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Sean Lennon: “Minha mãe, Yoko Ono, inventou o punk”

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John Lennon e Yoko Ono

A veterana banda punk The Damned tem uma turnê de 50 anos na agulha – e tem fama de ter sido a inventora do punk, graças ao single New rose, de 1976. Mas Sean Lennon diz que, segundo o empresário dos Sex Pistols, Malcolm McLaren, o punk tem uma mãe, e ela se chama… Yoko Ono, a mãe dele (o que faz de Sean… irmão do punk?).

“Acho que minha mãe recebeu uma quantidade injusta de negatividade por causa de toda a história dos Beatles. Eles achavam que ela tinha acabado com os Beatles – e aí ela começava a chorar como uma louca (na cabeça deles) e isso os incomodava muito. Mas o que ela fazia era muito vanguardista, legal, punk e estranho. Ela essencialmente inventou o punk. Malcolm McLaren disse que a banda Plastic Ono da minha mãe, e não a do meu pai, fez o primeiro álbum punk”, contou ele.

A declaração de Sean foi dada durante uma entrevista por zoom ao New Musical Express. O filho de John Lennon e Yoko Ono bateu um papo com o site por causa da divulgação do filme-concerto Power To The People: John & Yoko Live In NYC, que traz restauradíssimas as imagens dos shows beneficentes que seus pais fizeram em 1972 no Madison Square Garden, e que gerariam em 1986 o álbum Live in New York City.

Os dois shows foram batizados de festival One to One, e rolaram de manhã e de tarde, em 30 de agosto de 1972 – houve participações também de Melanie, Sha Na Na e Stevie Wonder, mas eles não aparecem nem no disco nem no homevideo que foi lançado junto.

Sean se envolveu no projeto recentemente e diz que foi uma trabalheira abissal. “Cresci ouvindo o álbum ao vivo do mesmo show, Live in New York City. Eu o ouvia o tempo todo no aparelho de som da minha mãe, porque ela o tocava quando eu era criança. E eu sempre achei que o som era um pouco, sabe, meloso”, conta, reconhecendo que de qualquer maneira, o jeito do pai dele cantar nos shows era maravilhoso e bem diferente do Beatles. Um jeito intenso e gritado que, diz Sean, veio do envolvimento de John com a terapia do Grito Primal (ei, temos um episódio do nosso podcast Pop Fantasma Documento em que contamos essa história toda).

“Ele e minha mãe trabalharam bastante com essas pessoas ligadas ao Grito Primal. Eu tenho um livro que o Pete Townshend (The Who) mandou para o meu pai – chama-se O Grito Primal (de Arthur Janov). Enfim, meu pai se interessou, mas no fim das contas, tudo não passou de uma grande bobagem. Quer dizer, não é bom gritar e chorar para resolver traumas de infância. Na verdade, isso só reforça esses sentimentos”, conta Sean.

Sean também foi perguntado sobre ter se envolvido numa discussão para defender seus pais no Twitter recentemente – ele deparou com aquele velho meme do “John e Yoko esperando a empregada arrumar a cama do hotel para continuarem protestando”, com uma foto em que isso realmente acontece. Uma pessoa escreveu que aquela era uma situação irônica. Sean postou: “Não há ironia nenhuma em deixar uma empregada fazer o trabalho dela. Pensar o contrário é uma opinião bem boba. Eles não estavam protestando contra o serviço de empregada”.

“Acho que o que as pessoas não entendem é que, quando dizem essas coisas na internet, estão basicamente insultando minha mãe. E se você vai insultar minha mãe, eu não vou ser gentil”, disse Sean, que ouviu do repórter que talvez seu pai, caso estivesse vivo, também responderia esse tipo de coisa nas redes sociais.

