Connect with us

Cultura Pop

Várias coisas que você já sabia sobre a estreia do Duran Duran

Published

on

O Duran Duran já foi uma banda cujo vocalista não era Simon Le Bon. Antes do primeiro disco, epônimo, lançado em 15 de junho de 1981 (opa, quase 40 anos!), outros nomes passaram pelos vocais do grupo. O primeiro foi Stephen Duffy, que depois foi para o Lilac Time. Depois entraria Andy Wickett, mais conhecido como Fane, que foi guitarrista de uma banda chamada TV Eye, e era um músico conhecido em Birmingham, na Inglaterra, de onde o DD vinha. Andy chegou a gravar as primeiras demos da banda, mas logo saiu.

Várias coisas que você já sabia sobre a estreia do Duran Duran

Aliás, ainda houve outro vocalista, Jeff Thomas, recrutado por um tempo bem breve. O Duran Duran havia sido iniciado em 1978 pelo tecladista Nick Rhodes e pelo baixista John Taylor, foi montado sob os signos do glam rock e do art rock, e tinha mais influências de David Bowie e de Roxy Music do que eram capazes de esconder. Com a formação clássica completa (além de Simon, John e Nick, havia Roger Taylor, bateria, e Andy Taylor, guitarra), ficou claro que o Duran Duran apontaria para o futuro. Pouco antes da indústria de clipes virar o filé mignon do mercado (epa, a MTV nasceu no mesmo ano da estreia do DD), já pensavam em associar imagem e música, moda e atitude.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Várias coisas que você já sabia sobre Blonde on blonde, de Bob Dylan

A união de pós-punk e de climas herdados da disco music, feita pelo quinteto, deu certo. A MTV abraçou hits como Girls on film, o Duran Duran se tornou a primeira banda dos anos 1980 a virar mania, transformou-se em modelo para praticamente tudo o que viria na década (se falar de rock brasileiro dos anos 1980, então…). E tudo começou com um disco que vinha sendo cuidadosamente pensado havia anos, e que hoje é um grande clássico.

E segue aí nosso humilde relatório sobre Duran Duran, o disco. Ouça lendo, leia ouvindo, essas coisas.

FAZENDO PLANOS. Antes do Duran Duran começar, não havia John Taylor e Nick Rhodes, Tinha era dois adolescentes, Nigel Taylor e Nick Bates, que matavam o tempo conversando sobre música e planejando formar uma banda, lá por 1978. Bates adotou o “Rhodes” por sugestão do amigo.

JÁ O molecote Nigel John Taylor era fã de Roxy Music, havia aprendido um pouco de piano, e passava por um processo de transformação pessoal parecido com o do Patinho Feio: era complexado por ter miopia, usar óculos e por ter um nome que, no entendimento dele, era mais apropriado a um garoto bullynizado.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Várias coisas que você já sabia sobre Doolittle, dos Pixies

NIGEL? O artista posteriormente conhecido como John Taylor usaria o “Nigel” como nome artístico até a primeira demo do Duran Duran. Mas estava de saco cheio de se chamar assim e lembrava especialmente de um personagem Nigel, que era um bobalhão que aparecia num episódio de Monty Phyton. “O dia seguinte à exibição desse programa foi um pesadelo na escola”, recordou.

ALIÁS E A PROPÓSITO, pra piorar um pouco, 1979 foi o ano de… Making plans for Nigel, sucesso-assinatura do XTC, que foi um grande hit e contava a história de um moleque meio superprotegido pelos pais, e incapaz de decidir o próprio futuro. O John, que já era seu nome do meio, foi adotado como referência a Johnny Ramone e John Lennon.

NO COMECINHO o grupo de Rhodes e Taylor (com o cantor original, Stephen Duffy), ensaiava na loja de brinquedos do pai de Nick, em meio a embalagens. “Tínhamos músicas chamadas coisas como Hold me, pose me, que era o que dizia na lateral de uma caixa de boneca”, contou Duffy.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Várias coisas que você já sabia sobre The Who Sell Out, do Who

QUE NEM BOWIE. A banda tinha um hábito parecido com o de um de seus maiores ídolos, David Bowie, nos tempos de penúria. Se na adolescência o mod Bowie fuçava lixões de lojas de roupas em busca de alguma peça descartada, os futuros astros do Duran Duran usavam roupas de lojas de caridade, e jaquetas dos anos 1950, bem justas. A ideia era lançar moda, mas isso ainda demoraria para acontecer.

PRIMEIRO NOME. O Duran Duran passou um tempo se chamando RAF (possível referência à Força Aérea Real da Grã-Bretanha). Mas foi muito pouco tempo mesmo. John viu o filme Barbarella, de Roger Vadim (1968), e sugeriu batizar a banda com o nome Duran Duran, referência ao Dr. Durand Durand interpretado pelo ator Milo O’Shea.

ALIÁS E A PROPÓSITO, Milo foi convidado pela banda em 1984 para interpretar o próprio Dr. Durand Durand no filme-concerto Arena (An absurd notion). E aceitou.

