Nos anos 1970, tinha muito artista que ficava extremamente puto ao encontrar um bootleg (disco pirata) seu numa loja. Peter Grant, empresário do Led Zeppelin, pegava vinis piratas do grupo na mão grande sem o menor constrangimento – quando não quebrava na frente do vendedor. Neil Young, visitando uma loja em 1972 em busca de uns LPs, deparou com um álbum de Crosby, Stills, Nash & Young, e com outro só de Crosby & Nash. Ambos bootlegs. Foi reclamar com o vendedor, deixou um bilhete para o dono do estabelecimento com seu telefone, avisando que ia levar os discos sem pagar e saiu porta afora.

Parece brincadeira, mas tá filmado. Em meio às preparações do filme malucão Journey through the past, que ele dirigiu – e lançou em 1974 – Neil Young foi a uma loja de discos e passou por essa situação. Olha aí.

Em meio a uma execução em altíssimo volume do disco Magical mystery tour, dos Beatles, no toca-discos da loja, Neil Young e o vendedor discutem sobre discos piratas e sobre o fato de um músico não ganhar nem um centavo pela gravação que está no álbum. O cantor pergunta a opinião do funcionário e quer saber onde a chefia da loja achou aqueles LPs.

“Não sei, o chefe que compra”, diz o vendedor. O papo até que transcorre civilizadamente. Neil é convencido pelo vendedor a voltar à loja e conversar com o proprietário por telefone. Debate com ele e acaba levando os discos. Isso foi muitas décadas antes de declarar que a “internet é o novo rádio” e de liberar o acesso a quase todo o seu catálogo na web.