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Cinema

Aonde foi parar o garoto do filme Vá E Veja?

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Aonde foi parar o garoto do filme Vá E Veja?

Tido como um dos maiores filmes de todos os tempos por muita gente séria, Vá e veja – um retrato extremamente cru dos horrores da guerra – está em cartaz de hoje a domingo, de graça, no canal da CPC-Umes. O filme, lançado em 1985, foi dirigido pelo cineasta soviético Elem Klimov e conta a história pesadíssima de um garoto bielorusso, Flyora (Aleksei Kravchenko), que, em 1943, no meio da Segunda Guerra, encontra um rifle SVT-40 enquanto brincava de cavar trincheiras com um amigo. Os dois estavam justamente em busca de armas escondidas. Só que eles são vistos e, no dia seguinte, Flyora é recrutado pelo exército de seu país.

A partir daí, não há um minuto sequer de paz no filme: Flyora tem sua família assassinada pelo exército, passa fome, escapa de ser alvejado várias vezes, vê todos os horrores possíveis e imagináveis da guerra acontecendo em seu país, e na sua frente. Já quem vê o filme tem chances de se horrorizar diversas vezes. Em especial por causa das mudanças na aparência de Flyora, um garoto adolescente bonito e saudável que, por causa das cenas que testemunha, se torna uma pessoa assustada e precocemente envelhecida.

TIROS NA VACA

O que muita gente mal desconfia é que os próprios atores estavam passando quase todos os perrengues vividos pelos personagens. Um artigo do site Russia Beyond esclarece que durante a filmagem de Vá e veja foi usada munição de verdade e, em vários momentos, os atores se assustaram com as balas passando em cima das cabeças deles. Uma cena famosa do filme, quando uma vaca é abatida a tiros de metralhadora, aconteceu de verdade.

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Kravchenko chegou a fazer um tratamento psicoterápico (e quase fez hipnoterapia) para não enlouquecer no meio das filmagens. Após o fim das filmagens, surgiu inclusive um boato forte de que o ator havia mesmo envelhecido por causa do filme, já que seus cabelos continuaram brancos. Na verdade, a equipe usou uma graxa especial e uma espécie de camada de prata no cabelo dele. Só que os compostos não eram tão fáceis assim de serem retirados e ele permaneceu com cabelo “branco” por uns tempos.

SUMIU E VOLTOU

Aleksei, que interpretou Flyoria, quase foi ator de um filme só. Ele, que filmou Vá e veja entre os 14 e 16 anos, ficou até 1998 sem fazer nada. A partir desse ano, começou a fazer pelo menos um papel anual em TV ou cinema. Em 2019 o ator, que tem hoje 51 anos, esteve no elenco de Lev Yashin: O goleiro dos meus sonhos, filme sobre o jogador de futebol soviético. Em 2001, contou sua história com Vá e veja numa entrevista.

Parece incrível, mas Aleksei nem estava muito certo do que queria quando foi parar no filme, nem era um apaixonado pela atuação. Foi na onda de um amigo de escola que era louco para virar ator, e que tinha descoberto que uma produtora de cinema estava procurando crianças louras de olhos azuis.

O futuro ator de Vá e veja foi lá relaxadão, só para dar apoio moral ao amigo e acabou ganhando o papel. Até impressionou a equipe quando pediram-lhe que imaginasse sua mãe doente, de cama, e ele se esvaiu em lágrimas. “Eu nem esperava por isso”, espanta-se. “Olhei para o lado e estava todo mundo chorando”.

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Depois que o filme estreou, Aleksei não se animou com a ideia de ser ator imediatamente (daí a demora para voltar à profissão) e até lembra de ter se assustado com uma multidão de fãs que o cercou após a primeira exibição. “Eles queriam me abraçar, mas parecia que queriam me derrubar”, lembra, rindo.

Mais cinema no POP FANTASMA aqui.

 

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Cinema

Urban struggle: tem documentário raro sobre punk californiano na web

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Sabe aquele vizinho fascista que você detesta, e que também tem uma relação péssima com você? Pois bem, o conto dos vizinhos que se odeiam mutuamente ganhou proporções astronômicas e perigosas com o relacionamento bizarro entre dois bares californianos: o boteco punk Cuckoo’s Nest e o bar de cowboys urbanos Zubie’s. Os dois ficavam um ao lado do outro na cidade de Costa Mesa, localizada em Orange County, região com cena punk fortíssima.

O Cuckoo’s Nest era um local importante para o punk da Califórnia, a ponto de bandas como Black Flag, Circle Jerks, Fear e TSOL teram tocado lá. E do primeiro show do Black Flag com Henry Rollins no vocal ter acontecido na casa, no dia 21 de agosto de 1981. Bandas como Ramones e Bad Brains, ao passarem pela cidade, sempre tocavam lá. Já o Zubie’s, lotado de playboys no estilo country, costumava ser um problema para os punks: os cowboys invadiam o local, arrumavam brigas com os punks e os insultavam usando termos homofóbicos.

Vale citar que mesmo dentro do Cuckoo’s Nest as coisas não eram fáceis, até porque “movimento punk” significava uma porrada de gente reunida, com motivações diferentes e estilos de vida conflitantes. Tipos violentos e machistas começaram a frequentar o local e a arrumar briga com os frequentadores. E quem viu o documentário The other f… word, da cineasta e roteirista Andrea Blaugrund Nevins, recorda que o rolê punk na Califórnia era muito violento.

