Cultura Pop
Robert Wyatt bem de perto

Você não conheceria metade do que existe hoje em dia em termos de música ousada, de música de invenção, se não fosse um inglês de 76 anos chamado Robert Wyatt. Fundador e baterista de uma das bandas-lenda do rock progressivo de Canterbury, os Wilde Flowers, ele ganhou mais fama ainda após se juntar ao Soft Machine, banda criada por outros dois músicos bastante criativos, Kevin Ayers e Daevid Allen.
No comecinho, o Soft Machine era uma formação prestes a implodir pelo excesso de loucuras, ideias egos e improvisos (principalmente no disco Third, duplo com uma faixa de cada lado, de 1970). Wyatt foi se afastando do grupo, passou a gravar solo, foi sacado do grupo em definitivo e montou outro grupo tão imprevisível quanto o Soft Machine, o Matching Mole, do qual depois também sairia. Foi alternando projetos solo e coisas em grupo, até que um acidente bastante grave freou parte dos planos. Em 1º de junho de 1973, bastante alcoolizado, Wyatt caiu de uma janela no quarto andar durante uma festa. Ficou sem os movimentos das pernas e passou a usar uma cadeira de rodas.
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Wyatt abandonou a bateria (e o álcool) mas não largou a música. Lançou vários discos solo e conseguiu um hit nas paradas em 1974 com uma gravação bem mais inocente que seu trabalho faria supor: uma releitura de I’m a believer, dos Monkees. O single (que saiu até no Brasil!) foi produzido por um grande amigo, Nick Mason, baterista do Pink Floyd.
Uma situação inusitada aconteceria com Wyatt nessa época. Por causa do sucesso da gravação, o músico foi convidado a apresentar I’m a believer no Top of the pops, paradão de sucessos televisivo da Inglaterra. Tudo bem, tudo certo, mas chegando lá, um dos produtores da atração decidiu encrencar justamente com a cadeira de rodas do artista. Disse que não era adequado que ele aparecesse assim e pediu a Wyatt que se sentasse numa cadeira normal, de vime.
“Mandei o cara se foder”, disse Wyatt à Uncut. Na briga, o cantor teve a ajuda de ninguém menos que Richard Branson, dono da sua gravadora, a Virgin. A BBC teve que ceder antes que queimasse mais ainda seu filme. Olha aí Wyatt e banda no programa.
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Pouco depois, Wyatt apareceu na capa do New Musical Express. Aliás, ele e todos os músicos de sua banda (Nick Mason incluído) posaram de cadeiras de rodas. “Teve gente que viu a foto e escreveu para o New Musical Express reclamando que a imagem era de mau gosto”, conta Wyatt.

Wyatt, um sujeito que riria bastante da sua cara se você dissesse a ele que música não se mistura com política (é integrante do Partido Comunista da Grã-Bretanha desde os anos 1980 e já compôs várias canções de protesto), virou mesmo sinônimo de música de vanguarda. A ponto de veículos como The Guardian e New York Times terem noticiado a criação da gíria wyatting para definir o ato de tocar músicas completamente anticomerciais em jukeboxes de bares, só de sacanagem. Isso aconteceu nos anos 2000, quando começaram a aparecer as primeiras jukeboxes ligadas à internet (ou seja, com acesso a todo tipo de música, mesmo as que provocariam a evacuação de qualquer bar da moda).
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Mas esse texto é só para avisar que um documentário bem interessante sobre Wyatt está no YouTube. Little red Robin Hood, foi lançado em 1998, dirigido por dois italianos (Franco Di Loreto e Carlo Bevilacqua) e mostra Wyatt em casa e no estúdio. Capta declarações bem interessantes do músico, que diz sempre estar tentando criar coisas novas a cada dia. “Não quero me fossilizar. Tenho um problema sério em tocar coisas que já toquei. Não sou um museu”, diz. Trechos das gravações de Shleep, disco de 1997 de Wyatt, aparecem também no documentário, com participações do produtor, Brian Eno.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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