Connect with us

Urgente

E Morrissey e Marr, que voltaram a trabalhar num lançamento dos Smiths? (mas calma!!!)

Published

on

Os outros dois: Andy Rourke e Mike Joyce depois dos Smiths

RESUMO: Morrissey e Johnny Marr voltam a trabalhar em torno do legado dos Smiths na nova edição do single The headmaster ritual, que sairá em vinil pela Rough Trade. A faixa terá I want the one I can’t have no lado B e integra a caixa Volume 2, prevista para outubro.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Uma reunião dos Smiths continua parecendo improvável, mas Morrissey e Johnny Marr encontraram uma rara ocasião para trabalhar em torno do legado da banda. Os dois participaram das decisões relacionadas a uma nova edição de The headmaster ritual, faixa de Meat is murder (1985), que estará na caixa de singles Volume 2, da Rough Trade, prevista para outubro.

A música terá um novo lançamento em vinil de sete polegadas, acompanhada no lado B por I want the one I can’t have. The headmaster ritual havia saído como single apenas na Holanda, sem uma edição equivalente em outros mercados, com o instrumental Oscillate wildly no lado B – a gravadora informa que as escolhas das músicas partiram de Morrissey e Marr.

Detalhe: Morrissey também supervisionou a nova capa do compacto, que mantém uma tradição visual dos Smiths ao recorrer à imagem de um ator de cinema. A foto escolhida é de Billy Halop, registrada em 1939. Só não é pra ficar animado / animada porque nada na nota da Rough Trade sugere que os Smiths vão voltar e os dois vão retomar a dupla de composição – nada sugere nem que os dois se comunicaram entre si.

Volume 2 não é uma coletânea de singles exclusiva dos Smiths: ela reúne compactinhos ligados à história da Rough Trade e traz ainda nomes como The Fall, Scritti Politti e Mazzy Star. O primeiro volume trazia nomes como Augustus Pablo, Stiff Little Fingers e o clássico Nag nag nag, da banda eletrônica Cabaret Voltaire. Morrissey e Marr colaboraram com as notas que acompanham a caixa – e que trazem também entrevistas com os co-diretores da Rough Trade, Jeannette Lee e Geoff Travis, além de contribuições de Elvis Costello, Harriet Wheeler, Anton Corbijn, Stewart Lee e outros.

O histórico recente de desentendimentos entre Morrissey e Marr é bem grande, vale só recordar. Em 2019, Johnny Marr, ex-guitarrista dos Smiths, chegou a afirmar que uma possível reunião da banda teria que contar com Nigel Farage, líder inglês de extrema-direita, na guitarra. Em 2024, o cantor afirmou que os Smiths haviam recebido uma proposta para uma reunião e que ele havia aceitado, enquanto Marr teria dado de ombros. O guitarrista contestou a versão: “Quanto à oferta para fazer turnê, eu não a ignorei. Eu disse não”, afirmou.

  • Por que Stephen Street virou “co-produtor” de The queen is dead, dos Smiths, 40 anos depois?

Rolou também uma lavagem de roupa suja em relação ao nome The Smiths. Morrissey acusou Marr de ter registrado a marca sem consultá-lo. Já os representantes do guitarrista disseram que uma proposta de propriedade conjunta havia sido apresentada ao cantor. Recentemente, Morrissey apelou, lançando uma nova versão das t-shirts dos discos Meat is murder (1985) e The queen is dead (1986), mas com o nome dele no lugar do nome da banda (!).

Morrissey também lançou uma bolsa azul com o nome dele, e o título da música dos Smiths Shoplifters of the world unite (mas pensando bem, deve ser maravilhoso entrar no shopping com uma bolsa dessas). Tá tudo à venda no merchan oficial dele. No mais, tem Johnny Marr em breve no Brasil, e Andy Joyce se juntou ao produtor e técnico de som Stephen Street numa turnê para contar histórias do disco quarentão The queen is dead.

