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Cultura Pop

Quando os fãs malucos de Woodstock meteram medo em Bob Dylan

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Quando os malucos de Woodstock meteram medo em Bob Dylan

O festival de Woodstock não aconteceu em Woodstock. Em compensação, a região de Woodstock, em Nova York, na segunda metade dos anos 1960, se tornou um local bastante movimentado e repleto de astros da música. Tudo porque em 1965, Bob Dylan – que completa 80 anos nesta segunda (24) – decidiu comprar uma mansão de onze quartos ali pela área. A casa de Dylan passou a ser chamada de Hi Lo Ha.

Em seguida, vários nomões (Joan Baez, já separada dele, Tim Hardin, Richie Havens) fixaram residência nas cercanias. Albert Grossman, empresário de Dylan, também montou por ali o Bearsville Studio, que virou gravadora e ganharia até um teatro, com o passar dos anos. O empreendimento já garantia as visitas de vários artistas para a área, mas em 1967 ainda viria um projeto também bastante ambicioso.

O tal projeto consistia nos Woodstock Sounds-Outs, bolados por um músico e carpinteiro chamado John “Jocko” Moffitt. O evento agendaria até 1970 shows com nomes como Tim Hardin, Major Wiley, Blues Magoos, James Taylor, Mothers Of Invention e vários outros. Curiosamente, assim como o festival de Woodstock, os primeiros Sound-Outs seriam realizados além do limite do município, na fazenda da empresária e produtora cultural Pan Copeland.

>>> Aquela vez que Bob Dylan gravou com músicos do Sex Pistols e do Clash

Mesmo com as imprecisões geográficas, tudo fazia crescer a mística de meca hippie da região. Ainda mais com Dylan vivendo lá, totalmente recluso após um misterioso acidente de moto sofrido em 29 de junho de 1966. O cantor disse ter quebrado várias vértebras mas ninguém soube exatamente o que houve. Dylan ficou seis semanas refugiado na casa do médico Ed Thaler, em Middletown, e ao que consta, usou o período para fugir da imprensa e da horda de fãs que volta e meia aparecia na porta da sua casa.

Depois, Bob voltou a Hi Lo Ha, passou a editar o documentário maluco-beleza Eat the document (você já leu sobre isso aqui) e se dedicou a gravar uma série de canções com a banda The Hawks, depois The Band. Esse material seria inicialmente oferecido a outros artistas, para que gravassem, mas a Columbia editou tudo em 1975 como The basement tapes, “fitas do porão”. Afinal boa parte das músicas vinha do porão da casa vizinha à de Dylan, a Big Pink, habitada pelos Hawks.

>>> Masked Marauders: “Bob Dylan”, “John Lennon” e “Mick Jagger” em supergrupo

E nessa época, Dylan começou a ser assediado por uma peregrinação de fãs, fãs malucos e até de colegas em busca de aconselhamento (!). Noel Paul Stookey, de Peter, Paul & Mary, baixou em Woodstock para perguntar a Bob qual o sentido da vida e soltou uma torrente de perguntas relacionadas com os Beatles e com o fato de eles estarem cantando sobre o amor em Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Dylan ouviu tudo com paciência e no final soltou um: “Já leu a Bíblia?”.

Já os admiradores de Dylan, segundo o livro Dylan – A biografia, de Howard Sounes, se viraram como podiam, já que não tinham acesso ao dono da casa. Peregrinavam a pé até lá, subiam nas árvores, tentavam entrar na casa, e às vezes o próprio Dylan ia lá impedir a entrada deles com um “o que você pensa que está fazendo?”. Teve mais. O cantor já achou fãs na piscina, fãs pelados em sua cama (como se tivessem acabado de fazer sexo) e houve pelo menos um caso de seguidor que passou da categoria de fã para a de stalker ameaçador: tentou entrar lá três vezes em um mês.

O próprio Bob chegou a conversar com ele e inicialmente não quis fazer acusação formal. Mas, em outra ocasião, o cantor e sua mulher Sara abriram os olhos e deram de cara com o maluco no quarto, olhando para eles. A polícia se envolveu, constatou que o rockstar tinha uma certa propensão a não gostar de trancar portas (o que facilitava só um pouco a aproximação de lunáticos). E de qualquer jeito, Dylan e família sairiam de lá em maio de 1969 e se mandariam para uma outra mansão do outro lado da cidade.

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Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

Cultura Pop

R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

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R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

No dia 31 de maio de 1982, a gravadora I.R.S. enviava um press release avisando que havia assinado com o R.E.M., “uma banda de Athens, Georgia, aclamada pela crítica”. E já anunciava que no dia 26 de agosto sairia o EP Chronic town, com as faixas 1,000,000, Stumble, Wolves, lower, Gardening at night e Carnival of sorts (Boxcars). A foto de imprensa, em preto e branco, trazia Peter Buck (guitarra), Mike Mills (baixo), Bill Berry (bateria) e Michael Stipe (vocais) com visual pós-adolescente.

“O EP vai ser seguido por um álbum no ano que vem. O R.E.M. planeja fazer uma turnê pelo Oeste do país durante o verão, seguida pelos estados da Costa Leste e do Canadá durante o Outono”, avisava a gravadora, oferecendo também o contato da empresária Betsy Alexander, primeira pessoa a cuidar profissionalmente do grupo, ajudando em contatos, logística e gestão. O release só errava na ordem das músicas do EP, que possivelmente ainda não estava decidida (Chronic town também saiu dividido em duas partes, com lado A nomeado Chronic town e lado B com nome Poster torn)

O contrato era de longo prazo e previa cinco discos – ou seja, tudo que saiu do grupo até Life’s rich pageant, o quarto álbum, de 1986. Depois disso, o grupo renegociou e lançou o quinto disco, Document, de 1987 – mas acabou migrando para a Warner e terminando o contrato com a coletânea Eponymous (1988).

A I.R.S. tinha sido criada em 1979 por Miles Copeland III, irmão de Stewart Copeland, baterista do The Police. O selo vinha da cena punk/new wave britânica e funcionava como uma espécie de ponte entre o underground e uma estrutura profissional de distribuição via A&M (a gravadora do Police, por acaso).

Na época em que o R.E.M. assinou, a I.R.S. já tinha grupos como Wall of Voodoo, Oingo Boingo, The Go-Go’s e The English Beat. Era um selo muito ligado a college radio, pós-punk, new wave e à ideia de independência artística. Depois, virou praticamente sinônimo do rock universitário americano dos anos 1980 por causa do próprio R.E.M.

A entrada da banda na gravadora aconteceu muito por conexões da cena. O empresário/agente Ian Copeland, irmão de Miles e Stewart, já acompanhava o grupo desde os primeiros shows em Athens. O baterista Bill Berry tinha trabalhado para Ian em Macon como roadie e serviços-gerais, e mantinha contato com ele. Isso ajudou o R.E.M. a conseguir shows de abertura para bandas maiores, como The Police e Gang of Four, até chamar atenção da I.R.S.

E olha o post comemorativo do R.E.M. aí.

 

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Um post compartilhado por R.E.M. (@rem)

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Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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