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Peso e psicodelia: Levitation desembarca no Brasil com Melvins, Boris e Osees

RESUMO: O Levitation ganha sua primeira edição no Brasil em 23 de janeiro de 2027, em São Paulo, com Melvins, Osees, Boris e Frankie and the Witch Fingers, além dos brasileiros Test, Bike, Ema Stoned e Bufo Borealis.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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O Levitation finalmente vai atravessar o Hemisfério Sul. Um dos festivais mais importantes da cena psicodélica americana terá sua primeira edição no Brasil em 23 de janeiro de 2027, no Komplexo Tempo, em São Paulo. E o primeiro cartaz já chega com Melvins, Osees, Boris e Frankie and the Witch Fingers, além dos brasileiros Test, Bike, Ema Stoned e Bufo Borealis.
A edição brasileira faz parte de um circuito sul-americano que também passa por Buenos Aires, em 20 de janeiro, e Santiago, no dia seguinte. Os ingressos começam a ser vendidos em 19 de agosto, às 10h, pela Fastix. A organização é da Maraty, com patrocínio da Kunumi.
A ideia de trazer o Levitation para cá começou há mais de uma década. André Barcinski, produtor da Maraty, conheceu o festival em Austin em 2014, quando o evento ainda carregava o nome Austin Psych Fest. “Fiquei impressionado com a qualidade das bandas, a organização e o clima de camaradagem entre o público e os artistas. Eu não conhecia 70% das bandas do line-up e saí de lá zonzo de tanta música boa”, conta. “Desde então, sonho em poder replicar esse festival no Brasil. Foram vários anos de tentativas, e agora deu certo!”
O projeto brasileiro pretende manter uma das características mais importantes do festival americano: uma programação que não depende apenas de grandes nomes. Leandro Carbonato, produtor da Powerline e sócio da Maraty, coordena o Levitation na América do Sul ao lado de Barcinski e quer transformar as três primeiras edições em um circuito permanente. “Queremos construir um projeto duradouro, com muitas edições. Por isso, o festival também chegará ao Chile e à Argentina”, afirma.
A versão brasileira também terá uma feira dedicada à produção independente, com discos, camisetas, livros, pôsteres e outros itens de selos e marcas alternativas.
MELVINS: No palco, o Melvins é um daqueles nomes que dispensam muita apresentação. Buzz Osborne e Dale Crover estão à frente da banda desde os anos 1980, quando o grupo ajudou a transformar a lentidão e o peso do hardcore em uma das bases do sludge.A banda e o estilo são referência para o grunge, o doom, o noise rock e uma série de outras formas de música pesada. Melvins volta ao Brasil depois de 17 anos. Na formação atual, Osborne e Crover tocam com Steven McDonald e Coady Willis.
OSEES: Esse grupo chega como uma espécie de especialista em transformar um show de rock em um teste de resistência. A banda de John Dwyer atravessa garage rock, psicodelia, krautrock, hardcore, synth punk e música experimental há quase três décadas. A formação com duas baterias — Dan Rincon e Paul Quattrone — ajuda a explicar a reputação dos shows. E a discografia recente mostra que Dwyer continua interessado em mudar de direção, migrando para estilos como hardcore, no wave e rock progressivo. No Brasil, a banda terá ainda a participação da ex-integrante Brigid Dawson.
BORIS: O japonês completa o trio de atrações internacionais mais pesadas do cartaz. Formado em Tóquio em 1992, o grupo de Wata, Takeshi e Atsuo construiu uma discografia que passa por drone, doom, noise, sludge, shoegaze, psicodelia e até pop. Detalhe: o nome do grupo foi retirado de Boris, faixa que abre Bullhead, álbum lançado pelos Melvins em 1991.
FRANKIE AND THE WITCH FINGERS: Essa banda representa uma geração mais nova dessa linhagem psicodélica. Formada em Indiana e posteriormente estabelecida em Los Angeles, a banda começou no garage rock e foi incorporando post-punk, funk, new wave e eletrônica. Data doom, de 2023, e Trash classic, de 2025, mostram essa transformação.
BRASILEIROS. A Ema Stoned leva seu “rock digressivo” para o Komplexo Tempo. O trio formado por Alessandra “AL” Duarte, Elke Lamers e Theo Charbel trabalha com improvisação, psicodelia, krautrock e jazz. Já a Bike chega com a mistura de psicodelia, rock progressivo, tropicália e ritmos brasileiros que marcou sua trajetória. O disco mais recente, Noise meditations (2025), nasceu de sessões abertas de improvisação.
