Há umas décadas, não existia podcast (jura?) e se você quisesse fazer um arquivo de áudio para qualquer finalidade, ele precisava ser gravado em fita ou disco de vinil. Alguém achou que seria interessante criar revistas em áudio, vendidas em K7, mas com objetivos que iam além de ser uma espécie de avô dos podcasts. Isso porque o principal objetivo era que elas servissem para pessoas que não podiam enxergar ou que, por algum motivo (necessidades especiais, mal de Parkinson), não conseguiam segurar uma revista.

O canal de vídeos Techmoan, que pesquisa maluquices tecnológicas lançadas há várias décadas, achou um exemplar da Choice Magazine, que funcionou por anos como uma espécie de Seleções lançada em K7, com várias matérias publicadas em revistas em todo o mundo. A publicação existe até hoje, é gratuita, usa vozes de vários narradores e disponibiliza arquivos falados que são baixados pelo computador. Só que existe ainda (embora em escala pequena) em versão fita, que é mandada pelo correio.

O maluco da história é que a revista sempre utilizou uma espécie de fita K7 que dura seis horas (!), para poder colocar todo o conteúdo das publicações nela. A fita vinha com inscrições em braile para facilitar o acesso, mas tinha o mesmo tamanho de qualquer fita normal de 90 minutos, quando observada de perto. Para poder usar as fitas, você tinha que comprar um antigo gravador de quatro faixas. O cara do Techmoan manda vir pelo correio um toca-fitas especial que funciona como um antigo vídeo-cassete, com velocidades diferentes para cada fita. Só assim que é possível usar as fitinhas.