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Spotify vai identificar artistas feitos por IA e tirá-los das recomendações

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Spotify vai identificar artistas feitos por IA e tirá-los das recomendações

RESUMO: O Spotify vai começar a identificar artistas criados por inteligência artificial com um selo de “AI persona” e, por padrão, tirá-los das recomendações personalizadas. A medida, prevista para setembro, tenta separar artistas reais de identidades musicais fabricadas por IA.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Spotify

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O bicho, aparentemente, vai pegar pra IA: o Spotify está preparando uma mudança importante na maneira como lida com artistas criados por inteligência artificial. A partir de setembro, a plataforma pretende identificar esses projetos com um selo de “AI persona” e, por padrão, impedir que eles apareçam nas recomendações personalizadas dos usuários.

A ideia é separar com mais clareza artistas reais de identidades musicais fabricadas por IA. O aviso aparecerá tanto no perfil do artista quanto nas páginas das músicas e playlists. A medida deve atingir casos como o Velvet Sundown, banda de rock que ganhou uma quantidade considerável de ouvintes antes de sua natureza artificial virar assunto.

Segundo o Spotify, a mudança tem a ver principalmente com confiança. “Uma conexão verdadeira entre artista e fã só pode ser construída sobre uma base de confiança e autenticidade. Na música, isso significa que os ouvintes precisam poder confiar que o artista por trás daquela música é quem diz ser. Isso é mais importante do que nunca na era da IA generativa”, diz o texto da plataforma.

O Spotify já vinha enfrentando uma enxurrada de material produzido artificialmente. No ano passado, revelou ter retirado 75 milhões de faixas consideradas spam em um período de apenas 12 meses. Para dar uma dimensão do problema, o catálogo legítimo do Spotify tem cerca de 100 milhões de músicas.

O sistema não vai depender apenas da declaração dos próprios artistas. Criadores poderão informar voluntariamente que suas identidades são produzidas por IA e receber o selo correspondente, mas o Spotify também pretende investigar os casos por conta própria, combinando análise humana com ferramentas de detecção baseadas em inteligência artificial.

A preocupação é evitar justamente a situação em que um ouvinte acredita estar acompanhando um músico de verdade e só descobre depois que aquela persona nunca existiu. “Os ouvintes têm deixado claro que não gostam de ver um perfil de artista que parece humano e só depois descobrir que aquela persona foi gerada por IA”, avisam.

O Velvet Sundown é um dos exemplos mais curiosos dessa confusão. O projeto apareceu apresentando-se como uma banda americana de rock inspirada nos anos 1970 e chegou a acumular 117 mil ouvintes mensais no Spotify. Depois que a discussão sobre sua existência ganhou força, os canais da própria banda confirmaram que se tratava de uma criação de IA, descrita como algo “em algum lugar entre” o humano e a máquina. Mesmo assim, a página do grupo no Spotify ainda não deixa evidente que se trata de um projeto artificial. O perfil o apresenta como um “projeto musical sintético”.

Outro caso que levantou dúvidas foi o de Sienna Rose, cantora de soul que chegou ao Top 50 viral do Spotify. A artista acumulou mais de meio milhão de ouvintes mensais sem apresentar os sinais habituais de uma carreira musical: não havia shows, vídeos ou outras evidências públicas de uma cantora real. Ao mesmo tempo, ela lançou uma quantidade enorme de músicas em apenas dez semanas. O perfil de Sienna Rose também não esclarece se a cantora é uma pessoa real ou uma criação de inteligência artificial.

A novidade do Spotify, portanto, não significa que músicas feitas por IA serão banidas. Elas poderão continuar na plataforma. A diferença é que, se estiverem associadas a uma identidade artificial, passarão a carregar essa informação e deixarão de receber, por padrão, o mesmo empurrão algorítmico dado aos demais artistas.

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Julia Benford vira “fera perigosa” para liberar a raiva ao som de glam rock

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Julia Benford - Foto: Jorge Augusto / Divulgação

RESUMO: Em Fera perigosa, Julia Benford transforma raiva, angústia e autoconfiança feminina em glam rock, criando um alter ego que responde ao silêncio com ainda mais exagero.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Jorge Augusto / Divulgação

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Depois de se recriar como os dois lados do amor no clipe e no single de Imã, Julia Benford volta transformando algumas das experiências acumuladas como mulher no rock em uma nova e radical personagem. Fera perigosa, segundo single de seu primeiro álbum solo, Retalho carrossel (em breve nas plataformas), usa humor e referências ao glam rock para falar de raiva, angústia, autoconfiança e daquele tipo de incômodo que costuma ser tratado como exagero quando vem de uma mulher.

“A música dá liberdade a sentimentos como a raiva, a angústia e a autoconfiança que, muitas vezes, carregam pudor quando cantados por vozes femininas”, diz Julia. A ideia está no próprio título: a “fera” é uma espécie de alter ego que resolve deixar de engolir o que pensa.

Musicalmente, a faixa olha para o glam rock dos anos 1970, passando pela fase Tutti Frutti de Rita Lee e por referências como Elton John, T. Rex, David Bowie e Secos e Molhados. A gravação mistura guitarras, teclados e um trio de metais formado por integrantes do Black Mantra. Leo Mayer, que produziu o álbum, também toca guitarra e assina os arranjos, a mixagem e a masterização. Gabriel Costi participa nas guitarras e arranjos, enquanto Jimmy Pappon toca teclados e piano. Dennis Guedes fez a orquestração dos metais e a coprodução.