Flea, baixista dos Red Hot Chili Peppers – e que tocou no Fear por alguns tempos nos anos 1980 – lembra em The other f… word que, no começo dos anos 1980, uma cena comum nos shows do Black Flag eram as inúmeras brigas nas quais os fãs eram esmurrados e nocauteados, apenas por terem o cabelo ou a roupa assim ou assado. “As pessoas não somente tomavam porrada, elas acabavam no hospital. Havia ambulâncias transportando os fãs após os shows a todo momento!”.

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O Cuckoo’s Nest ficou aberto de 1976 até 1981 e nunca deixou de ter problemas. O proprietário Jerry Roach lutava para manter a casa aberta, dialogava da maneira que dava com policiais, com clientes e até com a turma enorme de hippies, cabeludos e malucos que pulava de galho em galho na Califórnia.

E essa longa introdução é só pra avisar que jogaram no YouTube o documentário  Urban struggle: The battle of the Cuckoo’s Nest, dirigido em 1981 por Paul Young.  Infelizmente sem legendas.

Tem uma edição melhor no Vimeo. Sem legendas também.

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Num dos depoimentos do documentário, Jerry define a atitude dos punks como “foda-se, vivo de acordo com minhas regras”. Mas diz que não vê hippies como sendo pessoas da paz e do amor o tempo todo, e muito menos enxerga punks como odiadores contumazes. “É só um conflito de gerações”, disse Jerry, que – você talvez já tenha imaginado – batizou o local em homenagem ao filme Um estranho no ninho, de Milos Forman (o nome no original era One flew over the cuckoo’s nest).

Tanto os músicos quanto Jerry falam bastante a respeito de brigas com a polícia – o dono do local relata as vezes em que conversou com os agentes – e reclamam da violência policial. Por acaso, um dos agentes é entrevistado, e os meganhas locais, seguindo o exemplo dos cowboys, não tinham o menor apreço pelos punks. A luta de Jerry para manter o local aberto também está no doc. Mas se você quer sair fora das discussões, o documentário ainda tem apresentações bem legais do Black Flag, Circle Jerks e TSOL.

Paul Young, o autor do filme, era um estudante de cinema que tinha sido contratado por Jerry para filmar as invasões da polícia ao local. Acabou sendo responsável pelo documentário, e anos depois acabou ficando bastante indignado quando viu o filme We were feared – The story of The Cuckoo’s Nest, de Jonathan WC Mills, e reconheceu várias de suas imagens lá.

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Cinema

Mostra de cinema e música Curta Circuito vem aí e estamos nela!

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Tem um festival unindo música e cinema, cuja 21ª edição começa hoje, e nós estamos nele. O festival Curta Circuito começa nesta segunda (11), online e que e traz sete filmes brasileiros que contam a história da música e de músicos. Com direção de Daniela Fernandes e curadoria de Andrea e Carlos Ormond, o evento acontece online pelo site da mostra, entre 11 e 17 de outubro, com filmes disponíveis a partir das 20h em cada dia e participação gratuita. Nós (enfim, eu, Ricardo Schott, editor deste site) estamos lá participando de um debate sobre o filme Ritmo alucinante, de Marcelo França (na quarta, dia 13, ao lado do diretor de fotografia Jom Tob Azulay)

“Em anos anteriores debatemos filmes populares (2017), violência (2018), fé, magia e mistério (2020). Nosso recorte da curadoria conta não especificamente a história da música, mas histórias de música – e de músicos. Em todos os filmes, existe um ponto convergente: os músicos são protagonistas de experiências e emoções, levando de carona o espectador”, explica a curadora Andrea Ormond. “Esta edição do Curta Circuito vem como mais um alento a todos aqueles que resistem. A programação está recheada de histórias e da presença de personagens femininos marcantes da filmografia brasileira, dos anos que trazem som, cor, vivacidade, liberdade e postura”, completa a diretora Daniela Fernandes.

O filme Ritmo alucinante mostra trechos do festival Hollywood Rock de 1975, realizado no antigo Estádio de General Severiano, em Botafogo, com participações de Rita Lee, Vímana, O Peso, Erasmo Carlos, Raul Seixas e Celly Campello.

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Entre os outros filmes da mostra estão Bete Balanço (1984, dir. Lael Rodrigues), Um trem para as estrelas (1987, dir. Cacá Diegues), Corações a mil (1983, dir. Jom Tob Azulay, com Gilberto Gil e Regina Casé) e Roberto Carlos e o diamante cor de rosa (1970, dir. Roberto Farias).

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Cinema

Um canal de vídeos mostra como foi que Roger Rabbit uniu desenho e vida real

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Um canal de vídeos mostra como foi que Roger Rabbit uniu desenho e vida real

Daqui a bem pouco tempo, Uma cilada para Roger Rabbit (1988) vai fazer 35 anos – e como o tempo voa, logo logo faz 40. O filme de Robert Zemeckis inovou por misturar desenho animado e realidade, e deixou todo mundo intrigado não apenas pelo filme, mas também pelas suas imagens de making of, já que não havia quem não quisesse saber como aquilo foi feito.

Quem ficou de olho nas imagens de bastidores (o Cinemania, da Manchete, e o Fantástico exibiram muita coisa) viu que a produção usou máquinas para mexer os objetos “movidos” pelos desenhos animados (sim, porque ninguém abriu mão de usar objetos de verdade). E que os personagens humanos de Roger Rabbit precisavam fazer força para fingir que “contracenavam” com os desenhos animados, principalmente nas cenas de ação – que eram inúmeras.

O canal kaptainkristian localizou três regras importantes na animação de Uma cilada para Roger Rabbit, e que tornaram o filme um prodígio, feito numa época em que nem havia tecnologia suficiente para unir tão bem assim desenho e realidade. Dica: o uso de luzes e sombras contou bastante para ajudar o filme a se tornar o que é.

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