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Charli XCX explica (mais ou menos) o “a pista de dança está morta”

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Charli XCX lança música nova só no Instagram. "Pode ripar o áudio se quiser!", avisa (Foto: Reprodução Instagram)

Sabe aquele papo da Charli XCX de que “a pista de dança morreu / e estamos fazendo rock music” (do single Rock music)? Bom, ela já negou que tenha falado que seu próximo álbum, Music, fashion, film, seria um disco de rock (faria todo sentido se o mercado fonográfico não lidasse com confusionismos desde a era de Frank Sinatra). Mas num papo recente com a Rolling Stone ela voltou a tocar no assunto, e ainda falou outras coisas interessantes.

“Obviamente, sei que tem havido muita conversa sobre eu fazer um álbum de rock, algo que eu nunca disse”, afirmou. “Mas, para ser honesta, nunca pensei em gênero de uma forma binária. Acho isso uma noção muito antiquada. Eu nem sei o que é gênero. Somos apenas eu, AG Cook e Finn Keane (os produtores e parceiros), fazendo o nosso som”. Já o tal papo de “a pista de dança está morta” não é para ser levado ao pé da letra.

“Essa letra tem muito a ver com a minha relação com o Brat e com a minha experiência pessoal com aquele álbum”, diz ela. “Meu marido (George Daniel, baterista e produtor da banda The 1975) dirige uma gravadora de música eletrônica. Tem havido uma quantidade enorme de discos incríveis com influências de música eletrônica/dance que têm sido lançados recentemente, seja Slayyyter, Underscores ou PinkPantheress. A música eletrônica está em um momento incrível”.

Angie Martoccio, que escreveu a matéria, pôs no texto que disse a Charli que uma das faixas do novo disco lembra Strokes – segundo Angie, a reação da cantora foi olhar para a repórter “com expressão vazia”. A jornalista disse também que a faixa é um dos destaques do álbum, unindo “a composição de fluxo de consciência de Charli e a guitarra fragmentada de Cook, com uma mudança de ritmo psicodélica para completar”. Angie diz ter sugerido a Charli que talvez seu álbum tenha alguma ligação com o Thy Slaughter, projeto roqueiro dos produtores AG Cook e Finn Keane – a cantora negou.

Aliás, em 2024, Charli disse à Billboard que “meio que quero fazer um disco no estilo do Lou Reed” – Charli chegou a postar o barulhento Metal machine music (1975), disco anticomercial do ex-Velvet Underground, em seus stories. E aí, o disco novo tem a ver com ele? Nada a ver, segundo Charli.

“Para ser honesta, quando faço música, penso menos em outras músicas como referência. Na verdade, eu me desligo completamente e simplesmente escapo para o meu próprio mundo. Já falei bastante sobre meu amor por Lou Reed, John Cale e o Velvet Underground. Mas diria que o disco soa como algo do tipo? Não”, conta.

Charli fez o primeiro anúncio de seu álbum nas redes sociais. “Meu novo álbum, Music, fashion, film, será lançado em 24 de julho. 11 músicas, 30 minutos e 5 segundos. Disponível para pré-venda agora. Amo vocês xx”. A capa do álbum tem uma foto em preto e branco em que surgem John Cale, Marc Jacobs e Martin Scorsese representando cada uma das mídias (música, moda e cinema, enfim).

Vai ser o primeiro grande passo dela após o sucesso de Brat (2024), disco que virou mania e praticamente foi transformado em meme. Dois singles,  Rock music e SS26 já saíram. Um outro detalhe sobre o entorno de Music, fashion, film, é que Charli anda lançando os singles do álbum com lados-B que saem apenas em vinil, com clipes publicados numa conta alternativa de Instagram, @b.sides.

I keep thinking about you every single day and night foi o lado B de Rock music, e Playboy bunny, o de SS26. Charli não disponibilizou as músicas em nenhuma plataforma e liberou os fãs para riparem o áudio delas, se quiserem – tanto que os clipes só foram upados no YouTube pelos fãs, já que ela nem fez isso. Nas redes sociais, ela disse que nem pretende lançar as faixas nas plataformas.

