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Olivia Rodrigo e Foo Fighters com sons novos no… Bandcamp!

RESUMO: Olivia Rodrigo e Foo Fighters ajudam a colocar o Bandcamp em outro lugar: não como concorrente do Spotify, mas como espaço para versões exclusivas, shows especiais e lançamentos beneficentes que não vivem apenas de números e plays.
Texto: Ricardo Schott – Fotos: Divulgação
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E aí: será que o Bandcamp vai acabar virando o lugar para onde artistas grandes levam projetos que não cabem direito no modelo do Spotify?
Bom, não dá pra dizer ainda que existe uma tendência consolidada. Mas dois dos nomes que mais chamam atenção no pop e no rock em 2026, Olivia Rodrigo e Foo Fighters, resolveram usar justamente o Bandcamp para lançar músicas que ganharam uma função diferente da simples presença em mais uma plataforma de streaming. Nos dois casos, o dinheiro arrecadado também vai para alguma causa.
Olivia, por exemplo, abriu sua própria página no Bandcamp durante a divulgação de seu novo álbum You seem pretty sad for a girl so in love. E não foi para despejar ali o disco inteiro, como se a plataforma fosse apenas outro Spotify. A cantora colocou exclusivamente por lá Purple (Happy version), uma versão mais delicada de uma música do álbum, disponível para audição e download.
A escolha veio acompanhada de uma estratégia bem específica. O lançamento aconteceu numa sexta-feira, justamente em um dos Bandcamp Fridays, quando a plataforma abre mão de sua participação nas vendas e repassa 100% do dinheiro diretamente aos artistas. No caso de Olivia, a arrecadação foi destinada à fundação criada por ela para apoiar o festival Daisy Chain.
O gesto combina com uma fase em que a cantora vem procurando caminhos pouco usuais para uma artista do tamanho dela. Olivia criou um festival sem a escala megalomaníaca que se espera de uma popstar de estádio, com elenco formado apenas por mulheres e sem a avalanche habitual de patrocinadores. Também passou a se manifestar de forma mais direta sobre direitos reprodutivos, políticas anti-imigração e mobilização eleitoral nos Estados Unidos (via Trabalho Sujo).
Até o pequeno show-surpresa que fez em Nova York na semana passada entra nessa lógica: uma artista que poderia facilmente transformar qualquer aparição em um evento gigantesco procura brechas para fazer algo menor, mais específico e, em alguns casos, menos domesticado pelo moedor de carne da indústria. O Bandcamp tá nessa mesma onda, no caso dela – pelo menos aparentemente.
Com o Foo Fighters, a história é diferente, mas o raciocínio tem alguma semelhança. A banda lançou de surpresa o EP ao vivo Foo Fighters – Are playing where??? Vol. II, registrado em apresentações intimistas realizadas no Irving Plaza, em Nova York, e no Starland Ballroom, em Nova Jersey.
O material não foi parar no Spotify, Deezer ou Apple Music. Está exclusivamente no Bandcamp, em formato “pague o quanto quiser”. Toda a renda é destinada a instituições de caridade locais, repetindo o modelo adotado no primeiro volume da série, lançado em 2025.
Vale dizer que nem Olivia nem Foo Fighters parecem estar tratando o Bandcamp como mais um depósito para conteúdo. As músicas estão lá porque o formato da plataforma permite uma outra relação com o lançamento. Afinal, no streaming convencional, uma faixa precisa funcionar dentro de uma economia baseada em volume de audições, permanência constante no catálogo e repetição.
No Bandcamp, uma música pode ser uma coisa mais específica: um download exclusivo, uma versão alternativa, um registro de um show pequeno, um lançamento beneficente ou simplesmente algo que o artista não quer diluir no fluxo infinito de novidades.
O caso de King Gizzard & The Lizard Wizard ajuda a ampliar a discussão. Depois de deixar o Spotify, a banda disponibilizou 27 discos no Bandcamp em sistema “pague o quanto quiser”. Não é um nome “mainstream” como Olivia Rodrigo ou Foo Fighters, claro, mas é uma banda grande o suficiente para mostrar que existe uma vida comercial possível fora do modelo dominante do streaming.
Outros gigantes também mantêm relações importantes com a plataforma. O Nine Inch Nails continua usando o Bandcamp, assim como Jack White, enquanto o Radiohead tem toda a discografia disponível por lá. São artistas de outra geração e com carreiras construídas em torno de uma relação mais independente com a indústria (ou seja: não estão no mesmo pacote de Olivia).
Agora, por outro lado tem uma coisa: pode ser (veja bem, pode ser) que o Bandcamp esteja se tornando “o” espaço para lançamentos que seriam estranhos, periféricos ou simplesmente invisíveis dentro da lógica do Spotify. No caso do King Gizzard, foi um grupo que abandonou o Spotify e decidiu procurar outra coisa, mas no de Olivia, FF e outros artistas, é diferente: a ideia não é substituir os aplicativos mais comerciais, mas oferecer um lugar onde uma música pode ter outro valor além de gerar plays.
Um EP ao vivo de uma banda gigantesca pode existir apenas como um documento de uma série de shows pequenos. Uma versão alternativa de uma música de uma das maiores popstars do mundo pode ser vendida para arrecadar dinheiro para uma fundação. Um catálogo inteiro pode ser oferecido pelo sistema de preço livre. E o dinheiro pode, em determinadas situações, chegar diretamente a quem fez a música ou a uma causa escolhida pelo artista.
Vai daí que o Bandcamp não precisa virar o “novo Spotify” para ter importância (e perderia a graça se ele tentasse fazer isso). Por enquanto, a plataforma parece estar funcionando melhor como uma saída lateral. E, se mais gente grande começar a fazer isso, talvez a comunidade que sempre foi associada aos independentes passe a ter uma função nova – não competir com o Spotify, mas hospedar justamente aquilo que desaparecia na plataforma por não fazer parte do universo de números e cliques da empresa.
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Bruce Dickinson: “Meu próximo disco solo é pesado pra c…!”

