Urgente
Rolling Stones gravando Amy Winehouse? Parece que vai rolar

Ainda não há revelações oficiais sobre os nomes das outras faixas que vão estar em Foreign tongues, 25º álbum de estúdio dos Rolling Stones, previsto para o dia 10 de julho – durante a semana, o disco teve sua capa liberada, além de um single novo, In the stars, e do lançamento oficial de Rough and twisted, a música que os Stones haviam distribuído apenas num single de vinil sob o codinome The Cockroaches.
No entanto, o guitarrista Ronnie Wood foi bater um papo com Jimmy Fallon no Tonight Show e fez algumas revelações bem interessantes sobre o disco – até o momento não confirmadas pela banda. O músico disse ter gravado um solo de guitarra de nove minutos para uma música chamada Back in your life, embora ele tenha acrescentado o tal solo acabou sendo reduzido para quatro ou cinco minutos. Segundo ele, foi tudo feito numa tomada só, mas… “eu não fiz isso, a guitarra tocou sozinha”.
Tem mais: Fallon, que já estava com uma cópia em vinil de Foreign tongues na mão e já havia escutado o disco, disse que o álbum tem uma cover do hit de Amy Winehouse, You know I’m no good – aquela mesma, do disco Back to black, de 2006. Ron cantarolou o riff principal da música e não pareceu se importar com a revelação.
Se bobear, os Stones estão aderindo à moda criada recentemente pelo Radiohead, que é liberar algumas pílulas de informação para serem dadas por um integrante que vá fazer algo solo – isso rolou recentemente quando Ed O’Brien, guitarrista do grupo, foi dar entrevistas para falar de seu disco Blue morpho. Mas ainda rolou muito mais no papo: ele até contou como conseguiu seu primeiro instrumento.
“Quando eu tinha uns 5 ou 6 anos, meus irmãos eram 8 e 10 anos mais velhos que eu, respectivamente. Ambos eram músicos e artistas. Então se eles tocavam, eu tocava, e se eles pintavam, eu pintava. Um amigo deles me emprestou seu violão, mas quando foi chamado pra servir no exército, pegou de volta. Eu fiquei tão decepcionado, então meus irmãos compraram um pra mim na prestação”, contou.
E numa semana em que Alex James, do Blur, decidiu soltar os cachorros em cima de Pet sounds, álbum sessentão dos Beach Boys, Ron disse ter ficado muito triste quando o líder do grupo, Brian Wilson, morreu, em 11 de junho de 2025. E a morte dele rolou justamente no dia da gravação do tal solo de nove minutos, dai o nome de Brian ter surgido na conversa.
“Naquele dia, fiquei muito comovido, decepcionado e triste, e senti muito porque Brian Wilson morreu”, disse Wood. “E naquela semana, Sly Stone também morreu (dois dias antes de Brian), e eu pensei: ‘Nossa, que triste’. Mas isso transpareceu na minha guitarra, esse sentimento, sabe?”.
E tá aí a conversa dos dois.
Foto: Todd Owyoung/NBC
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“Earthquakes”: Niis transforma coração partido em punk urgente

RESENHA: O Niis apresenta Earthquakes, primeiro single de Play Niis, EP que sai em 23 de outubro. A faixa mantém o peso punk da banda, mas abre espaço para referências.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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O Niis está de volta com Earthquakes, primeiro single de Play Niis, EP de seis faixas que sai em 23 de outubro pela Rise Records. A banda punk de Los Angeles, que no álbum de estreia Niis world (2025, resenhamos aqui) misturava porrada punk-new wave e até guitarras lembrando The Cars, agora amplia um pouco essa receita: a música nova tem peso, mas também passeia por vários climas.
Earthquakes é movida por um riff de guitarra que atravessa praticamente toda a faixa, acompanhado por uma linha de baixo igualmente inquieta. A vocalista Mimi Doe faz o resto: vai da doçura ao sarcasmo, dobra vocais urgentes com as guitarras e transforma uma canção sobre coração partido em algo que não fica parado no mesmo lugar.
A letra nasceu de uma fase complicada na vida da vocalista. Play Niis começou a tomar forma justamente durante o fim de um relacionamento, num período de mudanças pessoais em que Doe praticamente saiu da separação direto para o estúdio. Em vez de ter tempo para processar o que estava acontecendo, acabou jogando boa parte da experiência nas músicas.
Em Earthquakes, ela canta: “Me dê decepções amorosas, me dê tremores nas pernas / preciso de grandes riscos / preciso de terremotos”. A imagem tem relação com experiências afetivas instáveis e com a dificuldade de reaprender a se relacionar depois delas.
“É difícil superar isso e aceitar o fato de que você precisa reaprender a amar, porque quando você passa por uma grande decepção amorosa, isso realmente te transforma. Leva tempo para aprender a se amar, a se tratar bem e a amar seu próximo parceiro da maneira correta. É sobre isso que a música fala”, conta. “Cantar essa letra ao vivo será catártico porque todo mundo se identifica com isso — todo mundo já teve o coração partido.”
Play Niis tem seis músicas (veja capa e lista de faixas lá embaixo). Produzido por Austin Coupe e Michael Shuman, o EP aponta para um Niis mais melódico e vulnerável, embora a raiva dos trabalhos anteriores continue por ali.
Earthquakes também ganhou um clipe inspirado nos vídeos dos anos 1990 e começo dos 2000, cheio de preto e branco e imagens sem muita preocupação narrativa. É parte da nostalgia que ronda Play Niis – um disco que Mimi imagina no universo dos celulares flip, das lojas Hot Topic e de Buffy, a Caça-Vampiros.
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LISTA DE FAIXAS:
01. Bad aim
02. Big fish baby
03. Earthquakes
04. Take your mess
05. No flowers
06. Westside
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Cartas Para Julia: slowcore experimental, texturizado e narrado em “Entre nós”

