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Audio Rebel: festival online e planos para sobrevivência na crise

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Audio Rebel: festival online e planos para sobrevivência na crise

Espaço multiuso importantíssimo para a cena independe carioca, a Audio Rebel é heroica: sobrevive num prédio em Botafogo (Zona Sul do Rio) há 15 anos apresentando shows, oferecendo espaços para gravação, servindo de locação para clipes e tudo o mais que você puder imaginar. O sócio fundador da casa, Pedro Azevedo, já viu mais de três mil apresentações serem realizadas na sala de shows, que comporta pouca gente – apenas 50 pessoas. Por lá já passaram desde artistas da gerações mais recentes da música, até nomes como Arrigo Barnabé, Jorge Mautner e Elza Soares.

Com a pandemia, Pedro nem sequer pensou duas vezes e fechou as portas da casa. Que vem sobrevivendo com dificuldades, mas sem entregar os pontos. Voltam agora aos shows, mas dessa vez num festival online, que poderá ser assistido no canal do YouTube da casa. Por sugestão do produtor e baterista Bacalhau (Planet Hemp, AlBaca, Autoramas), vai rolar uma edição especial do BacaFest nesta semana, com renda voltada para a casa, trazendo as bandas Lâmnia e Herzegovina na quinta (25) e Tambelini e Ricardo Richaid na sexta (26). O evento também serve para lembrar ao público que a casa está há um ano sem shows.

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As doações podem ser feitas direto pelo Itaú (ag 9229 cc 05573-7 cnpj 07.700.346.0001-41 – PIX audiorebel@gmail.com) ou pelo link do Abacashi. A ideia é arrecadar também alimentos para instituições. O evento é fundamental para, antes de tudo, manter o Audio Rebel de pé e honrando dívidas. E para fazer com que a casa possa sonhar com tempos melhores no pós-pandemia. Pedro conta ao POP FANTASMA na entrevista abaixo que se mantém otimista, mas que precisou tomar a decisão de pedir contribuições ao público para ter mais fôlego. “A gente automaticamente parou. E houve lugares que continuaram”, conta.

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Audio Rebel: festival online e planos para sobrevivência na crise

POP FANTASMA: Como a Audio Rebel sobrevive hoje? Vimos o texto que vocês botaram no Facebook falando da falta de shows, do número de shows que era bem movimentado há alguns anos e que, de um ano para cá chegou a zero… 
PEDRO AZEVEDO: Bom, a realidade é que estamos em ano de pandemia e durante este ano, conseguimos vários pequenos descontos nas negociações com credores, aluguel. São situações que não estão mais se prorrogando. Imagina você empurrando com a barriga ou pedindo favores durante um ano. “Esse mês o faturamento foi baixinho, daí vou te pedir três meses de desconto”, etc. Não consigo mais manter a relação de desconto com a mesma proporção, incluindo aí aluguel e as despesas que tenho. Tem taxa mínima de luz, de água, e são coisas que vão se acumulando. Estamos no limiar de uma crise muito grande.

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E foi uma coisa que atingiu todo o mercado, as casas do Rio, os músicos… Sim, em paralelo havia uma perspectiva de melhora com o Carnaval. Algumas coisas poderiam acontecer no início de março, ou fim de fevereiro. Mas com o agravar da pandemia foi tudo cancelado. Imagina que você assume um compromisso financeiro e fala: “Olha, há um ano tô te pedindo desconto mas semana que vem vou te pagar”. E o trabalho cai. Só que você vê que não é só o trabalho que cai, são todos os trabalhos e sem perspectiva.

A situação de não ter Carnaval fez com que toda cidade parasse. A situação da música foi tirada como bode expiatório, já que não podemos ter aglomerações não podemos ter nada. E a gente, que é um pouco mais consciente – por sermos um pequeno palco, onde o vírus circularia com mais facilidade – automaticamente parou. E houve lugares que continuaram.

A situação é horrível, porque tem gente que não parou, e a gente que fez um esforço já não tem mais fôlego. Daí ou a gente para tudo e cancela o CNPJ ou faz o que estamos fazendo, que é pedir ajuda. Porque reabrir de forma criminosa e botar em risco as vidas das pessoas que vão no meu estabelecimento, ou que estou convidando para trabalhar… Isso é uma coisa que eu não considero.

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Como bateram em vocês as primeiras notícias sobre a pandemia? Rolou de acreditar que não ia fechar, e depois ter aquela surpresa? Sim, foram várias sensações. A primeira foi a de que era só estardalhaço, que era tipo uma gripe… Não que endossássemos as palavras do Bolsonaro, mas chegamos a pensar que estavam exagerando em relação à realidade.

