Urgente
Fontaines D.C. esfria o som em “Marianne” e anuncia disco com menos guitarras

RESUMO: O Fontaines D.C. deixa o pós-punk nervoso de lado e aposta em sintetizadores frios, eletrônica e atmosferas sombrias em Dopamine chamber. O single Marianne apresenta essa nova fase da banda.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Elizaveta Porodina / Divulgação
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O Fontaines D.C. resolveu esfriar o som. A banda irlandesa anunciou Dopamine chamber, quinto álbum de estúdio, que chega em 16 de outubro pela XL Recordings, e Marianne, primeiro single, já dá uma boa pista da mudança.
Quem conheceu o grupo pelo pós-punk nervoso de Dogrel (2019) talvez estranhe o novo caminho. As guitarras continuam por perto, mas deixaram de ser o centro da música. Em seu lugar aparecem sintetizadores de timbres frios, baterias pulsantes, samples e uma produção mais “distante”. Há músicas no disco, inclusive, que não têm guitarra.
Marianne, com seu clima gélido e grandioso é um bom cartão de visitas para essa fase, compondo um cenário que o texto de apresentação define como algo que “se desenrola como cortinas de veludo vermelho em um decadente teatro italiano, evocando tetos altos e uma elegância em decomposição”. A inspiração veio, em parte, da série Ripley, de 2024.
O próprio vocalista Grain Chatten diz que o novo disco é uma espécie de “câmara de dopamina”. “Você entra nela e nós testamos em você essas diferentes peças musicais capazes de alterar a mente ou o humor”, conta. A ideia é menos romântica do que parece. Dopamine chamber parte de um mundo atravessado por inteligência artificial, crise ambiental, violência política e excesso de informação para perguntar por que ainda buscamos prazer e distração quando tudo parece estar desabando.
“Achei que seria mais poderoso deixar a esperança de fora e refletir a feiura de forma honesta. Este precisava soar mais como um alerta catastrófico”, afirma Chatten. O álbum foi produzido por James Ford entre Londres, o interior da Inglaterra e Palermo. A passagem pela Itália deixou marcas: Chatten buscou inspiração em Veneza, Viena e Sicília, enquanto as cordas do pop italiano dos anos 1960 aparecem retrabalhadas em uma chave eletrônica.
“Eu estava tentando encontrar coisas que apontassem para o futuro”, explica o guitarrista Conor Curley. Depois de Romance (2024), o Fontaines D.C. parece tão menos interessado em ampliar a linguagem do rock.
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Urgente
Ouvimos antes: Azú – “Por fora”

RESUMO: O Azú transforma sophisti-pop em uma mistura de groove, eletrônica e metais em Por fora, single que une Stevie Wonder e Jorge Ben Jor a uma letra sobre as sombras que escondemos.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Alicia Abe / Divulgação
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Ontem no Instagram do Pop Fantasma, a gente recordou as maravilhas do sophisti-pop. E lá vem o duo Azú dar sua contribuição ao tema com o single Por fora, que sai nesta quinta (20) e que a gente adianta com exclusividade no Pop Fantasma.
Depois de apresentar o single Aonde vamos daqui, o duo de Luíza Abe e Rodrigo Zanettini dá andamento ao lançamento de seu álbum de estreia (cujo nome também é Aonde vamos daqui), com uma música inspirada em Stevie Wonder, Snarky Puppy e Jorge Ben.
No arranjo, metais, sopros e bases rítmicas marcantes, além de uma onda que junta eletrônica e groove. Já a letra da faixa, dizem eles, “transita entre a crueza e o apelo pop”, falando de uma pessoa que parece alegre e carismática – mas que esconde algo beeeeem sombrio.
“Muitas pessoas conhecem esse padrão de comportamento, inclusive é comum que seja difícil identificar esse padrão em si mesmo. Afinal, todo mundo tem sombras dentro de si”, conta o duo.
“Por fora aparentemente é sobre uma dor do eu-lírico mal resolvida, mas tenta oferecer uma proposta de resolução a esse amargor utilizando de conceitos filosóficos e até mágicos como do Caibalion (livro da Yogi Publication Society que traz a esseência dos pensamentos de Hermes Trimegistro, aquele mesmo que inspirou o álbum A tábua de esmeralda, de Jorge Ben, lançado em 1974). Isso tudo regado a uma musicalidade “disco” atualizada para 2026 com grooves que misturam o orgânico com o eletrônico”, continuam.
A nova música tem produção assinada por Gudino Miranda, masterização de Frederico Pacheco e arte de capa de Alícia Abe – e, frisam Luíza e Rodrigo, é a faixa de entrada para o público novo. “É pop, dançante, mas a letra é amarga. Existe contradição. Quem é o pior de nós dois? Você que é assim ou eu que me entreguei?”, completam.
E tá aí Por fora.
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Urgente
Guandu mostra seu lado romântico e ensolarado em “Véspera”