NA BALADA COM O DD. O começo do Duran Duran era bastante associado a um clube de Birmingham chamado Rum Runner, que já estava aberto desde 1964 e tinha dado abrigo a várias bandas e artistas ilustres da cidade (de Black Sabbath e Roy Wood). O Duran Duran levou sua primeira demo para lá e a banda quase inteira acabou trabalhando na casa, com os integrantes assumindo funções como DJ, segurança e até cozinheiro. A casa fechou em 1987.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Várias coisas que você já sabia sobre Sticky fingers, dos Rolling Stones

NO PALCO. O Duran Duran se tornou também residente da casa, numa época em que os filhos do dono do local assumiram a boate e a transformaram num clube mais moderno. A banda tocava até mesmo nas festas de réveillon do local.

AS MUDANÇAS NA BANDA foram ocorrendo nos anos seguintes, até que o Duran Duran ganhasse a formação definitiva. Um sujeito chamado Alan Curtis assumiu a guitarra por uns tempos, após ler um anúncio no jornal que recrutava um músico “influenciado por Roxy e Bowie”. Andy Taylor entra depois para a banda por causa de outro anúncio e acaba assumindo não apenas o instrumento como a chapa de hambúrgueres do Rum Runner. De início, se choca com o visual trabalhado da banda, mas resolve ficar. Já Duffy fica definitivamente chocado com as ambições pop do grupo e deixa o DD.

O VOCALISTA. Simon Le Bon, apesar de não fazer parte da turma que trabalhava no Rum Runner, entrou para o Duran Duran por causa da boate: namorava uma garçonete que o recomendou para a banda. Seu visual inusitado (jaqueta de camurça, calça de pele de leopardo e cabelo louro) impressionou os futuros colegas e ele foi aceito nos vocais.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Várias coisas que você já sabia sobre Love it to death, de Alice Cooper

EMPRESÁRIOS. Quem passa a cuidar dos negócios do Duran Duran é justamente o então proprietário do Rum Runner, Paul Berrow – foi nessa que a banda virou residente de lá. Ele e seu irmão, que cuidavam da boate, estavam super interessados em fazer do local uma espécie de Studio 54 de Birmingham, levando toda a modernidade da casa de Nova York para uma cidade industrial da Inglaterra. Discos de artistas como Giorgio Moroder rolavam direto nas pick-ups da casa e eram ouvidos o tempo todo pelo Duran Duran em meio a ensaios e novas canções.

DISCO É O C… No fim dos anos 1970, vale dizer, a coisa mais comum do mundo era que roqueiros demonstrassem todo o seu ranço pela disco music, que ocupava espaços nas rádios. Ainda que nomes como Doobie Brothers, Kiss, Blondie e Fleetwood Mac (e Rita Lee, no Brasil) convivessem de boa com os batidões da disco, o consenso geral era que aquela batida dançante era repetitiva, as letras eram pobres (enfim, como se Highway star, do Deep Purple, fosse o equivalente roqueiro de um poema de John Keats) e as melodias eram pífias. Esse último aspecto torna tudo mais maluco, ainda mais no comparativo com um estilo musical que havia sido salvo pelos três acordes.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Várias coisas que você já sabia sobre Black Sabbath Vol 4

EM 1979, rolou aquele espetáculo de demência chamado Disco Demolition Night, em que LPs de disco music (e de música negra em geral, segundo testemunhas) foram quebrados em meio a uma competição esportiva. O estilo musical começava a ser substituído por versões mais ritmadas que anos depois desembocariam na house music, a safadeza boogie começava a dominar as paradas (via Earth, Wind & Fire e outros artistas) e já se avizinhava uma pós-disco, com nomes como Prince e Rick James gravando discos.

MAS E O DURAN DURAN COM ISSO? Se em 1979 estivesse na moda o hábito de bandas procurarem psicólogos ou coaches, o DD gastaria uma nota tentando solucionar a crise que vivia na época. Como roqueiros vindos do punk, deveriam odiar disco music, mas a adoravam. John Taylor, originalmente um guitarrista, tornou-se baixista pelo amor ao Chic.

HAJA GRANA. Os irmãos Berrows decidem investir pesado no Duran Duran e hipotecam um apartamento para comprar uma vaga de banda de abertura (eita) para o quinteto. O DD abre shows de Hazel O’Connor, uma cantora e atriz britânica que fazia sucesso com o hit Eighth day e com o filme Breaking glass, dirigido por Brian Gibson e estrelado por ela.

GENTE HUMILDE. A tal vaga na tour custou 12 mil libras. Para não aumentar mais ainda o rombo, ficou combinado que a banda se revezaria entre um quarto de hotel e a van de turnê – um integrante dormiria no quarto por vez a cada cidade, e os outros se espremeriam no utilitário.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Várias coisas que você já sabia sobre O Papa é pop, dos Engenheiros do Hawaii

DEU CERTO. Num dos shows da turnê com Hazel, Dave Ambrose, o chefe de A&R da EMI que descobriu os Sex Pistols, descobre o Duran Duran. Vê em Simon LeBon uma espécie de “novo Elvis” e contrata a banda sem pestanejar.

NO ESTÚDIO. O Duran Duran começou a gravar imediatamente e passou por vários estúdios com o produtor Colin Thurston, que trabalhara em Heroes, de David Bowie, e Lust for life, de Iggy Pop. Planet Earth e Girls on film foram gravadas em dezembro de 1981 e o restante em janeiro.

RAPIDINHO. De modo geral, Duran Duran, o disco de estreia, foi gravado rapidamente e em várias etapas. O produtor primeiramente cuidou de faixas como Careless memories, Night boat, Anyone out there, Tel Aviv e Faster than light (que viraria o lado B de Girls on film). O esqueleto de outro lado B queridíssimo do Duran Duran, Khanada, viria também dessa etapa. Depois, Colin mudou a banda para outro estúdio e completou toda a parte básica do disco (além de muita coisa de sequenciadores e teclados) em dez dias.