“Os lados B nunca vão entrar no streaming, eu acho, isso pode mudar, mas agora eu realmente não acho… Eu só queria que eles ficassem aqui, por enquanto, e também vou prensar cada lado B em um vinil de sete polegadas”, disse ela. “Basicamente, eu fiz um disco e, enquanto o fazia, compus algumas músicas que pareciam fazer parte do universo do álbum, mas eu meio que sabia que elas nunca entrariam no álbum”.

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“Traqueia”: Bruna Vilela transforma luto e risco em peso e beleza

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Bruna Vilela - Foto: Francielle Cota / Divulgação

RESUMO: Traqueia, novo single de Bruna Vilela, mistura MPB, jazz, shoegaze e math rock em uma faixa ao mesmo tempo sensual e assustadora. Gravada ao vivo em BH, ela transforma luto em experimentação.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Francielle Cota / Divulgação

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Um som que, ao mesmo tempo, parece sexy e assustador. É o que rola em Traqueia, novo single de Bruna Vilela, que continua explorando o terreno aberto por sua faixa anterior, Rima da glote. Se a estreia solo já aproximava MPB, jazz e rock alternativo, a nova faixa pesa a mão sem abandonar a delicadeza, criando uma atmosfera densa que, em alguns momentos, ganha ares de shoegaze (não custa lembrar que ela foi integrante de uma banda do estilo, Miêta) e math rock.

Gravada ao vivo no Estúdio Central, em Belo Horizonte, Traqueia nasceu de quatro encontros de ensaio e improvisação entre Bruna e um grupo de musicistas da cena independente mineira e paulistana.. Participam da gravação Lúcia Vulcano (baixo), Bê Moura (bateria), Ana Júlia Gabriel (sax tenor) e Paola Rodrigues (sintetizadores e programações).

A música alterna passagens de MPB e jazz com guitarras pesadas, climas explosivos e texturas experimentais – destacando o sax de Ana Júlia Gabriel. Entre as referências citadas por Bruna estão Jeff Buckley, Maria Beraldo, Metá Metá, DIIV e Nigéria Futebol Clube. A turma que foi para o estúdio com Bruna é exclusivamente formada por artistas mulheres e pessoas não binárias – um diálogo com sua pesquisa sonora e sua vivência como pessoa LGBTQIAPN+.

Já a letra foi escrita há cerca de seis anos e usa imagens fragmentadas para falar de um processo de luto. E na hora de produzir, a ideia foi manter a onda coletiva que rola numa session ao vivo – depois dos ensaios, a faixa foi registrada ao vivo em uma única sessão. O texto de lançamento até aponta que nada teria acontecido sem um grande desejo pelo risco. Um risco que virou criatividade, peso, susto e beleza, tudo junto.

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“Eu sei”: Gui Hope faz pop distorcido com universo próprio

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Gui Hope - Foto: Isabella Ibrahim / Divulgação

RESUMO: Gui Hope estreia solo misturando funk, hip hop, eletrônica, R&B e referências latinas em Eu sei, que antecipa seu álbum Hope. A faixa apresenta novos universos em vez de gêneros e fórmulas.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Isabella Ibrahim / Divulgação

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A autoconfiança é o ponto de partida de Eu sei, primeiro single da carreira solo de Gui Hope. A música antecipa o álbum Hope, previsto para setembro, e apresenta um som fora de gêneros ou fórmulas.

Logo nos primeiros versos, Gui deixa claro o tom da faixa: “Falo tudo que eu quero, compro tudo que eu quero. Faço tudo porque eu posso. É sim ou não”. A partir daí, a música mistura funk, hip hop, eletrônica e referências latinas em uma produção marcada por graves fortes, sintetizadores e um pop distorcido.

