A Gang Of Four fez alguns dos discos mais inspirados do pós-punk britânico. Um deles é o primeiro, Entertainment!, de 1979. Se você não ouviu, escute e preste atenção nas letras, que falam sobre tráfico de influências e comercialização de ideias (Return the gift), sobre o sensacionalismo da cobertura de guerras (5.45), sobre sexo (Damaged goods) e sobre o dia-a-dia proletário (At home he’s a tourist). Pega aí.

A novidade é que, entre idas e vindas, a Gang ainda existe, lançou seu disco mais recente em 2015 (What happens next) e prepara um EP novo para o dia 13 de abril, Complicit. E já tem single novo, Lucky. Se você não ouviu, a Gang Of Four retorna sob as mesmas bases pós-punk do começo da carreira, mas com um som mais dançante. E, sim, você pode ouvir e achar que se trata de uma banda nova.

Como já era de se esperar no caso de uma banda tão politizada como a Gang Of Four, a música é uma crítica ao mercado financeiro e ao presidente dos EUA, Donald Trump. “Eu estava assistindo a um debate sério num desses canais de notícias financeiras – seis homens brancos de ternos discutindo sobre os mercados de ações – e me vi pensando no quão limitada é a sorte”, conta o guitarrista Andy Gill (via Paste Magazine). “O palhaço-mor da América afirma ter dado fortuna aos mercados. Ele acredita que ele é o mestre da sorte. Na realidade, isso tudo são cassinos. Muitas negociações são feitas por algoritmos para tentar eliminar as oportunidades, mas a sorte não é capaz de mudar fundamentalmente o sistema. Mesmo que você acredite que as falhas do mercado são o resultado de má sorte, o sistema estremece, reinicia e continua como antes”.

Andy, que é fundador do grupo, divide hoje os trabalhos com Thomas McNeice (baixo), John “Gaoler” Sterry (voz) e Tobias Humble (bateria). Gill é o único da formação original a continuar no grupo. O ex-baixista Dave Allen virou executivo de empresa de áudio digital, o ex-baterista Hugo Burnham virou professor universitário, o ex-vocalista John King virou uma das cabeças do Vice Group. Já a ex-baixista Sara Lee (que substituiu Allen entre 1980 e 1983) continua tocando com vários outros artistas.