Connect with us

Notícias

Faixa a faixa: Big Jesi, “Kroutons”

Published

on

Daniel Jesi, o Big Jesi, foi integrante de bandas como Dalila no Caos, Dalva Suada e Burro Morto. Hoje se divide em vários projetos, como a banda Rieg, o Projeto Orijah, o coletivo de produtores Ferve e vários trabalhos como produtor, além do movimento #30dias30beats, que idealizou. Por intermédio desse coletivo, todo mês de abril vários beatmakers do Brasil produzem beats diariamente e postam em suas redes, para fortalecer a troca, a aprendizagem e a produção musical.

Foi o #30dias30beats de 2019 que inspirou a estreia solo de Jesi, Kroutons, composta por 15 faixas curtas, recheadas de beats. A ideia original era que o disco tivesse 30 faixas, mas na formatação final, saíram 15 músicas com os 30 beats produzidos lançados há dois anos, que passeiam por várias sonoridades. “A ideia é trabalhar com sincronicidade criativa, num exercício diário do fazer-ser-fazer-ser. O fio condutor é o que a música pode mover, seja os beats ou as reflexões geradas por ele. É um estado de transformação e descoberta frequente”, explica Daniel.

Jesi mandou um faixa a faixa do projeto para o POP FANTASMA. Ouça lendo.

BIT UP DOWN BOY. Música que abre os trabalhos. Ela é um grande biscoito recheado de recorte. Nela a bateria foi tocada e sequenciada. Essa já mostra de cara os cortes secos. Mesmo com essa edição para os streams, quis manter a ideia de contos curtos que compartilham o mesmo capítulo. Essa bateria durona é reflexo da minha dança com a Mpc1000 na primeira parte. Mas logo em seguida vem a quebra com reggae e a bateria e baixo mais mântrico.

Advertisement

TA COLA TÁ. O baixo marca o groove, vou colocando camadas discretas de instrumentos para seguir caminhando. Claps entram e reforçam minha descoberta de todos os tempos (risos). Impressionante com uma palma pode segurar uma vibe na música. Congas! Levada de tamborzão! Mas não é o que você está pensando, hahahaha. Usei uns elementos do funk para jogar esse ritmo num contexto diferente.

MY LAVAGEM. Curto muito o sampler que começa essa música. Recortei de uma vídeo-aula de bateria. Fui montando e seguindo o groove do solfejo. O mantra do baixo distorcido deixa tudo em alerta. Quando tudo está para explodir, entra uma baixo acústico que amorna tudo.

THE ORGANIC HUUU MACHINE. Usei dois sequencer da korg para criar esse crouton. O volca Bass e o volca Drum assinam essa música. Sequência e grooves. Máquina e swing. Toda máquina tem seu balanço.

RAGAZZO COR DE ASFALTO DALL INDIA. Essa música tem participação de Filosofino. Estávamos produzindo essa letra em outra base. Mas acabou que puxei a voz para dentro da Mpc e encaixando o tempo da voz na base.

AWON ORISA (INA) ARGENTO. O destaque dessa é um pitchdown que rolou. Curto a sensação de imersão que dá. Mas é uma lombra rápida. Quando você menos espera, já está tomando água.

Advertisement

ESPRIT SALVIA. Reflexão, tensões, ventos e repetições. Violão e Bateria fazem o caldo e dão a cor a música. A quebra dela é com a bateria socando sua mente e abrindo caminho para a raiz mais forte que o nordeste compartilha comigo.. Baixo distorcido e vocoder harmonizam com a pisada seca e o sotaque cantando o bumbo.

PALMERA DEL NOBEL DESIERTO. O groove do baixo matam a sede dessa guitarra que vem puxando o riff. Consegue pensar num sanduíche de riff?! É o que sinto quando somei as camadas. Já com o banquete formado. Vem aquela camada de Maple Syrup para não ter dúvidas que vai ficar bom e doce.

STEVEN, A JIBOIA VERDE. Jiboia verde é sobre uma planta que ganhei. Ela me acompanhou em algumas mudanças que mais para frente foi o que possibilitou fazer esse disco. Sempre forte, só precisava de um pouco de água para seguir. Sobreviveu a todas as minhas falhas. Bateria marcada e precisa. Olhando para frente e falando calmo e grave. Ela contrasta com um piano e umas cordas suaves. Mas a bateria comprova que um pouco de sal na doçura sempre equilibra e limpa a balança.