VERSÃO EXTRA. A produção de remixes para pistas de dança já vinha dos tempos da disco music e da aurora da cultura hip hop. Mas nos anos 1980 isso viraria padrão, a ponto de alguns remixes ficarem até mais ilustres do que as canções que lhes deram origem. O Duran Duran fez um pouco mais do que isso: fez uma segunda versão de Planet Earth para clubes. Mas em vez de remixar, rearranjou a música, pôs mais slaps de baixo e percussão, e convocou um naipe de metais. A duração foi para oito minutos.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Várias coisas que você já sabia sobre Transa, de Caetano Veloso

A FOTO DA CAPA. Quem tirou a foto da capa de Duran Duran foi Fin Costello, um fotógafo irlandês, que trabalhara com artistas como Deep Purple e Uriah Heep. John Taylor havia sugerido seu nome para a gravadora, que topou. O músico diz que sugeriu também que a banda posasse com um carro na foto. Fin não apenas fez a foto, como também sugeriu que a capa fosse feita por Malcolm Garrett, designer responsável por todo o visual dos discos da banda punk britânica Buzzcocks. Garrett conseguiu desenhar para o Duran Duran uma capa moderna e bastante minimalista, com um logotipo cuja produção encareceu bastante o design, mas deu a cara inicial do grupo.

A HISTÓRIA DO ROCK E DO POP é cheia de exemplos de artistas extremamente viáveis comercialmente, mas que precisaram lutar para fazer valer suas ideias, e que penavam com a falta de visão de donos de gravadoras. Com o Duran Duran não aconteceu nada disso: a EMI, até por precisar bastante de um grupo “moderno” para abrir os anos 1980, apostou bastante desde o início. Especialmente quando viu Planet Earth, o primeiro single, chegar no sétimo lugar das paradas britânicas.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Várias coisas que você já sabia sobre Atom heart mother, do Pink Floyd

O PROBLEMA É QUE foi nesse ponto que rolou uma bobeada séria da gravadora que quase pôs tudo a perder. A banda queria lançar logo a alegre e chamativa Girls on film como segundo single. Mas a EMI alegou que Careless seria uma boa opção porque mostrava “um lado mais sério do grupo”. Em tempos de forte airplay para o pop adulto, não era uma ideia de todo errada. Mas o single não vendeu bem e mal tocou. E o Duran Duran começou a ganhar uma baita cara de banda de tiro curto.

MAS A EMI foi à luta e usou todo seu time de assessoria de imprensa para reverter a situação. Janice Hague, que trabalha com bandas como Queen e Bow Wow Wow, fez tudo para emplacar o DD não apenas na imprensa “séria”, como também nas revistas de adolescentes. O grupo conseguiu uma capa na Smash hits, uma das revistas pop mais vendidas da época. Curiosamente, a revista preferiu colocar uma foto em que apenas Nick e Roger apareciam. Nem mesmo Simon Le Bon apareceu. John diz ter visto nisso um sinal de que a banda era vista de maneira mais “profunda” do que parecia.

JOHN TAYLOR reclama que, graças à preferência que a banda e a EMI deram para a Smash hits e a The Face, o New Musical Express passou a expressar (opa) o maior desgosto pela banda, atacando-os sempre que podia. Por outro lado, publicações para adolescentes apaixonadas, como Diana e My Guy passaram a cobrir todos os passos do grupo, e a publicar até mesmo pôsteres deles. Não era uma mídia tão errada assim: artistas como Marc Bolan e David Bowie, no comecinho dos anos 1970, viviam aparecendo nessas publicações (os equivalentes à Capricho e à Querida no Brasil).

>>> Veja também no POP FANTASMA: Várias coisas que você já sabia sobre The seeds of love, do Tears For Fears

ALIÁS E A PROPÓSITO, pelo menos Careless veio com duas preciosidades como B-sides, a boa Khanada e a versão duranie de Fame, de David Bowie.

BORA SAIR DE CASA PRA VER UM VÍDEO? Hoje ninguém sai de casa para nada, mas pode acreditar: nos anos 1980, as pessoas saíam de casa para assistir a exibições de vídeos de seus artistas preferidos. Várias casas noturnas (inclusive aqui no Brasil) anunciavam sessões de vídeos, gravados em VHS, de apresentações de bandas como Smiths, Duran Duran, e até grupos mais antigos, como Pink Floyd e The Doors. Assim que isso começou a acontecer, os próprios artistas passaram a produzir vídeos especialmente para esse tipo de mercado, até porque a MTV ainda estava no comecinho.

O DURAN DURAN, que não era bobo nem nada, mandou fazer um vídeo fodástico e malicioso para Girls on film, com várias modelos, vários cenários (inclusive um de passarela, que seria imitado à exaustão em outros clipes e até aberturas de novela no Brasil) e passagens que eram referências cara-de-pau a fetiches sexuais. O projeto inicial era que o vídeo fosse exibido apenas em casas noturnas, mas ele chegou até a TV. A BBC considerou o clipe obsceno e não o exibiu. Já a MTV só concordou em exibi-lo após várias tesouradas.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Várias coisas que você já sabia sobre Boy, estreia do U2

O VÍDEO DE Girls in film foi uma das produções vitoriosas da dupla Kevin Godley & Lol Creme, dois músicos, ex-integrantes do 10cc, que haviam resolvido se dedicar à produção de vídeos e comerciais. Os dois permaneceram dirigindo vídeos ao mesmo tempo em que lançavam discos em dupla, numa linha mais experimental e gozadora do que o próprio 10cc (que já era conhecido por músicas como The worst band in the world).

