Cultura Pop
Por trás do som dos Talking Heads em 1979

Se você achava que os Talking Heads fossem uma ilha de tranquilidade indie, com quatro amigos trabalhando juntos, pode esquecer. Nenhuma banda liderada por um sujeito tão centralizador quanto David Byrne poderia ser essa felicidade toda. O livro de memórias Remain in love, do baterista Chris Frantz, acaba de sair e revela que as coisas ali eram bem mais complicadas do que parecia.
Byrne, diz o músico, brigou desde o começo para ser o único a compor na banda. Certa vez, antes de um show, insistiu para os três colegas usarem cores suaves no palco. Em seguida, surpreendentemente, apareceu com “o maior terno branco que alguém já tinha visto”, ganhando maior destaque do que todo mundo. Não apenas isso: em 1979, quando a banda tinha acabado de lançar seu terceiro disco, Fear of music, rolou uma quase separação.
TALKING HEADS, “FEAR OF MUSIC”
Segundo Frantz, o vocalista, animado com os trabalhos que vinha fazendo sozinho, deixou a banda. Foi trabalhar como produtor e desenvolver projetos ao lado de Brian Eno. Nessa época, o baterista e a mulher, a baixista Tina Weymouth, começaram ficar entediados com o controle de Byrne e pensaram em sair da banda. Só que Byrne voltou, Eno (após uma resistência inicial) retornou à produção dos Talking Heads. E em seguida sairia o quarto disco da banda, Remain in light (1980). Finalmente, com créditos para todos os integrantes – além do produtor Brian Eno – nas composições.
Em 23 de dezembro de 1979, pouco antes dessa merda toda estourar, os Talking Heads foram flagrados pelo The South Bank Show, da emissora britânica ITV, preparando justamente Fear of music. A banda estava fazendo algumas gravações e ensaios no loft do casal Chris e Tina em Long Island. Frantz abre o papo avisando que sua vida é super normal fora da estrada. Ele acorda cedo, trabalha bastante e evita ficar indo a clubes todas as noites. Ademais, fala que a vida suburbana é algo que todo norte-americano conhece bem (enfim, o contraste entre a vida “normal” e aquele “algo mais” aparece em várias letras da banda).

Byrne, sem nem conseguir olhar para a câmera, começa a dizer que se vê como “uma pessoa moral. Acredito em vários desses clichês moralistas, do tipo ‘dois errados não fazem um certo’, ‘não existe almoço grátis’, ‘se você faz o mal, ele volta para você’, e essas coisas estúpidas”, contou.
Jerry Harrison, guitarrista, recorda o tempo em que tocou em bandas na universidade. Por sinal, uma delas foram os Modern Lovers, que ele não cita. E diz que já pensou em desistir da música.
Modern Lovers, “Roadrunner”
Já Tina recorda que o nome “Talking Heads” surgiu quando um amigo mexia num guia de TV e leu a expressão lá. “Para nós o importante é que é um nome que não remete a nenhum tipo de música conhecido, como heavy metal ou rock and roll”, conta. Por acaso, nenhum dos integrantes parece muito à vontade na frente das câmeras.
O fato dos Talking Heads virem com uma receita sonora bem mais cerebral do que o normal do rock também aparecia nas entrevistas dos integrantes. Assim sendo, Frantz diz que sentia às vezes que o som da banda era rock, mas que “não tinha nada a ver com Elvis Presley, Chuck Berry ou até mesmo com Bruce Springsteen”. Isso, de certa forma, era uma questão para quase toda a turma do pós-punk e da no wave.
Pega aí o vídeo.
Veja também no POP FANTASMA:
– Quando os Talking Heads apareceram numa revista de mulher pelada
– Mesopotamia: quando B-52’s e David Byrne trabalharam juntos (só que deu merda)
– Quando lançaram um disco ao vivo no CBGB’s sem Ramones, Blondie, Talking Heads…
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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