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Elephant Run revisita “Fernanda” em clima de jazz, tarantela e chuva

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Elephant Run (Foto: Rafael Russano / Divulgação)

RESUMO: A Elephant Run revisita uma música de 2017 em Fernanda, versão acústica gravada no Mato Records, em Minas Gerais. A faixa troca o peso psicodélico por violão, bandolim, jazz e tarantela.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Rafael Russano / Divulgação

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O Elephant Run resolveu voltar quase dez anos no tempo para mexer em uma de suas primeiras músicas. A banda sueco-brasileira apresenta uma versão ao vivo e acústica de Fernanda, faixa do primeiro álbum do grupo, lançado em 2017. A gravação faz parte da série Mato Sessions e foi realizada no Mato Records, estúdio localizado no interior de Minas Gerais.

A música ganhou outro desenho nessa nova versão. O arranjo abandona o peso roqueiro e psicodélico do original e coloca violão, bandolim, baixo acústico e bateria tocada com vassourinhas no centro da gravação. A ideia também aproximou Fernanda de referências de jazz e tarantela, sem apagar a identidade da banda.

“O rock é a nossa base, mas estamos abertos ao jazz, ao folk ou a elementos mais teatrais, se for esse o caminho da música”, diz Amanda W. Plantin, que divide os vocais e o piano com Ladislau Kardos (bateria), Fernando Coelho (bandolim) e Renato Cortez (baixo acústico). Karin Älverbrandt participa da sessão no violão e nos backing vocals. “Não temos receio de construções longas, estruturas pouco convencionais ou de deixar uma música levar o tempo que precisar”, completa Amanda.

Fernanda tem um significado especial para a Elephant Run. É uma das primeiras composições do grupo e integra o repertório que a banda chama de “nordic tropical”, combinação de referências que também aparece em outros momentos de sua trajetória. A versão original ganhou tratamento mais psicodélico; agora, a música parece ter sido colocada em outra paisagem.

O Mato Records ocupa um lugar importante nessa história. O estúdio fica na casa de Renato Cortez e se transformou em um ponto de encontro para uma banda cujos integrantes vivem em diferentes partes do mundo. Foi ali que a Elephant Run gravou Leftover land, seu álbum mais recente, lançado em 2024. Renato também mixou e masterizou a nova sessão.

“Fazer regravações, outros arranjos de obras, sendo nossas ou não, é algo que eu sempre gostei”, conta o baixista. “É um exercício de se apegar a algo essencial da música e abandonar o resto. Com a presença da Karin Älverbrandt conosco naqueles dias, foi natural fazer uma versão com o apoio da voz e do violão que ela fez.”

A gravação ainda ganhou uma solução visual que nasceu de um problema. A ideia inicial era registrar a banda ao ar livre, com as montanhas ao fundo, mas a chuva forte obrigou todo mundo a permanecer dentro do estúdio. As câmeras de Rafael Russano acompanharam a performance na sala de estar, enquanto Tiago Feliciano cuidou da edição de cor e levou o vídeo para o preto e branco.

“Queríamos gravar ao ar livre, com as montanhas como pano de fundo, mas estava chovendo muito, então tivemos que fazer a gravação na sala de estar do estúdio, em frente às janelas”, conta Amanda. “Então, a chuva acabou se tornando parte da narrativa e decidimos incorporar essa linguagem na pós-produção, mostrando a chuva e usando, por exemplo, o preto e branco”.

E tá aí Fernanda.

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British Birds mistura garage-punk e humor ácido em “Lie down with dogs, stand up with fleas”

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BRITISH BIRDS (Foto: Divulgação)

RESUMO: O British Birds antecipa Murmurate, oscillate com Lie down with dogs, stand up with fleas, faixa garage-punk que combina referências sixties, humor e crítica à passividade política inglesa.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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Provavelmente, Lie down with dogs, stand up with fleas, single mais recente da banda British Birds, tem os melhores “oooohs” do ano (na tradição do “xiouuu” de Making plans for Nigel, do XTC). Funciona bem como canção de rock retrô, e como artigo pop. digamos assim. E esse som em clima meio garage-punk, meio sixties, com lembranças de B-52’s e Devo comprimidas num arranjo simples, abre caminho para o terceiro álbum da banda, Murmurate, oscillate, previsto para 16 de outubro pelo selo Skep Wax Records.

Vindos de Lancashire, Inglaterra, os irmãos Bobby e Emma Townson (que formam o grupo) decidiram colocar na música seu saco cheio com a passividade do povo inglês – no qual têm visto um comportamento meio barro, meio tijolo, todo mundo tendo comportamentos absolutamente bovinos diante da política bem estranha da Inglaterra. A ideia é tratar assuntos sombrios sem abandonar o senso de humor.

