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Crítica

Ouvimos: The Dare, “What’s wrong with New York?”

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Ouvimos: The Dare, “What’s wrong with New York?”
  • What’s wrong with New York? é o primeiro álbum do DJ, produtor, compositor e cantor Harrison Patrick Smith, mais conhecido como The Dare, que se notabilizou por ter produzido Guess, faixa da versão deluxe de Brat, disco novo de Charli XCX, e também o remix da mesma música. Ele apareceu até no clipe do remix, que reúne Charli e Billie Eilish – aparece de relance no começo como DJ da festa, e depois surge como o motorista de um carro cheio de calcinhas e sutiãs pendurados (com Billie e Charli no banco de trás).
  • “Em termos de influência, (meu som) é um revival do electroclash, como Peaches, Fisherspooner, The Rapture, LCD Soundsystem, Chicks on Speed, Suicide”, classifica Harrison/The Dare numa conversa com o site Hypebeast. “Os Talking Heads foram uma grande influência e muitas dessas bandas dos anos 2000 estavam se inspirando neles. Eu estava tentando entrar nessa linhagem de artistas de Nova York que fazem música em um certo estilo punk e dançante”.
  • O terno que ele aparece usando na capa do álbum é uma marca registrada dele como DJ – é o uniforme da loja onde ele trabalhava, e foi adotado por ele para tocar na noite.

O tal retorno da dance pesada dos anos 2000 (disco punk, indie sleaze, electroclash, enfim) já rendeu um grande disco nesse ano, How to make a master peace, do Master Peace. Relaciona-se diretamente com o hit do verão britânico, que é o álbum Brat, de Charli XCX. E agora já tem mais um personagem importante da turminha, que é o produtor novaiorquino The Dare – por sinal, o produtor e o responsável pelo remix de Guess, de Charli.

Harrison Patrick Smith, o sujeito por trás do nome The Dare, soa em alguns momentos como a contrapartida masculina de Charli – o cara que sacou que existe uma “coisa” transante, divertida e inclusiva na noite de Nova York, assim como a cantora do disco Brat faz o mesmo em terras britânicas. Tanto que o clipe de Perfume, o single, mostra pessoas bem diferentes umas das outras em fila, se divertindo.

Bom, nenhum dos figurantes do clipe foge do padrão jovem magrelo/magrela, mas valeu a tentativa. Em especial porque vai ser bem difícil, se você acompanha música pop, fugir da festa que é What’s wrong with New York, estreia em álbum de The Dare. São 27 minutos de diversão pesada, com guitarras, baterias eletrônicas, corais lembrando bandas como Killers e The Rapture, e teclados com som de videogame.

O disco abre com os riffs anos 2000 de Open up, prossegue aos pulos com Good time, vai para o rock rap ousado e safado além da conta de Perfume (“tenho uma nova obsessão/foi algo que eu encontrei nas minhas compras online”, falando sobre um perfume baratinho que “transforma uma noiva numa prostituta”) e é trilhado de vez no corredor da sacanagem e da diversão sem lei em Girls (que prega: “eu gosto de garotas que usam drogas/que fumam cigarros atrás do clube/que odeiam policiais e compram armas”) e I destroyed disco.

Em alguns momentos os vocais de The Dare mostram que ele anda ouvindo o lado podre da música eletrônica dos anos 1970 e 1980 – coisas como Suicide e Fad Gadget. Mas o que mais bate ponto em What’s wrong é música para divertir, só que com apelo indie. Como na festa revolucionária de You’re invited, o dia a dia de zoeira de All night e o amor violento de Elevation, soando como uma versão bedroom e mais compacta do Depeche Mode. Vai aparecer em muitas listas de melhores discos do ano, com certeza.

Nota: 9
Gravadora: Republic.

Crítica

Ouvimos: Os Tropix – “Embala pra viagem, o disco”

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Resenha: Os Tropix – “Embala pra viagem, o disco”

RESENHA: Vindos do Maranhão, Os Tropix revisitam samba-soul, boogie, reggae e MPB dos anos 1970 e 1980 em Embala pra viagem, o disco, com frescor e ótimas referências.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 10
Gravadora: Independente
Lançamento: 5 de maio de 2026

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Os Tropix vêm do Maranhão, mas Embala pra viagem é um disco bem carioca – ou melhor: é a música carioca vista de longe, com outro olhar e a distância necessária para que aquilo não seja naturalizado. O som transante de Lincoln Olivetti e do boogie oitentista ganha cara renovada em faixas como De que maneira?, o samba-soul dos anos 1970 volta com uniões sonoras entre Bebeto, Tim Maia e trap em Amor de cafezinho e o samba-rock ganha ótimas guitarras em Fittipaldiando (que título!) e na sacana Catarina, tangerina.

