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Elephant Run revisita “Fernanda” em clima de jazz, tarantela e chuva

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Elephant Run (Foto: Gregory Rowlinson / Divulgação)

RESUMO: A Elephant Run revisita uma música de 2017 em Fernanda, versão acústica gravada no Mato Records, em Minas Gerais. A faixa troca o peso psicodélico por violão, bandolim, jazz e tarantela.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Gregory Rowlinson / Divulgação

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O Elephant Run resolveu voltar quase dez anos no tempo para mexer em uma de suas primeiras músicas. A banda sueco-brasileira apresenta uma versão ao vivo e acústica de Fernanda, faixa do primeiro álbum do grupo, lançado em 2017. A gravação faz parte da série Mato Sessions e foi realizada no Mato Records, estúdio localizado no interior de Minas Gerais.

A música ganhou outro desenho nessa nova versão. O arranjo abandona o peso roqueiro e psicodélico do original e coloca violão, bandolim, baixo acústico e bateria tocada com vassourinhas no centro da gravação. A ideia também aproximou Fernanda de referências de jazz e tarantela, sem apagar a identidade da banda.

“O rock é a nossa base, mas estamos abertos ao jazz, ao folk ou a elementos mais teatrais, se for esse o caminho da música”, diz Amanda W. Plantin, que divide os vocais e o piano com Ladislau Kardos (bateria), Fernando Coelho (bandolim) e Renato Cortez (baixo acústico). Karin Älverbrandt participa da sessão no violão e nos backing vocals. “Não temos receio de construções longas, estruturas pouco convencionais ou de deixar uma música levar o tempo que precisar”, completa Amanda.

Fernanda tem um significado especial para a Elephant Run. É uma das primeiras composições do grupo e integra o repertório que a banda chama de “nordic tropical”, combinação de referências que também aparece em outros momentos de sua trajetória. A versão original ganhou tratamento mais psicodélico; agora, a música parece ter sido colocada em outra paisagem.

O Mato Records ocupa um lugar importante nessa história. O estúdio fica na casa de Renato Cortez e se transformou em um ponto de encontro para uma banda cujos integrantes vivem em diferentes partes do mundo. Foi ali que a Elephant Run gravou Leftover land, seu álbum mais recente, lançado em 2024. Renato também mixou e masterizou a nova sessão.

“Fazer regravações, outros arranjos de obras, sendo nossas ou não, é algo que eu sempre gostei”, conta o baixista. “É um exercício de se apegar a algo essencial da música e abandonar o resto. Com a presença da Karin Älverbrandt conosco naqueles dias, foi natural fazer uma versão com o apoio da voz e do violão que ela fez.”

A gravação ainda ganhou uma solução visual que nasceu de um problema. A ideia inicial era registrar a banda ao ar livre, com as montanhas ao fundo, mas a chuva forte obrigou todo mundo a permanecer dentro do estúdio. As câmeras de Rafael Russano acompanharam a performance na sala de estar, enquanto Tiago Feliciano cuidou da edição de cor e levou o vídeo para o preto e branco.

“Queríamos gravar ao ar livre, com as montanhas como pano de fundo, mas estava chovendo muito, então tivemos que fazer a gravação na sala de estar do estúdio, em frente às janelas”, conta Amanda. “Então, a chuva acabou se tornando parte da narrativa e decidimos incorporar essa linguagem na pós-produção, mostrando a chuva e usando, por exemplo, o preto e branco”.

E tá aí Fernanda.

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Uma música de seis minutos, um público fiel e a aposta da Lighthouse

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Lighthouse (Foto: Matheus Oliveira / Divulgação)

RESUMO: A Lighthouse desafia a lógica do single curto com Saudade, faixa de mais de seis minutos que virou favorita nos shows. Produzida por Teago Oliveira (Maglore), ela mistura emo, Radiohead, Coldplay e Midwest emo.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Matheus Oliveira / Divulgação

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O mercado musical é cheio daquelas ondas que Nelson Rodrigues chamava de “Sobrenatural de Almeida”: discos altamente pop que não emplacam, músicas aparentemente anti-comerciais que viram hits, canções que são abraçadas pelo público mas nem sempre seguem a lógica-padrão das rádios e gravadoras. A banda Lighthouse, por exemplo, decidiu fazer da música Saudade um single após ver que ela fazia bastante sucesso nos shows. E Saudade, vale dizer, é uma música introspectiva, densa e… grande, com mais de seis minutos de duração.

