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“Danceteria”: Soft Cell encerra carreira revisitando a Nova York dos anos 1980

Não é só Madonna que presta homenagem ao Danceteria – famoso clube novaiorquino frequentado por ela no começo dos anos 1980, que vai ganhar uma música chamada Danceteria no Confessions II, e que gerou a existência de várias “danceterias” no Brasil na mesma época. O Soft Cell acaba de anunciar Danceteria, que vai ser o álbum final da dupla fundada por Marc Almond e pelo saudoso Dave Ball, morto em outubro de 2025, aos 66 anos. O single com a faixa-título saiu hoje.
O disco tem lançamento previsto para 25 de setembro pela Republic of Music, e representa de fato o último trabalho da dupla, já que Ball vinha trabalhando nele ao lado de Almond. Não é um disco de Almond usando o nome Soft Cell nem nada disso, até porque o cantor já falou que não pretende seguir sozinho com o nome. “Não pode existir um Soft Cell sem Dave. Ele era metade desta banda. Posso continuar me apresentando ao vivo, mas não consigo imaginar compondo músicas do Soft Cell sem ele”, disse essa semana, num comunicado.
Ball, diz Almond, estava animado com o disco. “Ele estava feliz e totalmente envolvido com o disco. Isso torna tudo ainda mais doloroso. O que me conforta é saber que ele ouviu o álbum pronto e acreditava que tínhamos feito um grande trabalho”, declarou na época.
E sobre o título Danceteria? Almond diz que se trata de uma carta de amor à Nova York que viu a dupla nascer, e um tributo ao próprio Danceteria – cenário de muita coisa feita no disco Non-stop erotic cabaret, estreia do Soft Cell, de 1981. A letra da faixa-título, por acaso, faz referência a Madonna no verso “Madonna estava cantando ao som de um boombox / minha cabeça estava dormente, mas eu estava mexendo os pés”.
“Aqueles anos mudaram nossas vidas. Foi uma cidade que nos transformou como artistas e como pessoas. Revisitar esse período parece a maneira mais apropriada de dizer adeus a Dave e encerrar a história do Soft Cell”, explicou.
“Nova York era suja, caótica e até perigosa em alguns momentos, mas havia uma energia criativa impossível de encontrar em outro lugar. Era um ambiente inspirador, vibrante e cheio de possibilidades”, disse Almond.
Em março, o Soft Cell já havia lançado bem discretamente uma releitura de Out come the freaks, do Was (Not Was), música original de 1981. A nova versão ganha participação vocal de Nona Hendryx, do Labelle, grupo conhecido pelo sucesso Lady Marmalade.
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RU NA mistura rock alternativo e Beatles em single sobre recomeços

RESUMO: Em Forking ways, a RU NA une rock alternativo dos anos 1990, post-rock e melodias à John Lennon para falar de perdas, mudanças e novos começos. Lançamento do selo midsummer madness.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Cleber Aleixo / Divulgação
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Tem bastante rock alternativo dos anos 1990 em Forking ways, novo single da RU NA, mas também dá para perceber uma influência dos Beatles, especialmente de John Lennon, na maneira como a melodia se desenvolve. A banda mistura essas referências com guitarras que passeiam pelo pós-rock, numa faixa que anuncia algumas mudanças para o próximo EP, Undercurrents, previsto para o fim de 2026 pelo selo midsummer madness.
Formada em 2022, a RU NA lançou seu primeiro EP, Heliades, em 2024. Naquele trabalho, o grupo buscava inspiração na mitologia grega para falar de problemas bem terrenos: as dificuldades do cotidiano e as diferentes maneiras de reagir a elas. Agora, a ideia é olhar para o que acontece depois de uma ruptura, quando alguma coisa termina e surge a possibilidade de começar novamente.
É esse o assunto de Forking ways, que trata de perdas, mudanças de direção e da tentativa de encontrar alguma esperança no meio dos destroços. Musicalmente, a banda também resolveu abrir um pouco mais seu leque de influências. O rock de guitarras continua sendo a base, mas há espaço para melodias mais próximas do pop sessentista e para as atmosferas do pós-rock.
A RU NA é formada por Alessandro Travassos (voz e guitarra), Cleber Aleixo (bateria e vocais), Clayton Vilaça (baixo) e Tiago Sales (guitarra e vocais). O próprio quarteto assina a produção do single, que teve mixagem de Drey Henrique e masterização do produtor grego Alexis Gotsis. Parte das gravações aconteceu no estúdio Frango no Bafo, em Belo Horizonte.
Forking ways é a primeira amostra de Undercurrents, trabalho que deve aprofundar essa aproximação entre o rock alternativo dos anos 1990, o post-rock e outras referências musicais dos integrantes.
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Tigre Robô: pós-punk, animação e baratas (irc) no clipe de “Batata podre”