  • Ouvimos: Vários – CarioCaos: Poder popular (EP)

Eu disse “música carioca”? Dá pra quebrar essa tese um pouco, até porque muita coisa da MPB dos anos 1970 e 1980 foi terminada no Rio, mas veio mesmo foi do Norte-Nordeste. Daí tem em Embala pra viagem o reggae pop de Coraçãozinho, com Castello Branco, que lembra o Gilberto Gil da fase Um banda um (1981). O afoxé da faixa-título traz o Gil e o Caetano Veloso dos anos 1980, assim como a disco music de Não quero dançar, tudo a ver com a era em que a MPB virou pop adulto e som de pista.

Para grudar na mente e não sair mais: Nonato e Seu Conjunto fala de um grupo lendário dos bailes, unindo Lenine, samba-soul e Di Melo – este, não apenas como referência, mas também como participação. Música de último volume.

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Crítica

Ouvimos: L.A. Sagne – “Good company”

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Resenha: L.A. Sagne – “Good company”

RESENHA: Punk holandês afiado: no álbum Good company, o L.A. Sagne mistura Stooges, new wave e pós-punk em letras ácidas sobre política, dinheiro e cotidiano.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Gertruida
Lançamento: 27 de março de 2026

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A maior parte do material que você vai ver por aí sobre a banda punk holandesa L.A. Sagne nem é em inglês – o que mostra que a banda liderada pela cantora Tara Wilts ainda precisa ser descoberta de verdade por muita gente. Quem ouvir Good company vai descobrir uma banda entre o punk, a new wave e o clima acintoso de Iggy Pop e Stooges.

Isso tudo aí bate ponto na união 60’s e 70’s de My name e na onda gótica-new wave de Music in the neighbourhood, Rampage e I can. Mas o L.A. Sagne também investe em guitarras elegantes em Rain on my skin e em vibrações pós-punk em faixas como Jean Paul, I’m a girl e I paint walls.

Nas letras, o L.A. Sagne zoa revolucionários e ideólogos de sofá (o punk rock Armchair critic), milionários escrotos (Music in the neighbourhood), o neotabagismo (o quase stoner Cigs are fun prega: “vou fumar até morrer / nunca me importei em viver tanto tempo / cigarros são divertidos porque te matam”) e… Bom, Good company tem uma música chamada God save the geese.

Seria uma brincadeira do L.A. Sagne com a origem burguesa da mais nova sensação da crítica musical? Seja como for, a letra fala de uma realidade bem diferente dos bons colégios e da vida ricaça dos integrantes do Geese (“os juros do meu empréstimo estudantil me deixaram sem chão / que merda / fui para a faculdade só para ter minhas penas arrancadas / deus salve os gansos / fui para a escola fazer uma obra-prima / produzimos muito esforço e isso não compensa nada”).

I paint walls, por sua vez, fala de um dedicado pintor de paredes que sonha em ser reconhecido como artista, em meio a guitarras buzinando. Euh, no fim, une hardcore e o som do Motörhead para falar da barra que mulheres são obrigadas a enfrentar numa simples saída de noite: “não fomos devidamente apresentados, eu acho / bem, eu só vim aqui para beber minha cerveja em paz (…) / ela já bebeu quatro canecas e agora acha que ele é sábio”.

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Crítica

Ouvimos: Headfooter – “Boo hoo” (EP)

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Resenha: Headfooter – “Boo hoo” (EP)

RESENHA: No EP Boo hoo, Headfooter mistura pós-punk, eletrônica e humor sangrento em músicas que soam como trilha perdida de uma fita VHS dos anos 1980.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Double Great Records
Lançamento: 13 de junho de 2025

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Criado por um cara chamado Jay Henry, o Headfooter é um projeto que, ao mesmo tempo em que recorda os anos 1980, enche sua música e seu conceito de vibes malucas e sanguinolentas. O clipe de Boo hoo, uma história de reunião de trabalho que acaba em transplante de cérebro e sangueiras brutais, é um ótimo exemplo.

Já musicalmente, o som tem elementos de Talking Heads, LCD Soundsystem e, pode acreditar, Viagra Boys. Essa turma toda bate ponto em Boo hoo e em músicas mais loucas ainda no EP Boo hoo, como About yr sons e o pós-punk Never enough, com baixo à frente, teclados vintage e ar de pós-punk espacial. Parece uma gozação vintage, em que todas as músicas poderiam ganhar clipes feitos em VHS – o de Boo hoo não apenas é assim, como também a música ganhou o subtítulo From the “Weird Scenes” compilation, para parecer algo tirado de uma daquelas fitas de vídeo bizarras que geral alugava nos anos 1980.

Waste, no final, parece coisa da fase intermedária do Ultravox: teclado que parece um sinal de transmissão, beat eletrônico, que vai ganhando guitarras depois e ficando pouca coisa menos atmosférico. Soa como uma banda que tem surtos de fantasmagoria com uma época. E merece muito a a audição.

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