Certo. Acho que todo mundo se sentiu assim no começo. E logo depois foi: “Olha, vai ser punk, vai ser horrível, mas vamos superar isso”. Pensamos: “Em junho vai estar superado”. Em outubro, a gente pensou que ia estar superado. Aí em dezembro a gente pensou que ia estar superado. Em janeiro também. Ai virou uma montanha russa de emoções. Você não pode contar com nada. Tem um trabalho marcado hoje, alguém pode espirrar amanhã e o trabalho pode cair.

Falei pra minha mulher: “Olha, daqui a pouco vou no supermercado comprar arroz, feijão, hortifruti, mas se alguém espirrar, não vai dar mais pra ir”. Planificar qualquer coisa tornou-se impossível. Qualquer trabalho é cancelável a qualquer momento. E isso entendemos como uma coisa certa, porque o mais importante é a vida. Mas ao mesmo tempo, vemos lugares focados em trabalhar com 50% da capacidade, protocolo… É tudo muito angustiante, nós somos a categoria mais refém da pandemia. Temos consciência do que estamos colocando em risco e estamos nos auto-isolando, enquanto 90% do mercado segue fingindo que não acontece nada.

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Como você está vendo esse cenário pra quem trabalha com produção, a galera que não é músico mas vive da música? Acho que tá todo mundo mais ou menos no mesmo barco. Mas o diferencial no caso da Rebel é o custo fixo, que é muito alto. Como sou técnico também, me vejo numa posição em que vou fazer uma live, daí ganho uma diária, e com isso consigo me manter por uma semana. Mas se a Rebel faz um trabalho, esse trabalho não consegue manter um dia da Rebel. Algumas pessoas, com a pandemia, cortaram despesas. Não posso chegar pra Cedae e falar: “Minha conta mínima agora é tal, não gasto mais água”. Ou: “Agora não tem mais show, nem trabalho, minha tarifa de IPTU tem que ser tal”. Posso cancelar meu cartão de crédito, mas uma empresa não pode deixar de ter contador.

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O que veio primeiro na Audio Rebel, os shows ou o estúdio? A casa é um espaço multiuso, tudo surgiu junto. Um palco com show, ensaio, gravação – essa veio pouco depois porque teve um investimento maior. Já tinha espaço para ensaio e shows, um barzinho, depois veio a loja. Não havia uma renda fixa, havia casos em que o show dava 20 pagantes. Mas os pagantes tomavam três cervejas cada um, e o bar segurava as pontas. O segredo da longevidade da Rebel é ter várias fontes de receita, inclusive depois da gravação. Às vezes a loja não ia bem, show não ia bem, mas pintou um trabalho para publicidade, um trabalho técnico, gravação de disco… Isso mantinha as pontas da casa. A Audio Rebel sempre teve a possibilidade de estar apta a trabalhar em diferentes frontes dentro do áudio.

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Como serão os shows do dia 25 e dia 26? O Bacalhau é um parceirão de muitos e muitos anos e também é muito amigo do Kassin, que é vizinho nosso e divide o prédio com a gente. Ele sempre esteve aqui presente nessa pandemia, não fisicamente mas dialogando, perguntando do que a gente precisava. Um outro amigo em comum que é câmera falou para fazermos uns vídeos. E pensei: “Vamos fazer um Bacafest virtual de um ano sem shows”. Porque um ano sem shows é uma marca muito significativa. Temos 15 anos de atividades e sempre foram mais de 200 shows por ano nos últimos dez anos.

O Bacalhau surgiu de fazermos um show com a renda voltada para a Rebel. O Sidney também falou de arrumar o equipamento de audiovisual com renda revertida para a casa, as bandas também. Não vai ter público, vai ser online, tudo dentro do protocolo, eu no som, Baca na produção, um cara na câmera, as pessoas da equipe. Os músicos também são poucos. Todo mundo abriu mão do seu para manter o espaço. Você vai acumulando e tem uma hora que pesa, e tudo leva a ter que tomar uma decisão.

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Como você tá vendo o futuro? Cara, eu sou um otimista. Apesar de tudo eu acho que a gente vai conseguir sobreviver no âmbito da Rebel por conta da nossa história, dos nossos parceiros, do público que a gente tem, dos vínculos que a gente criou. Mas o aspecto geral é muito preocupante. A cada dia morre mais gente e a cada dia as pessoas têm menos paciência e menos condições de fazer isolamento social. Nosso governo não ajuda em nada, não promove uma campanha séria de vacinação, de saúde pública. É só desinformação e descontrole.

 

 

 

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Dan Spitz: metaleiro relojoeiro

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Se você acompanha apenas superficialmente a carreira da banda de thrash metal Anthrax e sentia falta do guitarrista Dan Spitz, um dos fundadores, ele vai bem. O músico largou a banda em 1995, pouco antes do sétimo disco da banda, Stomp 442, lançado naquele ano. Voltaria depois, entre 2005 e 2007, mas entre as idas e as vindas, o guitarrista arrumou uma tarefa bem distante da música para fazer: ele se tornou relojoeiro (!).