O videoclipe segue a mesma lógica de exagero deliberado, com uma estética surrealista e colorida que passa por referências como Coraline, Os fantasmas se divertem, The Rocky Horror picture show e Castelo Rá-Tim-Bum. A direção artística é da própria Julia, com fotografia de Rafaela Lima e desenho de luz de Patrícia Soransso.

“A ideia é representar as ideias e sentimentos reprimidos, esses que vivem no fundo da nossa cabeça, e que evitamos falar sobre. Nesse clipe, a mensagem é a voz, que não pede licença para reverberar”, explica a cantora. A personagem de Fera perigosa aparece justamente quando esse silêncio deixa de funcionar – e a resposta para o inevitável “quanto exagero!” é, aparentemente, exagerar um pouco mais.

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Glue Trip mergulha na amizade lisérgica em “Psychedelic friend”

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Glue Trip - Foto: Samuel Esteves / Divulgação

RESUMO: A Glue Trip abre a fase do álbum Anemoia com Psychedelic friend, single que recupera fuzz, órgão farfisa e psicodelia sessentista para falar de amizade e nostalgia por um tempo não vivido.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Samuel Esteves / Divulgação

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A Glue Trip foi buscar nos anos 1960 parte do som de Psychedleic friend, single que já está nas plataformas e abre os trabalhos de Anemoia, quarto álbum da banda paraibana. Guitarras com fuzz, órgão farfisa e voz carregada de tremolo dão à faixa um clima de psicodelia antiga, em diálogo com nomes como 13th Floor Elevators, Soft Machine e Os Mutantes.

A música surgiu durante uma viagem de Lucas Moura, fundador, vocalista e guitarrista do grupo, e fala sobre a visita de um amigo capaz de transformar encontros comuns em experiências quase transcendentais. A história acabou combinando com o conceito escolhido para o próximo disco.

Anemoia é uma palavra usada para definir a nostalgia por uma época que alguém não chegou a viver. No caso da Glue Trip, a ideia aparece justamente nessa aproximação com referências musicais de outras décadas — não apenas como reprodução de uma estética antiga, mas como matéria-prima para o som atual da banda.

Psychedelic friend foi produzida e mixada por Lalo Brusco, no Estúdio Buena Família, em São Paulo, com gravações adicionais feitas no Tropikaoss, na Paraíba. A masterização ficou por conta de Philip Shaw Bova, e a capa é trabalho da artista visual Giovanna Cianelli.

O single saiu em 16 de setembro, justamente quando a Glue Trip iniciou sua quarta turnê pela Europa. A Anemoia Tour – Euro 2026 já está em andamento e leva ao público europeu parte do repertório que estará no novo álbum. A banda já passou anteriormente por cidades como Londres e Paris.

Fundada em João Pessoa (PB), a Glue Trip atualmente reúne Lucas Moura (guitarra e voz), Pedro Lacerda (bateria), João Boaventura (teclas) e Thiago Leal (baixo). Embora seus integrantes estejam hoje baseados no Sudeste, o grupo mantém a ligação com a cena paraibana que deu origem ao projeto.

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Madonna e Charli XCX encerram de vez provocação sobre pista de dança com “Danceteria afterhours”

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Madonna e Charli XCX - Foto: Ricardo Gomes / Divulgação

RESUMO: Depois de uma possível troca de provocações, Madonna e Charli XCX se encontram em Danceteria afterhours, nova versão da faixa de Confessions II.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Ricardo Gomes / Divulgação

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Pista de dança morta? Que nada. Madonna e Charli XCX passaram alguns meses deixando no ar que alguma coisa poderia acontecer entre elas — com direito até a uma possível alfinetada — e agora resolveram a questão do jeito mais simples: lançando uma música juntas. Danceteria afterhours é a primeira parceria oficial das duas e uma nova versão de Danceteria, faixa de Confessions II, disco lançado por Madonna em julho (e resenhado pela gente aqui).

A historinha começou a ficar mais divertida em maio. Madonna escreveu nas redes sociais: “Se a sua pista de dança parece morta, talvez você esteja tocando a música errada”. Parecia resposta para Charli, que canta “acho que a pista de dança está morta / então agora estamos fazendo rock” em Rock music, single do disco Music, fashion, film (opa, também resenhamos este).

Vai saber se Madonna estava mesmo mandando recado. O fato é que, depois disso, vieram encontros, aparições nas redes e especulações sobre uma possível parceria. Até que as duas surgiram juntas em estúdio numa prévia de Danceteria afterhours e acabaram com o mistério.

A faixa original de Danceteria foi produzida por Stuart Price. A versão com Charli traz ainda Andrew Watt e Cirkut na produção, além da própria Madonna, e mexe justamente com um território bastante familiar às duas: pop eletrônico, cultura clubber e música feita para a pista.

Também não é a primeira vez que Madonna resolve reabrir Confessions II para receber companhia. Em agosto, Kylie Minogue apareceu em Love sensation (Afterhours mix). Agora chegou a vez de Charli.

E Madonna escolheu uma semana movimentada para lançar a parceria. Neste domingo (27), ela volta ao MTV Video Music Awards para abrir a premiação – algo que não fazia havia 23 anos.

Danceteria afterhours ganhou ainda edição limitada em CD, com a parceria com Charli, um remix de Harry Romero e a versão original de Danceteria.

Pista ressuscitada, portanto.

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