Cultura Pop
Várias coisas que você já sabia sobre Tango In The Night, do Fleetwood Mac

O Fleetwood Mac nunca foi das bandas mais estáveis do mundo. Era uma banda de blues que foi gradativamente se aproximando do pop, e que mudava de integrantes (e de liderança) a cada disco. Enfim, a banda trocou até de país – começou na Inglaterra, acabou nos EUA. Mas na época que antecedia seu 14º disco, Tango in the night (1987), andava tudo realmente estranho.
Para começar, o disco anterior do FM, Mirage, havia saído em 1982, e os integrantes embarcaram em carreiras solo, algumas mais, outras menos vitoriosas. Lindsey Buckingham (voz, guitarra), que vinha de um hit solo de 1981, Trouble, conseguiu seu lugar ao sol com o single e o disco Go insane (1984). Christine McVie (voz, teclados) e Mick Fleetwood (bateria) gravaram álbuns sem a banda – a primeira com repercussão, o segundo sem nenhuma. John McVie (baixo) ficou na dele. Já Stevie Nicks (voz), que gravava sozinha desde 1981, fez bastante sucesso solo. Inclusive conseguiu êxito o suficiente para ficar em dúvida sobre se valia a pena voltar com a banda.
Não havia nada indicando que o Fleetwood iria voltar, já que os integrantes pareciam felizes separados. Mas não tinha havido uma entrevista sequer da banda falando que os serviços do grupo estavam encerrados e que daí para a frente os fãs que se virassem para acompanhar cinco carreiras solo.
A volta, com Tango in the night, era a verdadeira adaptação do Fleetwood Mac à sonoridade e ao método de trabalho que vigoraram nos anos 1980. Ou seja: programações eletrônicas, vocais modificados com samples, experimentações de estúdio para deixar canções com mais cara de “rádio”, tons latinescos e novelescos para brigar nas paradas com artistas como Madonna (La isla bonita fez sucesso, não?) e derreter os corações das Américas.

Nos últimos dias, por causa de um viral do tiktok, Dreams, clássico do FM lançado no poderosíssimo disco Rumous (1977), voltou a virar hit – o que levou álbum a retornar ao Top 200 da Billboard. Como já tem um monte de gente recordando os tempos confusos de Rumours – disco marcado pelos divórcios dos dois casais da banda, e por trocas de farpas em letras de músicas – decidimos dar um salto no tempo e lembrar o segundo disco mais vendido do Fleetwood Mac. O álbum que fez a banda experimentar sucesso de verdade no mundo maravilhoso da MTV, graças aos clipes de Seven wonders, Big love, Everywhere, Isn’t it midnight e Little lies.
Tá aí nosso relatório sobre Tango in the night. Leia ouvindo o disco.
HIATO. Os fãs do Fleetwood Mac estavam acostumados a pausas entre um disco e outro – inclusive, com os dois casais da banda separados e integrantes com os pés afundados na jaca das drogas, só dando um tempo. Após Rumours (1977), a banda lançou o estranho disco duplo experimental Tusk (1979), considerado um fracasso pela Warner, gravadora deles. Em 1980, saiu o duplo ao vivo Live. 1982 foi o ano de Mirage. Mas, se bobear, muitos fãs-de-ocasião acharam que a banda sumiu do mapa depois do mega bem sucedido Rumours.
MAS QUE CASAIS? Se você não sabe, durante Rumours houve a separação dos casais Stevie Nicks e Lindsey Buckingham, e Christine McVie e John McVie.
SUCESSO E CASAMENTO RÁPIDOS. Stevie Nicks tinha sido a integrante do Fleetwood Mac a voar mais longe como solista. Gravara dois discos muito bem sucedidos – antes mesmo do hiato pós-Mirage, ela já batera recordes com Bella Donna, de 1981. Em 1986, dividiu palcos com Bob Dylan e Tom Petty & The Heartbreakers. Mas a vida pessoal não andava legal. Em 1981, ela tivera a péssima decisão de casar com o viúvo de sua melhor amiga Robin Anderson, que morrera de leucemia após ter tido um filho. Aliás, fez isso porque “achava que ela gostaria que cuidássemos do bebê”. O casamento durou três meses.