RESUMO: A banda brasiliense Tigre Robô lança clipe animado de Batata podre, faixa do álbum Telefone pra cachorro, que mistura pós-punk, garage rock e new wave.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução
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A banda brasiliense Tigre Robô resolveu fazer um clipe parcialmente em animação para Batata podre, música de seu primeiro álbum, Telefone pra cachorro, lançado em janeiro de 2025 pela Manga Rec. O clipe saiu no dia 2 de outubro e tem direção, animação e edição de Brida Abajur, assistência de direção de Danillo Matos e produção e figurino de Isabela Fernandes. Só não é recomendável ver na hora do almoço ou do jantar porque o clipe tá infestado de baratas (irc).
Formado em 2018, o quarteto tem Junio Silva, Isabela Fernandes, Guilherme Okamura e Rafael Lamim. Em Telefone pra cachorro, o grupo fez um disco de onze faixas que mistura pós-punk, punk de garagem, new wave e algumas experiências lo-fi.
Na época do lançamento, o POP FANTASMA resenhou o álbum e destacou as referências a Wire, The Fall, Public Image Ltd e Gang Of Four. Mas também havia espaço para power pop, psicodelia e até uma mistura de punk com rap em Atlas. Tudo isso num disco curto, cheio de mudanças de direção e que parecia gostar de contrariar expectativas.
Batata podre é a primeira música do álbum a ganhar um clipe oficial. O vídeo dá continuidade à divulgação de um disco que apresentou a Tigre Robô como um dos nomes curiosos do rock independente de Brasília. Em fevereiro a banda lançou o EP Atlas, com remixes de Telefone pra cachorro.
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Takeda transforma trauma de seita apocalíptica em folk e grunge pesado

RESUMO: Após viver numa seita apocalíptica, Josh Harrison transforma raiva e traumas em Lion’s den, single do Takeda que mistura folk britânico e grunge pesado.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Passar anos vivendo numa seita apocalíptica e depois tentar se livrar das marcas deixadas por essa experiência. Parece roteiro de filme, mas é parte da história de Josh Harrison, vocalista e guitarrista do Takeda, trio britânico de Norwich que mistura folk, grunge e rock pesado. A experiência já havia rendido boa parte das letras de In Venus’ train, disco de estreia do grupo. Agora, volta a aparecer em Lion’s den, novo single da banda, lançado em 25 de setembro.
Só que o assunto mudou um pouco. Se o primeiro álbum tratava da dificuldade de romper com aquele passado, Lion’s den fala do que ficou depois: raiva, ressentimento e a sensação de ter sido manipulado e traído. “Nunca tinha escrito uma música com raiva antes. Mas Lion’s den foi surgindo aos poucos, borbulhando dentro de mim. Desembaraçar tudo aquilo enquanto escrevia foi como abrir uma torneira e deixar sair uma raiva que estava sob pressão”, conta Josh. “A traição, a manipulação, o ressentimento que eu havia guardado e aprisionado, disfarçados de vergonha. Essa música virou uma válvula de escape para tudo isso, e colocá-la no mundo parece muito terapêutico”, completa.
Musicalmente, o Takeda também tem suas particularidades. Formado em 2022, o trio junta técnicas do folk britânico e americano, dedilhados influenciados por Bert Jansch (guitarrista escocês, ligado ao grupo folk-jazz Pentangle) e a pancadaria do grunge, com riffs pesados, distorções e mudanças bruscas de intensidade. Boa parte dessa mistura é feita usando violão, instrumento que ganha uma função bem diferente da habitual.
E Harrison não está muito interessado em facilitar comparações. “Quando estamos arranjando músicas juntos, basta percebermos que alguma coisa que estamos fazendo lembra muito o som de outra pessoa para perdermos o interesse. Geralmente, a música acaba descartada”, diz. “Temos muita vontade de soar como ninguém além do Takeda”.
Produzida por David Pye, que já trabalhou com Faithless e Dido, Lion’s den traz vocais adicionais de Raya Mhari-Iglesias, do Birdwitch. A faixa abre os trabalhos do segundo álbum do trio, que conta ainda com David Woodgett (baixo) e Charlie Wilson (bateria). O disco sai em 2027 pelo selo Drongo Records.
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