E se você tá curioso / curiosa pela caixa, seguem uma imagem e a lista de faixas. Ela já tá em pré-venda. Os singles são todos de sete polegadas.

Caixa Volume 2, da Rough Trade, com faixas dos Smiths, Scritti Politti, The Fall, Mazzy Star

LISTA DE FAIXAS

Single RT056 – 1980
Lado A: The Fall – Totally wired
Lado B: The Fall – Putta block

Single RT091 – 1981
Lado A: Scritti Politti – The sweetest girl
Lado B: Scritti Politti – Lions after slumber

Single RT115 – 1982
Lado A: Robert Wyatt – Shipbuilding
Lado B: Robert Wyatt – Memories of you

Single RT122 – 1983
Lado A: Aztec Camera – Oblivious
Lado B: Aztec Camera – Orchid girl

Single RT124 – 1983
Lado A: The Go Betweens – Cattle and cane
Lado B: The Go Betweens – Heaven says

Single RT152 – 1984
Lado A: Jonathan Richman & The Modern Lovers – That summer feeling
Lado B: Jonathan Richman & The Modern Lovers – This kind of music

Single RT0507S – 2026
Lado A: The Smiths – The headmaster ritual
Lado B: The Smiths – I want the one I can’t have
(originalmente lançado na Holanda em 1985, com Oscillate wildly no lado B – novo lado B para este lançamento, escolhido pela banda)

Single RT218 – 1989
Lado A: The Sundays – Can’t be sure
Lado B: The Sundays – I kicked a boy

Single 45rev19x – 1983
Lado A: Mazzy Star – Blue flower
Lado B: Mazzy Star – Five string serenade
(este single foi originalmente lançado com Under my car no lado B – alterado a pedido da Rough Trade para esta edição)

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Urgente

Último disco do The Fall vira disputa sobre o legado de Mark E. Smith

Published

on

Mark E. Smith, líder do The Fall (Foto: Reprodução)

RESUMO: Post script usa vocais inéditos de Mark E. Smith e chega como o último disco do The Fall, mas a noiva do músico contesta o lançamento e diz que ele queria encerrar a banda em New facts emerge (2017).

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Até onde é legítimo terminar o disco de alguém que morreu? A pergunta ronda Post script, álbum que sai em 2 de outubro e está sendo anunciado como o “último disco oficial” do The Fall. Só que tem gente bem próxima de Mark E. Smith, criador do grupo (1957-2018), dizendo que não é exatamente assim.

Uma delas é Pamela Vander, noiva e última empresária de Smith. Ela afirma que o músico já havia decidido, antes de morrer, que New facts emerge, de 2017, seria o ponto final da discografia do The Fall. E Pamela não gostou nada de ver outro álbum aparecendo quase nove anos depois.

A história, contada pelo jornal britânico The Guardian, fica mais complicada quando se olha para a origem das gravações. Quando Post script foi anunciado, em junho, circulou a informação de que suas nove faixas vinham das últimas sessões do The Fall antes da morte de Smith, em janeiro de 2018. Só que os vocais foram gravados bem antes, entre 2001 e 2014. Ed Blaney e Simon “Ding” Archer pegaram esse material e criaram novos acompanhamentos.

É aí que Vander vê o problema. “Eles estão vendendo isso como ‘o último álbum’, então as pessoas vão pensar que Mark o fez em seu leito de morte, mas nada disso (em termos de vocais) foi feito depois de New facts emerge”, afirmou.

Ela diz, inclusive, que guarda as verdadeiras últimas gravações de Smith — entre elas, imagine só, uma versão de Material girl, hit da Madonna. Para Vander, lançar o material antigo não seria um problema se ele fosse apresentado como parte dos arquivos do cantor. O que ela questiona é colocar The Fall na capa.

