Cultura Pop
Hip Hop, 50 anos: em nome dos pais

A história de como o hip hop, que completa 50 anos hoje (dia 11 de agosto), surgiu, já é bem conhecida e deve estar sendo bastante comentada. Em 1973, um DJ nascido na Jamaica, Clive Campbell (ou Kool Herc, seu codinome), montou uma festa num salão do prédio onde moravam, no número 1520 da Sedgwick Avenue, no South Bronx, Nova York, com a ideia de ajudar a irmã a angariar fundos para comprar roupas e material escolar. Usando discos com músicas de James Brown, Babe Ruth (o quase-hit The mexican) e Incredible Bongo Band, ele saía manipulando toca-discos e criando montagens musicais ao vivo, repetindo trechos de músicas.
Enquanto ele tocava, o amigo rapper Coke La Rock saía improvisando falas sobre a música, em que se referia a pessoas presentes naquela festa. Por causa dessa festa, 11 de agosto é considerado a data de nascimento do hip hop, embora (saiu um texto bem legal na newsletter Farol sobre isso) aquilo não tenha sido chamado de hip hop logo naquela época. A expressão só surgiu em 1978 por causa de integrantes do grupo Grandmaster Flash and the Furious Five, que usava “hip hop” para incentivar o público a pular e se soltar mais.
Esse papo de 40 minutos (em inglês, mas com legendas boas em português) com Coke mostra um pouco do ambiente nos qual viveram os criadores do hip hop, no Bronx. Era barra pesada: racismo, brigas de rua, gangues, brutalidade policial e um inferno de heroína corroendo tudo. Coke mostra que as leis da sobrevivência eram mais fortes do que qualquer coisa: bata rápido, corra forte, não deixe que ninguém lhe diga o que deve fazer. “Minha mãe me dizia para não ser um seguidor (follower, no sentido de seguir o rebanho)”, contou.
Coke mal sabia que Kool, um cara que ele conhecia da época de escola, era um DJ. Mas percebeu logo que se tratava de um cara diferente: tinha até um equipamento de verdade, e não uma vitrola caseira. “Ele tinha duas turntables, era muito excitante”, recordou. Tudo da tal festa aconteceu por acaso: eram garotos da vizinhança, as festas envolviam muita gente, e as pessoas não saíam muito de suas cercanias, o que garantia que uma turma grande estivesse presente. Inclusive o DJ e o rapper. “Nessa época você não iria se divertir em eventos onde você não conhecesse ninguém ou não tivesse família lá”, conta.
Esse papo com Kool Herc mostra que havia até uma cena de b-boys no começo dos anos 1970, mas não havia algo que conceituasse aquilo – e o cenário de festas era totalmente desvirtuado por causa das gangues, que invadiam os locais e cometiam todo tipo de violência. Herc e Coke formaram uma dupla dinâmica por certo tempo, e não chegaram a desfrutar das mudanças no cenário do hip hop, com bandas vendendo muitos discos, um cenário repleto de shows e grana de merchans variados. Pelo contrário: Kool Herc diz ter sido “trazido de volta a uma pequena concha” após a morte do pai e, em especial, depois que o DJ foi esfaqueado, em 1977. Coke, cujo primeiro filho havia acabado de nascer nessa época, também se afastou do cenário.
Buscando no Discogs, é impossível achar discos com os nomes de Kool e Coke como solistas – há só uma fita K7 dos Herculoids, grupo de Herc, possivelmente pirata. Em 2008, saiu uma gravação de Coke, Merry Christmas baby, numa compilação. Você ouve abaixo. A criação de um dos estilos musicais mais poderosos e mais comunicativos do mundo rolou meio como uma brincadeira, meio como um grito de união entre pessoas marginalizadas – e rendeu uma das culturas mais ricas do mundo. Neste sábado (12), por acaso, rola a última das comemorações de 50 anos do hip hop anunciadas pelo prefeito de Nova York, Eric Adams. E o endereço é justamente o número 1520 da Sedgwick Avenue, no South Bronx.
Foto: Ilustração OcaZelArr/Wikimedia Commons
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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