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Ouvimos: Camila Cabello, “C, XOXO”

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Ouvimos: Camila Cabello, "C, XOXO"
  • C, XOXO é o quarto álbum da cantora norte-americana Camila Cabello, e é o primeiro disco dela após sua saída da Epic Records.
  • Ao contrário do que vinha acontecendo com os discos anteriores da cantora, o novo disco vem sendo colocado no escaninho do “pop alternativo”. Tanto que a Rolling Stone disse que ela se aproxima agora do hiperpop – estilo considerado como sendo de vanguarda.
  • Várias músicas do disco foram estreadas ao vivo em 23 de junho durante o show de Camila no Rock In Rio Lisboa – foi, por acaso, o primeiro show completo da cantora em dois anos.

Vai ser difícil você achar alguma resenha do disco novo de Camila Cabello que não cite, nem que seja de levinho, o disco novo de Charli XCX, Brat. A começar porque Charli, que é uma ex-colaboradora de Camila – ela co-escreveu Señorita, hit de 2019 dividido por Camila e seu então namorado Shawn Mendes – parece ter sido seguida de perto pela ex-integrante do Fifth Harmony.

O nome do novo disco de Camila parece uma brincadeira com o nome de Charli. Tanto esse C, XOXO quanto Brat têm uma cor chamando bastante a atenção na capa (no caso de Brat, “verde-brat” já virou até uma variação da cor verde em alguns cantos). E Camila, uma cantora que já disse querer ser um “bom exemplo” para as meninas que ouvem seus discos, deu uma invertida braba no novo álbum: ganhou uma imagem mais próxima da garota-moleque, provocadora, que Charli encarna em seu último álbum. Charli, evidentemente, já percebeu que sua I got it foi ligeiramente lembrada pela cantora em I luv it, single do novo disco.

A música pop vem ganhando uma cara nova em lançamentos mais recentes. O papo pode ser até o dançar-até-derreter, e as paixões não correspondidas comuns ao estilo, ou temas como empoderamento. Mas se for pra falar a mesma coisa da mesma forma, não adianta nada. Da mesma forma que o revival dos anos 80 pegou há alguns anos, hoje em dia discos têm que ter roteiros interessantes, músicas quase serializadas, vinhetas. Ou coisas que parecem colar cacos de histórias e dão a cara não apenas do disco como também do artista – algo que se aproxima mais do hip hop e do indie pop. Outro caminho: discos pop feitos por pessoas campeãs em causar empatia nos fãs, como o clima “gente como a gente” de Taylor Swift.

No caso, temos aqui uma cantora que abriu os trabalhos querendo ser um padrão, e que de uma hora para outra levanta a bandeira dos sem-padrão. O que pode ser uma baita mudança ou pode ser apenas alguém tentando ser quem não é – mais fácil rolar a segunda opção. Mas musicalmente C, XOXO é mais genérico do que memorável, parecendo mais uma colagem mal feita de duas visões de pop: a da música feita para estourar de qualquer jeito e a do pop metido a artístico. É o que se ouve no hit I luv it, no festival de autotune de Chanel nº 5 (interrompido por um som torto de piano, soando fora de rotação, arma típica do pop indie) e no trapzinho de Dream girls, por exemplo.

O que dá pra ouvir do disco novo de Camila: Pink xoxo é uma vinheta “celestial” bem interessante, cheia de sintetizadores. B.O.A.T. é uma baladinha triste com vocais repletos de agudinhos. Pretty when I cry é, digamos, um encontro entre Billie Eilish e Shakira, se é que isso é possível. Hot uptown, com Drake, é bacana. O The Guardian afirmou que Camila parece desconfortável no disco novo, como se vestisse uma roupa que não combina com ela. Não exatamente: o reposicionamento da cantora no mercado é que deveria ter acontecido com mais estudo, menos pressa, com uma abordagem mais certeira e menos genérica da latinidade pop, e com mais verdade. Ou com mais tempo para tudo em C, XOXO parecer verdade.

Nota: 5
Gravadora: Geffen/Interscope.

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Ouvimos: Starly Kind – “Inferno (xe/xem)”

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Resenha: Starly Kind – “Inferno (xe/xem)”

RESENHA: Starly Kind mistura lo-fi, screamo, pós-punk e psicodelia em Inferno (xe/xem), EP sombrio sobre angústia queer e demônios internos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: CorpoRAT Records
Lançamento: 8 de maio de 2026

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Musicista agênero do Oregon, Estados Unidos, que se radicou em São Paulo, Starly Lou Riggs criou a Starly Kind como veículo para uma música lo-fi e fantasmagórica. Um som que volta e meia ganha ares math rock, ou que se aproxima de um art rock em clima de pesadelo. Inferno (xe/xem) é um EP sobre demônios xamânicos, angústia existencial queer, dores acumuladas durante uma vida inteira – e sobre como é chamar o inferno de casa.