JAB KAVAKO. Tem um disco de Miles que foi uma pancada de jab na minha cara. Quando escutei A tribute to Jack Johnson, cai sem acreditar no que escutava. Foi o disco para o momento certo. Acho mile um artista muito a frente do seu tempo. E teve coragem de sempre puxar o que o desafiava.

DE ACORDO COM O INTERESSE. Nessa, desembarquei de um trem na Itália e fiquei esperando Dario Argento chegar. (risos). Imaginações a parte. Teve um período que assisti uns filmes de terror moderno italiano. Acabei me apaixonando pelo gênero graças à minha companheira cinéfila. Essa track tem uma amostra das trilhas dos filmes. A rima veio através da procura caótica de abrir o YouTube e ir clicando com a base rolando. Tem sempre uma hora que o complemento chega.

Advertisement

QUANDO VC CAI DEMAIS 303. Tentei entrar mais no lofi. Na época estava na playlist o J Dilla. Mas não sei se fui onde o mestre estava. Acho que de alguma maneira fiquei perdido entre minhas descidas reflexivas. Estava entendendo que ir ao fundo era necessário para poder subir. Tem hora que ir até o fim é a única opção.

3X05 TESOUROS. Essa é um agradecimento à Monja Coen que tanto me acompanhou nas insónias de um período mais agitado de criação e produção. Adoro o piano desafinado. Tem um plugin da Vulfpeck que gosto de sempre testar quando quero dar essa camada de som gasto. É uma música tentando me deixar calmo. Mas se você notar, a bateria fica empurrando para novas ideias.

VOU CHEGAR PARA GANHAR, DOIDO! Música para um grande amigo meu. Uma vez discutimos que nem sempre se briga para ganhar. Lutar tem que ser constante, mesmo você em desvantagem. Recortei a amostra e fui lutando para achar uma nova forma. Extirpei da música original outro ritmo e foi colando os pedaços. A linha de baixo toma corpo e vai correndo ao lado da melodia. Como um cachorro ansioso e excitado, a melodia do baixo morde o groove e balança a cabeça até a energia passar.

SUGABEAT. Sampleei o discurso de Barack Obama quando ele saiu da presidência para o loko assumir. Entendi que para manter algo que você acredita, temos que manter a base firme. O drone pulsa como se um helicóptero se aproximasse e desse um rasante, como se fosse pousar. Os coqueiros se dobram com o vento das hélices. Eu olho para cima e paro de escutar as hélices. Uma sequência doce de sons informa que é só seguir que vai dar certo.

Advertisement

Continue Reading
Advertisement

Notícias

Jalmy: pop baiano e música de verão em tempos pandêmicos

Published

on

Jalmy: pop baiano e música de verão em tempos pandêmicos

Baiano de Salvador, Jalmy viu seu estado passar por tempos difíceis no fim de 2021, com as chuvas e enchentes. O material de seu EP Movimento procura manter a bandeira do pop de verão erguida, mesmo que num período adverso – além de tudo, ainda temos uma pandemia rolando aí. O material é autoral (“é o que ouço, busco e o que me balança”, diz), e une influências de música eletrônica, reggaeton e ritmos baianos. Abre com um convite às festas de verão em Aquela hora do ano e passa por temas como a farsa do “novo normal” em Nada normal. E tem muito da música baiana que marcou o dia a dia de Jalmy na infância e na adolescência.

Batemos um papo com Jalmy sobre o EP, sobre música pop da Bahia e sobre como vão as coisas por lá depois das chuvas (que finalmente diminuíram).

Foto: Júlia Dominguez/Divulgação

Fala um pouco das lembranças do verão em Salvador que vieram na sua cabeça quando você estava fazendo o disco. No que isso se reflete em canções como Aquela hora do ano?