“Acho que você tem razão. Ele escreveu cartas muito, digamos, enérgicas para os críticos que avaliaram mal seus álbuns – e elas eram sempre muito engraçadas. Ele as detonava e dizia coisas como ‘seu pseudo-intelectual babaca!’, mas no final: ‘paz e amor, John Lennon’. Achei isso muito fofo, e esse é o meu modelo de como defendo meus álbuns para as pessoas. Vou fazer isso – mas também estou brincando”, contou Sean, ultimamente também atarefado com o lançamento de The great parrot-ox and the golden egg of empathy, disco do The Claypool-Lennon Delirium, banda que divide com o baixista Les Claypool. O disco sai neta sexta-feira (1).

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Raidol revisita seu EP mais confessional em live session acústica

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Raidol (Foto: Divulgação/ONErpm)

RESUMO: Raidol lança o EP Todas as mensagens que nunca te enviei (Acústico), com versões acústicas das quatro faixas do disco de 2026, destacando letras autobiográficas, voz, violão e uma live session inédita.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação/ONErpm

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A cantora trans amazônida Raidol está revisitando um de seus trabalhos mais confessionais. Ela lançou Todas as mensagens que nunca te enviei (Acústico), EP que reduz o repertório do lançamento original de estúdio de 2026 ao essencial: voz, violão e canções que ganham um peso emocional ainda maior quando despidas dos arranjos originais.

As quatro faixas voltam em versões acústicas que destacam as letras inspiradas em experiências reais da artista. O EP acompanha diferentes fases de um relacionamento — da paixão inicial ao desgaste, passando por despedidas e pela reconstrução da autoestima — transformando mensagens nunca enviadas e conversas interrompidas em canções de forte carga autobiográfica.

(nós resenhamos o EP de estúdio aqui)

O lançamento chega acompanhado de uma live session gravada nos estúdios da ONErpm, em São Paulo. O vídeo reúne interpretações das músicas do EP e ainda uma versão acústica de Outra vez, faixa indicada ao Prêmio Multishow de 2024 na categoria Brega do Ano. Raidol divide o palco com a violonista Melina Forô, em apresentações que enfatizam a interpretação e a proximidade entre as duas musicistas.

A sessão foi dirigida e produzida por Natalia Mecatti, com fotografia de Stephanie Lima e Davilym Dourado. Stephanie Lima também assina a edição, enquanto Judaz Mallet ficou responsável pela gravação, mixagem e masterização. A proposta é simples: transformar o estúdio em um ambiente íntimo, privilegiando a performance ao vivo e a vulnerabilidade das canções.

“Depois de cantar no The Town, eu me vi longe de casa, atravessando uma cidade nova e um novo momento da minha carreira. Foi nesse contexto que gravei, nos estúdios da ONErpm, quatro releituras acústicas de canções que marcaram minha trajetória recente. Sem os adornos da produção original, elas revelam suas cicatrizes, seus silêncios e sua delicadeza. Esse projeto é sobre escutar o que permanece quando tudo o resto se cala”, comenta Raidol.

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Tenório pesa a mão e mistura jazz e grunge no novo single “Brecha”

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Tenório (Foto: Elisa Moos / Divulgação)

RESUMO: Tenório lança Brecha, single instrumental que une jazz, grunge e math rock em sua composição mais pesada até agora. A faixa antecipa o álbum de estreia e a estreia da banda nos palcos.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Elisa Moos / Divulgação

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“A ideia de Brecha surgiu como uma metáfora. As brechas podem ser portais. São fissuras da nossa propria vida, por onde algo escapa, entra ou respira. É por onde o acaso se expressa. E grandes transformações podem nascer de oportunidades pouco evidentes, de pequenos deslocamentos capazes de mudar completamente um caminho”, conta o músico Filipe Consolini sobre Brecha, o novo single da banda instrumental Tenório.