VIDA LOUCA. As drogas vinham causando problemas à banda, especialmente a dois integrantes: Stevie Nicks e o baixista John McVie. John tinha problemas com álcool o suficiente para ter uma séria convulsão em 1987. Em 1986, Stevie foi alertada por um cirurgião plástico de que teria problemas sérios no nariz por causa do abuso de cocaína, e que poderia ficar sem voz. Em seguida, internou-se na clínica Betty Ford, procurada por dez entre dez popstars em reabilitação, e largou a droga. No entanto, Nicks continuou bebendo e acabou viciada, ironicamente, na droga que ela tomava para se livrar da cocaína (Klonopin).
POR SINAL, uma das músicas de Tango in the night, Welcome to the room… Sara, escrita por Stevie, foi inspirada em sua estadia na clínica Betty Ford. “Sara Anderson” era o pseudônimo que ela usava ao se internar.
SOM ELETRÔNICO. O começo dos anos 1980, você deve se lembrar ou saber, foi a glória para os fãs de sintetizadores e sons eletrônicos, que dominavam as paradas. O Fleetwood Mac passou de sapato alto sobre isso em Mirage. Mas Lindsey ficou meio obcecado pelo assunto em Go insane, seu disco de 1984, no qual ele tocava todos os instrumentos e substituía as batidas orgânicas pela afamada LinnDrum, que já aparecia em dez entre dez sucessos pop. Foi o pontapé inicial para muita coisa que aconteceria em Tango in the night.
ALIÁS E A PROPÓSITO, Tango in the night seria, de início, um disco solo de Buckingham.
OU MELHOR. Havia dois projetos sendo feitos, o disco de Buckingham e o LP novo do Fleetwood Mac. Ambos os trabalhos correram em paralelo por um tempo, até que Lindsey se juntou aos colegas e levou seu repertório. Mas Mick Fleetwood diz que a banda – em especial ele – persuadiu Lindsey a se juntar aos outros, e que o amigo foi pressionado para concluir o disco.
DASHUT E DROMAN. Quer saber de Tango in the night, pergunte a esses dois. Richard Dashut, que produzira os três últimos discos do FM, havia sido chamado por Christine McVie em 1985 para produzir uma versão de Can’t help falling in love para a trilha do filme A fine mess, de Blake Edwards. O projeto acabou virando uma reunião informal do Fleetwood Mac, com Fleetwood, McVie e Buckingham convidados para tocar na trilha. Stevie continuava em turnê solo.
DASHUT E DROMAN 2. Greg Droman, um jovem produtor e engenheiro de som, foi chamado por Dashut para gravar o projeto. Acabou trabalhando também com Buckingham em Time bomb town, que o músico criou para a trilha do blockbuster De volta para o futuro, de Robert Zemeckis. Acabou sendo convidado para trabalhar em Tango. Na época, Droman era do estúdio Rumbo, de propriedade da dupla Captain & Tennille, em Los Angeles. Por sinal, o local era quase um quartel-general do hard rock e do hair metal: até o Ratt gravou lá.
ALIÁS E A PROPÓSITO, até mesmo parte do Appetite for destruction, do Guns N Roses, saiu das máquinas do Rumbo.
DEZOITO MESES. Foi o tempo em que o grupo, mais produtor e técnico de som, passaram lambendo as músicas de Tango in the night. O material que surgia no novo disco do Fleetwood Mac era quase um projeto dos integrantes não-fundadores da banda, usando o nome do FM. John McVie e Mick Fleetwood não deram pitacos nas composições. Já Lindsey usou e abusou da liderança, dando ideias de como o material deveria soar e trazendo uma referência musical importante para a pequena equipe do disco (o som pop e profundo de Kate Bush).
