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O que ficou do Coachella 2026 no fim de semana?

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Coachella: Justin Bieber na edição 2026 do festival

Não tem como fugir do fato de que Justin Bieber foi um dos shows mais comentados e polêmicos do primeiro fim de semana do Coachella. O canadense, de acordo com a revista americana Rolling Stone, abiscoitou US$ 10 milhões (cerca de R$ 50 milhões) por suas apresentações no festival – vai ter mais uma no sábado que vem, dia 18.

Foi aquilo que a galera viu: Justin, que veio do YouTube (aos 12 anos, divulgava vídeos no site cantando), dividiu o palco no sábado com… um notebook. Começou com músicas do ótimo Swag e do fraco Swag II, numa apresentação que furou 50 minutos. Depois, sentou-se a uma mesa, abriu o notebook, acessou o YouTube e fez um “autokaraokê” com hits antigos e vídeos pessoais – com direito à sua tela espelhada no telão do festival.

Rolaram vídeos famosos, como sua versão de With you, de Chris Brown (que impulsionou sua carreira), além do viral em que ele dava com a cabeça numa porta de vidro no bastidores de um show em Paris (foi sério: Bieber desmaiou por 15 segundos).

Houve fãs babando pelo show de Justin (não dá pra não notar o caráter de “festinha pros fãs fieis” da apresentação, e ainda rolou o primeiro hit dele, Baby), Houve quem falasse que foi uma grana altamente fácil. Só que teve bem mais do que apenas Justin no primeiro finde do Coachella. Nossa ídala Ethel Cain levou seu show distópico e aterrorizante para o Mojave Stage, na madruga de sexta pra sábado…

Em vias de lançar disco novo, e igualmente com duas apresentações no evento, a rainha Lykke Li subiu ao Outdoor Stage às 21h20 de sexta-feira. Olha aí o hit I follow rivers.

Não achei nenhum vídeo da apresentação do Devo no festival – rolou no Mojave Stage às 22h45. Mas tá aí a turma da rádio KROQ batendo um papo com eles no backstage. Um dos assuntos: como a banda se sente sabendo que depois de tanto tempo de carreira, há fãs que vão ver pela primeira vez os chapéus de “cúpula de energia” que eles usam?

Você duvidava de que Sabrina Carpenter ia levar uma verdadeira Broadway pro palco do Coachella? Se você duvidou, não conhece ela – e aparentemente, essa onda de shows que parecem musicais veio pra ficar (a própria Ethel Cain, com aquela dramaticidade toda, tem disso). Ela cantou o hit Espresso e lembrou que há dois anos estava no mesmo festival, e que de lá pra cá, algumas coisas mudaram (mudaram muito, aliás).

Goste ou odeie, ééééé do Brasiiiiil: teve Luísa Sonza apresentando o pós-punk-darkwave Loira gelada em português, com visual trabalhado no couro, banda com cara punk e bailarinas

Vá ver esses caras antes que enlouqueçam: o Geese apresenta um espetáculo de loucura punk-blues com 2112, emendada com uma versão de Baby, de Justin Bieber. Nos comentários uma pessoa compara com Frank Zappa – pra mim tá meio claro que Captain Beefheart e Rolling Stones passaram aí.

Olha ela! Com um ótimo disco para divulgar, Cruel world, a britânica Holly Humberstone surge com visual de personagem de HQ da Disney (parece o vestido da Margarida, namorada do Pato Donald, não?) e palco em tom de floresta mal-assombrada. Rolou na madrugada de sexta pra sábado.

E não é que os mestres do punk passaram pelo Coachella? O Black Flag esteve por lá no fim de semana (e concedeu uma entrevista pra KROQ) e o mega master Iggy Pop também.