O Test leva ao Levitation uma proposta completamente diferente de estrutura. João Kombi e Barata construíram a carreira tocando em ruas, estacionamentos e do lado de fora de grandes shows, muitas vezes usando uma Kombi e um gerador como infraestrutura. Fechando a escalação está o Bufo Borealis, sexteto paulistano que cruza jazz-funk, psicodelia, rock experimental e improvisação. A banda lançou Natureza em 2025, álbum que apareceu entre os cem melhores discos brasileiros daquele ano na seleção da APCA.
O FESTIVAL. O Levitation nasceu em Austin em 2008, ainda como Austin Psych Fest, criado por integrantes do The Black Angels e outros nomes da cena local. A proposta era reunir a nova geração da psicodelia em um evento independente. O festival cresceu, mudou de nome em homenagem ao The 13th Floor Elevators e já recebeu The Flaming Lips, Tame Impala, The Jesus and Mary Chain, Primal Scream, Spiritualized, Slowdive, Beach House, Sonic Youth, Dinosaur Jr., Pavement, King Gizzard & the Lizard Wizard e muitos outros.
O Levitation também criou edições em França, Vancouver e Chicago e desenvolveu uma ligação com o selo Reverberation Appreciation Society, responsável por registros ao vivo de artistas que passaram por suas edições.
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SERVIÇO:
Levitation Brasil
Data: sábado, 23 de janeiro de 2027
Local: Komplexo Tempo
Endereço: Avenida Henry Ford, 511, Parque da Mooca, São Paulo
Atrações: Melvins, Osees, Boris, Frankie and the Witch Fingers, Test, Bike, Ema Stoned e Bufo Borealis
Ingresso aqui.
Venda: a partir de 19 de agosto na Fastix
Ingressos físicos sem taxa: Loja 255 da Galeria do Rock (R. 24 de Maio 62, Centro)
Patrocínio: Kunumi
Produção: Maraty
Apoio: Powerline
Censura: permitida a entrada de menores de 18 anos desde que acompanhados de responsável legal.
Acessibilidade: o local é totalmente equipado para atender a PCDs e haverá um espaço exclusivo para cadeirantes poderem ver os shows com toda a visibilidade e conforto.
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British Birds mistura garage-punk e humor ácido em “Lie down with dogs, stand up with fleas”

RESUMO: O British Birds antecipa Murmurate, oscillate com Lie down with dogs, stand up with fleas, faixa garage-punk que combina referências sixties, humor e crítica à passividade política inglesa.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Provavelmente, Lie down with dogs, stand up with fleas, single mais recente da banda British Birds, tem os melhores “oooohs” do ano (na tradição do “xiouuu” de Making plans for Nigel, do XTC). Funciona bem como canção de rock retrô, e como artigo pop. digamos assim. E esse som em clima meio garage-punk, meio sixties, com lembranças de B-52’s e Devo comprimidas num arranjo simples, abre caminho para o terceiro álbum da banda, Murmurate, oscillate, previsto para 16 de outubro pelo selo Skep Wax Records.
Vindos de Lancashire, Inglaterra, os irmãos Bobby e Emma Townson (que formam o grupo) decidiram colocar na música seu saco cheio com a passividade do povo inglês – no qual têm visto um comportamento meio barro, meio tijolo, todo mundo tendo comportamentos absolutamente bovinos diante da política bem estranha da Inglaterra. A ideia é tratar assuntos sombrios sem abandonar o senso de humor.
Os irmãos sempre operaram no total do it yourself: Bobby grava e mixa as músicas, enquanto Emma cuida das artes. Os dois primeiros discos foram lançados pela própria banda e vendidos principalmente em shows e em algumas lojas selecionadas. A Skep Wax, selo que vai lançar o próximo disco, é a gravadora de bandas como Heavenly, Foglights, Swansea Sound e Special Friend. A gravadora tá animada – até define os British Birds como uma banda que “não esperou por permissão para alçar voo. Eles simplesmente seguiram em frente”.