SIMON LE BON compôs Girls on film para reclamar de um tema que ainda não estava na pauta por aqueles tempos: a objetificação de modelos e atrizes em fotos de moda. O cantor acabou depois reclamando de novo de outra coisa: o vídeo ubersexualizado pôs toda a mensagem da letra a perder. E tá aí o clipe.

ALIAS E A PROPÓSITO, os dois primeiros singles do disco, Planet Earth e Careless memories, tiveram clipes lançados também.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Várias coisas que você já sabia sobre L. A. woman, dos Doors

FORMATOS INOVADORES. O Duran Duran (e a EMI, diga-se) estavam realmente de olho crescido para o mercado de clipes e vídeos. Tanto que a banda e a gravadora decidiram apostar em novos formatos para fazer a banda crescer no mercado. Em 1983, quando já eram uma banda de dois discos lançados, as lojas receberam Duran Duran video album, com tudo o que já havia saído de clipes da banda até então, e mais uma novidade: a banda produziu clipes para faixas que não chegaram a ser lançadas como singles, como Lonely in your nightmare e Night boat. Depois disso, a banda explorou o formato de EP-vídeo (um VHS com pouco tempo de duração e alguns clipes) e até video-single com Dancing on the Valentine e Duran Duran video 45, ambos de 1984.

ESSES LANÇAMENTOS EM VÍDEO eram colocados nas lojas pela PMI (Picture Music International) uma subdivisão da EMI especializada em clipes, que lançou vídeos de Kate Bush, Paul McCartney, Queensryche, Iron Maiden e vários outros do elenco da gravadora. O nome depois foi descontinuado e substituído por Abbey Road Interactive.

NOS ESTADOS UNIDOS, a EMI jogou Duran Duran para o selo Harvest, que era mais useiro e vezeiro de lançamentos de rock progressivo durante os anos 1970, mas que havia tomado novo direcionamento após o sucesso do movimento punk, contratando bandas como Wire. Foi com esse selo que o álbum chegou ao Brasil.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Várias coisas que você já sabia sobre Argybargy, do Squeeze

UMA DIFERENÇA da edição americana para a britânica é que nos EUA a gravadora preferiu a “versão noite” de Planet Earth (a tal nova versão com alguns minutos a mais) e cortou To the shore do LP. Anyone out there e Night boat aparecem na edição dos EUA com títulos alternativos: Is there anyone out there e (Waiting for the) Night boat. No Brasil, mesmo com o selo Harvest, o disco saiu fiel ao original britânico.

FALANDO EM BRASIL, a chegada do Duran Duran no mercado foi anunciada na coluna Música Pop assinada por José Emilio Rondeau, no Jornal do Brasil, em 21 de maio de 1981, na qual a banda foi citada como um dos grupos da onda new romantic. Ou dos chamados blitz kids. Era a turma que frequentava o clube Blitz, em Londres, e da qual saíram nomes cujas carreiras se desenvolveram de maneira bem diferente da do DD, como Boy George, Midge Ure (Ultravox/Visage), Marilyn (cantor, DJ e amigo de Boy George), a turma do Spandau Ballet, Siobhan Fahey (Bananarama) e outros.

ALIÁS E A PROPÓSITO, Anyone out there, que sequer era um single oficial do primeiro álbum, ganhou um levante especial justamente… aqui no Brasil. Foi incluída na trilha da novela global Sétimo sentido, em 1982. Apesar do Duran Duran poucas vezes ser fotografado usando jeans (várias fotos do começo dos anos 1980 mostram a banda usando couro da cabeça aos pés), a Nexus, uma das mais populares fábricas de calças dos anos 1980, fez uma promoção usando a música do grupo: lançou um compacto especial com Anyone no lado B e Planet earth no lado B.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Várias coisas que você já sabia sobre Mellon Collie, dos Smashing Pumpkins

JÁ A EDIÇÃO JAPONESA ORIGINAL de Duran Duran faz a alegria dos colecionadores, por trazer um pôster colorido e instruções (com silhuetas de bonecos) de como dançar “a nova dança new romantic”.

E AÍ, VENDEU? Duran Duran estourou, fez o nome da banda ficar conhecido na Inglaterra, e animou a EMI a tentar fazer a banda estourar nos Estados Unidos. A gravadora pagou um clipe num barco cheio de modelos para o futuro hit Rio e botou a banda em estúdio novamente – para gravar o segundo disco, também chamado Rio (1982).

O DURAN DURAN abraçou a nova fase e emplacou hit atrás de hit na MTV sem medo de ser feliz. “Quando você tem 19 anos e alguém diz: ‘Você quer fazer um vídeo em um iate nas Caraíbas?’ você não diz ‘que tipo de declaração deveríamos estar fazendo aqui?’. Diz algo como: ‘Meninas, barcos, sim, por favor!'”, contou Le Bon. Teve início uma duranmania que seguiu até 1986, com a interrupção momentânea das atividades e a saída de Roger Taylor “por exaustão”. O DD fechou os anos 1980 com influências de música eletrônica no disco Big thing (1988).