RESUMO: O Guandu deixa de lado o clima 100% invernal em Véspera, uma canção romântica e ensolarada que mistura lo-fi, emo e slowcore. Gravada em fita K7, a faixa anuncia o segundo álbum, a ser lançado em 2026.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Se você conhece o som do Guandu (já resenhado algumas vezes por aqui) e acha tudo bem invernal, vai se surpreender quando escutar Véspera, o single novo, que vem num clima mais romântico e ensolarado que o comum deles. A faixa nova é definida por eles como “uma canção despretensiosa e aconchegante” – e é mesmo.
“Nessa faixa, o ritmo é mais quebrado que o habitual e as guitarras dialogam entre riffs. Ao mesmo tempo que a letra carrega uma melancolia apaixonada, a música possui percalços e intensidade, afinal, nem sempre é fácil lidar com a paixão”, avisam – e vale lembrar que o “não sei do que ela gosta / mas sei que eu gosto dela” de um dos versos de Véspera caminha entre Mutantes, Jorge Ben e Charlie Brown Jr.
E tem clipe, que é “inteiramente gravado apontando para o céu. Sem nuvens, o sol brilhante e opaco, incolor mas vibrante. As cenas transitam entre os músicos tocando e cantando, entre o superaquecimento da câmera e o suor dos três”, contam Caique Lima (bateria), cleozinhu (voz e guitarra) e João Corte (voz e guitarra), que variam entre estilos como lo-fi, emo e slowcore.
Mesmo com as mudanças perceptíveis, o Guandu continua gravando tudo em fita K7, num gravador Tascam de 4 canais. “No processo analógico, as texturas e a imprevisibilidade são inevitáveis. E são essas características que formam a identidade da banda”, dizem.
“Como referência de produção, temos diversas bandas indie dos anos 80 e 90, como Fellini, Duster, Daniel Johnston, e também os trabalhos da Transfusão Noise Records, idealizada por Lê Almeida. Todas essas influências resultam no segundo disco da banda, que será lançado ainda em 2026”, anunciam. Só esperar.
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Urgente
Lunoz transforma as reflexões de Carl Jung em música no single “Afinal”

RESUMO: Inspirada por Carl Jung, a Lunoz transforma sonhos, inconsciente e a dificuldade de desacelerar em rock no single Afinal. A faixa questiona quando um sonho deixa de ser desejo e vira cobrança.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Olha a psicanálise inspirando um som do rock nacional atual. Inspirada pelas reflexões de Carl Gustav Jung sobre sonhos e inconsciente, a banda Lunoz transforma a dificuldade de desacelerar em música no novo single, Afinal. A faixa parte de uma pergunta simples: o que acontece quando a gente passa tanto tempo perseguindo um sonho que já não consegue distinguir desejo de cobrança?
A ideia aparece na própria estrutura da música, que trata do sono como um momento em que a mente continua trabalhando. Afinal leva as tais descobertas na obra de Jung (citado na letra!) para um terreno mais cotidiano: metas, prazos, projetos e a sensação de que sempre existe alguma coisa a ser resolvida antes de finalmente descansar.
“É justamente nesse espaço entre o desejo de seguir em frente e a dificuldade de desacelerar que nasce Afinal”, explica a banda. A letra usa metáforas tecnológicas e questionamentos existenciais para falar sobre insistência, expectativa e a tentativa de entender o que acontece dentro da própria cabeça. As pergunta que ficam estão no refrão: “afinal como viver um sonho? / acordado ou em segundo plano?”
Formada em São Gonçalo (RJ) a Lunoz também leva para as músicas a experiência de seus integrantes na vida independente. Lucas Rato (vocal e guitarra) e Gabriel Costa (guitarra), ambos ligados à banda Mais Um Dia, dividem o grupo com Marcos Abiraude (teclado e backing vocal) e Bill Dias (bateria), também integrante da Melton Sello.
A banda surgiu dentro da cena alternativa de São Gonçalo e reúne influências que passam por Supercombo, Fresno e Turnstile. O resultado combina letras alegóricas com arranjos que podem ir da delicadeza à intensidade, sem abandonar temas ligados à vida adulta e às dificuldades de conciliar trabalho, estudo, projetos pessoais e criação artística.
Afinal também abre uma nova etapa para a Lunoz. O single chega acompanhado de um clipe concebido, dirigido e produzido por Lucas Rato, e funciona como primeiro recorte do próximo álbum da banda. O clipe tem uma curiosidade: o início lembra uma brincadeira com aquelas propagandas que aparecem justamente no YouTube antes dos vídeos que você quer assistir.
Se o disco vai continuar explorando a relação entre memória, tecnologia e relações humanas, Afinal já dá uma pista do caminho: a ideia é entender por que a gente continua correndo mesmo quando, aparentemente, era hora de parar.
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