Advertisement

As lembranças dos verões em Salvador vem acompanhadas de sensações. Uma das sensações é de que a cidade e as pessoas se transformam nesta época do ano. Outra sensação é de encantamento. As manifestações culturais e as festas populares pulsam na alma da cidade. Se não fossem estes tempos “nada normais” o dia a dia da cidade no verão estaria recheado de várias festas tradicionais e é por este assunto que Aquela hora do ano começa a falar do verão. É sobre curtir e sentir, as pessoas, a rua, este espaço de disputa e encontros. Além disso no verão a gente quer tomar um banho de mar, dourar a pele no sol e ainda com o tempo da paquera, o envolvimento, para algumas pessoas.

Aliás, como tá sendo pra você a chegada do verão e do calor, depois de um fim de ano de chuva e frio, e de enchentes na Bahia?

É um começo de ano de cuidado, de atenção. Pra mim a diminuição das chuvas traz um alívio, justamente por conta destes estragos, embora os danos ainda estejam impactando a vida das pessoas, então é importante estarmos ligados nas campanhas de apoio às comunidades e contribuir da forma que for possível, é urgente, para muitas pessoas é pra ontem. Parece que o verão finalmente chegou por aqui, mas com todo este rebuliço, as enchentes, o agravamento da pandemia e até surto de gripe, então precisamos pisar macio para nos proteger e também cuidar de todas as pessoas ao redor.

Quais são os ritmos que você ouviu nas ruas da Bahia que estão no disco, e como a música que você conheceu quando criança e adolescente ajudou na composição?

O samba de roda, samba duro, samba afro, pagodão baiano são os toques baianos bem evidentes nos arranjos do disco. Ao longo da minha carreira pude me aproximar um pouco de cada um, só que além disso também cresci indo para festas de largo e o carnaval pipoca, vivendo o caldeirão sonoro dos encontros de trios e toda a irreverência e musicalidade das fanfarras e arrastões na Festa de Yemanjá, lavagem do Bonfim, Conceição da Praia e por aí vai. Tudo isto me leva a sempre compor arranjos ou letras com MOVIMENTO, balanço, uma ginga no ritmo, na estrutura do arranjo e até nas letras.

Advertisement

Como você começou a se envolver com música?

Tive o privilégio de crescer num ambiente familiar onde, embora não houvesse musicistas, se escutava muita música e o gosto era e é bem diverso. Desde de pequeno já admirava (e às vezes tentava tocar) nos arrastões e festas que aconteciam pela rua em que morava. Na escola lembro de ter tido aulas de música também. Aos 11 anos comecei a estudar violão num conservatório de música, foi onde também estudei teoria musical, canto coral, regência e harmonia, e permaneci até entrar na Escola de Música da UFBA.

O que você estava escutando quando fez o disco? O que te influencia musicalmente hoje, de modo geral?

A lista é enorme, a busca por sons e artistas novas é um passatempo, mas preciso começar por mestras e mestres, como Lazzo, Margareth Menezes, Gil, Orquestra Rumpillezz, Augusto Conceição, Jorge Ben Jor, passando também por Baiana System, Attooxxá, Sistema Pagotrap, Luedji Luna, Josyara, Japa System.

A pandemia foi influência de uma das faixas, Nada normal. Como foi colocar o tema em música? O termo “novo normal”, usado quando as pessoas achavam que aquilo tudo duraria 15 dias, era bastante irritante, não?

Advertisement

Falar sobre a pandemia no EP foi inevitável. Esse momento transformou e vem transformando as nossas vidas e na época tudo estava mais difícil, com atraso nas vacinas, os dados alarmantes e o negacionismo constante. Muitas vezes via o termo “novo normal” sendo dito numa tentativa de forçar uma normalidade num momento de muita cautela e preocupação.

Claro que as vezes é bom dar uma aliviada, abstrair, quando o momento que se vive está difícil de atravessar, acho que pensar num novo normal pode ter trazido esta sensação e quem sabe não ajudou as pessoas a atravessarem este momento, mas não pude deixar de fazer o trocadilho e Nada normal vem para abrir o olho e a consciência para o fato de que estamos longe do precisamos para poder chamar o que estamos vivendo de normal.

Muitos artistas estavam fazendo planos para esse começo de ano (shows, eventos etc), mas veio a ômicron e enfim… Como foi pra você?

