Connect with us

Crítica

Ouvimos: Upchuck – “I’m nice now”

Published

on

O Upchuck volta com I’m nice now, disco tenso e raivoso produzido por Ty Segall, unindo punk, rap e caos existencial liderado por KT.

RESENHA: O Upchuck volta com I’m nice now, disco tenso e raivoso produzido por Ty Segall, unindo punk, rap e caos existencial liderado por KT.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Domino
Lançamento: 3 de outubro de 2025

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Liderado pela explosiva vocalista KT, o Upchuck volta em clima de (vá lá) superprodução em seu terceiro disco. I’m nice now marca a estreia da banda na Domino, com produção de Ty Segall. Com um produtor desses, daria para imaginar que o grupo voltaria fazendo um som mais doidão e que fosse bem além da raiva punk. Mas K7, Chris Salgado (bateria e voz), Mikey Durham, Hoff (ambos guitarras), e Ausar Ward (baixo) voltaram fazendo um disco quase insociável, com emanações de bandas como Black Flag, Melvins e Flipper – além de umas músicas que soam como Stooges e MC5 transformado em spoken word rápida.

Importante falar que o melhor álbum do Upchuck continua sendo a estreia, Sense yourself, de 2022: era um disco que variava mais nas melodias e trazia um pouco mais de experimentação na hora de compor. I’m nice now foca mais na raiva e num clima denso e tenso, de palavras de ordem, e estruturas um tanto parecidas para boa parte das canções. O disco foca na mescla de punk e rap a maior parte do tempo, como em Tired, Plastic, Fried e o punk garageiro Homenaje, uma das faixas em que surgem os vocais em espanhol do baterista Chris Salgado. Essa raiva, e essa atmosfera radical que o grupo impõe, são o melhor do álbum.

  • Ouvimos: Shame – Cutthroat
  • Ouvimos: Nova Twins – Parasites & butterflies

KT soa como uma cantora de banda riot grrrl que tem total domínio da voz – entre gritos e partes faladas, você percebe de cara que ela é uma grande vocalista. O grupo bebe na fonte de Slits em New case, lembra do lado podre do rock dos anos 1980/1990 (Melvins, Flipper, o próprio Black Flag) em Kept inside, segue entre Pixies e Sonic Youth em Pressure. Já Kin, quase um hardcore, soa como Ratos de Porão, só que mais sociável musicalmente. Uma curiosidade é a melodia solar e pesada de Slow down, com pegada grunge.

As letras de I’m nice now, por sua vez, falam de intranquilidades e ranços diários – só que de maneira quase existencialista. KT narra histórias de racismo, abandono e apagamentos (Forgotten token), aponta o dedo para o cinismo da política e da mídia (Tired), fala sobre trabalho exaustivo e performático (Slow down). E fala até de amor, só que forma punk e desesperada, em Nowhere – música que encerra o disco, com clima pesado e sombrio, mas também com melodia criativa.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Crítica

Ouvimos: Starly Kind – “Inferno (xe/xem)”

Published

on

Resenha: Starly Kind – “Inferno (xe/xem)”

RESENHA: Starly Kind mistura lo-fi, screamo, pós-punk e psicodelia em Inferno (xe/xem), EP sombrio sobre angústia queer e demônios internos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: CorpoRAT Records
Lançamento: 8 de maio de 2026

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Musicista agênero do Oregon, Estados Unidos, que se radicou em São Paulo, Starly Lou Riggs criou a Starly Kind como veículo para uma música lo-fi e fantasmagórica. Um som que volta e meia ganha ares math rock, ou que se aproxima de um art rock em clima de pesadelo. Inferno (xe/xem) é um EP sobre demônios xamânicos, angústia existencial queer, dores acumuladas durante uma vida inteira – e sobre como é chamar o inferno de casa.

