Gilber T já tem três discos lançados e também faz parte da banda Seletores de Frequência, de BNegão. O som do cantor e compositor, nascido em São Gonçalo (RJ), une rock, soul e um leque de influências que inclui Prince, Gerson King Combo (seu parceiro em várias empreitadas) e sons indie, além das recordações de artistas como Elvis Presley e Luiz Gonzaga, que sua família ouvia. Para conhecer melhor o trabalho dele, vale procurar o livro Brodagens – Gilber T e as histórias do rap e do rock carioca, de Pedro de Luna. E tem uma entrevista bem completa na Cult Magazine, também.

Dessa vez, o compositor Gilber T ficou escondido no novo lançamento do cantor, que jogou nas plataformas uma versão de Sinnerman, canção tradicional afro-americana gravada por um enorme número de artistas. E imortalizada por Nina Simone há 55 anos.

O clipe da canção foi dirigido por Rabú Gonzales. A gravação de Gilber, numa onda mais soul rock, foi feita ao lado do produtor Bruno Marcus em Niterói na Tomba Records (que lançou os três primeiros discos dele) e masterizada por Seu Cris no estúdio La Cueva. Mas Gilber anuncia que vem por aí uma leva de músicas que ele gravou no estúdio Toca do Bandido, com produção de Tomás Magno. Um material que já estava para virar para um EP de souls tradicionais e autorais, programado inicialmente para dezembro de 2019.

“É que depois de dois anos, e ainda por causa desse monte de crise triturada com golpe, o disco foi adiado. E para ser lançado de uma forma bacana, num panorama musical onde teria relevância”, conta Gilber T, cujo futuro EP está sendo finalizado por Tomás na Vila Madalena, em São Paulo, no estúdio Soro. “Sinnerman surgiu numa pilha do Tomás, logo que conversamos sobre o fato de eu nunca ter feito uma versão de algo que eu curtisse. E por acaso Sinnerman caiu como uma luva, até porque era domínio público. Mas aí veio a pandemia e tudo aquilo que a gente já sabe”, recorda.

Ele não sabe ainda se Sinnerman (cuja letra narra as desventuras de um pecador que se esconde da justiça divina) vai estar no EP. Mas decidiu soltar a faixa como teste. Aliás, o EP tem sido pensado bem devagar. Tomás Magno e Gilber haviam feito contato em 2016, quando o técnico e produtor ligou para ele para avisar que havia curtido seu terceiro disco, Contradições, lançado naquele ano.

As conversas de Tomás e Gilber já dão uma ideia do que vai vir no EP, que está sendo finalizado no estúdio Soro, de Tomás. Outros nomes também aparecem nos créditos do disco: Sinnerman foi finalizada junto ao produtor Bruno Marcus, da Tomba Records (que lançou os três primeiros de Gilber) e masterizada por Seu Cris no estúdio La Cueva.

GILBER T – “SOBRE AS COISAS DO AMANHÔ

“Em meados de 2017 passamos a trocar sons e ideias sobre uma estética de gravação como era feita nos anos 1960. Uma banda com todo mundo tocando junto, praticamente já mixando tudo in loco, só com adição de voz posterior. Como o papo era em torno das produções da Motown, Stax e Daptones, decidimos pelos caminhos soul. Mas sem ser algo caricato”, conta Gilber T, anunciando uma mescla de rock e psicodelia, mas sem tantos efeitos de som.

“O peso natural viria dos arranjos. Era praticamente algo novo até pra mim, que espetava as guitarras direto no amplificador. A ambientação desse peso e forma de gravar vão vir do uso de todos os equipamentos analógicos da Toca do Bandido, manipulados no ato da gravação para conseguir as melhores texturas”, conta, dando uma ideia do que está vindo.

Olha o clipe de Sinnerman aí.

Foto: Isabel Valente/Divulgação