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Amigos Imaginários fala de memórias de infância em “Rua São Sebastião”

RESUMO: Amigos Imaginários é o projeto solo de Lucas Emanuel, guitarrista da Zambrotta, que transforma memória e nostalgia em shoegaze, emo e math rock. Em Rua São Sebastião, ele revisita a região onde estudou na infância.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Gabriela Cordeiro / Divulgação
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Uma voz que vem lá de longe, quase etérea – em meio às guitarras e a uma onda que alude tanto a shoegaze quanto a emo. Esse é o som do Amigos Imaginários (nome apropriado, aliás!), projeto musical solo idealizado por Lucas Emanuel, guitarrista da banda Zambrotta.
O projeto começou a existir em 2017, inicialmente entre demos feitas em casa, e só agora começa a ganhar uma forma mais definida. Depois de um primeiro single lançado em 2025, Lucas apresenta Rua São Sebastião, música que mergulha numa memória bastante particular: a região onde ele estudou quando era criança, em Pernambuco.
O nome Amigos Imaginários também vem daí. Quando era pequeno, Lucas criava companheiros fictícios como uma maneira de lidar com a dificuldade de fazer amizades – algo que mais tarde ele passou a entender dentro do contexto de seu diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA).
“Acho que por ser muito ansioso e ter facilidade de lembrar de acontecimentos antigos por conta do meu diagnóstico, meu som acaba sendo mais introspectivo e nostálgico”, explica.
Essa relação intensa com a memória atravessa Rua São Sebastião. A música parece revisitar um lugar que talvez nem exista mais exatamente como Lucas se lembra dele. O passado aparece menos como documento e mais como uma espécie de território paralelo, reconstruído a partir de sensações, imagens e lembranças.
“Parece que o presente é sempre dolorido e o passado vive num local hipotético e simbólico”, comenta.
Musicalmente, Rua São Sebastião vai por esse mesmo caminho. Há algo de melancólico nos dedilhados de guitarra e na maneira como a música cresce sem perder a sensação de intimidade. As referências ao emo dos anos 1990 e ao math rock estão lá, mas o som também deixa espaço para atmosferas mais nebulosas.
O single já está nas plataformas e chega acompanhado de um clipe igualmente pessoal. O vídeo foi idealizado por Gabriela Cordeiro e editado pelo próprio Lucas Emanuel. Uma verdadeira caixa de lembranças em forma de música e vídeo.
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Sammliz: introspecção e clima de dream pop em novo single

RESENHA: Ex-Madame Saatan, a paraense Sammliz volta aos lançamentos autorais após seis anos com o dream pop de Daqui, em 1976, acenei para você. A faixa nasceu durante um período de introspecção no interior do Pará e antecipa um EP, produzido por João Lemos, do Molho Negro.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Tereza Maciel / Divulgação
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Ex-cantora do pesado grupo Madame Saatan, a paraense Sammliz volta em clima de dream pop no seu novo single Daqui, em 1976, acenei para você, primeiro lançamento dela em seis anos, e seu retorno aos lançamentos autorais. E a música vem após um período de introspecção e imersão na espiritualidade – o título foi tirado inclusive da intervenção urbana Psicografia (2010), da artista visual paraense Valéria Coelho, pintada na parede do Solar da Beira, prédio histórico localizado no complexo do Ver-o-Peso, em Belém.
A inscrição foi apagada e não está mais lá, e sempre provocou vários estados emocionais diferentes em Sammliz. “Eu não sabia se sentia saudade, agonia ou alívio. Era como uma memória que parecia ao mesmo tempo vivida e imaginada”, relembra a cantora, que gravou suas novas músicas durante um retiro pessoal no interior do Pará, em meio a estradas, rio e casas isoladas – um material que vai estar num EP que sai em breve.
“Eu tinha como pano de fundo ao escrever as músicas, os sons distantes ecoando através do vento, pelo mato, vindos de festas, bares e aparelhagens de cidades e comunidades do interior. Aquelas músicas nostálgicas, os mid back dos anos 80 e 90. Uma sensação que me remete às lembranças da infância e adolescência”, conta ela, que teve o velho parceiro João Lemos, da banda Molho Negro, como produtor – e na letra, focou na memória “como um território instável entre passado, presente e imaginação”.
Já o clipe da faixa é dirigido por Thiago Pelaes e idealizado por Laboyoung, e mergulha no imaginário amazônico. A história aproxima uma entidade encantada e uma bruxa, evocando mistério, ancestralidade e força feminina. Filmado no Bosque Rodrigues Alves, em Belém, o vídeo explora a fauna e a flora da região – além da chuva, presença constante na cidade, acabou incorporada naturalmente à atmosfera das imagens.
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Giovani Baroni apresenta mais um mergulho em “bLU” com “Fishy boy”