HOJE a banda ainda está por aí, e anuncia um disco novo para outubro, Future past. O único integrante da formação original que está distante da banda é Andy Taylor, que saiu brigado do DD em 2006, em meio às gravações de um disco que nunca foi lançado, Reportage. O músico não foi substituído e a banda hoje um quarteto.

Com informações de Diffuser.FM, e do livro No ritmo do prazer, de John Taylor.

>>> Saiba como apoiar o POP FANTASMA aqui. O site é independente e financiado pelos leitores, e dá acesso gratuito a todos os textos e podcasts. Você define a quantia, mas sugerimos R$ 10 por mês.

Cultura Pop

Qual é a do The Coverups, banda de covers de Billie Joe (Green Day) e amigos?

Published

on

The Coverups: Billie Joe recebe Bruce Dickinson (Foto: Reprodução Internet)

Antes de Bruce Dickinson, cantor do Iron Maiden, aparecer de surpresa no palco em Québec, o The Coverups já dava muitos sinais de vida havia anos. O projeto paralelo de Billie Joe Armstrong continua funcionando exatamente como nasceu: como uma desculpa para tocar músicas que seus integrantes amam, sem a pressão de lançar discos ou sair em turnê.

Criado em 2018, o grupo reúne integrantes e colaboradores do Green Day em apresentações pequenas, normalmente em clubes da Califórnia. A formação original contava com Billie Joe Armstrong (voz e guitarra), Mike Dirnt (baixo e voz), Jason White (guitarra), Bill Schneider (baixo) e Chris Dugan (bateria) – Mike e Jason são os únicos que fazem parte também do Green Day, sendo que Jason atua como músico de turnê. Nos últimos anos, porém, Dirnt deixou de participar dos shows, e o The Coverups passou a atuar como quarteto.

O repertório é uma carta de amor ao rock e ao punk. Clássicos de Ramones, David Bowie, The Clash, Cheap Trick, Joan Jett, Tom Petty, Misfits, Nirvana, Rolling Stones e até Strokes costumam aparecer nas apresentações, que muitas vezes são anunciadas poucas horas antes de acontecer. Diferentemente de outros projetos paralelos de Billie Joe, como Foxboro Hot Tubs e The Longshot, o The Coverups nunca teve a intenção de gravar músicas próprias. A proposta é apenas revisitar clássicos em um ambiente intimista, recriando um pouco da atmosfera dos primeiros dias do Green Day nos clubes da região de Berkeley e Oakland.

Mesmo sem lançar um único álbum de estúdio, a banda conquistou um público fiel justamente por isso: oferece a rara oportunidade de ver Billie Joe tocando as músicas que ajudaram a moldar sua formação musical, longe das grandes produções e da rotina de estádios do Green Day.

Nos últimos meses, o The Coverups voltou a fazer apresentações esporádicas na Califórnia, mantendo esse espírito despretensioso. Não havia qualquer indicação de mudanças de rumo, nem anúncios de gravações ou turnês. A maior novidade acabou sendo justamente a participação-surpresa de Bruce Dickinson em um show realizado em Québec. Sem aviso prévio, o vocalista do Iron Maiden subiu ao palco para cantar All the young dudes, clássico do Mott the Hoople escrito por David Bowie, num encontro improvável que reuniu dois dos nomes mais conhecidos do rock em um contexto bastante informal.

Houve uma outra novidade recente, que rolou durante o show da banda no Roxy, na Califórnia, dia 21, uma segunda-feira. Antes de tocar Drain you, clássico do Nirvana (do disco Nevermind, de 1991), Armstrong dedicou a música a Jennifer Finch, baixista do L7, que morreu recentemente. Antes, Adrienne Armstrong, esposa do músico, havia doado US$ 5 mil para uma campanha criada para ajudar a custear o tratamento de Finch.

De qualquer jeito, Bruce fi a primeira participação especial de grande repercussão na história recente do The Coverups e, naturalmente, chamou muito mais atenção do que os próprios shows da banda. Ainda assim, tudo indica que o projeto continuará exatamente como sempre foi: um grupo de amigos reunidos para tocar os discos que mudaram suas vidas, sem maiores pretensões além da diversão.

Ah, sim: importante falar que All the young dudes faz parte do repertório solo de Bruce há bastante tempo. Ele a havia regravado em seu primeiro álbum solo, Tattoed millionaire, de 1990. Na época, teve até clipe da faixa.

Foto: Reprodução Internet

Continue Reading

Cultura Pop

Qual é a dos dois discos novos de Lana Del Rey?

Published

on

Lana Del Rey (Foto: reprodução YouTube)

Lana Del Rey passou tanto tempo adiando e reformulando o próximo álbum que já dava para imaginar que ele nunca chegaria. Primeiro era Lasso. Depois virou The right person will stay. Em seguida apareceu como Stove. Agora a cantora resolveu complicar um pouco mais o roteiro: além de Stove, ela diz que também está preparando um segundo álbum inédito.

A novidade surgiu em uma publicação no Instagram, onde Lana contou que o disco extra nasceu durante o mesmo processo criativo do sucessor de Did you know that there’s a tunnel under Ocean Blvd. Segundo ela, o novo trabalho funciona como uma espécie de “companion album”, desenvolvido quase ao mesmo tempo que Stove.