MAIS GENTE. Outros nomes apareciam nos créditos de composições de Tango. Sandy Stewart compôs o hit Seven wonders com Stevie, e era parceira de carreira solo dela. Eddy Quintela, novo marido de Christine McVie, dividia Little lies com ela, e Isn’t it midnight com ela e Buckingham. Dashut compôs Family man com Buckingham.
ZZZZZZ. Dashut e Droman concordam numa coisa: Tango in the night foi um disco feito tão devagar que todo o processo levou a equipe ao tédio e ao desespero em pouco tempo. Buckingham estava maravilhado com as possibilidades dos samples, das modificações de vozes em estúdio e com qualquer maluquice que pudesse ser feita para mudar vocais ou alterar partes de músicas. Ele, o produtor e o técnico faziam coisas como diminuir a velocidade das canções, triplicar ou quadruplicar várias partes nos canais e depois ajustar o pitch de cada uma dessas partes. Tudo para encontrar novas texturas e tornar Tango in the night uma experiência inesquecível.
CORTA E COLA. Os vocais percussivos de Big love (todos feitos por Buckingham, e não por Stevie) e os climas meio “vamos abrir a Porta da esperança” de algumas introduções (como a de Everywhere e a de Little lies) vêm dessas encucações de Lindsey.
VIDINHA BESTA. Durante as gravações, uma frase repetida por Droman virou quase meme da equipe: “Tédio é a nossa vida”. A equipe passava o dia inteiro envolvida com apenas uma parte da gravação, ou duas partes, para refazer tudo no dia seguinte, porque Buckingham não havia ficado feliz com o resultado. A turma também ficava bastante isolada no Rumbo. Aliás, isolada a ponto de perder a noção do tempo. “Naquela época, os estúdios não tinham janelas. Nunca sabíamos que horas eram. Você saía no corredor para ir ao banheiro ou algo assim, e de repente, você percebe que é noite, daí você perdeu todo o sol do dia”, contou Droman.
PÂNICO. Por causa do estresse, das repetições e do excesso de trabalho, rolou de tudo: até ataques de pânico no jovem Droman. “Eu nem sabia que se tratava disso”, conta. “Nem conseguia dizer o que estava acontecendo. Eu estava meio que pirando”. Logo que saiu Tango in the night, ele estava tão de saco cheio que desligava o rádio se o DJ tocasse Big love.
PÉ NA BUNDA. Antes de Tango, Lindsey havia tido um relacionamento fracassado com a estilista Carol Ann Harris, que vazou para as letras do disco (em Tango in the night e, evidentemente, Caroline), e continuava mal por causa disso. Carol, que trabalharia em vários clipes de artistas conhecidos, escreveu um livro sobre o relacionamento com Lindsey (Storms: My life with Lindsey Buckingham and Fleetwood Mac) e contou que já estava cansada das brigas do namorado com a banda, e de seu envolvimento com a cocaína.
BAÚ SEM FUNDO DE GRANA. Tango também foi um disco marcado por um comportamento perdulário típico da época em que as gravadoras ainda tinham verba ilimitada para gastar com seus artistas. Após o começo no Rumbo, o Fleetwood Mac ainda fez gravações na garagem da casa de Lindsey, num trailer alugado que ficava no quintal para não invadir demais a propriedade. A mixagem também foi feita lá, inicialmente em duas máquinas analógicas. O pentelho Lindsey demorava uma semana para mixar cada música com a equipe. Só que ele mudava bastante de ideia sobre o que estava sendo mixado. Para facilitar o processo, mandaram vir uma caríssima e moderníssima máquina digital da Sony.