RESUMO: Giovani Baroni prepara bLU, seu primeiro álbum solo, previsto para 12 de setembro. O disco é conceitual, narrativo e atravessado por shoegaze, emo, indie rock, psicodelia e prog. Fishy boy, novo single, traz arpejos de guitarra à la Radiohead e groove hipnótico.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Após mais de uma década na cena independente de São Paulo – incluindo seu trabalho com a banda de rock alternativo sukya || porno – o músico Giovani Baroni vive hoje na Cidade do México. E inicia uma nova fase com seu primeiro álbum solo, Blu (estilizado para bLU), que será lançado em 12 de setembro. Um disco que ele que define como um “álbum narrativo”, do tipo que você precisa escutar do começo ao fim sem pular nada – ou então perde parte da trama.
Ele já havia adiantado o disco com o tema Mecânica dos fluidos, e agora é a vez de Fishy boy, definida por ele como “uma faixa imersiva, guiada por arpejos de guitarra (a la Radiohead), sintetizadores de dreampop e um groove hipnótico, dentro de um disco conceitual e narrativo, com estética aquática e influências de shoegaze, emo, indie rock, psicodelia e prog”.
Fishy boy nasceu há alguns anos, em São Paulo, depois de uma experiência marcante nadando, em parceria com o irmão de Baroni e um amigo. Com influência de Weird fishes, música do Radiohead, e ecos de Modest Mouse, a faixa quase ficou de fora até encontrar seu lugar em bLU.
Já a letra, simbólica, mergulha na mitologia aquática do disco e alterna inglês e português. E nomes como Cidade Dormitório, Terno Rei, Rancore, Boogarins, Candelabro, El Mató a un Policía Motorizado entram também como influências.
Tá aí Fishy boy.
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Saline Eyes transforma Beatles, Elliott Smith e Radiohead em som agridoce

RESUMO: James Hackett, da Filadélfia, transforma uma mania inicial pelos Beatles em Saline Eyes, projeto que cruza pop atual, folk, indie e clima 60’s. Após EPs e singles, ele prepara o primeiro álbum, com mixagem de Eli Janney.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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No começo, para James Hackett, músico da Filadélfia, tudo na música era sobre ficar com a guitarra, tentando tirar os solos complexos de Jimmy Page ou os ruídos de Kurt Cobain – usando um gravador para ouvir tudo. A virada surgiu numa noite em que adormeceu ouvindo Strawberry Fields forever, dos Beatles, e ficou maluco com a mudança de acorde no verso “nothing is real”.
Foi o estalo para que, anos depois, ele criasse o projeto solo Saline Eyes, que une muito de sua visão beatlemaníaca da infância, às influências de nomes como Radiohead, Elliott Smith, Jeff Buckley e John Mayer. Após alguns EPs, o Saline Eyes começa a preparar um álbum que une música pop atual e climas meio indies, meio 60’s, apresentando inéditas ao lado de novos mixes de canções que já eram conhecidas de lançamentos anteriores.
- Howling Bells comemora 20 anos da estreia com relançamento em vinil e demos inéditas
Faixas como On my mind e Autumn rain unem bittersweet setentista e ondas meio beatle a climas folk modernos – o mesmo rolando com o bubblegum de piano Separate (com bastante influência de Elton John), o pop moderno e tranquilo de Less emotion e o som barroco e tristonho de Alone, e o clima sonhador e distante de No you and I.
O álbum de estreia do Saline Eyes vai ter mixagem de Eli Janney, líder da banda do programa Late Night with Seth Meyers, e masterização de Joe Lambert, que já trabalhou com Deerhunter e Maya Hawke. Só aguardar!
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