  • Os bastidores do raro Joy Division – A Malcolm Whitehead Film, que ganha lançamento oficial

A cantora também afirmou que esse segundo disco surgiu das transformações pessoais e criativas que viveu nos últimos quatro anos, funcionando como uma espécie de contraponto ao álbum principal. Se tudo correr como planejado — e essa ressalva é indispensável quando o assunto é cronograma de Lana Del Rey — os dois discos devem ficar prontos em cerca de um mês para seguir para a prensagem em vinil.

Ela também afirmou que ambos já têm capas prontas e descreveu os projetos como algumas das obras de que mais se orgulha. O álbum principal, Stove, continua reunindo os singles Henry, come on, Bluebird e White feather hawk tail deer hunter, além de outras músicas que ela vem mostrando ao vivo nos últimos meses. Tudo indica que First light, single lançado como single da trilha sonora do jogo 007 First Light, escrito em parceria com David Arnold, é só um projeto à parte e não estará no disco.

Embora Lana ainda não tenha confirmado um título para o álbum companheiro, fãs passaram a chamá-lo de Spyda após identificarem esse nome em uma das artes divulgadas pela cantora nas redes sociais (aliás, no Reddit, tem fãs reclamando que a imprensa tá caindo rapidamente numa suposição deles mesmos, os fãs)

Ainda não há datas de lançamento para nenhum dos dois discos. Mas, considerando o histórico recente da cantora, talvez seja prudente evitar tatuar qualquer título no braço até que eles realmente apareçam nas plataformas de streaming. Afinal, se um álbum já mudou de nome três vezes antes de nascer, nada impede que um quarto nome apareça antes do play.

Continue Reading

Cultura Pop

Os bastidores do raro “Joy Division – A Malcolm Whitehead Film”, que ganha lançamento oficial

Published

on

Peter Hook: "Roubamos muito o Kraftwerk"

Falamos na semana passada: tá pra sair a caixa Eternal (Live) contendo praticamente tudo que existe do Joy Division ao vivo. O pacote sai em 25 de setembro e é um box com 16 álbuns ao vivo completos, distribuídos em 14 CDs, além de dois DVDs. Um dos DVDs traz uma edição oficial de Joy Division – A Malcolm Whitehead Film, filme raríssimo da banda, feito em 1979, e que virou uma espécie de “figurinha difícil” do álbum do JD.

Malcolm era o chefe da Ikon/FCL, braço cinematográfico da Factory Records. Para fazer Joy Division, que tem 17 minutos de duração, ele compilou imagens em super-8 feitas durante a gravação da estreia Unknown pleasures (1979), e no show dado no Bowden Vale Youth Club em 4 de março de 1979 – por acaso, foi a primeira vez que um show do grupo foi filmado. Há também uma entrevista com a banda.

Se você fizer uma busca no YouTube, acha apenas trechos desse material, em péssima qualidade de som e imagem – alguns trechos estão com outra trilha sobreposta, ou surgem editados em vídeos feitos por fãs. Joy Division – A Malcolm Whitehead Film foi feito apenas para ser exibido em setembro de 1979 na primeira edição do Factory Flick, no cinema Scala, em Londres.

O Factory Flick foi um evento criado por Malcolm e Tom Wilson, dono do selo. A ideia era apresentar bandas da Factory Records em um formato que misturava cinema experimental, videoclipes, documentário e arte de vanguarda. Era algo muito alinhado ao espírito da Factory, que nunca quis ser apenas uma gravadora – e não foi apenas o Joy Division que ganhou seu curta, já que filmes sobre bandas como A Certain Ratio, Orchestral Manoeuvres in the Dark e The Durutti Column estavam também nos programas do evento. Só que, como o JD virou objeto de culto após a morte de Ian Curtis, o filme deles virou lenda.

Não foi só isso que tornou o filme uma lenda: Whitehead não fez um simples filme-concerto e decidiu dar – por conta própria – dimensões políticas ao Joy Division.

Ele enquadrou o Joy Division como uma resposta ao clima social britânico do fim dos anos 1970, à ascensão do thatcherismo e ao autoritarismo. O filme intercala imagens da banda com entrevistas com um sujeito chamado James Anderton, chefe de polícia da Grande Manchester e tido por artistas, jovens e membros da comunidade gay local como um agente da repressão.

Há também referências ao romance House of dolls, de Yehiel Dinur, que popularizou o termo “joy division” (como referência aos grupos de mulheres judias aprisionadas em campos de concentração, que se prostituíam para soldados nazistas durante a Segunda Guerra Mundial). Já era algo que causava polêmica, mas quanto à visão do JD como resposta ao autoritarismo, muita gente reclama que Whitehead impôs um viés político à banda.

Em 2007, o documentário Joy Division, dirigido por Grant Gee, mostrava a história da banda a partir de entrevistas inéditas e imagens nunca vistas ou bem raras. Malcolm não apenas foi um dos entrevistados como também teve imagens de seu curta incluídas no filme.

A revista Arts & Music fez uma entrevista com Malcolm na época, e descreveu Joy Division – A Malcolm Whitehead Film como um retrato de uma “Manchester perdida”. O site FactoryRecords.org resgatou o papo com Malcolm, feito pelo repórter Jamie Holman. E nós reproduzimos abaixo. Pra entender mais o que está por trás do filme, é importantíssimo.