COMO É QUE MEXE NISSO? Na mixagem, a turma tinha várias fitas digitais que precisavam ser manuseadas com cuidado, numa época em que ninguém sabia mexer direito nessas coisas. Com medo de estragar alguma coisa, Droman usava luvas brancas para mexer no material. O material era todo repicado e colado na base da fita durex.
QUASE DEU MERDA. Quando Tango foi masterizado, apareceu um monte de erros nas emendas. Para evitar problemas, a única solução que o trio de produção e gravação viu pela frente foi colocar as fitas na geladeira do estúdio. Não havia cópia de nada e o risco de um ano de trabalho ir por água abaixo era enorme.
STEVIE SUMIU. As gravações de Tango in the night foram pouco frequentadas por uma das integrantes mais populares do Fleetwood Mac. Stevie Nicks contribuiu com canções, mas estava ocupada demais com a turnê do disco solo Rock a little e quase não ia ao estúdio. Quando ia, ficava tão entediada que começava a beber e gravava os vocais embriagada. Boa parte dos vocais dela em composições de Christine e Buckingham foram tirados. Em When I see you again, por exemplo, vocais dela tiveram que ser remontados e Buckingham precisou cantar parte da música.
DEU TEMPO. Por causa de suas ausências, Stevie perdeu inicialmente a chance de fazer vocais em Everywhere, de Christine McVie – e reclamou disso. Acabou acrescentando vocais quando a música já estava para ser finalizada.
CLIMA BOM, CLIMA RUIM. Testemunhas afirmam que o clima na banda estava até amistoso, apesar do controle de Lindsey e do fato de ninguém se encontrar direito para fazer as gravações na casa dele. Mas o músico costuma dizer que as vidas pessoais dos integrantes estavam em desalinho. “Na época em que fizemos Tango in the night, todos estavam levando suas vidas de uma maneira que não ficariam muito orgulhosos hoje”, contou.
SOBROU COISA PRA CARAMBA. Tango in the night ganhou recentemente, você deve saber, uma edição de luxo com quase três horas. O trio de compositores estava tão prolífico que compôs e gravou muita coisa que não foi usada. Algumas apareceram em singles, como Down endless street, de Buckingham (no compacto de Family man). A You and I, part II, do LP, tinha uma parte I que saiu apenas no lado B do single Big love.
DEU CERTO. Assim que Tango in the night saiu, o maior medo dos fãs e da crítica era que Buckingham tivesse transformado a banda num troço amorfo e sem substância. Embora não tivesse sido um disco queridinho da crítica, o público aderiu rapidamente às novas músicas. Big love virou hit de pista e acabou inserida no contexto da house music, com direito a remix feito por Arthur Baker. Só até 2000, Tango já havia vendido mais de 3 milhões de cópias nos EUA.
CLIPE. Mick Fleetwood lembra que só o clipe do primeiro single, Big love, custou cerca de US$ 250 mil. O músico, que abriu falência no começo dos anos 1980, voltou a sorrir: as vendas do disco novo foram tão boas que houve interesse pelo catálogo antigo da banda, e a grana voltou a pingar.
PERA, NÃO DEU CERTO NÃO. Tango in the night saiu em abril de 1987 e deixou um ferido: Lindsey Buckingham. O músico reclamava que a banda não havia sido solidária com ele e havia feito pressão durante o processo. Tanto que assim que saiu o disco, o músico anunciou que não sairia em turnê.
FEZ MERDA. A banda passou um bom tempo tentando convencer Buckingham a não sair. Em agosto de 1987, ele anunciou que estava pulando fora. A banda marcou uma reunião em 7 de agosto daquele ano na casa de Christine McVie para cobrar pelo menos uma explicação. Só que deu merda: estourou uma discussão bizarra entre Lindsey e sua ex-namorada Stevie Nicks, que acabou com o músico agredindo seriamente a ex-namorada. Buckingham acabou posto para fora da casa e da banda.