“A vida de Mark era complicada e ele era muito desorganizado quando se tratava de proteger seu legado. Eu era a empresária e nem sei quem detém os direitos sobre o nome ‘The Fall’. É uma tentativa de ganhar dinheiro fácil, apenas uma coletânea de sobras. Eu não me importaria se fosse lançado como ‘o arquivo de Mark E. Smith’ ou algo assim, mas há algo eticamente errado em lançá-lo como The Fall. Há algo eticamente errado em lançá-lo como The Fall”, diz.

Post script, vale dizer, tem a aprovação do espólio de Smith e será lançado pela Cog Sinister, gravadora criada por Mark em 1987. 30 degrees, a primeira amostra do disco, saiu em junho. Vá lá que Blaney e Archer também não são dois sujeitos que simplesmente encontraram umas fitas de Mark E. Smith e resolveram fazer um disco. Blaney tocou no The Fall no começo dos anos 2000, virou empresário e gerente de turnê do grupo, e ainda gravou com Smith o álbum Smith and Blaney, em 2008. Archer foi baixista da banda entre 2003 e 2004 e trabalhou como produtor ou engenheiro em oito dos nove últimos discos do The Fall.

Blaney diz que a ideia de Post script nasceu justamente dessa proximidade. “A intenção ao fazer este disco era prestar uma homenagem à altura de Mark/The Fall, porque os vocais estavam lá, esperando para serem bem aproveitados”, afirmou. E rebateu a acusação de Vander de que o projeto seria uma “tentativa de ganhar dinheiro”: “Palavras como ‘ganhar dinheiro em cima disso’ me fazem rir. Foi uma questão de amor e respeito por Mark: ele era o The Fall, e os vocais de Mark foram gravados como The Fall, por isso o disco está sendo lançado como The Fall”.

Archer, por sua vez, passou 12 anos acumulando gravações de Smith — algumas delas feitas de maneiras bastante pouco cerimoniosas. “Regularmente registrávamos as ideias mais recentes de Mark sobre qualquer base que ele achasse adequada naquele momento: um drone, uma batida de bateria, a cappella ou até no corredor, para testar a acústica”, escreveu no Facebook (o jornal diz que ele preferiu não dar entrevista). Algumas dessas ideias viravam músicas. Outras ficavam esperando. O material de Post script nasceu desse segundo grupo.

Ao ser contatado pelo The Guardian para comentar o assunto, Rob Ayling, diretor da Cog Sinister, disse que “o álbum fala por si só”. Archer também diz que houve confusão em torno da palavra “final”. “Nenhum de nós está tentando ser a formação definitiva. A palavra ‘definitiva’ na declaração original tinha a intenção de indicar que este será o último LP com gravações de estúdio inéditas”, escreveu. E antes de ser perguntado, ele respondeu à pergunta inevitável: isso é mesmo The Fall? “É The Fall? Bem, Mark é o The Fall, então sim, são músicas do The Fall. Se você não está convencido, não compre”, afirmou.

Vander inicialmente preferiu ficar fora da discussão por estar há anos afastada dos negócios da banda. Ela viveu com Smith nos últimos três anos da vida dele, pintou a capa de New facts emerge e cuidou do músico durante sua luta contra o câncer. Mas acabou decidindo falar porque “isso estava me consumindo. Sinto que ainda é meu trabalho defender Mark”.

Se Mark E. Smith era, como diz Archer, o The Fall, basta existir uma gravação inédita dele para existir uma música inédita do The Fall? Mesmo que Smith, segundo Vander, tenha preferido encerrar a discografia da banda em 2017? Seja como for, Post script tá marcado para 2 de outubro.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Continue Reading

Urgente

Catïça mira os super-ricos no punk metal de “Surpresinha”

Published

on

Catïça - Foto: Bernardo Sardi / Divulgação

RESUMO: No novo single Surpresinha, a Catïça transforma a discussão sobre taxação dos super-ricos em punk metal pesado e prepara o terreno para Cereja de xuxu, segundo álbum da banda.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Bernardo Sardi / Divulgação

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

A Catïça já está com música nova na rua. Surpresinha é o terceiro e último single antes de Cereja de xuxu, segundo álbum da banda, previsto para outubro pela Deck. A faixa sucede Pé vermei e Em todos esses anos nessa indústria vital, essa é a primeira vez que isso me acontece.

