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Crítica

Ouvimos: DIIV – “Boiled alive” (ao vivo)

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Boiled alive traz o DIIV ao vivo com vinhetas e discurso existencial, ampliando o clima de Frog in the Boiling Water em ruído, ironia e desilusão.

RESENHA: Boiled alive traz o DIIV ao vivo com vinhetas e discurso existencial, ampliando o clima de Frog in the boiling water em ruído, ironia e desilusão.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Fantasy / Concord
Lançamento: 5 de janeiro de 2026

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Audivelmente, a experiência de Boiled alive, disco-filme ao vivo do DIIV, não é tão diferente assim de Frog in boiling water, disco da banda lançado em 2024 (resenhado pela gente aqui) e do qual saiu esse repertório do álbum ao vivo. A diferença é que cada faixa surge entremeada por uma vinheta que insere o ouvinte em algum clima diferente – seja no som de um fogo sendo acendido (para ferver a água do “sapo” do título), ou anúncios “existenciais” do repertório que está sendo apresentado, ou mesmo numa vinheta que fala do endorsement project do grupo, uma brincadeira séria com a inserção de anúncios políticos em outras mídias.

As gravações que deram origem a Boiled alive foram realizadas no Teragram Ballroom (Los Angeles) entre os dias 24 e 26 de maio de 2025 – o filme pode ser alugado ou comprado aqui. No disco ao vivo, o repertório de Frog aparece na ordem, encerrando com o single Return of youth, lançado em maio de 2025, e que não entrou no álbum. Boiled alive atualiza, com narrações e imagens, uma mensagem de desilusão e colapso, em que um mundo inchado e repleto de parasitas torna-se uma verdadeira máquina de moer sonhos e ideais. Por acaso, o “sapo na água fervendo” do título é uma referência a um trecho do livro História de B, de Daniel Quinn, que fala “do colapso lento, doentio e esmagadoramente banal da sociedade sob o estágio final do capitalismo, as realidades brutais que enfrentamos e achamos normais”.

Zachary Cole Smith, cantor e guitarrista do DIIV, é o sujeito certo para dar voz a esse tipo de inquietação – após se curar do vício em heroína, ele viu seu grupo entrar numa nova fase, artística e comercialmente falando. Hoje, o DIIV é quase um Pink Floyd do barulho, intenso, selvagem, mas meditativo. E achou um propósito existencial e pessoal para produzir ruídos e nuvens sonoras, que dominam faixas como In amber, Little birds, Brown paper bag, a tristonha Raining on your pillow e Fender on the freeway.

Já a travessia pessoal da bela Soul-net é aberta por uma vinheta que apresenta “Soul-net” como uma plataforma dedicada ao conformismo. Na tal plataforma, “você adquirirá o poder cósmico, desbloqueará a intuição e surfará na onda da empatia. O capitalismo não é a causa raiz dos seus problemas pessoais. Na Soul-Net, entendemos que o radicalismo político não é a resposta para os problemas da sociedade. A revolução não resolverá problemas profundamente enraizados”. Protesto com bom humor, para quem entende ironia – e gosta de tristeza barulhenta e melódica.

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Crítica

Ouvimos: Sutiã Rasgado – “Trash meninas” (EP)

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Resenha: Sutiã Rasgado – “Trash meninas” (EP)

RESENHA: Sutiã Rasgado mistura darkwave, pós-punk e punk em Trash meninas, EP que vai do etéreo ao peso com letras de desilusão e autoafirmação.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 30 de maio de 2025

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Duo feminino de Campinas (SP), o Sutiã Rasgado lançou ano passado o EP Trash meninas e o single Ilusão – e são uma banda que vai do clima etéreo ao peso punk em poucos minutos. Na verdade, é exatamente esse o caminho que elas fazem em Trash meninas: Again, a faixa de abertura, tem onda darkwave e baixo lembrando Joy Division, além de um beat de máquina. Like a shot tem estileira doce, guitarras bem simples e legais, e um som que lembra bandas como The Chameleons, The Sundays e a fase mais seca e nervosa do The Cure.