Starly kind, a faixa de abertura, é lo-fizaça, com glitches, clima dreamy e vocais torturados e gritados. Held me with soma a isso um clima mais ambient, em que vibrações screamo unem-se ao experimentalismo da música. Superanatural clutches fica entre a psicodelia e a no wave, com direito a uma guitarra próxima do som do Black Sabbath. Uma curiosidade e uma mudança de rumo vêm com Bloodlust rising, algo entre Beach Boys, Residents e Devo – seguida justamente pela onda reggae + dub + fantasmagoria de And the devil watched me dance in.

  • Ouvimos: Delmore – Tão logo cada poste se ilumina

Demon dreams, que encerra o disco, é pós-punk mais do que tudo, e é a música mais bonita do EP – aliás lida com uma noção mais tranquila de “beleza” na melodia, ainda que também invista na vibe sombria das outras faixas. Um disco bem instigante, em todos os momentos.

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Ouvimos: Duo Violeta – “Mar pequeno”

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Resenha: Duo Violeta – “Mar pequeno”

RESENHA: Duo Violeta mistura violão, escaleta e folk nordestino em Mar pequeno, disco contemplativo, viajante e cheio de imagens sonoras.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: The Citadel House
Lançamento: 22 de maio de 2026

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Se você for com muita sede ao pote no disco do Duo Violeta e chegar meio desavisado, pode acabar adorando o encontro do violão com a sanfona. Depois vai dar risada quando descobrir que André Sant’Anna e Rafael Campanaro, são na real, e respectivamente, o encontro da escaleta – teclado de sopro popularizadíssimo pelo reggae e pelo dub – com o violão. Mais que isso, as gravações tiveram vários testes de estúdio, que envolveram posicionamentos dos músicos, microfones diferentes e muitas experimentações sonoras.

Mar pequeno tá bem longe de ser um disco experimental, mas passa perto. É um disco brasileiríssimo e quase sempre nordestino, que parece seguir o curso de um rio e contar uma história – já que as músicas parecem encadeadas e evocam imagens que soam do mesmo modo. Será marés, Na rede e O boto, no começo, são folk nordestino – sendo que a última insere clima sombrio e efeitos de tremolo na escaleta. Para a ilha é forró + jazz, mas tem algo de indie rock na sonoridade, até algo de Beatles no meio da melodia. Inverno no mar é balada, blues e folk, com final contemplativo e várias partes diferentes.

Esse clima de viagem sonora, que insere segmentos diferentes em canções curtas, chega no ápice na última faixa do álbum, Emergiu. Até lá, André e Rafael proporcionam surpresas como a melodia de À deriva, que chega a lembrar um soul no final. Ou a recriação da folclórica Peixe vivo, cujas linhas melódicas só se tornam claras lá pelas tantas. Ou o clima folk brasileiro de Náufrago. Um disco muito bonito.

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Ouvimos: Soma Please – “Ballet” (EP)

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Resenha: Soma Please – “Ballet” (EP)

RESENHA: Soma Please mistura synth pop, pós-punk e dream pop em Ballet, um EP que cruza Queen, U2, LCD Soundsystem e até samba indie.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Skud & Smarty
Lançamento: 14 de maio de 2026

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O Soma Please é um duo luso-britânico, formado pelos músicos Nuno Bracourt e Rob Williamson. Não chega a ser um som muito inovador, mas tem detalhes que conquistam de cara, já que Ballet, o EP, soa às vezes como um encontro entre estilos e épocas. Tipo o que rola com I’m a fan, entre o synth pop e uma onda que lembra o Queen, ou Love, um dream pop com peso. Pockets on my sleeves é pós-punk com alma oitentista, e algo de Radiohead e LCD Soundsystem misturado.

As duas últimas faixas do EP são as mais diferentonas do disco: Alone é um curioso pop meio samba, meio bossa, com cara indie e solar. What’s the score é mais ruidosa, abre com clima sombrio fake, e depois chega a lembrar um blues rock eletrônico. Ballet é um pequeno apanhado do som deles, e uma demonstração de sonoridades que estão no arquivo deles.

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