Brecha é a composição mais pesada da banda já lançada até o momento – eles já têm as músicas Pega, mata e come e Água de rio não sabe que a montanha é quente. Formado por Filipe (piano), Henrique Meyer (guitarra), Victor José (baixo) e Felipe Marques (bateria), o Tenório costuma fazer misturas selvagens usando o jazz instrumental (“indo do de Quarteto Novo a Tigran Hamasyan, de Amaro Freitas à Radiohead, de Badbadnotgood à Metá Metá”, ele conta). Rola um cruzamento jazz + grunge em Brecha, mas ao mesmo tempo a vibe geral da faixa tem bastante a ver com a onda math rock, e seus ritmos desfragmentados.

O Tenório vem com mais novidades: em setembro a banda tira o projeto do estúdio e estreia nos palcos. E tem um álbum de estreia vindo aí, para breve.

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E o Faith No More vem aí (mas calma, ainda não é no Brasil)

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Faith No More (Foto: Divulgação)

E olha só essa: depois de anos de silêncio, cancelamentos e declarações que faziam parecer improvável um retorno, o Faith No More está oficialmente de volta aos palcos. A banda de Mike Patton anunciou seus primeiros shows desde 2016 e fará uma turnê conjunta com o System Of A Down no início de 2027, em uma série de apresentações em estádios na Austrália e na Nova Zelândia.

As quatro datas confirmadas acontecem em 22 de janeiro (Sydney), 27 de janeiro (Melbourne), 1º de fevereiro (Brisbane) e 7 de fevereiro (Wellington). Os shows são fruto de um acordo articulado pela produtora brasileira 30e, que hoje gerencia as turnês mundiais e a estratégia de apresentações das duas bandas. Mas antes que você possa terminar de cantar “you want it all but you can’t have it” (trecho do refrão do hit Epic), calma: segundo a empresa, novas datas em outros territórios devem ser anunciadas futuramente, mas ainda não existe confirmação de apresentações no Brasil.

O anúncio encerra um dos hiatos mais incertos do rock alternativo recente. O Faith No More chegou a preparar uma volta em 2020, interrompida pela pandemia. A agenda foi remarcada para 2021, mas acabou cancelada novamente quando Mike Patton decidiu se afastar dos palcos para cuidar da saúde mental. Mais tarde, o cantor falou publicamente sobre agorafobia e alcoolismo, enquanto mantinha atividades com projetos como Mr. Bungle, Dead Cross e Tomahawk.

Enquanto Patton seguia em atividade, o futuro do Faith No More parecia cada vez mais nebuloso. Bill Gould, Mike Bordin e Roddy Bottum deram entrevistas pouco animadoras nos últimos anos, e Bottum chegou a definir a situação da banda como um “hiato semipermanente”. A última movimentação relevante havia sido uma misteriosa publicação nas redes sociais em junho, que alimentou especulações sobre um possível retorno.

A banda não sobe ao palco desde a turnê de Sol invictus, álbum lançado em 2015 que marcou o fim de um intervalo de 18 anos sem discos inéditos. Em 2016, o grupo ainda fez uma participação especial ao lado do ex-vocalista Chuck Mosley, morto no ano seguinte.

A volta do Faith No More acontece ao lado de outro grupo cuja trajetória recente também foi marcada por longos intervalos entre apresentações. O System Of A Down, que retomou uma agenda esporádica de shows nos últimos anos, divide o palco com uma das bandas mais influentes do rock pesado moderno. Desde a chegada de Mike Patton, em 1988, o Faith No More ajudou a redefinir os limites entre metal, funk, rap, hardcore e rock alternativo, influenciando gerações com discos como The real thing (1989), Angel dust (1992) e King for a day… Fool for a lifetime (1995).

A empresa brasileira celebrou a novidade ao anunciar a turnê conjunta nas redes sociais. “Esse anúncio marca mais um passo da 30e na construção de projetos internacionais impulsionados pelos global deals firmados com as duas bandas. Diretamente do Brasil, seguimos ampliando a nossa atuação no mercado global de entretenimento ao vivo, conectando artistas, parceiros e públicos em diferentes territórios. É um orgulho para a 30e somar forças com System Of A Down e Faith No More para colaborar nos próximos capítulos de duas trajetórias tão relevantes para a música”.

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