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Ouvimos: No Peeling – “EP2”

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Resenha: No Peeling – “EP2”

RESENHA: Egg punk veloz, torto e esperto: o No Peeling mistura pós-punk, no wave e humor sacana em músicas curtas e cheias de referências.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Feel It Records
Lançamento: 1 de maio de 2026

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O EP de estreia dessa banda de Nottingham, Inglaterra, foi definido por eles como “uma vida inteira de ideias em sete músicas que raramente ultrapassavam um minuto”. EP2 traz mais uma leva de composições, e marca mais alfinetes na área do egg punk, estilo que se bobear vai ter um dia a mesma comercialização de gêneros como o shoegaze.

  • Ouvimos: UltraBomb – The bridges that we burn

Não que o No Peeling esteja minimamente interessado em ver a música que eles fazem virar parte do mainstream. O que interessa a eles é fazer uma música bastante ágil, mas que traga algumas referências sofisticadas ali misturadas. Tem o lado meio jazz rock dos vocais de HGV Ted, a vibe 60’s de Night idea e Mascot fight, o pós-punk espacial de Stationery. A curiosidade máxima aqui é Crimes against buffet, com theremin, vibe no wave e um ritmo que faz lembrar um forró marcial – ou quem sabe um pós-hardcore bem torto?

As letras do No Peeling, por sua vez, são poesia punk típica, aquela coisa de ver tudo pelo lado mais sacana. Stationery fala de material de escritório (!) e Crimes against buffet narra uma festinha de família onde tudo pode sair do controle e o tio bêbado pode decidir cantar Bat out of hell, de Meat Loaf. Eita.

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Crítica

Ouvimos: La Estrategia del Caracol, Cámara Chilena de Destruición – “El hambre y las ganas de comer”

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Resenha: La Estrategia del Caracol, Cámara Chilena de Destruición – “El hambre y las ganas de comer”

RESENHA: Emo, pós-hardcore e boas referências em split intenso de duas bandas chilenas: La Estrategia del Caracol e Cámara Chilena de Destruición.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Unisono Records / Coletivo Doble Cara
Lançamento: 22 de abril de 2026

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E o emo chileno, como vai? Vai bem e, a julgar por este disco, segue unido e com boas referências. Bandas como Modern Baseball, American Football e Fugazi serviram de referência para El hambre y las ganas de comer, split-álbum que junta as bandas La Estrategia del Caracol e Cámara Chilena de Destruición. O disco foi feito na base de uma música para cada banda, sempre alternando, e variando entre emo e pós-hardcore.

A distância, um tema que volta e meia costuma surgir nas músicas de bandas emo, acabou sendo o combustível do álbum. El hambre foi gravado entre Santiago e Temuco (dá mais ou menos 5 horas de distância) e as bandas pertencem, cada uma, a cenas desses locais. Mensagens mandadas à distância, desejos que nunca se concretizam, vulnerabilidades pessoais, o passado nas duas regiões e a vontade de dar passos além do horizonte aparecem em faixas como Corriente, Codigo Morse, Panqui, Diversion tipo 3.

As duas bandas lançam mão de guitarras dedilhadas e ritmos quebradiços, além de vocais beeem sofridos, quase no limite do screamo às vezes – no caso da Cámara, quase sempre ela é, entre as duas, a banda mais próxima do emo formal. O La Estrategia também chama a atenção por ter escolhido um nome diretamente relacionado à história do cinema colombiano – La estrategia del caracol é um filme bem guerreiro feito em 1993 por Sergio Cabrera. No geral, uma boa porrada sonora, unindo a paixão latina à passionalidade emo + pós-hardcore, e juntando duas cenas.

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Crítica

Ouvimos: Venom – “Into oblivon”

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Resenha: Venom – “Into oblivon”

RESENHA: Venom atualiza seu metal satânico em Into oblivion, misturando rock pesado, velocidade e ecos clássicos de Motörhead e Black Sabbath.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Noise/BMG
Lançamento: 1 de maio de 2026

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O Venom é um, digamos, monolito do metal satânico, ainda que a magia antiga tenha se perdido graças a mudanças de formação e à existência até de uma realidade paralela da banda (o Venom Inc), criada pelo baterista e guitarrista original Anthony “Abaddon” Bray e Jeff “Mantas” Dunn. O vozeirão de Conrad “Cronos” Lant continua à frente e ajuda a manter o interesse pelo grupo.

