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Nada acontece de verdade na internet? Gurriers fala dessa sensação em novo single

RESUMO: O Gurriers transforma a sensação de que “nada acontece” na internet em um pós-punk nervoso. Nothing happens twice fala de alienação digital, bots e paralisia enquanto anuncia o novo álbum, Nobody’s coming to save you.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Steve Gullick / Divulgação
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O Gurriers, banda de Dublin, acaba de lançar Nothing happens twice, terceiro aperitivo de Nobody’s coming to save you, segundo álbum do grupo, que chega em 25 de setembro pela Play It Again Sam.
A música parte de uma situação cada vez mais familiar: passar horas na internet cercado por informação e, ao mesmo tempo, ter a impressão de que nada realmente acontece. A banda mistura essa sensação de estagnação com referências à peça Esperando Godot, de Samuel Beckett, e à chamada teoria da “internet morta”, que imagina uma rede cada vez mais ocupada por bots e conteúdos produzidos artificialmente.
Guitarras nervosas e uma interpretação bastante intensa do vocalista Dan Hoff acompanham uma letra que passa por alienação digital, desconforto político e uma dose considerável de humor ácido. O refrão repete “aqui nunca acontece nada, nada acontece duas vezes”, transformando a sensação de paralisia em um daqueles trechos que ficam na cabeça.
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O clipe foi dirigido por Thomas James, que já trabalhou com Kneecap, Bring Me The Horizon e Young Fathers. A música chega depois da faixa-título Nobody’s coming to save you e de Party lines, dois outros sinais do que o Gurriers está preparando para o novo disco.
Gravado entre os estúdios Attica, em Donegal, e Holy Mountain, em Londres, o álbum teve produção de Mark Bowen, do Idles, e Loren Humphrey, que já trabalhou com Geese e Cameron Winter. Chris Fullard ficou responsável pela engenharia de som e John Congleton, conhecido por trabalhos com St. Vincent, Modest Mouse e Swans, pela mixagem.
Nobody’s coming to save you amplia a sonoridade que o Gurriers apresentou na estreia, com mudanças mais marcadas de dinâmica e uma produção maior. O álbum chega em 25 de setembro. Abaixo você ouve o novo som deles, vê a capa de Nobody is coming to save you e vê também a tracklist do disco.
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LISTA DE FAIXAS:
01. Nobody’s coming to save you
02. Party lines
03. Shades
04. Pins
05. Today is not enough
06. Drones
07. Nothing happens twice
08. Waiting for fisher
09. I wish I was
10. Crybaby
Urgente
Vermelha mistura manguebeat, psicodelia e noite ébria em “Talagada”

RESUMO: Em Talagada, o trio Vermelha cruza batuques, guitarras, psicodelia e ritmos afro-brasileiros numa viagem de riffs insistentes, figuras noturnas e estados alterados.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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O Vermelha (ótimo nome!) é um trio com base em São Paulo que já andou aparecendo no Pop Fantasma, e que agora retorna com o single Talagada – uma trama que “mistura transe e mistério”, com referências que incluem manguebeat, tropicalismo, ritmos afro, entidades e estados alterados.
Entre batuques e guitarras, “Zé Pilintra, bêbados e transeuntes trafegam sobre um instrumental pulsante, mistura de psicodelia com ritmos afro-brasileiros”, como avisam Le Moreli (voz, guitarra), Zollner (baixo) e Jesa Pop (bateria). “A melodia nasce a partir de um riff insistente, enquanto a letra persegue um jogo de palavras e frases, à deriva de recortes de textos que embaralhados criam novos sentidos e significados, apontando para a imprevisibilidade de uma noite ébria”. A produção da faixa é de Paulo Kishimoto (Pitty, Bufo Borealis, Rivera Gaz).
Talagada, vale dizer, é uma demonstração de que para o Vermelha, interessa bem pouco ficar preso a formatos, estilos e gêneros – e dá uma mostra de que o que vem aí segue a mesma onda, com experimentações, climas bem atmosféricos e vibe de sonho – aliás, acompanhando o jogo de palavras e riffs de Talagada, dá a impressão de acompanhar um sonho bem brasileiro e em alto volume.
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Morningside Drive resgata músicas perdidas na era MySpace, e prepara sua volta

RESUMO: Duas décadas depois, o Morningside Drive recupera músicas que ficaram presas na era MySpace/PureVolume, volta aos palcos e anuncia material inédito.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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O Morningside Drive vem de uma época em que descobrir uma banda nova significava passar horas no MySpace e no PureVolume. Este último, pouco menos conhecido que o MySpace por aqui, era uma plataforma dedicada a artistas independentes, especialmente forte entre bandas de emo, post-hardcore, pop punk e rock alternativo nos anos 2000. Foi nesse ecossistema que o grupo de Houston, Texas, construiu boa parte de seu público.
Surgido na cena alternativa e post-hardcore da cidade, o grupo de Gabriel Cavazos (voz), Ryan Dove (guitarra), Kenyon Punktenney (guitarra), Micah Miller (bateria) e Jon Alksne (baixo) passou boa parte dos anos 2000 na estrada: foram mais de mil shows pelos Estados Unidos, dividindo palcos com Fall Out Boy, Avril Lavigne, Every Time I Die e Meriwether. Na internet, a banda recorda ter acumulado mais de 10 milhões de plays entre MySpace e PureVolume.
Após o fim do Morningside Drive, Cavazos, Punktenney e Miller seguiram juntos e formaram o American Fangs. O grupo anterior ficou no passado, e rolou um problema típico daquela época: parte das músicas praticamente ficou presa ali.
É esse arquivo que o Morningside Drive começou a recuperar mais de 20 anos depois. O álbum Just warn me (datado de 2006) reúne sete faixas do período original que nunca tiveram lançamento comercial propriamente dito e sobreviveram em páginas antigas, CDs físicos, arquivos trocados entre fãs e shows.
“A faixa Everydoby dance é particularmente especial para nós — foi provavelmente a música de maior sucesso do Morningside Drive na época, com mais de um milhão de reproduções online, mas nunca foi lançada oficialmente”, diz Micah Miller (bateria), retomando uma história interrompida justamente quando a internet ainda era um enorme arquivo informal de MP3. Nas plataformas, há também um disco epônimo de 2005, além de um redesenho em 2026 deste álbum.
“E este não é um projeto puramente nostálgico. Estamos trabalhando em novas músicas do Morningside Drive para lançamento ainda este ano e retornaremos aos palcos, com shows no Chelsea’s Live em Baton Rouge, no dia 18 de dezembro, e no Bad Astronaut em Houston, no dia 26 de dezembro”, continua Micah, deixando claro que é a hora de fazer mais do que apenas organizar o passado.
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E o bate-papo dos Talking Heads para lançar a rádio da banda, como foi?