Como surgiu seu filme? Aconteceu porque eu já era amigo do Rob (Gretton) desde que trabalhávamos no aeroporto e depois quando ele era DJ no Rafters. Eu costumava ir lá assistir bandas e o Rob acabou empresariando uma banda chamada The Panik. Eu estava começando como cineasta na época, autodidata, filmando em 8mm.

E começamos um filme que não deu em nada. O show do The Panik na última noite do Electric Circus. Estava muito escuro e a filmagem ficou péssima. Acabou ficando de lado. Aí o Rob me ligou e disse: “Estou empresariando uma banda nova chamada Warsaw e me perguntou se eu queria ir vê-los no The Factory”.

Fui vê-los no antigo Russell Club e eles foram absolutamente incríveis; me arrepiaram. Quis fazer algo com eles naquele instante. Fui falar com o dono da loja de discos local e contei a ele sobre o clube Bowden Vale em Altrincham, onde eu tinha visto inúmeras bandas em 1963-64, e disse que ele deveria voltar a promover shows.

Mais tarde, apresentei-o ao Rob, que tinha um monte de cópias do primeiro EP da banda que sobraram. Eles estavam sem dinheiro, então venderam tudo para o dono da loja de discos, e ele as colocou para tocar em Bowden Vale. E era isso que eu queria desde o início, sabe? Eu queria filmar a banda. Então, aluguei alguns andaimes e equipamentos e fiz tudo.

Com que equipamento você filmou? Bom, tudo custou setenta e duas libras, o que eu achei um absurdo! (risos) Filmei com uma câmera de cinema Hannimex baratinha, a primeira câmera que tive. Usei um filme da Agfa que lançaram na época, que tinha uma faixa de som, mas vinha num cartucho silencioso e o som era adicionado depois, no projetor. Então filmei sem som e gravei o áudio num gravador de rolo. Era para sincronizar depois, mas não funcionou! Filmei a vinte e quatro quadros por segundo, mas só funcionou a dezoito.

Só descobri depois! Filmei tudo com uma câmera e só tinha dinheiro para três cartuchos. Cerca de nove minutos. Filmei duas músicas e meia de uma vez e depois fiz cortes, tentando não incluir instrumentos para poder inseri-los como cenas adicionais sobre o que já tinha filmado. Então, fiquei com os três cartuchos e uma fita de rolo com o show inteiro. Eu já tinha começado as outras partes do filme antes do show.

Isso é a parte técnica da atuação. Mas qual é o significado do filme como um todo? O que você estava tentando fazer? Começa com New dawn fades. Você sabe, essa é a música que está tocando, e ela simboliza esse novo amanhecer do fascismo com James Anderton, o chefe de polícia de Manchester na época. Ele foi um precursor de Thatcher, pois era de extrema-direita, religioso e queria reprimir os jovens.

Então o filme passa de “O Desvanecimento de uma Nova Aurora” para o tema nazista. Mas não era uma nova aurora, era um retorno ao passado. Ouvimos discursos de Adolf Hitler misturados com Anderton falando sobre campos de trabalho forçado em uma entrevista que ele deu a Tony Wilson, curiosamente (o criador da Factory era apresentador de talk shows na TV). Ele dizia coisas como: “Eles serão obrigados a trabalhar como nunca trabalharam antes”, e isso leva a uma montagem de anúncios e cenas de ruas do centro de Manchester. Este é o consumismo – o novo fascismo! Nesse ponto, era algo local, mas dava a sensação de que algo muito ruim estava acontecendo e que se tornaria maior.

Então você tem essa coisa de lei e ordem, esse fascismo corporativo, e aí eu corto para a banda na sala de ensaio. Parece ótimo, bem underground. Sabe, underground no sentido político, tipo a resistência francesa. Mas esse era um underground cultural. Eles eram a resistência contra tudo isso lá fora.

O que era que havia de tão especial no Joy Division? Eles eram simplesmente poderosos demais. Eu sabia que eles iam bombar. Não havia motivo para pensar isso, na verdade, só tinha umas dez pessoas no Factory Club. Eu não conseguia acreditar. Eu simplesmente sabia que aquilo era a nova onda. Era isso. Eles eram muito mais do que o punk tinha se tornado, que basicamente era só uma banda para substituir as bandas de pub rock. Aquilo era algo maior e artisticamente mais significativo do que o punk. Pelo menos para mim.

O que aconteceu com o filme quando foi editado e sincronizado? Foi exibido pela primeira vez no antigo cinema Scala, em Londres – um cinema de verdade!

Qual foi a reação a isso? Bem, eles fizeram três exibições ao longo de um dia, e todas estavam lotadas; houve aplausos e tudo mais, o que foi estranho, já que eu nunca tinha exibido um filme em público. Foi realmente emocionante.

Onde mais foi exibido? Bem, um cara me ligou de Berlim e, honestamente, eu era tão inocente na época que mandei o filme para ele. Não dava para fazer cópias decentes. Então ele foi para Berlim, e tinha gente fazendo fila na porta para assistir. Eles exibiram e exibiram, sabe-se lá quantas vezes. Por sorte, eu tinha coberto o filme com preservativo e antirrisco. Tinha umas perfurações amassadas quando recebi de volta, mas não era nada demais. Na verdade, não causou problemas de verdade até bem recentemente, quando restaurei o filme com Brian Nicholson (associado de longa data da Ikon, ‘confidente e cúmplice’; ‘guardião do que alguns chamam de arquivo’).