RESUMO: O duo Cartas Para Julia é formado por Kayke Felipe Magalhães e por Julia Alves da Cruz Fernandes, e faz um som entre o slowcore e o lo-fi, mais próximo da poesia falada. Eles estreiam com o single Entre nós.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Cartas para Julia estreia com Entre nós, uma canção curta, de menos de dois minutos, que fica entre o slowcore e o lo-fi. O duo formado pelo multi-instrumentista e produtor Kayke Felipe Magalhães e pela letrista e vocalista Julia Alves da Cruz Fernandes usa uma produção econômica para criar uma faixa mais próxima da poesia falada do que de uma canção pop convencional.
Os vocais de Julia são falados durante boa parte da música e, em alguns momentos, quase murmurados. A letra em francês ocupa o centro da faixa, enquanto a produção de Kayke trabalha com guitarras, texturas e uma atmosfera discreta. Em vez de construir a música a partir de refrão ou de uma grande mudança instrumental, Entre nós se desenvolve aos poucos, deixando voz e ambiente dividirem o espaço.
A faixa fala sobre os espaços entre as pessoas, as lembranças e aquilo que acaba não sendo dito. É também a primeira amostra do projeto Cartas para Julia, que nasceu em 2025, quando Kayke e Julia se conheceram na faculdade.
Kayke já tinha um trabalho autoral sob o nome FelipeOrie, misturando MPB, lo-fi e indie rock, além de atuar como produtor e multi-instrumentista. Julia vinha principalmente da escrita e encontrou no duo sua primeira experiência musical, transformando os próprios textos em voz.
Embora o projeto seja apresentado como dream pop e spoken word, Entre nós aponta para uma sonoridade mais enxuta. O slowcore aparece no andamento e na maneira como a música deixa os elementos respirarem, enquanto o lo-fi ajuda a manter a produção próxima, sem muita preocupação em esconder suas texturas.
É uma estreia que aposta mais na palavra e no clima do que em uma estrutura tradicional de single. E, com menos de dois minutos, faz isso sem estender a ideia além do necessário.
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Cocteau Calines: pós-punk + noise japonês, em protesto contra as guerras

RESUMO: O grupo japonês Cocteau Calines cruza pós-punk, dream pop e rock alternativo em A city made of sorrow, canção de protesto contra a guerra com ecos de DIIV, Stone Roses e Smashing Pumpkins.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Tem algo de pós-punk soturno e de rock alternativo dos anos 1990 em A city made of sorrow, novo single do Cocteau Calines. O quarteto de Tóquio estica a música por pouco mais de seis minutos, num caminho que passa pelo DIIV, pelo balanço hipnótico do primeiro Stone Roses e por momentos mais pesados, que lembram o Smashing Pumpkins das guitarras distorcidas e do baixo ocupando bastante espaço.
É uma mistura que vai se revelando aos poucos. A city made of sorrow começa apoiada numa atmosfera de dream pop e em guitarras melódicas, mas ganha corpo conforme avança. O baixo distorcido ajuda a empurrar a faixa para um terreno mais escuro, próximo de certas bandas pós-punk, enquanto a voz em japonês de Yuya Nishiyama aparece quase incorporada à massa sonora – sempre na busca de repetição, clima e crescimento gradual.
A música também tem um contexto específico. Programada para sair na véspera do dia em que o Japão relembra o fim da Segunda Guerra Mundial, A city made of sorrow é uma canção de protesto contra a permanência das guerras e contra a ideia de violência praticada em nome da justiça. Formado em Tóquio em torno do baixista e vocalista Yuya Nishiyama, o Cocteau Calines também aposta no idioma japonês como parte fundamental de sua identidade, mesmo mirando ouvintes fora do país – aliás a ideia é propagar o idioma em outros países.
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