Starly kind, a faixa de abertura, é lo-fizaça, com glitches, clima dreamy e vocais torturados e gritados. Held me with soma a isso um clima mais ambient, em que vibrações screamo unem-se ao experimentalismo da música. Superanatural clutches fica entre a psicodelia e a no wave, com direito a uma guitarra próxima do som do Black Sabbath. Uma curiosidade e uma mudança de rumo vêm com Bloodlust rising, algo entre Beach Boys, Residents e Devo – seguida justamente pela onda reggae + dub + fantasmagoria de And the devil watched me dance in.

  • Ouvimos: Delmore – Tão logo cada poste se ilumina

Demon dreams, que encerra o disco, é pós-punk mais do que tudo, e é a música mais bonita do EP – aliás lida com uma noção mais tranquila de “beleza” na melodia, ainda que também invista na vibe sombria das outras faixas. Um disco bem instigante, em todos os momentos.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

 

Continue Reading

Crítica

Ouvimos: Duo Violeta – “Mar pequeno”

Published

on

Resenha: Duo Violeta – “Mar pequeno”

RESENHA: Duo Violeta mistura violão, escaleta e folk nordestino em Mar pequeno, disco contemplativo, viajante e cheio de imagens sonoras.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: The Citadel House
Lançamento: 22 de maio de 2026

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Se você for com muita sede ao pote no disco do Duo Violeta e chegar meio desavisado, pode acabar adorando o encontro do violão com a sanfona. Depois vai dar risada quando descobrir que André Sant’Anna e Rafael Campanaro, são na real, e respectivamente, o encontro da escaleta – teclado de sopro popularizadíssimo pelo reggae e pelo dub – com o violão. Mais que isso, as gravações tiveram vários testes de estúdio, que envolveram posicionamentos dos músicos, microfones diferentes e muitas experimentações sonoras.

Mar pequeno tá bem longe de ser um disco experimental, mas passa perto. É um disco brasileiríssimo e quase sempre nordestino, que parece seguir o curso de um rio e contar uma história – já que as músicas parecem encadeadas e evocam imagens que soam do mesmo modo. Será marés, Na rede e O boto, no começo, são folk nordestino – sendo que a última insere clima sombrio e efeitos de tremolo na escaleta. Para a ilha é forró + jazz, mas tem algo de indie rock na sonoridade, até algo de Beatles no meio da melodia. Inverno no mar é balada, blues e folk, com final contemplativo e várias partes diferentes.

Esse clima de viagem sonora, que insere segmentos diferentes em canções curtas, chega no ápice na última faixa do álbum, Emergiu. Até lá, André e Rafael proporcionam surpresas como a melodia de À deriva, que chega a lembrar um soul no final. Ou a recriação da folclórica Peixe vivo, cujas linhas melódicas só se tornam claras lá pelas tantas. Ou o clima folk brasileiro de Náufrago. Um disco muito bonito.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

 

Continue Reading

Crítica

Ouvimos: Soma Please – “Ballet” (EP)

Published

on

Resenha: Soma Please – “Ballet” (EP)

RESENHA: Soma Please mistura synth pop, pós-punk e dream pop em Ballet, um EP que cruza Queen, U2, LCD Soundsystem e até samba indie.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Skud & Smarty
Lançamento: 14 de maio de 2026

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

O Soma Please é um duo luso-britânico, formado pelos músicos Nuno Bracourt e Rob Williamson. Não chega a ser um som muito inovador, mas tem detalhes que conquistam de cara, já que Ballet, o EP, soa às vezes como um encontro entre estilos e épocas. Tipo o que rola com I’m a fan, entre o synth pop e uma onda que lembra o Queen, ou Love, um dream pop com peso. Pockets on my sleeves é pós-punk com alma oitentista, e algo de Radiohead e LCD Soundsystem misturado.

As duas últimas faixas do EP são as mais diferentonas do disco: Alone é um curioso pop meio samba, meio bossa, com cara indie e solar. What’s the score é mais ruidosa, abre com clima sombrio fake, e depois chega a lembrar um blues rock eletrônico. Ballet é um pequeno apanhado do som deles, e uma demonstração de sonoridades que estão no arquivo deles.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Continue Reading

Acompanhe pos RSS