Na época em que saiu Eat the rich, comédia distópica de Peter Richardson (1987), nem toda a crítica curtiu. O Washington Post disse que se tratava de um “pastelão britânico” sem muitas qualidades. E, aliás, o filme esteve longe de ser um sucesso de bilheteria. A Film4, empresa britânica que cuidou da produção, costumava salvar projetos malucos, mas ela própria não rasgava dinheiro. Tanto que deixou para lá Five go to hell, que seria o filme subsequente de Richardson e que contava a as aventuras vividas por uma turma animada e doidona numa “República das Bananas” da América do Sul.

Saudades de Eat The Rich

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Eat the rich foi o segundo filme de Richardson, integrante do grupo alternativo de comédia Comic Strip. Aliás, o prestígio tanto de Richardson quanto de sua turma foram fundamentais para conseguir adesões incríveis para a lista de participações especiais. Lemmy Kilmister (Motörhead) fez uma participação de luxo, como o capanga Spider. Shane MacGowan (Pogues), Sandie Shaw, Angela Bowie, Fiona Richmond (símbolo sexual britânico dos anos 1970, interpretando um personagem com seu próprio nome), Hugh Cornwell (ex-Stranglers), Bill Wyman (ex-Rolling Stones) e até Paul McCartney, como convidado de um jantar, estão no filme. Que por sinal, entra e sai do YouTube. Hoje, lá, só há várias cenas separadas.

A trilha sonora, por sinal, foi do Motörhead.

Se o calibre das participações já era disparatado, o plot era o mais maluco possível. Na Inglaterra dos anos 1980 (com Margaret Thatcher no poder, como primeira-ministra), Alex (Lanah P). é um garçom demitido de um restaurante chique, após passar por situações humilhantes. A história ainda passa por brigas políticas que incluem atentados terroristas e tentativas de tomar o poder por intermédio da revolta popular. Então, Alex, de volta após um pequeno sumiço, invade o antigo restaurante onde trabalhava, ao lado de uma turma de revoltados. Daí, a galera mata geral e abre um novo restaurante no qual o prato principal é… carne humana. É a revolta contra a burguesia em seu volume máximo.

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O que mais chama a atenção em Eat the rich é que havia bem pouca coisa amarrando aquela zona toda: o elenco era grande demais, o filme tem até bem pouco tempo disponível para a história que pretende contar, e possivelmente a tentativa era posicionar o Comic Strip na mesma categoria de outro grupo britânico de sucesso, o Monty Phyton. Só que não deu: o filme foi considerado maluco demais até pra isso. Aliás, no Brasil, o filme passou como Comendo os ricos, em circuito pequeno. E foi até lançado em VHS pela Globo Vídeo, com o interessante slogan “uma loucomédia po(p)lítica” impresso na capa.

Eat the rich não chegou a ser um filme polêmico. Isso porque a polêmica na vida do diretor Richardson estava guardada para 1991, quando saiu o filme The Pope must die, trazendo a história de um padre do baixo clero que acaba eleito Papa por engano. Anteriormente, a sinopse havia entrado para a pequena lista de filmes do diretor rejeitados pela Film4, e acabou nas mãos da produtora Palace Pictures. Jornais recusaram-se a falar do filme, emissoras de TV não quiseram noticiá-lo e, mesmo na Iugoslávia, onde ele foi filmado, havia boca de siri com relação a seu título, para não assustar ninguém. Mas isso é outra história.

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