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Cultura Pop

Elvis Costello em 1989 olhando para ele mesmo em 1977

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Elvis Costello em 1989 olhando para ele mesmo em 1977

Elvis Costello, em 1989, foi mostrado em dois tempos diferentes por uma das mais longevas repórteres de televisão do Reino Unido.

Lançando o promissor o disco Spike (e numa época em que estava compondo com Paul McCartney e de contrato assinado com a Warner), o cantor foi ao programa de Mavis Nicholson e encontrou-se com ele mesmo em 1977.

Mavis, no ano do levante punk, havia entrevistado um Elvis Costello raivoso, que não pensava em si próprio como uma futura celebridade, e que havia “lançado dois singles fracassados e estava em sua primeira aparição na televisão”. Bem diferente do Elvis de 1989, adulado pela crítica, relativamente bom de público, com vários álbuns na discografia. E com um passado cheio de encrencas turbinadas por relacionamentos amorosos, drogas, bebida e temperamento esquisito.

A apresentadora recordou a versão-de-voz e guitarra que Elvis havia feito para seu single Watching the detectives e ouviu dele (em 1977) que ele queria ser “mais uma pessoa do que uma celebridade”. Pois bem: Mavis confrotou o Elvis de 1989, disse que ele já era uma celebridade e perguntou o que havia ficado nele daquele punk nerd desconfortável (e apertado num terno embalado à vácuo) de 1977.

E, pois bem II: Elvis NÃO se considerava mesmo uma celebridade. Admitiu que se fosse consultado um clipping do seu trabalho, haveria muito pano pra manga – o cantor chegou a frequentar colunas de fofocas, além dos espaços destinados à música. E disse que havia passado os últimos cinco anos trabalhando incansavelmente para destruir a imagem que acreditava que as pessoas tinham dele, e para mostrar que havia uma pessoa por trás daquela onda de “celebridade”.

“Semanas depois eu revi essa entrevista (a de 1977) e fiquei chocado com a ingenuidade de algumas opiniões minhas”, confessou Elvis, que gostava de usar a imagem dos displays de personalidades (os cardboard cutouts) para mostrar o quão vazia e unidimensional era a vida de uma celebridade.

(ih, rapaz, fabricaram um cardboard do Elvis Costello – compre aqui)

Observar como Elvis reage a ele mesmo em 1977 é interessante. E mostra o quanto a vida de uma pessoa pode mudar em doze anos. A começar porque o Elvis dos anos 1970 era um rapaz suburbano que trabalhava o dia inteiro, compunha nas horas vagas, tinha lá algumas ambições mas ainda estava numa roda-viva bem distante da vida de um astro. E tinha uma vivência bem limitada. Pouco depois de lançar a estreia My aim is true (1977), Elvis fez seus primeiros shows nos Estados Unidos. Admite que o giro provocou certa “disrupção” em sua cabeça e o tornou um cara mais cínico, menos entrincheirado.

Mavis, cujo programa tinha repercussão monstra (Elvis admite que uma entrevista para a atração repercutia mais que cinco jornais), se esforça para fazer com que Elvis detalhe o impacto que a fama teve em sua vida pessoal. Ele, como se sabe, largou o casamento, enredou-se em vários casos e namoros (a coelhinha Bebe Buell foi um de seus casos) etc. O cantor reconhece que o novo status fez com que se sentisse livre até para tratar mal as pessoas, “de maneira bem infantil”. E vai por aí.

Confira o vídeo todo aí (tem legendas automáticas em inglês e português).

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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