  • Ouvimos: Sutil Modelo Novo – Corre errado (EP)

Gênio ganha mais distorções, uma letra de desilusão amorosa em português e um clima entre o pós-punk e o jangle pop. A faixa-título encerra o EP migrando pro punk com riffs pesados – já a letra fala de autoafirmação feminina, mas conceitua o nome da banda falando que nem sempre as coisas são leves na vida (“às vezes eu me sinto um sutiã rasgado / uma calcinha larga ou um sapato usado / uma sola descolada, uma roupa com amassos”).

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Crítica

Ouvimos: Truckfighters – “Masterflow”

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Resenha: Truckfighters – “Masterflow”

RESENHA: Truckfighters mistura stoner, metal e riffs sabbathianos em Masterflow, disco que promete caos, mas segura a explosão.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7
Gravadora: Fuzzorama Records
Lançamento: 10 de abril de 2026

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Banda sueca de stoner rock que existe há 25 anos, mas tem discografia pequena, o Truckfighters volta com o sexto (!) disco, Masterflow, apelando para os prazeres broncos logo na capa – a lata de um líquido que poderia ser um lubrificante para automóveis diz mais a respeito de Ozo (voz, baixo) e Dango (guitarra) do que qualquer outra coisa. A frase “balance between discipline and freedom” (balanço entre disciplina e liberdade) diz igualmente muito sobre o caráter pesado e, às vezes, improvisado, do stoner que segue as receitas de bandas como o Kyuss: uma vibe sabbathiana, cheia de riffs e com som de alta octanagem.

Essas são a receita e a vibe geral, mas Masterflow é (vá lá) uma propaganda meio enganosa. Começa com o som cromado de Old big eye e The bliss, músicas que dão a impressão de que tudo vai sair do controle, entre metal, punk e stoner, e em meio a guitarras que rugem e rangem. O problema é que nada sai tanto assim do controle, ainda que depois venham os seis minutos e meio de Carver, som com vibração de Hawkwind.

O Truckfighters é mais interessante quando explode, o que torna faixas como Truce, com certa vibe oitentista (tem momentos em que lembra U2 e até The Cure), a faixa-título (um introspectivo tema instrumental) e Goin’ home em experiências meio chatinhas. Sem tentar dar uma de heróis do som pesado e apostando numa receita cheia de riffs, eles ainda assustam no clima cerimonial de Gath e na onda The Cult + Stooges de The gorgon. Uma viagem sonora que promete e às vezes cumpre, no geral.

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Crítica

Ouvimos: Jambu – “Cartas que escrevi enquanto sonhava” (EP)

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Resenha: Jambu – “Cartas que escrevi enquanto sonhava” (EP)

RESENHA: Jambu troca o pop noventista por emo, grunge e pós-punk em Cartas que escrevi enquanto sonhava, EP intenso, sentimental e cheio de guitarras marcantes.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7,5
Gravadora: Deck
Lançamento: 22 de maio de 2026

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Mudaram algumas coisas no som da banda manauara Jambu – ou melhor, a mudança foi geral. Manauero, o álbum anterior (resenhado aqui, e que ganhou edição deluxe recentemente), era tão pop que chegava a lembrar o som dos discos da Sony Music nos anos 1990. O EP Cartas que escrevi enquanto sonhava mostra uma face mais roqueira do trio, entre emo, grunge, climas pós-punk e algumas trevas nas letras – como a de Invisível, indie rock anos 2000 salpicado de tristeza emo, cuja letra diz “me sinto invisível, sozinho neste mundo”.

Cartas é uma nova fase da banda, em que Gabriel Mar (voz e guitarra), Roberto “Bob” Freire (guitarra) e Yasmin “ysmn” Moura (bateria e voz) fazem um som bem mais sentimental em que as guitarras estão na frente. A vibe pop do disco anterior dava um pouco mais de distinção ao som do grupo, importante dizer. Mas o mergulho no peso e na intensidade rendeu pelo menos dois sons que grudam no ouvido: a balada Carne e osso (com vocais bem bonitos) e as surpresas melódicas de Desconectou, que tem algumas lembranças de Foo Fighters. Já Desculpa, a segunda música, tem muito do indie britânico dos anos 2000.

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