RESUMO: Bruce Dickinson prepara álbum solo “pesado pra caralho” para 2027, sucessor de The Mandrake project. Gravado no estúdio de Dave Grohl, o disco deve deixar de lado o formato multimídia.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Campus Party Brasil
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Bruce Dickinson já avisou: seu próximo álbum solo é “pesado pra caralho”. O disco foi gravado no começo deste ano no Studio 606, estúdio de Dave Grohl em Los Angeles, e deve chegar ao público em 2027.
O álbum será o sucessor de The Mandrake project, lançado em 2024, e, ao que tudo indica, vai deixar de lado a ideia de transformar cada disco de Dickinson em uma espécie de projeto multimídia. The Mandrake project veio acompanhado de uma série em quadrinhos e outros elementos narrativos, mas o cantor parece interessado agora em voltar ao velho formato de simplesmente fazer um álbum.
“Ele é meio independente. Tem uma música que tem um pouco a ver com Mandrake. Mas o álbum é pesado pra caralho”, disse Dickinson. “Não estou mergulhando de novo em Mandrake. Acho que Mandrake já ganhou vida própria no universo dos quadrinhos, então pode seguir como história e tudo mais. Não preciso associar a música a ele, a menos que seja uma ideia realmente boa.”
As gravações aconteceram em janeiro e fevereiro, com produção de Brendan Duffey, o mesmo responsável pelas sessões de The Mandrake project. É, portanto, o primeiro sinal mais concreto de como Dickinson pretende seguir depois de um disco que expandiu bastante a ideia de álbum solo.
Enquanto o novo trabalho não chega, Dickinson apareceu recentemente no palco com a Coverups, banda de covers que reúne Billie Joe Armstrong, do Green Day, e outros músicos. Em San Diego, durante as atividades da Comic-Con, ele cantou All the young dudes, clássico do Mott the Hoople, com o grupo.
E o Iron Maiden não para. A banda se prepara para a etapa norte-americana da turnê Run for your lives, com Megadeth e Anthrax (dois terços do chamado Big Four do thrash metal) na abertura. E o grupo está entre os entronizados do R0ck And Roll Hall Of Fame deste ano, mas já mandou avisar que não vai à cerimônia (que rola dia 14 de novembro no Peacock Theater, em Los Angeles) porque estará em turnê na Austrália.
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DIIV muda de rumo com “The fountain”, single produzido por A. G. Cook

RESUMO: O DIIV abre uma nova fase com The fountain, primeiro single de ZIRP!, álbum produzido por A. G. Cook que mistura shoegaze, guitarras e eletrônica e aponta para uma mudança no som da banda.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Louie Kovatch / Divulgação
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O DIIV não parece muito interessado em repetir a fórmula de seu álbum mais recente, Frog in boiling water. The fountain, primeiro single de ZIRP!, o quinto álbum da banda de Nova York, previsto para 30 de outubro, aponta para uma mudança de direção que pode ser mais significativa do que parece à primeira audição.
A música tem os vocais misteriosos de Zachary Cole Smith, as guitarras nebulosas e a atmosfera que remete ao shoegaze que acompanha o DIIV desde o começo. Só que, aos poucos, a faixa começa a escapar desse lugar, com um clima eletronicamente distorcido – abrindo com algo que lembra um girar pelo dial de um rádio, e prosseguindo com beats sinuosos.
É aí que aparece a figura de A. G. Cook, produtor do disco e um dos principais nomes ligados ao antigo coletivo PC Music, além de colaborador frequente de Charli XCX. A combinação parecia estranha no papel. O DIIV vinha de um disco pesado, introspectivo e marcado por uma espécie de ressaca existencial. Cook é associado a uma música pop eletrônica que costuma trabalhar justamente com excesso, artificialidade e transformação.
Não que o single seja um “DIIV fazendo hyperpop”. Cook conta que chegou a considerar uma abordagem mais próxima de remixar e reconstruir as demos da banda (“ao estilo do Screamadelica, transformando-as em um produto final”), mas mudou de estratégia depois de assistir ao DIIV ao vivo.
“Fiquei um pouco obcecado com o som ao vivo deles e insisti em gravar a bateria ao vivo antes mesmo da maioria das músicas estarem finalizadas. Passamos muito tempo gravando partes de guitarra complexas com pedais específicos e o mínimo de tempo possível usando o computador, pelo menos para os meus padrões. Depois de algumas rodadas assim, ZIRP! surgiu como um conceito e uma espécie de mantra utópico-distópico. Para mim, tornou-se um veículo para levar a banda a novos territórios”, afirmou o produtor.
Vai daí que The fountain continua reconhecível como DIIV mesmo quando começa a introduzir elementos que não costumavam ocupar tanto espaço no som do grupo. Guitarras coexistem com eletrônicos, sem que estes roubem o espaço das primeiras. O site Stereogum afirmou que ZIRP! vai colocar o DIIV como cabeça-de-chave de um movimento chamado New Alternativa, no qual “artistas como Slayyyter, Eartheater e Turnstile estão forçando os ‘guardiões da velha guarda’ a encontrar novas maneiras de entender a música além das categorias estabelecidas”.
Zero viagem na maionese, porque faz todo sentido. E isso aí é The fountain…
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Abaixo, confira a capa e a lista de faixas de ZIRP!