A vida de Dan mudou bastante depois que o músico teve filhos em 1995, e começou a se questionar se queria mesmo aquela vida na estrada. “Fazíamos um álbum e fazíamos turnês por anos seguidos, e então começávamos o ciclo de novo – o tempo em casa não existia. É uma história que você vê em toda parte: tudo virou algo mundano e mais parecido com um trabalho. Eu precisava de uma pausa”, contou Spitz ao site Hodinkee.

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Na época, lembrou-se da infância, quando ficava sentado com seu avô, relojoeiro, desmontando relógios Patek Philippe, daqueles cheios de pecinhas, molas e motores. “Minha habilidade mecânica vem de minha formação não tradicional. Meu quarto parecia uma pequena estação da NASA crescendo – toneladas de coisas. Eu estava sempre construindo e desmontando coisas durante toda a minha vida. Eu sou um solucionador de problemas no que diz respeito a coisas mecânicas e eletrônicas”, recordou no tal papo.

Spitz acabou no Programa de Treinamento e Educação de Relojoeiros da Suíça, o WOSTEP, onde basicamente passou a não fazer mais nada a não ser mexer em relógios horrivelmente difíceis o dia inteiro, aprender novas técnicas e tentar alcançar os alunos mais rápidos e mais ágeis da instituição.

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A música ainda estava no horizonte. Tanto que, trabalhando como relojoeiro em Genebra, pensou em largar tudo ao receber um telefonema do amigo Dave Mustaine (Megadeth) dizendo para ele esquecer aquela história e voltar para a música. Olhou para o lado e viu seu colega de bancada trabalhando num relógio super complexo e ouvindo Slayer.

O músico acha que existe uma correlação entre música e relojoaria. “Aprender a tocar uma guitarra de heavy metal é uma habilidade sem fim. É doloroso aprender. É isso que é legal. O mesmo para a relojoaria – é uma habilidade interminável de aprender”, conta ele. “Você tem que ser um artista para ser o melhor – seja na relojoaria ou na música. Você precisa fazer isso por amor”.

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Cinema

Bead game: desenho animado sobre agressividade

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Bead game: desenho animado sobre agressividade

Em 1977, o diretor de cinema Ishu Patel fez o curta-metragem de animação Bead game, que foi relançado recentemente pelo National Film Board of Canada.

Para mostrar como a agressividade pode chegar a níveis inimagináveis, ele criou uma animação que usa apenas contas coloridas, que ganham a forma de vários objetos, animais, pessoas e monstros – um lado sempre tentando derrotar o outro. E quando você nem imagina que a briga pode ficar maior ainda, ela fica.

Via Laughing Squid

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Cultura Pop

Bad Radio: no YouTube, a banda que Eddie Vedder teve antes do Pearl Jam

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Bad Radio: no YouTube, a banda que Eddie Vedder teve antes do Pearl Jam

Em 1986, surgiu uma banda de rock chamada Bad Radio, em San Diego, Califórnia. Foi um grupo que fez vários shows, ganhou fãs e se notabilizou como uma boa banda de palco da região. Mas que se notabilizou mais ainda por ter tido ninguém menos que o futuro cantor do Pearl Jam, Eddie Vedder, nos vocais.

Eddie Vedder, que é lá mesmo de San Diego, aportou por lá em 1988 e ficou até 1990. Conseguiu fazer uma mudança geral no grupo, que tinha uma sonoridade bem mais new wave com a formação anterior, com Keith Wood nos vocais, Dave George na guitarra, Dave Silva no baixo e Joey Ponchetti na bateria. Wood saiu do grupo e com Vedder, a banda passou a ter uma cara bem mais funk metal, e mais adequada aos anos 1990.

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E essa introdução é só para avisar que jogaram no YouTube a última apresentação do Bad Radio com Vedder nos vocais. Rolou no dia 11 de fevereiro de 1990, pouco antes de Eddie se mandar para Seattle e virar o cantor de uma banda chamada Mookie Blaylock – que depois virou Pearl Jam. A gravação inclui as faixas What the funk, Answer, Crossroads, Just a book, Money, Homeless, Believe you me, What e Wast my days. O show foi dado no Bacchanal, em San Diego.

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Com a saída de Vedder, o Bad Radio ainda continuou um pouco com o próprio Keith Wood, de volta, nos vocais. Segundo uma matéria publicada pela Rolling Stone (e que tem detalhes contestados pelos ex-integrantes do Bad Radio), Vedder não foi apenas cantor da banda: ele virou assessor de imprensa, empresário, produtor e o que mais aparecesse. A lgumas testemunhas dizem que a banda não era favorável ao lado ativista de Eddie (que costumava dedicar músicas e shows aos sem-teto), o que ex-integrantes do Bad Radio negam (tem mais sobre isso aqui).

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