RESUMO: David Byrne, Tina Weymouth, Chris Frantz e Jerry Harrison voltaram a aparecer juntos para lançar a Talking Heads Radio, da SiriusXM — mas continuam descartando shows e discos novos.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Voltar para fazer shows ou gravar discos? Nem pensar. Mas os quatro Talking Heads parecem ter descoberto que podem, sim, ficar juntos numa sala sem que isso automaticamente vire anúncio de reunião. David Byrne, Tina Weymouth, Chris Frantz e Jerry Harrison apareceram lado a lado novamente, desta vez para um bate-papo comandado por Este Haim (uma das irmãs Haim) e ligado ao lançamento da Talking Heads Radio, nova estação da SiriusXM.
A rádio estreia nesta quinta (1º) e comemora os mais de 50 anos da formação da banda com músicas, histórias contadas pelos próprios integrantes, lados menos óbvios do catálogo e algumas das faixas favoritas do quarteto. A programação terá ainda sets preparados por convidados como Adam Clayton (U2), Nate Mendel (Foo Fighters), The Linda Lindas, Tunde Adebimpe (TV on the Radio) e Trey Anastasio (Phish).
Na conversa com Este Haim, o grupo voltou especialmente aos primeiros anos. Jerry Harrison lembrou que a ideia nunca era simplesmente repetir uma fórmula que tivesse funcionado. “Cada vez que criávamos algo, era como se quiséssemos progredir, mudar”, afirmou, segundo o NME.
“Acho que uma das coisas mais importantes para nós (foi) sempre buscarmos criar novos desafios. Sempre criamos, principalmente nos quatro primeiros discos, cada disco teve um processo diferente. E percebemos, e talvez isso venha do mundo da arte, que se você quer que seja diferente, não faça exatamente da mesma maneira que fez da última vez.”
Byrne, por sua vez, admitiu certa surpresa com a longevidade daquelas músicas. “Tento não olhar muito para trás, mas tenho muito orgulho de tudo o que fizemos. É meio surpreendente como esse material resistiu ao teste do tempo e continua conquistando um novo público.”
Para Tina Weymouth, uma das coisas que separavam o Talking Heads das outras bandas era o “senso de humor”. Frantz prefere falar numa “química inegavelmente muito interessante” — e lembra que, apesar do papel central de Byrne na composição, o resultado dependia do trabalho dos quatro.
“Sim, David foi o principal letrista e, eu acho que você poderia dizer, compositor, mas todos nós trabalhamos muito duro nessas músicas. Não chegamos lá e as tocamos de qualquer jeito. Sempre tentamos buscar o lado artístico”, disse. “Quando você está em uma banda de rock and roll, a ideia é sair por aí e ganhar dinheiro. E nós não éramos contra ganhar dinheiro, mas sempre colocamos a arte em primeiro lugar. E acho que é por isso que somos tão únicos”.
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Esse novo capítulo de convivência começou publicamente em 2023, quando os quatro apareceram juntos pela primeira vez em mais de 20 anos no Festival de Toronto, durante as comemorações do documentário de show Stop making sense. Desde então, surgiram outras aparições e projetos em torno do catálogo. Nada que indique uma volta aos palcos, é bom deixar claro sempre.
Aliás, quando a pergunta aparece, as respostas continuam pouco animadoras para quem espera uma turnê. Tina Weymouth já resumiu a situação dizendo que os quatro estavam “apenas aproveitando o momento”. Chris Frantz contou que tentou discutir uma reunião com Byrne no passado e deu merda. “Tentei algumas vezes, a última há uns 20 anos, e depois disso, David simplesmente disse: ‘Nunca mais quero que você me faça essa pergunta. Não vou abordar esse assunto.’ É uma pena, mas é o que é”, contou.
E Byrne tampouco parece ter mudado de ideia. “Na prática, tentar recriar a sensação que as pessoas tinham quando estavam no início dos seus 20 anos? A época em que ouviram aquela música pela primeira vez? É uma missão impossível. Além disso, estou realmente gostando do que estou fazendo”, contou ele ano passado ao The Times. Ano passado ele lançou o disco solo Who is the sky? (resenhamos aqui) e saiu recentemente uma versão expandida com quatro faixas bônus – entre elas os singles My madness e ¿Cuál es la razón? (esta, com Natalia Lafourcade & Mexican Institute Of Sound). Você ouve as duas músicas aí embaixo.
Ou seja: Talking Heads juntos, tudo bem. Talking Heads de volta, já é outra história.
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