Eu tava também, ainda mais depois de lançar o EP. Para mim o processo de produção e lançamento de todo o projeto solo veio em etapas, então comecei a planejar os shows depois de lançar o EP, mas aí veio este banho de água fria… A difusão do trabalho como artista independente tem muitos desafios e este é mais um na conta, mas tudo em seu tempo, sigo nas redes sociais me conectando com meu público e novos ouvintes que vem chegando bastante, até que tudo melhore e a gente se encontre nos palcos de novo.

Advertisement
Continue Reading

Notícias

Felipe Ruschel fala sobre novo single, apresentando feat com Marcelo Gross

Published

on

Felipe Ruschel é um roqueiro gaúcho, cujo primeiro álbum, Nem eu sei, saiu em 2012, numa época em que lançar material novo em CD era padrão. A estreia de Felipe apareceu recentemente nas plataformas digitais, ao mesmo tempo em que ele se prepara para lançar o segundo álbum, Do avesso, dez anos após o primeiro.

O novo álbum tem participação de nomões do rock gaúcho: Luciano Albo (ex-Cascavelletes) produz e ajuda nas guitarras e no baixo. Fábio Ly (ex-TNT e Bandaliera) está na bateria e Murilo Moura toca piano. E ninguém menos que Marcelo Gross (Cachorro Grande) solta a voz em Hei magro, primeiro single do álbum, já disponível – a música é definida por Ruschel como “uma brincadeira, que fala muito sobre todos nós”. E Felipe falou com a gente sobre o single e o disco que está vindo.

Me fala um pouco do que está vindo por aí no disco novo? As músicas foram feitas pós-pandemia ou tem muito material mais antigo?

Cara, muito material antigo. Acho que um compositor tá sempre compondo, certo? Então sempre tive muitas músicas guardadas. Na hora de entrar em estúdio apresento o material ao produtor e decidimos por gravar um time de canções que funcionem bem juntas. Em 2016 estávamos na pré-produção do segundo álbum quando surgiu a oportunidade de ir ao Rio. Fui, e acabei priorizando as divulgas do primeiro disco. Acabei ficando lá por pouco mais de dois anos. Em 2021 retomamos o projeto.

Advertisement

Essas mudanças que a gente teve no mundo ultimamente influenciaram as músicas novas? Como vc lidou com isso compondo?

Cara, acho que criar é se despir. Ao mesmo tempo em que a pandemia nos prendeu em casa, nos trouxe uma certa liberdade de sermos quem somos de verdade. Ninguém mais consegue esconder quem é de fato. Acho que todo artista um dia sonhou em mudar o mundo. Ok, tá na hora de mudarmos o nosso mundo. Afinal, como Raul dizia, “cada um de nós é um universo”. Na criação é a mesma coisa. Menos métodos e mais verdade artística. Acho que a grande sacada é sermos nós mesmos, tanto na vida quanto na arte.

O single novo foi feito para algum personagem da vida real?

Hei magro é uma brincadeira, que fala um pouco sobre todos nós. Cometas passando enquanto olhamos de luneta para o chão. Sempre achei engraçado as pessoas supervalorizarem coisas que, na real, não tem tanto valor assim. Então, é tipo um brother dando um toque para o outro: “Ei cara, pare de olhar pelo buraco da fechadura, abra a janela!”. Tanto o single Hei magro quanto o novo álbum têm produção de Luciano Albo e patrocínio da Prefeitura Municipal de Santa Maria através da Lei Aldir Blanc.

Nem eu sei saiu tem uns dez anos. De lá para cá, como ficou sua carreira e o que você andou fazendo?

Advertisement

Em 2016, após participar da produção do filme Maverick: Caçada no Brasil, do diretor Emiliano Ruschel, surgiu a oportunidade de me mudar para o Rio. Lá lancei o terceiro videoclipe do álbum Nem eu sei, da canção Pequeno romance. O clipe foi filmado em Los Angeles e dirigido pelo próprio Emiliano. Gravei também um EP de cinco canções em formato acústico batizado carinhosamente de Rio. O EP foi gravado no estúdio Corredor 5, no Leblon, e teve produção de Renato Alscher. As canções estão disponíveis no YouTube.

Tem alguma letra do Nem eu sei que você ache que cairia perfeitamente nos dias de hoje?

Rapidamente pensando, Sem nenhum tostão, hehehe. Acho que a maioria dos brasileiros se sente assim hoje. Destes, grande parte pertence à classe artística. Fora essa, Será que isso passa, Refúgios e Grandes coisas acho que conversam bem com o momento atual!