Há alguma filmagem ou trilha sonora que não entrou no filme? Tem o áudio completo do show, exceto New dawn fades, porque eu estava ajustando os níveis naquele momento. Também tem uma tentativa de entrevista que deu errado porque eles não queriam falar! Então eu gravei essa parte, já que o filme era muito caro e não dá para desperdiçar. Tem também uns trinta minutos de áudio da sala de ensaio. Eu também entrevistei o Rob no meu apartamento. Essa entrevista está em uma fita cassete, acho que tem trinta minutos.

A banda viu isso? O Ian adorou; o resto da banda não entendeu muito bem. Eles desceram para falar com um amigo meu, mas o Ian ficou e depois disse que tinha entendido e achado ótimo, e isso significou muito, já que era o Ian que eu queria para dar o aval. Quando foi transferido para vídeo, nós o exibimos algumas vezes em shows — A Certain Ratio — e a primeira versão, que é uma porcaria, é o bootleg que você vê na internet. É realmente uma porcaria, essa cópia, e só tem a performance do Joy Division.

Por que nunca foi lançado pela Factory ou pela Ikon? Por que não está na Here are the young men? (coletânea de vídeos do grupo). Bem, este era o meu filme. Não era um filme do Joy Division nesse sentido. Era o meu filme e eu nunca pensei que estivesse terminado; ele seria muito mais longo. E havia um problema com a questão nazista. A banda estava farta disso, e eu não ia tirar. Significava algo. Eles estavam cansados ​​de serem associados ao fascismo. Mas eles não eram, sabe? O nome sugere o que eles realmente eram: antifascistas. E então o assunto não foi discutido por mais de vinte anos.

Então, quem é o proprietário agora? A Cherry Red Records comprou. Quer dizer, não me importa quem seja o dono, eu só queria que fosse restaurado corretamente.

Quem o restaurou? Eu e Brian Nicholson. Eu e Brian trabalhamos juntos como uma parceria cinematográfica há vinte e seis anos. Ele restaurou e transferiu o filme para a emissora Granada, e eu o reeditei e o estendi para incluir três músicas completas.

Você algum dia vai se livrar do Joy Division e seguir em frente? Bem, senti essa responsabilidade ao longo dos anos e espero poder passar todo o resto adiante. E com o lançamento do novo documentário, pelo menos sei que parte dele finalmente está sendo visto e que existe uma cópia remasterizada decente por aí.

Continue Reading

Acompanhe pos RSS

Lydia Lunch e The Art Gray Noizz Quintet releem Magazine e Iggy Pop em modo destruição
Urgente8 horas ago

Lydia Lunch e The Art Gray Noizz Quintet releem Magazine e Iggy Pop em modo destruição

Punk de NYC, The Underbites prepara disco sobre um mundo fora de controle
Urgente8 horas ago

Punk de NYC, The Underbites prepara disco sobre um mundo fora de controle

Until They Burn Me (Foto: Divulgação)
Urgente8 horas ago

Until They Burn Me: skate punk e histórias de sobrevivência em “Addict”

Charm Offensive (Foto: Divulgação)
Urgente8 horas ago

Charm Offensive encara a solidão moderna com humor ácido em “Apathy”

The Days Away transforma obsessão em pós-punk ensolarado
Urgente8 horas ago

The Days Away transforma obsessão em pós-punk ensolarado

Baú de David Bowie libera as gravações dele em 1965 (com Jimmy Page na guitarra)
Urgente2 dias ago

“Today”: sai mais um single de David Bowie nos anos 1960

Juliano Costa transforma fim de namoro em clipe de stop motion
Urgente2 dias ago

Juliano Costa transforma fim de namoro em clipe de stop motion

Supercombo - Foto: Jorge Daux / Divulgação
Urgente2 dias ago

Supercombo junta dois clipes do álbum “Caranguejo” em um só filme

“Tamanho de um rei”: OHomemSó canta a paternidade em clima folk
Urgente2 dias ago

“Tamanho de um rei”: OHomemSó canta a paternidade em clima folk

Teenage Fanclub (Foto: Donald Milne / Divulgação)
Urgente2 dias ago

Teenage Fanclub encontra esperança na melancólica “There was you”

Wolf Alice resgata três B-sides de "The clearing" em single (físico e digital)
Urgente2 dias ago

Wolf Alice resgata três B-sides de “The clearing” em single (físico e digital)

Pré/Sal - Foto: Amanda Peron / Divulgação
Urgente2 dias ago

Pré/Sal fala de carinho e reciprocidade em “Pareidolia”

Libby Ember (Foto: Divulgação)
Urgente2 dias ago

“Pool life”: Libby Ember canta sobre a “vida de piscina” dos vizinhos

Balu Brigada - André Figueiredo / Divulgação
Urgente3 dias ago

Balu Brigada ensina a trocar o sono por um sonho (!) em “BedHead”

Videoclipe-se Festival terá mostra competitiva e oficinas gratuitas em BH
Urgente3 dias ago

Videoclipe-se Festival terá mostra competitiva e oficinas gratuitas em BH

Frame do clipe de O mais sincero, do Vanguart
Urgente3 dias ago

Vanguart mergulha na Nouvelle Vague em novo clipe

Azú - Foto: Alicia Abe / Divulgação
Urgente3 dias ago

Ouvimos antes: Azú – “Por fora”

Guandu mostra seu lado romântico e ensolarado em “Véspera”
Urgente3 dias ago

Guandu mostra seu lado romântico e ensolarado em “Véspera”