DOIS NO LUGAR DE UM. A turnê de Tango seria feita com dois guitarristas, Billy Burnette e Rick Vito. O grupo optou por cortar as músicas de grande sucesso feitas por Lindsey, até mesmo o grande hit Big love. Aliás, a banda deu uns “presentes” aos fãs antigos que ainda acompanhavam a banda, incluindo uma canção dos primórdios do grupo, escrita por Peter Green, I loved another woman. O FM considerou incluir Black magic woman, outro hit dessa fase. John McVie vetou a ideia porque Santana gravou a canção e a transformou em uma música de seu repertório.
ALIÁS E A PROPÓSITO, um show da banda em San Francisco chegou às lojas como… um VHS de Tango in the night (na época, era tendência bandas lançarem shows em homevideo, como se fosse “o disco em vídeo”, muitas vezes com a mesma capa do LP). O VHS de Tango tinha o mesmo título e a mesma capa.
E DEPOIS? Claro que Lindsey Buckingham voltaria ao Fleetwood Mac. No ao vivo The dance, lançado em 1997, a formação de Rumours (1997) e Tango in the night (1987) estaria toda lá. Até lá, o grupo lançaria Behind the mask (1990), sem Lindsey, por sinal o primeiro disco da banda desde 1974 a nem roçar o Top 10. Em seguida, Time (1995), sem Stevie Nicks, sem Christine McVie e com Lindsey como cantor convidado numa das faixas (!).
E STEVIE NICKS? Em 1989, Stevie Nicks voltaria à carreira solo com The other side of the mirror, Top 10 nos Estados Unidos. Por sinal, foi a turnê do Klonopin, já que a cantora estava tão dependente da droga que tomava para se livrar da cocaína (é bastante comum) que diz não ter recordação alguma da tour.
E HOJE? Até novembro de 2019, o Fleetwood Mac circulava por aí com a tour An evening with Fleetwood Mac, sem Lindsey (expulso da banda após uma discussão justamente com Stevie Nicks, com direito a processo nos ex-colegas e “ou ela ou eu”). A formação incluía Fleetwood, McVie, Christine, Stevie, Mike Campbell (guitarra) e Neil Finn (teclados, guitarra e voz). Little lies era a segunda música do set list.
E já que você chegou até aqui pega aí os outros clipes do disco. O de Little lies já apontava para o lado country que o Fleetwood Mac deixaria aparecer em alguns de seus trabalhos posteriores: mostrava a banda circulando numa fazenda abandonada, incluindo cenas maravilhosas de Christine McVie fingindo que tocava piano numa escrivaninha (!) e Lindsey Buckingham usando blazers caríssimos em meio a pedaços de feno e cercas desdentadas. Teve também o clipe de Family man, feito com sobras do de Seven wonders, quando Lindsey já havia saído, mas não está no YouTube.
Com informações dos livros Playing in the rain: Lindsey Buckingham & Fleetwood Mac, de Tyler Martin Sehnal, Storms: my life with Lindsey Buckingham and Fleetwood Mac, de Carol Ann Harris, e Fleetwood Mac: The complete illustrated history, de Richie Unterberger. E de links como esse e esse.
Veja também no POP FANTASMA:
– Demos o mesmo tratamento a Physical graffiti (Led Zeppelin), a Substance (New Order), ao primeiro disco do Black Sabbath, a End of the century (Ramones), ao rooftop concert, dos Beatles, a London calling (Clash), a Fun house (Stooges), a New York (Lou Reed), aos primeiros shows de David Bowie no Brasil, a Electric ladyland (The Jimi Hendrix Experience) e a Pleased to meet me (Replacements). E a Dirty mind (Prince). E a Paranoid (Black Sabbath).
– Demos uma mentidinha e oferecemos “coisas que você não sabe” ao falar de Rocket to Russia (Ramones) e Trompe le monde (Pixies).
– Mais Fleetwood Mac no POP FANTASMA aqui.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
Ver essa foto no Instagram
A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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