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Cultura Pop

Quando o Sonic Youth gravou Beach Boys

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Quando o Sonic Youth gravou Beach Boys

Lembra quando o Sonic Youth regravou I know there’s an answer, dos Beach Boys? Vamos por partes. Segunda canção do lado B do clássico Pet sounds, disco de 1966 do grupo americano, essa música surgiu na história dos Beach Boys com BASTANTE drama, choro e ranger de dentes. Por sinal, como costumava acontecer no dia a dia do grupo nessa época.

Em primeiro lugar, o nome da música – parceria entre Brian Wilson, Terry Sachen e um não-creditado Mike Love – era originalmente Hang on to your ego. Brian, que andava envolvidíssimo com LSD e substâncias psicodélicas em geral, queria compor uma canção sobre pessoas que ficam perdidas em suas viagens e perdem o contato com o mundo.

Inicialmente, Brian pensava em algo como uma pessoa apegando-se a seu ego, mas “sabendo que iria perder a luta”. Mike Love, seu eterno algoz na banda, detestava drogas. Portanto, não curtia a guinada psicodélica da banda e não gostou nem pouco daquele papo brabo de “se livrar do ego”. E em seguida, sugeriu mudanças na letra. Al Jardine, outro beach boy, reclamou em entrevistas que nem sabia o que queria dizer “ego” ou conhecia a palavra.

Vendo que já estava dando muita merda, Brian alterou a letra, que passou a ser I know there’s an answer. No fim das contas, perdeu aquele papo sobre despersonalização e perda do ego que aborreceu Love. Mas Hang on to your ego chegou a ser gravada pelos Beach Boys e reapareceu na primeira versão CD de Pet sounds, de 1990.

Já Brian se vingou das críticas de Love não lhe dando crédito nenhum na música. O nome do colega só apareceu na composição nos anos 1990. Aliás, só depois que Love foi aos tribunais e processou Brian.

E o Sonic Youth com isso? Enfim já bem mais próximo do mainstream (e recém-contratado da Geffen) o Sonic Youth foi procurado em 1990 por um selo chamado De Milo Records. A gravadora estava preparando um tributo a Brian Wilson e aos Beach Boys chamado Smiles, vibes & harmony: A tribute to Brian Wilson e queria o SY lá de qualquer jeito.

O Sonic Youth tinha enchido I know there’s an answer de barulho durante as gravações das demos do disco Goo (1990) e a música foi parar na compilação. Durante a gravação, o SY contou com a ajuda de uns amigos. J. Mascis (Dinosaur Jr) tocou pandeiro e cantou. O produtor e amigo Don Fleming ajudou nos vocais.

O detalhe é que o Sonic Youth vinha justamente lendo sobre os Beach Boys e sabia da existência de Hang on to your ego, que naquele momento ainda não havia sido lançada. E queria porque queria gravar a letra original. Mas a gravadora achou mais prudente seguir o combinado. “Naquela época, se algo não fosse divulgado e protegido por direitos autorais, havia uma dúvida sobre se você poderia gravar”, contou Thurston Moore, dos Beach Boys.

E pega aí o Sonic Youth cantando I know there’s an answer, e conseguindo soar como um Jesus & Mary Chain sessentista. Se é que é possível.

Ah, sim: finalmente em 1993, Frank Black gravou Hang on to your ego.

Via Far Out. E via Sonic Youth. 

Veja também no POP FANTASMA:
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Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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