LISTA DE FAIXAS
01. The fountain
02. Kid
03. When the glow came for us
04. Dare me
05. The crash
06. Trillions
07. Us against you
08. Evangelizer
09. Underground
10. My star
11. Idiot in the sky
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Por que Stephen Street virou “co-produtor” de “The queen is dead”, dos Smiths, 40 anos depois?

RESUMO: Evento comemorativo de 40 anos do disco The queen is dead, dos Smiths, alçou Stephen Street, engenheiro de som do disco, à categoria de produtor – apesar de, nos créditos originais, os produtores serem Morrissey e Marr. Por que isso aconteceu?
Texto: Ricardo Schott- Foto: Max Knight / Divulgação
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Há uma suposta confusão nos materiais que divulgam atualmente os encontros de Mike Joyce e Stephen Street para debater os 40 anos de The queen is dead (falamos desses encontros aqui). Street aparece ali como “co-produtor” do álbum, embora nos créditos originais do disco ele seja identificado como engenheiro de som, enquanto os produtores são Morrissey e Johnny Marr.
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Vale citar que os créditos oficiais não mudaram. O que mudou foi a maneira como seu papel nas gravações passou a ser descrito. E existe uma razão para isso: Street teve uma participação criativa bem maior do que a expressão “engenheiro de som” pode sugerir.
Marr e Morrissey eram os responsáveis pela produção, mas Street trabalhava muito próximo dos dois e funcionava, na prática, também como uma espécie de consultor criativo. Ele próprio já descreveu as sessões como um processo bastante colaborativo.
Além disso, ao longo das décadas seguintes, Street se tornou um produtor bastante conhecido, trabalhando com Blur, The Cranberries, Kaiser Chiefs, Durutti Column, The Psychedelic Furs e o próprio Morrissey (na estreia solo Viva hate, de 1988, ele produziu e ainda compôs tudo ao lado do cantor). Para um material promocional atual, chamá-lo de “co-produtor” acaba sendo uma maneira mais direta de explicar sua importância no processo. E, claro, tem mais peso do que simplesmente “engenheiro de som”.
Tem um detalhe: o próprio Stephen, ao trabalhar no disco, já queria ampliar sua participação. Em 2005 o site Sound on Sound conversou com Stephen sobre seu trabalho em The queen is dead e lembrou que as funções dele, de Morrissey e de Johnny Marr nesse disco eram as mesmas do álbum anterior, Meat is murder (1985). Mas que Stephen viu The queen is dead como uma oportunidade de também fazer parte da produção – mesmo que nem recebesse crédito por isso.
“Obviamente, quando você é o engenheiro de som de uma banda que produz por conta própria, você geralmente é usado como uma espécie de consultor em termos de som e ideias”, disse. “Bem, Morrissey, Johnny e eu tínhamos uma ótima relação de trabalho – éramos todos mais ou menos da mesma idade e gostávamos do mesmo tipo de coisa, então todos se sentiam bastante à vontade no estúdio”.
O texto flagra Stephen fazendo coisas que vão bem além da função de um técnico: ele, por exemplo, deu a ideia de usar um loop de bateria na faixa-título, e de usar um harmonizador AMS para distorcer a voz de Morrissey (daí veio o falso vocal feminino, creditado a uma cantora imaginária chamada Ann Coates, que surge em Bigmouth strikes again).
Enfim: Street era oficialmente o engenheiro de som, mas sua atuação incluía sugestões de arranjo, efeitos, soluções técnicas e decisões que interferiam diretamente no resultado artístico. Mas chamá-lo de co-produtor, além de colocar as coisas em seus lugares, também ajuda a apresentar Street ao público a partir da carreira que ele construiu depois.
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