Da apresentação do Turnstile no fim de semana do Coachella, você encontra um monte de short e vídeos feitos por fãs- o festival até o momento não pôs a banda em seus highlights. Tem um shortzinho do Wet Leg também, e só. Em compensação, tem a porradaria do Nine Inch Noize, projeto colaborativo entre o Nine Inch Nails e o produtor de música eletrônica germano-iraquiano Boys Noize. Olha eles tocando Closer.

Toda a paixão da fofa Laufey num shortzinho publicado pela turma do Coachella, e mais nada (e olha que deve ter sido um showzaço…). E a melancolia pop, sombria e eletrônica do ótimo Blood Orange, num momento imperdível.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

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Grimes mistura IA, religião e distopia em “Accelerando”, primeira faixa de “Psy opera”

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Grimes mistura IA, religião e distopia em “Accelerando”, primeira faixa de "Psy opera"

RESUMO: Grimes apresenta Accelerando, primeiro single de Psy opera, álbum sobre inteligência artificial, guerras, religião e relacionamentos. O clipe traz androides, fogueiras e imagens distópicas.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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Inteligência artificial, guerras, religião, ex-namorados problemáticos e até a turma do looksmaxxing — aquela obsessão da internet por melhorar a aparência física. Grimes resolveu colocar tudo isso no mesmo disco. A cantora canadense acaba de lançar Accelerando, primeira amostra de Psy opera, álbum que ainda não tem data de lançamento, mas já promete uma boa dose de esquisitice.

O novo single vem acompanhado de um clipe que parece reunir várias ideias de filmes distópicos numa tacada só. Grimes aparece enrolada em correntes, é queimada numa fogueira e ainda empunha uma arma no meio de uma batalha entre androides. A letra não fica atrás: tem referências a lobotomia americana, Van Gogh e um convite para que alguém a devore. O título da música, aliás, pode ser uma referência a Accelerando, romance de ficção científica publicado por Charles Stross em 2005.

Grimes havia anunciado Psy Opera em abril, numa entrevista à revista Interview, revelando inclusive os títulos de duas músicas: The light ages e Eve is online. Agora, o material de divulgação explica um pouco melhor a ideia do álbum. Segundo o texto, o disco vai abordar tudo o que a cantora testemunhou como uma “mulher da história” durante seu afastamento da música pop. E isso inclui desde os debates sobre inteligência artificial até guerras consideradas imorais e relacionamentos que não deram certo.

A relação de Grimes com a inteligência artificial, por sinal, já vem de alguns anos. Em 2023, ela chegou a oferecer metade dos royalties a quem conseguisse criar uma música de sucesso usando uma versão de sua voz gerada por IA. No ano seguinte, participou da série A brief history of the future, da PBS, defendendo que a tecnologia poderia ajudar a revelar novos talentos musicais. Para ela, quando todo mundo tiver acesso a ferramentas capazes de produzir material com qualidade profissional, a diferença estará na criatividade de cada artista.

A cantora também abriu um canal no Instagram chamado Eve is online e divulgou um trailer de Psy opera que transforma o Evangelho de João numa história futurista sobre máquinas e divindades. “No princípio era a palavra, e a palavra era deus. E o homem fez deus à sua imagem, e Deus abraçou a natureza do homem”, diz a narração. Em seguida, descreve um Éden construído em metal, iluminado por luz artificial capaz de rivalizar com o sol.

Psy opera será o primeiro álbum de Grimes desde Miss Anthropocene, de 2020, e também o primeiro lançamento por seu próprio selo, Nazgul Recording LLC, criado depois de sua saída da Columbia Records. Pelo que ela mostrou até agora, a volta ao pop não será exatamente discreta.

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Instagram não para de recomendar “Higher”, do Creed – e nem sabe por quê

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Instagram não para de recomendar "Higher", do Creed - e nem sabe por quê

RESUMO: Higher, hit do Creed lançado em 1999, virou sugestão recorrente de música nos Stories do Instagram. A plataforma admite que há um problema no algoritmo e tenta descobrir como resolvê-lo.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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Aparentemente, o Creed está aparecendo onde ninguém chamou. Quem costuma colocar música nos stories do Instagram pode ter esbarrado em Higher, hit lançado pela banda em 1999, entre as primeiras sugestões da plataforma. Até aí, tudo bem. O problema é que a faixa aparece o tempo todo, mesmo quando não tem absolutamente nada a ver com o que está sendo publicado.