Traduzindo: se a lógica do mercado é partir para canções “fáceis” e curtas, esse grupo formado no interior de São Paulo não está nem aí pra isso – muito menos seu público. “Desde sempre ela é muito importante para nós, foi a primeira música que o público abraçou”, recorda o guitarrista Matheus Oliveira, que integra a banda ao lado de Ralf Ricardo (vocalista), Felipe Rodrigues (baixo e voz) e Danilo Abreu (bateria).

  • Ouvimos: Teago Oliveira – Canções do velho mundo

A banda, formada no interior de São Paulo, se trancou no estúdio com o produtor Teago Oliveira (da banda baiana Maglore), e saiu de lá com Saudade registrada como uma canção quase progressiva, sem trair as origens emo e alternativas do grupo. A letra, bastante contemplativa e nostalgica, fala sobre a ausência de alguém e a falta que a pessoa deixou. O arranjo inclui riffs dedilhados e uma onda sonora que remete simultaneamente a Radiohead, a Coldplay e ao Midwest emo.

“É a mesma música, mas totalmente diferente. Estou ansioso para ouvir a galera perguntando: ‘isso é Lighthouse?’, brinca Ralf, dizendo que muita coisa foi acrescentada na canção, mas a essência foi mantida. “A expectativa que tínhamos é agora pequena perto do que se tornou realidade. Ter uma música produzida por um ídolo, em um processo tão leve, gratificante e evolutivo, já me deixa muito satisfeito”, diz o músico, que, como os amigos de banda, tem Teago e o Maglore como referências.

Saudade é o segundo single da Lighthouse, que já conta com a faixa Calma, lançada em 2024, e o EP Ao vivo na viva, de 2025.

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Psychobilly baiano: The Dead Billies volta aos palcos 25 anos depois

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The Dead Billies (Foto: Sora Maia / Divulgação)

RESUMO: O The Dead Billies está de volta. 25 anos após o fim, a cultuada banda de psychobilly de Salvador retorna com Dastaev nos vocais, show marcado para outubro e planos de músicas inéditas.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Sora Maia / Divulgação

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Uma das bandas mais cultuadas do psychobilly brasileiro está de volta. O The Dead Billies, formado em Salvador (BA) no início dos anos 1990, retorna aos palcos 25 anos depois de encerrar as atividades. Rex (guitarra), Joe Gomes (baixo) e Morotó Slim (bateria) estão novamente juntos, agora com Dastaev nos vocais.

O primeiro show da nova fase acontece em 31 de outubro, no Largo da Tieta, no Pelourinho, em Salvador. Batizada de Night of the living Dead Billies, a apresentação marca o reencontro de uma banda que terminou em 2001, depois da saída do vocalista Mosckabilly.

Na época, os integrantes preferiram encerrar o grupo a seguir com outra formação. A ideia de voltar, porém, nunca desapareceu completamente. “O desejo de voltar sempre existiu. Mas, por respeito à nossa história, à nossa música e, principalmente, aos fãs que acompanharam a banda, sabíamos que não poderia acontecer de qualquer maneira. Só 25 anos depois encontramos alguém que compartilha da mesma visão e tornou esse reencontro possível”, afirma Rex.

Dastaev entrou na história a partir de um relançamento. Em 2023, Don’t mess with The Dead Billies, segundo álbum da banda, ganhou uma edição em vinil pela Neves Records. Foi por meio do selo que Rex conheceu o trabalho da banda Dasta & The Smokin’ Snakes e acabou chegando ao vocalista.

“Quando ouvi esse disco pela primeira vez, não acreditei que fosse uma banda brasileira e fiquei muito surpreso com os vocais de Dasta. É muito difícil encontrar bons vocalistas que tenham familiaridade com o que fazemos. Dasta foi um achado e tanto”, conta Rex.