Aliás, vi uma entrevista sua em que você disse “meu disco foi lançado virtualmente, tá lá pra download no meu MySpace”. Como é observar hoje essas mudanças no mercado, e como é hoje lembrar dessa época em que nem havia plataformas digitais ainda?

Advertisement

Interessante essa pergunta, porque acabei de ingressar no mundo das plataformas digitais. O álbum Nem eu sei foi disponibilizado super recentemente, em dezembro agora, com assessoria do meu brother Paul James, dos Acústicos & Valvulados. Legal ter seu trabalho ao acesso de todos, tão facilmente. Mas, na real, o poder continua na mão da indústria, né? Poucos decidindo o que muitos vão ouvir. A grana continua falando mais alto.

Você é do IAPI. Como foi crescer num local com tanta tradição no rock local? E como as histórias e sons do rock gaúcho que você ouvia te influenciaram?

Coincidência responder essa pergunta justamente no dia em que se completam 40 anos da passagem da Elis. Ainda hoje passei em frente ao apartamento em que ela morou até se mudar pro Rio. Com relação ao rock gaúcho, tudo nasceu aqui. O Liverpool, de Mimi Lessa e Fughetti Luz, lançou o primeiro álbum de rock gravado no RS ainda em 1969. Aí continuou… Bixo da Seda, Taranatiriça, Bandaliera.

Sobre essas duas últimas, inclusive, o Alemão Ronaldo (vocalista de ambas) é o convidado do próximo single do disco, que vai ser disponibilizado em fevereiro! Bixo, minha vontade de fazer música surgiu por causa desses caras. E da turma que veio depois, já pros lados do Bom Fim. TNT, Cascavelletes, Garotos da Rua e tantas outras bandas incríveis. Com certeza me tornei músico por causa dessas feras.

Advertisement

Como surgiu a ideia de convidar o Marcelo Gross pra um feat nesse single novo? Vocês são amigos há muito tempo?

Em 1997 resolvi comprar minha primeira guitarra. Tinha 15 anos. Quem me atendeu? Marcelo, o Gross. Tinha estilo de músico, então perguntei: “Toca com alguém?”. Ele respondeu: “Com o Júpiter Maçã”. Comprei a guitarra na hora! Ahahaha. Mas não mantivemos contato. Logo em seguida ele se mandou pra Sampa pra trilhar essa linda estrada tanto com a Cachorro Grande como com sua brilhante carreira solo. A ideia de convidá-lo foi porque sempre achei Hei magro muito a cara dele. Ele topou, e o resultado tá aí!

Continue Reading

Notícias

Marthe Sessions: apresentando o novo som do Piauí

Published

on

O Marthe Festival teve três edições físicas entre 2017 e 2019, com mais de 50 apresentações musicais em mais de dez espaços de Cultura de Teresina (Piauí). O evento volta em edição de bolso neste fim de semana, e – por causa do aumento de casos na pandemia – rola apenas online. O Marthe Sessions vai trazer cinco nomes da região: Bia e Os Becks, Caju Pinga Fogo, Florais da Terra Quente, Monte Imerso e Narcoliricista.

A ideia é ocupar espaços: no sábado (22, meio-dia) e no domingo (23, ás 15h) o evento rola em pré-estreia na TV Assembleia. A gravadora Hominis Canidae Rec, realizadora do evento, vai transmitir tudo no dia 29 em seu canal do YouTube. Além disso, vão sair EPs ao vivo com as apresentações, igualmente distribuídos pelo selo em todas as plataformas.

Batemos um papo com Diego Pessoa, produtor do evento, e ele contou um pouco pro Pop Fantasma o que tá vindo aí – e quais são os planos para esse 2022 ainda repleto de dúvidas seríssimas, ainda mais na área da cultura.

Como tá sendo fazer o Marthe Sessions online e como foi o preparo para isso?

Advertisement

Tá sendo uma parada muito mais cinema do que evento e música/ festival. O projeto é uma ideia até anterior a pandemia, mas o projeto era bem mais modesto do que acabou acontecendo agora. Sempre achei que seria interessante registrar em vídeos artistas daqui, inclusive em performances ao vivo realmente, nos espaços que fui nas vezes que vim aqui em Teresina antes de morar. Rolavam uns lances bem interessantes que surgiam meio que do nada.