A insistência começou a chamar a atenção dos usuários, que passaram a desconfiar de alguma campanha promocional do Creed. Afinal, seria uma maneira e tanto de fazer uma música de quase 30 anos voltar à cabeça das pessoas. Só que, pelo visto, nem o Instagram entende direito o que está acontecendo.

A história foi parar na CNN americana, que procurou a plataforma para saber de onde vinha tanto amor pelo Creed. A resposta foi curiosa: depois de investigar o caso, o Instagram descobriu que Higher estava sendo sugerida a muito mais gente do que deveria. A empresa informou que seus engenheiros estão tentando resolver o problema, mas não explicou o que fez a música ganhar tamanha preferência do algoritmo.

Lançada como primeiro single de Human clay (1999), segundo álbum do Creed, Higher foi o primeiro sucesso do grupo a entrar no Top 10 americano. A faixa voltou a circular com força nas redes sociais nos últimos anos, acompanhando uma onda de nostalgia pelo rock da virada dos anos 1990 para os 2000 e o retorno da banda aos shows, em 2024.

Agora, quase três décadas depois, o Creed conseguiu uma coisa que muita banda adoraria: entrar na trilha sonora da vida de milhares de pessoas sem que ninguém tivesse pedido. Nem mesmo o Instagram.

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Samuel Amaro transforma implicância amorosa em clipe inspirado no city pop

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Samuel Amaro - Foto: Lírica Aragão e Pietro Saura / Divulgação

RESUMO: Em Eu ia, Samuel Amaro mistura referências ao city pop e imagens de câmeras antigas para contar uma história de amor reprimido, em que provocar o outro é mais fácil do que admitir os sentimentos.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Lírica Aragão e Pietro Saura / Divulgação

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Implicância também pode ser declaração de amor – pelo menos em Eu ia, música do paranaense Samuel Amaro que acaba de ganhar clipe. A faixa faz parte do álbum de estreia Músicas surpreendentemente comuns, melancólicas e feitas para dormir, e seu vídeo mistura referências de city pop dos anos 1980 com uma história sobre gente que prefere provocar a admitir o que sente.

Filmado em Maringá (PR), o clipe acompanha três tentativas do protagonista de se aproximar de seu par romântico. Em todas, o medo de se expor acaba atrapalhando as coisas. A produção é da Bolinha de Gude Produções, com direção e edição de Lírica Aragão e Pietro Saura, e aposta numa imagem inspirada em handycams e câmeras analógicas.

“A ideia do clipe nasceu para traduzir em imagens essa minha obsessão pelo city pop e essa ponte entre o retrô e o contemporâneo. A história retrata esse amor reprimido, daquela pessoa que se irrita e se opõe a tudo que o outro faz só para esconder o que sente, como a Helga faz com o Arnold no desenho dos anos 90. É sobre se proteger atrás da implicância em cena para não ter que lidar com a própria vulnerabilidade”, explica Samuel.

Eu ia foi gravada no home studio do próprio músico, em Maringá. O esquema caseiro acabou chegando também às filmagens: numa das cenas, a equipe precisou segurar manualmente uma cortina que aparece no cenário porque não havia suporte para prender o varão.

Em atividade desde 2018, Samuel lançou anteriormente os EPs Morno (2020) e Sintoma (2022). O músico também produz sob o nome Qumma, projeto voltado ao lo-fi. Eu ia traz João Manoel, da banda Jovens Ateus, na guitarra, Luiz Júnior no baixo e mixagem e masterização de Maurício Mendes.

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