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Crítica

Ouvimos: VODA/Fernanda Metello, “Véu em queda”

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Ouvimos: VODA/Fernanda Metello, "Véu em queda"
  • VODA é o nome do projeto de música, artes visuais e arte sonora da cantora, compositora e guitarrista Fernanda Metello. Véu em queda é o primeiro álbum do projeto, trazendo Fernanda na execução, composição, grsavação, produção e mixagem de todas as faixas.
  • O material foi gravado no estúdio caseiro de Fernanda no Rio de Janeiro entre 2021 e 2023. Ricca Guimarães masterizou o disco em fevereiro de 2024.

O VODA é mais uma experiência e uma performance do que um disco comum. Fernanda Metello, que já apresentou o material ao vivo em casas como o Audio Rebel (Rio de Janeiro), faz nas quatro primeiras faixas uma junção de indie rock, shoegaze e ambient. No conceito musical do disco, vocais e letras surgem quase sussurrados. Combinados com as melodias, parecem sons vindo de longe, como se fosse algo que requer chegar mais perto para entender, ou conhecer a origem.

Tocadas na guitarra (em meio a vários efeitos e tratamentos sonoros), as primeiras faixas trazem algo que lembra Velvet Underground, John Cale solo, Pavement e Cocteau Twins – é quase um noise rock leve, em que ruídos entram como elementos musicais, como rola em Véu em queda, Volver e Precipitação ou não. Algo até mais próximo do despojamento do rock alternativo dos anos 1990 do que do pós-punk da década anterior. A segunda metade do álbum, por sua vez, é basicamente de efeitos sonoros, com objetos transformando-se em instrumentos, gerando os sons submersos de Submersa #1 e Aquavodaplay, e os beats de máquina de escrever de Previsão do som da memória.

Nota: 7,5
Gravadora: Independente

Crítica

Ouvimos: Scrambled Heads – “Inward, then apart” (EP)

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Resenha: Scrambled Heads – “Inward, then apart” (EP)

RESENHA: No segundo EP, Inward, then apart, o duo curitibano Scrambled Heads mistura emo, pós-hardcore, shoegaze e hardcore dos anos 1990 em músicas sobre dúvidas, inseguranças e culpa, entre peso e melodia.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 7 de agosto de 2026

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Buga (Redlightz, também ex-Abraskadabra) e André Pamplona (ex-Monaco Beach) fizeram do Scrambled Heads um projeto de estúdio, bem diferente das outras bandas que eles já tiveram. Com um bom tempo de experiência no DIY curitibano, eles já passaram por turnês (fora do Brasil inclusive) com sérias restrições orçamentárias, viagens de van por tudo quanto é canto, e o Scrambled Heads vem num momento de sossego para ambos.

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Inward, then apart, segundo EP do grupo investe em uniões de emo, pós-hardcore, shoegaze e hardcore californiano dos anos 1990 – com uma certa pressão nesse terceiro estilo. Não chega a ser um “punk pop”, mas as melodias em sua maioria são ganchudas e cantaroláveis, cabendo boas harmonizações em The observer, linhas vocais bem construídas em Chaos left unsaid e porrada punk em faixas como Wildfire e I build shelter from branches of second-guessing – esta, com andamento sinuoso, meio herdado do skate-rock e do reggae.

As letras acompanham a porrada, falando de dúvidas, inseguranças e sombras – além do fantasma da culpa tomando conta de Guilt trip. Som de peso, em busca da calma.

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Ouvimos: 14 Flamingos – “Fine art” (EP)

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Resenha: 14 Flamingos – “Fine art” (EP)

RESENHA: O coletivo canadense 14 Flamingos, que chega a reunir até 14 músicos em shows, lança em Fine art, EP de três faixas que cruza rock setentista, soul, yacht rock, psicodelia e pós-punk com arranjos expansivos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 27 de agosto de 2026

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O 14 Flamingos era só uma banda-dupla – depois virou uma banda de verdade, e depois, uma multidão de colaboradores, que chega a somar 14 pessoas dependendo da gravação e do objetivo a alcançar. O EP Fine art, com três faixas, usa essa turma toda para contar histórias através das letras, das melodias e dos arranjos.

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O grupo (que vem do Canadá) é tão bom em bandeirar seu próprio trabalho, que dá até pra deixar a banda falando sobre si própria. Como em Habsburg chin, que eles definem como “imagine um baile em Versalhes, só que a banda foi substituída por um grupo de pessoas que provavelmente entraram pela porta dos fundos de uma taverna” – na verdade é um rock anos 1970, que tem muito de soul e yacht rock, e até das invenções musicais de Kevin Ayers e Tom Waits.

Yesterday’s fair responde pelo lado mais carnavalista do disco, chegando a lembrar Mutantes em alguns momentos. The duke, terceira e última faixa, é uma fanfarra pós-punk, com ritmo funkeado, e a mehor melodia do disco.

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Ouvimos: Cella – “Efeito borboleta”

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Resenha: Cella – “Efeito borboleta”

RESENHA: A amazonense Cella estreia com Efeito borboleta, disco de MPB-pop que cruza ritmos nortistas, reggaeton, funk e dance music em canções sobre mudanças, amores e autoconfiança.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Urban Pop
Lançamento: 8 de maio de 2026

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Estreia da amazonense Cella, que é cantora e atriz (esteve na montagem carioca da peça Fala sério, mãe, ao lado da autora Thalita Rebouças), Efeito borboleta é um disco de mudanças pessoais em clima de MPB-pop. Cella mistura sons de sua terra e climas de reggaeton e funk, relembrando amores em que precisou se esforçar para caber na vida de outra pessoa (Demais pra você) e de situações bem mais tranquilas e empoderadoras (Encantaria, Meu norte). Mas depois as coisas saem do controle, romanticamente falando, com as lentinhas Veneno (com participação de Doral) e Me ignora.

É um pop correto, brasileiro, bem produzido, com boas canções e cantado em tons de bossa – e que, de certa forma, reapropria muitas vibes sonoras do Norte que volta e meia aparecem em gravações feitas em outros lugares. Lá pelo final, Karma junta dance music, latinidade e riffs de guitarrada, seguida por dois remixes (da própria Karma e de Meu norte).

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