Com a pandemia, bolei o projeto no intuito de apresentar um pouco da nova cena piauiense para o Brasil e também mostrar um ponto turístico ou um espaço bonito de Teresina pra quem é de fora e por que não da cidade. Teresina é extremamente espalhada, os moradores daqui nem sempre conhecem todos os espaços da cidade, então na minha cabeça era a forma de eu conhecer espaços e apresentar. Foi aí que surgiu o Parque da Cidade, um lugar enorme e arborizado que no dia lá da session, descobri que várias pessoas estavam indo lá pela primeira vez ou não iam lá a muitos anos. É um lugar que está meio abandonado pela população e pelo poder público, que eu espero que volte a ser mais vivo.

Houve um momento em que se acreditava, no fim do ano, que os eventos presenciais iriam voltar com força total, etc. Como estavam os planos de vocês nessa época? Havia a ideia de fazer uma edição presencial das sessions?

Eu sou biólogo e pesquisei e trabalhei com doenças virais durante boa parte da minha graduação e toda minha pós-graduação. Atrelado a isso, sempre estive envolvido com cultura, seja consumindo e indo em eventos ou produzindo. Eu estou trabalhando full produção cultural / jornalismo cultural desde o final de 2016/ início de 2017 quando vim morar por aqui em Teresina, então estou um pouco enferrujado na parte científica. Mas com a pandemia, comecei a ler diversos artigos no NCBI (Banco de dados internacional que era aberto na universidades de todo o brasil, por conta o governo Dilma), e a capacidade de se espalhar e de gerar novas cepas dessa doença eram bem impressionantes. Então juntando isso e o fato de que a cultura sempre é colocada de lado no Brasil, mais ainda em um período de governo acultural e não científico, nunca estive esperançoso nessa volta com força total.

Viveremos em ondas, acredito que é um momento para fortalecer cenas locais, e acho que será assim nesse ano e talvez no próximo, tudo para conter essa violência extrema do Covid. Então são shows pequenos, com artistas locais ou da região, exatamente para não ter uma bolha tão extensa. Eu acredito nisso e era nesse sentido que estava pensando fazer eventos nesse período de pandemia e pós.

Advertisement

O Marthe teve três edições físicas e todas as bandas que estão nesse projeto já se apresentaram na mostra em algum dos anos.

Qual o conceito do Marthe Festival? O que vocês tinham em mente quando o evento foi montado?

O Marthe Festival surgiu em 2017, quando comecei a me inserir na cena cultural da cidade como morador. Tinha chegado em Teresina em Outubro de 2016 e após virar o ano, comecei a fazer contato com pessoas que já conhecia aqui por conta do Hominis ou pelo fato de ter vindo aqui algumas vezes antes de vir para morar. Como falei, a cidade aqui é bem espalhada e grande, existem diversas cenas (sonoras e regionalizadas) distintas. A ideia era unir linguagens sonoras diferentes no mesmo palco. E não só musical, mas expandir para outros tipos de artes e se espalhar pela cidade.

Como eu tinha contato com o pessoal que organizava o Dia da Música e já tinha realizado palco dentro do evento, resolvi inserir a Marthe como sendo o primeiro palco do Dia da Música no estado do Piauí. O primeiro ano foi um palco no Espaço Cultural Noé Mendes, que fica na Universidade Federal do Piauí, com entrada franca e conseguimos apoio com a prefeitura de Teresina na época. Foram 10 shows com bandas de Teresina, Parnaíba (cidade do litoral do Piauí), Fortaleza e João Pessoa.

Em 2018, tivemos apoio da Prefeitura para palco e som do festival, mas zero apoio financeiro e mesmo assim tivemos o festival com diversas bandas de diversos estilos da cidade, 2 oficinas e palestras gratuitas, uma exposição da artista que fez a arte daquele ano e uma mostra de cinema e música. Tudo de graça com doação de quilos de alimento.