Para Dastaev, a ligação com o The Dead Billies vem de antes do convite. “A banda também faz parte da minha memória afetiva e da minha formação artística. Quando eu estava começando a fazer banda, eles me mostraram que dava para fazer rockabilly do nosso jeito, sem ficar preso a certas ‘regras'”, diz. “Então, ser convidado para assumir os vocais é, antes de qualquer coisa, uma grande honra. E encontrei meu lugar sendo eu mesmo. Eles nunca me pediram para deixar minhas referências ou minha identidade artística na porta. O The Dead Billies continua sendo o The Dead Billies, e eu continuo sendo Dasta, só que agora no mesmo caminho”.

A banda surgiu em uma Salvador que começava a ganhar novas conexões com cenas alternativas de todo o país. Com uma mistura de psychobilly, rockabilly e referências de terror, lançou a demo Coffin bop (1995) e os álbuns Don’t mess with The Dead Billies (1996) e Heartfelt sessions (1999). O grupo acabou em 2001, mas permaneceu como referência de culto dentro do rock brasileiro.

O relançamento em vinil ajudou a apresentar a banda a uma geração que não teve a chance de vê-la ao vivo. E esse é justamente um dos motivos apontados pelo grupo para o retorno. “Durante todo esse tempo, ouvimos incontáveis vezes a mesma pergunta: ‘Vocês não vão voltar, nem que seja para fazer um único show?’. Esse carinho sempre nos marcou. Ao mesmo tempo, existe uma geração que nos descobriu depois do fim e nunca teve a oportunidade de nos ver ao vivo”, continua Rex.

O retorno não deve ficar apenas no show de outubro. O The Dead Billies voltou a compor e pretende registrar músicas inéditas, abrindo uma nova etapa para a banda. E os ingressos para o show Night of the living Dead Billies já estão disponíveis pela Sympla.

SERVIÇO:
Night of the Living Dead Billies
Data: 31 de outubro de 2026
Local: Largo da Tieta – Rua Alaíde do Feijão, Pelourinho, Salvador (BA)
Produção: Perruche Produções
Apoio: Prefeitura de Salvador – Procultura
Classificação: 18 anos
Ingressos: a partir de R$ 60, aqui.

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Pitty anuncia novo álbum, o primeiro de inéditas em sete anos

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Pitty (Foto: Jorge Daux / Divulgação)

Depois de alguns dias publicando pistas, Pitty revelou em um vídeo-manifesto o próximo capítulo de sua carreira. O anúncio é do álbum ︎ ⚡PITTY ⚡︎, seu sexto disco de inéditas (aparentemente, com esses raios ao lado do nome) e o primeiro trabalho de estúdio desde Matriz, de 2019. O lançamento está marcado para 16 de outubro, pela Deck.

Desde Matriz, Pitty passou por diferentes projetos, encontros e shows, enquanto um novo disco de inéditas foi ficando para depois. Nesse intervalo, a cantora também se afastou por um período da rotina dos palcos e passou a dedicar mais tempo à composição.

As músicas do novo álbum começaram a aparecer no fim de 2025. Segundo Pitty, a ideia de fazer um disco veio depois. “Eu ainda não estava pensando em fazer um álbum. Mas veio um troço, a caneta começou a fritar, a caneta ferveu, e eu fui deixando. Me abri totalmente para aquilo que estava acontecendo. Esse disco se fez e se impôs. Eu fui tomada por ele”, afirma.

A cantora também diz que o processo trouxe de volta uma maneira de compor que fazia parte de sua vida antes da carreira profissional. “Eu tenho dito que estou fazendo o primeiro disco da minha vida, porque essa é a sensação. As coisas vêm na hora em que precisam vir. Depois de sete anos, surgiu um jeito novo de criar e eu me permiti seguir esse movimento sem tentar controlar o que estava acontecendo”, conta.

O título epônimo coloca o próprio nome de Pitty no centro do projeto. Ela assume a criação e a direção geral do álbum, participando das letras, melodias, riffs e da coprodução musical, além de trabalhar na construção visual e narrativa do disco.

Mais detalhes sobre o próximo disco serão apresentados nos próximos meses. O álbum chega às plataformas em 16 de outubro. E, diz o release, “não é volta, é consequência”.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Jorge Daux / Divulgação

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