Desta vez, o grupo parte da discussão sobre a taxação dos super-ricos para falar de desigualdade e da resistência de quem não pretende abrir mão de privilégios. O assunto aparece sem muita cerimônia na letra e acompanha a guinada da Catïça para um punk metal mais pesado.

“Vem de um sentimento de raiva, de impotência, de olhar pra essas paradas e sentir que a gente não pode fazer nada”, conta o vocalista Nobu.

Surpresinha também dá mais uma pista do caminho escolhido para Cereja de xuxu. A banda vem aumentando o peso das guitarras no novo material e aproximando ainda mais seu som do metal, sem abandonar o punk e as letras ligadas a questões políticas e ao cotidiano.

A Catïça é formada por Nobu (Lucas Waricoda, voz), Dedé (André Melo, baixo), Wiu (William Lopes, guitarra) e Jordão (Diego Jordão, bateria). Cereja de xuxu chega em outubro.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Continue Reading

Urgente

Julia Benford vira “fera perigosa” para liberar a raiva ao som de glam rock

Published

on

Julia Benford - Foto: Jorge Augusto / Divulgação

RESUMO: Em Fera perigosa, Julia Benford transforma raiva, angústia e autoconfiança feminina em glam rock, criando um alter ego que responde ao silêncio com ainda mais exagero.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Jorge Augusto / Divulgação

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Depois de se recriar como os dois lados do amor no clipe e no single de Imã, Julia Benford volta transformando algumas das experiências acumuladas como mulher no rock em uma nova e radical personagem. Fera perigosa, segundo single de seu primeiro álbum solo, Retalho carrossel (em breve nas plataformas), usa humor e referências ao glam rock para falar de raiva, angústia, autoconfiança e daquele tipo de incômodo que costuma ser tratado como exagero quando vem de uma mulher.

“A música dá liberdade a sentimentos como a raiva, a angústia e a autoconfiança que, muitas vezes, carregam pudor quando cantados por vozes femininas”, diz Julia. A ideia está no próprio título: a “fera” é uma espécie de alter ego que resolve deixar de engolir o que pensa.

Musicalmente, a faixa olha para o glam rock dos anos 1970, passando pela fase Tutti Frutti de Rita Lee e por referências como Elton John, T. Rex, David Bowie e Secos e Molhados. A gravação mistura guitarras, teclados e um trio de metais formado por integrantes do Black Mantra. Leo Mayer, que produziu o álbum, também toca guitarra e assina os arranjos, a mixagem e a masterização. Gabriel Costi participa nas guitarras e arranjos, enquanto Jimmy Pappon toca teclados e piano. Dennis Guedes fez a orquestração dos metais e a coprodução.

O videoclipe segue a mesma lógica de exagero deliberado, com uma estética surrealista e colorida que passa por referências como Coraline, Os fantasmas se divertem, The Rocky Horror picture show e Castelo Rá-Tim-Bum. A direção artística é da própria Julia, com fotografia de Rafaela Lima e desenho de luz de Patrícia Soransso.

“A ideia é representar as ideias e sentimentos reprimidos, esses que vivem no fundo da nossa cabeça, e que evitamos falar sobre. Nesse clipe, a mensagem é a voz, que não pede licença para reverberar”, explica a cantora. A personagem de Fera perigosa aparece justamente quando esse silêncio deixa de funcionar – e a resposta para o inevitável “quanto exagero!” é, aparentemente, exagerar um pouco mais.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

 

Continue Reading

Acompanhe pos RSS