Advertisement

Em 2019 tivemos o nosso primeiro edital, que nos garantiu uma verba de R$ 35 mil reais que foi aplicada na realização de shows em vários espaços de Teresina, com bandas que nunca tinham passado pela cidade como Rakta, Curumim, Guitarrada Das Manas, niLL, Dj Buck, MC Nabru, Jair Naves, Lupe de Lupe, D_M_G, em pelo menos 5 palcos diferentes, se misturando com vários artistas locais e realizando palestras, oficinas e ações gratuitas nesse período, além dos shows com preços simbólicos. A ideia em 2019 foi abrir as portas da cidade para as bandas de fora e também tentar fazer mais bandas daqui conseguirem ir para fora, quebrando essa barreira geográfica. Infelizmente a pandemia atrapalhou tudo, mas surtiu efeito o evento a ponto da gente ter planejado algumas tours pelo nordeste e apresentação na cidade com 4 atrações que nunca tinham vindo aqui no primeiro semestre de 2020, o que obviamente não rolou.

Agora não sabemos se iremos voltar a fazer shows um dia, até por que não sabemos se temos condições de realizar isso.

Como foram selecionadas as bandas dessa session?

Eu gosto muito da proposta das 5 atrações da sessão. Gosto do som, gosto delas ao vivo, acho a mistura interessante e são projetos plurais e que mostram um pouco da identidade cultural do piauí e da mistura de som que é essa cidade. Monte Imerso é um indie rock psicodélico lo-fi aqui do bairro onde moro em Teresina, meninos jovens e cheios de talento. A Florais da Terra Quente é um coletivo de jovens artistas e músicos que escrevem e compõe muito bem e bebem na música regional e brasileira de outros tempos.

O Narcoliricista é meu MC favorito aqui do Piauí, tem uma marra bem hip hop, com uma sonoridade mais boom-bap que eu gosto mais e com boas letras e performance de palco. A banda de Pífanos Caju Pinga fogo é um pouco mais antiga que as anteriores e um dos caras da banda sempre esteve envolvido nos corres da Marthe nos outros anos. Fora que ao vivo é muito legal a mistura de regionalismo com modernidade que eles impõem, mesmo usando elementos tradicionais como pífano, rabeca e percussão. A Bia e os Becks tem dez anos de rolê já e só melhoram a cada apresentação que eu vejo. O som é bem pop e dançante, bem agitado ao vivo, então casou bem com o balanço da proposta.

Advertisement

A ideia era ter três atrações a mais, mas não sabia que o edital da Aldir Blanc de Teresina iria ter o corte total de imposto de renda de 25% do projeto, então tivemos um corte substancial no valor solicitado para proposta e reduzimos algumas ações. Mas tá bonito do mesmo jeito.

A ideia do evento é poder trabalhar com todas as plataformas? Vai rolar exibição na TV, no YouTube, EPs ao vivo.

Sim, a ideia é trabalhar o máximo de plataformas possíveis. Por que a ideia é divulgar a música autoral piauiense para o máximo de pessoas possíveis. Conseguimos colocar a session na TV Assembleia, numa pré-estreia em 2 datas para todo o Piauí na TV aberta. No sábado (22 de Janeiro), meio dia e no domingo (23), às 15h. Depois, o projeto será lançado dia 29 de Janeiro, às 20h, no canal do Youtube do Hominis Canidae. E em fevereiro iremos disponibilizar os sons que foram gravados por canais de forma profissional, mas mantendo aquela vibe que eu adoro de bootleg ao vivo em todos os streams pelo selo Hominis Canidae REC. Um EP de 3 faixas de cada uma das bandas, pra mais gente consumir a música piauiense no máximo de locais possíveis. Eu queria passar no cinema também, mas infelizmente não rola aglomerar no ar condicionado no momento.

Algum plano para 2022? Como estão as movimentações para o evento neste ano?

Por enquanto é trabalhar a session e sentir o terreno cultural brasileiro esse ano, mês a mês, semestre a semestre, com a ideia de shows menores e com atrações mais regionalizadas se possível. Aproveitar que é ano de eleição pra tentar fazer o país voltar para um momento mais cultural e humano e seguir se vacinando, mantendo a saúde em dia. É o que dá pra fazer e pensar no momento. E tentar pagar as contas e viver nesse momento distópico do Brasil, onde o problema é mais politico do que pandêmico, infelizmente. Mas bora mudar no voto esse ano, assim espero.

Advertisement

Continue Reading
Advertisement

Trending