“Essa música fala sobre chegar num lugar onde a opinião dos outros deixa de ser o centro das decisões. Existe uma certeza interna ali. Um entendimento sobre quem eu sou e sobre a liberdade que eu tenho para construir meu próprio caminho”, explica Gui.

  • Uma música de seis minutos, um público fiel e a aposta da Lighthouse

Natural de Belo Horizonte e criade em Santa Luzia (MG), Gui Hope traz para o projeto influências que passam pelo emo, nu metal, R&B dos anos 2000 e música eletrônica. Em Eu sei, essas referências aparecem unidas, com uma espécie de “cola” sonora mais próxima do rock e do eletrocore. Não que isso seja uma definição fechada.

“Eu gosto de pensar menos em gêneros e mais em universos. Minha música conversa com artistas latinos, não só com a música brasileira. Eu gosto quando referências diferentes se encontram e viram uma coisa nova”, diz.

Antes da carreira solo, Gui integrou a banda Chico e o Mar e também desenvolveu trabalhos com produção, engenharia de mixagem e direção criativa. Em Eu sei, assina composição, produção, arranjos, mixagem e masterização, além de ter feito a produção do clipe da faixa, dirigido por Guz.

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Nada acontece de verdade na internet? Gurriers fala dessa sensação em novo single

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Gurriers (Foto: Steve Gullick / Divulgação)

RESUMO: O Gurriers transforma a sensação de que “nada acontece” na internet em um pós-punk nervoso. Nothing happens twice fala de alienação digital, bots e paralisia enquanto anuncia o novo álbum, Nobody’s coming to save you.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Steve Gullick / Divulgação

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O Gurriers, banda de Dublin, acaba de lançar Nothing happens twice, terceiro aperitivo de Nobody’s coming to save you, segundo álbum do grupo, que chega em 25 de setembro pela Play It Again Sam.

A música parte de uma situação cada vez mais familiar: passar horas na internet cercado por informação e, ao mesmo tempo, ter a impressão de que nada realmente acontece. A banda mistura essa sensação de estagnação com referências à peça Esperando Godot, de Samuel Beckett, e à chamada teoria da “internet morta”, que imagina uma rede cada vez mais ocupada por bots e conteúdos produzidos artificialmente.

Guitarras nervosas e uma interpretação bastante intensa do vocalista Dan Hoff acompanham uma letra que passa por alienação digital, desconforto político e uma dose considerável de humor ácido. O refrão repete “aqui nunca acontece nada, nada acontece duas vezes”, transformando a sensação de paralisia em um daqueles trechos que ficam na cabeça.

  • Jonabug transforma bloqueio criativo no single Rascunho

O clipe foi dirigido por Thomas James, que já trabalhou com Kneecap, Bring Me The Horizon e Young Fathers. A música chega depois da faixa-título Nobody’s coming to save you e de Party lines, dois outros sinais do que o Gurriers está preparando para o novo disco.

Gravado entre os estúdios Attica, em Donegal, e Holy Mountain, em Londres, o álbum teve produção de Mark Bowen, do Idles, e Loren Humphrey, que já trabalhou com Geese e Cameron Winter. Chris Fullard ficou responsável pela engenharia de som e John Congleton, conhecido por trabalhos com St. Vincent, Modest Mouse e Swans, pela mixagem.

Nobody’s coming to save you amplia a sonoridade que o Gurriers apresentou na estreia, com mudanças mais marcadas de dinâmica e uma produção maior. O álbum chega em 25 de setembro. Abaixo você ouve o novo som deles, vê a capa de Nobody is coming to save you e vê também a tracklist do disco.

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Capa do álbum Nobody’s coming to save you, da banda Gurriers

LISTA DE FAIXAS:

01. Nobody’s coming to save you
02. Party lines
03. Shades
04. Pins
05. Today is not enough
06. Drones
07. Nothing happens twice
08. Waiting for fisher
09. I wish I was
10. Crybaby

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