Os irmãos sempre operaram no total do it yourself: Bobby grava e mixa as músicas, enquanto Emma cuida das artes. Os dois primeiros discos foram lançados pela própria banda e vendidos principalmente em shows e em algumas lojas selecionadas. A Skep Wax, selo que vai lançar o próximo disco, é a gravadora de bandas como Heavenly, Foglights, Swansea Sound e Special Friend. A gravadora tá animada – até define os British Birds como uma banda que “não esperou por permissão para alçar voo. Eles simplesmente seguiram em frente”.

A onda dos British Birds ainda pega outros assuntos bem sérios: Polka dot eyes fala sobre rapazes de Lancashire que entram pro exército e voltam para casa traumatizados – uma música que a banda define como “perturbadora e engraçada ao mesmo tempo”. Just like them fala de pessoas introvertidas e Scary movie traz uma lembrança bem curiosa da infância dos dois: o avô de Bobby e Emma costumava mostrar filme de terror (!) a eles quando eram crianças. Já Lie down with dogs, stand up with fleas, você confere aí.

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She Has Gone Insane estreia com punk, metal, groove e crítica ao patriarcado

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She Has Gone Insane - Foto: Gabriel Cezars / Divulgação

RESUMO: A banda do ABC Paulista She Has Gone Insane estreia com Authority vendetta, single que mistura groove, metal, punk e hardcore para questionar rótulos impostos às mulheres.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Gabriel Cezars / Divulgação

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“Ela ficou louca” é o tipo de rótulo que aparece quando uma mulher sai do comportamento que esperam dela. É justamente essa ideia que está por trás de Authority vendetta, single de estreia da She Has Gone Insane, banda do ABC Paulista.

O nome do quarteto provoca: a vocalista Nico Modena explica que She Has Gone Insane ironiza a forma como a liberdade feminina costuma ser tratada – e muitas vezes, ela é vista como “loucura”. Tocar bateria, ter uma banda ou simplesmente viver fora do molde patriarcal… nada disso deveria ser tratado dessa forma.

Musicalmente, Authority vendetta também não escolhe uma única gaveta. A faixa junta as levadas do soul dos anos 1970 ao peso do metal, à velocidade do punk e ao hardcore. O resultado passa por riff pesado, baixo presente, bateria forte e vocais que alternam drive e groove.

A She Has Gone Insane reúne Nico Modena (vocal), André Alves (guitarra), Luisa Sauer (bateria) e Juliano Demarchi (baixo), músicos que já circulam por diferentes projetos da cena independente paulista. Authority vendetta é a primeira faixa da banda a sair oficialmente – em quatro meses, fizeram dez canções. O single sai pela Rookie Records, de Hamburgo. E a música já ganhou clipe

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Echo and The Bunnymen traz lembranças do groove dos Doors em novo single

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Ian McCulloch, do Echo and The Bunnymen (Foto: Fritz / Divulgação)

RESUMO: Echo and the Bunnymen lança mais uma do disco Apples for Isaac, primeiro álbum de inéditas em 12 anos: é Take me by the hand, com guitarras circulares, clima sombrio e lembranças de The Doors.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Fritz / Divulgação

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Como tá sua expectativa pro próximo disco do Echo and The Bunnymen? A nossa vai muito bem, obrigado: Apples for Isaac, primeiro disco de inéditas da banda em 12 anos, sai em 18 de setembro pela BMG, e o grupo acaba de divulgar o terceiro single do álbum – é a faixa de abertura do disco, Take me by the hand.

A nova música é repleta de grooves de guitarra, e tem uma onda bem ligada àquela época em que o Echo parecia se esforçar para reproduzir o groove e a vibe misteriosa e circular dos Doors. Ian McCulloch canta de forma mais áspera e a letra parece aludir à necessidade de simplificar a vida, num tempo cada vez mais caótico. O outros singles já lançados foram Brussels is haunted e The light that surrounds you.

Apples for Isaac foi produzido pelo vocalista Ian McCulloch, que também ficou responsável pela mixagem, juntamente com Alan Moulder e Andrea Wright. Levado adiante hoje em dia por Ian e pelo guitarrista Will Sargeant, o Echo contou também com o serviços de um outro baterista já “ido”: Clem Burke, do Blondie, morto em abril do ano passado, toca em dez das onze músicas.

“O poderoso e lendário Clem Burke – amigo de longa data do Mac – foi fundamental para a criação do álbum e, infelizmente, faleceu durante sua finalização… Te amamos, Clem X””., comentou a banda.

Apples for Isaac sucede Meteorites, de 2014, e a coletânea The stars, the oceans & the moon, lançada em 2018. Num papo com a Mojo, recentemente, Ian falou sobre o intervalo de mais de dez anos entre os dois discos. “O que nos atrasou? Acho que a Covid teve algo a ver com isso”, disse ele. “Mas eu também queria, liricamente, que tudo fizesse sentido — ou que fosse enigmaticamente importante. O que é uma baita frase”.

McCulloch acrescentou que “mais do que qualquer outro disco que eu me lembre, ele (Apples for Isaac) está soando exatamente como eu o imaginava. Eu simplesmente disse (pra mim mesmo): cante como você quer se ouvir”.

Você acha mais infos sobre o próximo disco do Echo aqui.

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