre rock, blues e jazz – ao R&B acústico de Slow dance. Há também faixas que mesclam rock, dance e jazz, como Stay mad e a misteriosa Bunny love, além de uma nova investida pós-disco, no pop solene Blood orange wine (que também dá uma chupadela na batida de Start me up).

Na parte final, merecem destaque a dance music sinuosa de Feel it again, o clima quase dream pop de Midnight killer e a agitada Candyland – que lembra Bruno Mars, mas tem sonoridade mais patinante, com cordas. Já Sade Adu, cuja influência tem ressurgido com força no pop, é devidamente evocada no r&b acelerado Now or nevermind. Pop trabalhado, produzido em 2025, e feito para engordar o repertório das “light FMs” de 2035.

Nota: 8
Gravadora: Stelavision/Amuse
Lançamento: 14 de março de 2025.

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