Acaba sendo aquele tipo de banda que, seja lá o que aconteça com eles, você vai parar pra dar uma olhada ou uma ouvida, nem que seja por pura curiosidade – em suma, estão totalmente longe de serem um morto-vivo que se arrasta. Se não dá pra olhar com desdém para um disco novo do Venom de jeito nenhum, Into oblivion, novo álbum, facilita as coisas sendo simplesmente uma boa atualização do som do grupo. E uma boa mostra de que muita coisa que virou regra no metal durante os anos 1980 e 1990 veio da música deles.

  • Ouvimos: Mayhem – Liturgy of death

Ao contrário da toscaria e do clima bizarro geralmente associados ao black metal, o Venom acaba soando como mais uma banda de rock´n roll fazendo música pesada – já era a estética deles na época de Welcome to hell (1982), o primeiro disco, e continua assim. Fãs de bandas como Motörhead, Black Sabbath, Kiss e até Queen vão encontrar muita diversão em faixas como Lay down your soul, a marcial e roqueiraça Man & beat, a faixa-título, e o blues violento (e curtinho) Dogs of war.

O clima dos primeiros tempos da banda, com agilidade nas batidas, palhetadas igualmente ágeis e vibe quase cerimonial, está bem vivo em Death the leveller, na oração satânica (em tons marciais e depois em alta velocidade) de As above so below, na rapidez sinuosa de Kicked outta hell (que ganha vários segmentos em poucos minutos). Legend, uma beleza pesada, tem estilhaços de Iron Maiden e Deep Purple misturados – enquanto Live loud soa lo-fi pesado como o Venom do começo, com vocais vindos das profundezas, e Nevermore atualiza O corvo, de Edgar Allan Poe.

No geral, quem tem idade para pelo menos lembrar da primeira vinda do Venom ao Brasil em 1986, com abertura do iniciante Sepultura – mesma época em que a veteraníssima gravadora Continental lançou tudo deles em vinil por aqui – tá liberado para ouvir Into oblivion sem muito susto. O final, com Deathwitch e Unholy mother, é a deixa para outros discos legais.

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Ouvimos: Saint Clare – “Everyone’s old and no one goes to parties anymore”

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Resenha: Saint Clare - “Everyone’s old and no one goes to parties anymore”

RESENHA: Saint Clare revive pós-punk e gothic rock oitentista em disco inspirado pela pandemia, Everyone’s old and no one goes to parties anymore, entre ecos de U2, Roxy Music e The Church.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Pretty Bad Records
Lançamento: 3 de abril de 2026

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O vocalista do Saint Clare, Matthew Saint Clare, diz que o som dessa banda de Ottawa (Ontário) tem a ver com o dad rock que ele ouvia quando criança, e com a new wave. Na real, o Saint Clare faz um revival do pós-punk e do som gótico dos anos 1980, com riffs de teclado que rolam direto ao longo das faixas, guitarra econômica ao extremo e uns detalhes nos arranjos que chegam a lembrar Billy Idol e U2 antigo.

Everyone’s old and no one goes to parties anymore tem a ver com a era da pandemia: ninguém sai de casa, as pessoas estão envelhecendo em meio ao isolamento, tudo parece bem estranho – o repertório foi feito naquela época. Há climas meio darkwave em faixas como Little spark, uma onda que lembra bandas como The Church em Half bad e Slow pursuit, pt. 2, e muitos climas associáveis às fases mais sofridas de Bryan Ferry e Roxy Music, como em Bleeding heart e na batida motorik de Obsession.

  • Ouvimos: RubinCarter – Still in the race (EP)

O Saint Clare apresenta até um r&b que vai ganhando ares góticos e pós-punk aos poucos (No rescue, com boas guitarras), além de pelo menos um som mais achegado ao punk (On forgetting). Não chega a ser um disco original, mas vale como resgate bem realizado de época – com uma outra “época” mais recente nas letras.

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