A onda dos British Birds ainda pega outros assuntos bem sérios: Polka dot eyes fala sobre rapazes de Lancashire que entram pro exército e voltam para casa traumatizados – uma música que a banda define como “perturbadora e engraçada ao mesmo tempo”. Just like them fala de pessoas introvertidas e Scary movie traz uma lembrança bem curiosa da infância dos dois: o avô de Bobby e Emma costumava mostrar filme de terror (!) a eles quando eram crianças. Já Lie down with dogs, stand up with fleas, você confere aí.
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She Has Gone Insane estreia com punk, metal, groove e crítica ao patriarcado

RESUMO: A banda do ABC Paulista She Has Gone Insane estreia com Authority vendetta, single que mistura groove, metal, punk e hardcore para questionar rótulos impostos às mulheres.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Gabriel Cezars / Divulgação
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“Ela ficou louca” é o tipo de rótulo que aparece quando uma mulher sai do comportamento que esperam dela. É justamente essa ideia que está por trás de Authority vendetta, single de estreia da She Has Gone Insane, banda do ABC Paulista.
O nome do quarteto provoca: a vocalista Nico Modena explica que She Has Gone Insane ironiza a forma como a liberdade feminina costuma ser tratada – e muitas vezes, ela é vista como “loucura”. Tocar bateria, ter uma banda ou simplesmente viver fora do molde patriarcal… nada disso deveria ser tratado dessa forma.
Musicalmente, Authority vendetta também não escolhe uma única gaveta. A faixa junta as levadas do soul dos anos 1970 ao peso do metal, à velocidade do punk e ao hardcore. O resultado passa por riff pesado, baixo presente, bateria forte e vocais que alternam drive e groove.
A She Has Gone Insane reúne Nico Modena (vocal), André Alves (guitarra), Luisa Sauer (bateria) e Juliano Demarchi (baixo), músicos que já circulam por diferentes projetos da cena independente paulista. Authority vendetta é a primeira faixa da banda a sair oficialmente – em quatro meses, fizeram dez canções. O single sai pela Rookie Records, de Hamburgo. E a música já ganhou clipe
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Echo and The Bunnymen traz lembranças do groove dos Doors em novo single

RESUMO: Echo and the Bunnymen lança mais uma do disco Apples for Isaac, primeiro álbum de inéditas em 12 anos: é Take me by the hand, com guitarras circulares, clima sombrio e lembranças de The Doors.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Fritz / Divulgação
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Como tá sua expectativa pro próximo disco do Echo and The Bunnymen? A nossa vai muito bem, obrigado: Apples for Isaac, primeiro disco de inéditas da banda em 12 anos, sai em 18 de setembro pela BMG, e o grupo acaba de divulgar o terceiro single do álbum – é a faixa de abertura do disco, Take me by the hand.
A nova música é repleta de grooves de guitarra, e tem uma onda bem ligada àquela época em que o Echo parecia se esforçar para reproduzir o groove e a vibe misteriosa e circular dos Doors. Ian McCulloch canta de forma mais áspera e a letra parece aludir à necessidade de simplificar a vida, num tempo cada vez mais caótico. O outros singles já lançados foram Brussels is haunted e The light that surrounds you.
Apples for Isaac foi produzido pelo vocalista Ian McCulloch, que também ficou responsável pela mixagem, juntamente com Alan Moulder e Andrea Wright. Levado adiante hoje em dia por Ian e pelo guitarrista Will Sargeant, o Echo contou também com o serviços de um outro baterista já “ido”: Clem Burke, do Blondie, morto em abril do ano passado, toca em dez das onze músicas.
“O poderoso e lendário Clem Burke – amigo de longa data do Mac – foi fundamental para a criação do álbum e, infelizmente, faleceu durante sua finalização… Te amamos, Clem X””., comentou a banda.
Apples for Isaac sucede Meteorites, de 2014, e a coletânea The stars, the oceans & the moon, lançada em 2018. Num papo com a Mojo, recentemente, Ian falou sobre o intervalo de mais de dez anos entre os dois discos. “O que nos atrasou? Acho que a Covid teve algo a ver com isso”, disse ele. “Mas eu também queria, liricamente, que tudo fizesse sentido — ou que fosse enigmaticamente importante. O que é uma baita frase”.
McCulloch acrescentou que “mais do que qualquer outro disco que eu me lembre, ele (Apples for Isaac) está soando exatamente como eu o imaginava. Eu simplesmente disse (pra mim mesmo): cante como você quer se ouvir”.
Você acha mais infos sobre o próximo disco do Echo aqui.
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