No dia 18 de agosto de 2020, lembramos de Funhouse, segundo disco dos Stooges (1970), na nossa série de “várias coisas que você já sabia sobre…”. O álbum de Iggy Pop (voz), Ron Asheton (guitarra), Dave Alexander (baixo), Scott Asheton (bateria) e Steve Mackay (sax) foi feito à base de tretas. A começar pelos desentendimentos que a banda teve com o produtor Don Galucci.

Don tinha algumas ressalvas ao som do grupo e chegou a falar que o som dos Stooges era “impossível de ser gravado” quando recebeu da gravadora Elektra a missão de produzir o álbum. Também falou que a gravação era um “pesadelo” quando os Stooges chegaram dispostos a fazer o disco mais sujo e agressivo já feito no mundo, com guitarras no talo e várias distorções.

Os Stooges gostaram do fato de Don ter tocado teclados nos Kingsmen (Louie Louie costumava ser tocada pela banda) e já tinham visto o produtor na TV com a banda Don And The Good Times. Apesar do disco ter saído quase todo (dizem testemunhas) da cabeça de Iggy, Don elegeu Ron Asheton como seu interlocutor na banda, por achar o cantor maluco demais.

Mas vendo que não dava para gravar os Stooges de forma convencional em Funhouse, Gallucci decidiu tratar Fun house de maneira diferente. Botou todos para tocar ao vivo, pôs um microfone na mão de Iggy (em vez do procedimento normal de estúdio) e um PA para o grupo se ouvir. Foi muito ajudado por Brian Ross-Myring, técnico de som do disco, que vinha da velha-guarda dos estúdios americanos. Ross-Myring foi fundamental para não deixar a turma perder totalmente a linha no estúdio. “Uma guitarra deve soar como uma guitarra e um sax como um sax. Brian conseguiu isso e também aumentou o calor que buscávamos”, recordou Gallucci.