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E saiu também o single “roqueiro” de Charli XCX, “Rock music” – você gostou?

Tom Taylor, da Far Out Magazine, detestou o single novo de Charli XCX e demoliu a música sem dó nem piedade num artigo publicado no site: “Ela soa como uma propaganda. É música reduzida a “produto” e slogans, como bem demonstra o verso: ‘Acho que a pista de dança está morta, então agora estamos fazendo música roooo-ck’. É tão brega e falso que se assemelha mais à cultura dos memes da internet do que à arte. Talvez esse seja o ponto trágico?”.
Enfim: tire suas próprias conclusões ouvindo a música e vendo o clipe. Rock music surge adiantando o próximo projeto de Charli, que é um disco de rock. Num papo com a Vogue, há algumas semanas, ela disse: “acho que a pista de dança está morta, então agora estamos fazendo rock”. Os produtores AG Cook, Finn Keane e George Daniel já descreveram o próximo álbum como “anti-Brat“, e Charli disse que explorou “muita coisa com cordas”, além dos elementos de rock.
Charli também revelou à revista que o disco que está vindo aí surgiu de uma temporada em Paris (“sabíamos que seria um período muito agitado e intenso, e gostamos de criar nesse tipo de atmosfera”) e da ideia de não se repetir. “Se eu tivesse feito outro álbum com uma pegada mais dançante, teria sido muito difícil, muito triste. O que me interessa é expandir as possibilidades da minha perspectiva sobre isso”, contou.
Rock music tem 1min e 55s, e chama a atenção por ser basicamente uma tentativa de punk rock – aliás, de eletropunk, já que tem elementos eletrônicos ali, inclusive o uso do famigerado autotune. A música é boa, mas digamos que o projeto como um todo parece mais um cosplay de roqueiro. No próprio clipe, Charli aparece fumando na janela de um prédio, e em seguida joga uma televisão da janela – igualzinho a uma cena do filme Cocksucker blues, de Robert Frank, documentário sem filtro nenhum sobre a turnê dos Rolling Stones de 1972. Depois ela dá uns malhos num sujeito, sai pela rua, se mete numa roda punk, anda de limusine e posa diante de um pinheiro feito de bitucas de cigarro (!), entre outros detalhes.
Aparentemente, os fãs estão entre gostar muito, não achar lá grande coisa e fingir que amaram: houve gente dizendo que Charli estaria inaugurando uma espécie de “hyper-rock”. Mas aí só vendo – o próximo disco, até o momento, não tem título nem data.
Foto: Reprodução YouTube
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Elephant Run solta seu monstro interior em “Little monster”

RESUMO: Em Little monster, a banda sueco-brasileira Elephant Run explora impulsos reprimidos em single teatral com clipe de terror que antecipa o álbum Infrared.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Rodrigo Erib / Divulgação
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O pequeno monstro do Elephant Run está cansado de ficar preso dentro de alguém que considera comportado demais. Em Little monster, single da banda sueco-brasileira, é ele quem assume a voz e reclama da pessoa que o mantém escondido. Impulsivo, desinibido e pouco interessado nas regras da convivência, o personagem conduz uma música de origem teatral, que antecipa Infrared, álbum previsto para 2027 pelo selo +um HITS.
A ideia vem de uma composição antiga de Amanda Wahlström Plantin, vocalista e pianista do grupo. Ela tinha vinte e poucos anos quando começou a trabalhar na faixa, então mais próxima do cabaré e inspirada por The trial, aquela orquestral última faixa do disco duplo The wall, do Pink Floyd (1979). Nos ensaios, a música ganhou outros arranjos e uma nova letra. O humor caricato deu lugar a um incômodo mais pessoal: o que fazer com esse lado da gente que quer sair e não liga pra convenções sociais?
“A música de hoje é completamente diferente daquela versão antiga. O que ficou foi a ideia de um ‘little monster’ dentro da gente, que tentamos controlar ou manter escondido, mas que quer sair. Na versão nova, o monstro acabou virando um personagem, um lado mais impulsivo, desinibido, meio vulgar e pouco preocupado em se comportar. Ele é o protagonista e é ele quem conta a história. Está preso dentro de uma pessoa que considera chata e contida demais e passa boa parte da música reclamando disso”, conta Amanda.
Little monster é o segundo single do próximo disco. Além de Amanda, o Elephant Run reúne Fernando Coelho (guitarra e sintetizadores), Ladislau Kardos (bateria) e Renato Cortez (baixo). A banda levou o personagem para um clipe dirigido por Fábio Knoll e pelo próprio grupo, filmado no teatro Arka dos Anjos, em São Paulo.
Amanda interpreta uma criatura cuja mordida transforma humanos em monstros. As referências incluem A maldição da besta, de Paul Naschy, e Um lobisomem americano em Londres, de John Landis, num cenário gótico que aproveita o gosto da banda pelo cinema. Amanda e Ladislau também são atores, e ajudaram os colegas a entrar na brincadeira. Outras ideias surgiram nas conversas durante a filmagem.
Fernando, o guitarrista do grupo, idealizou e produziu o vídeo e assina a colagem da capa. O vermelho acompanha o que ele define como uma música quente, enquanto os pássaros representam entidades brasileiras protegendo a personagem de um olhar externo.
Confira abaixo a capa e o clipe de Little monster.
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Solarski estreia com pós-punk tenso e crítica às guerras em “Do you need a riot?”

RESUMO: O trio belga Solarski estreia com Do you need a riot?, single de pós-punk tenso e guitarras cortantes que critica guerras, interesses econômicos e manipulação.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Shoot Me Again Webzine
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“Não nos ponha numa caixinha. Somos o Solarski”. É assim que o trio belga Solarski se apresenta, deixando claro que não está muito interessado em rótulos. Mas dá para começar pelo pós-punk, que aparece com bastante força no single Do you need a riot?, primeiro single da banda, formada na região de Namur, na Bélgica. O som é tenso, nervoso, com baixo pulsante, bateria insistente, guitarras cortantes e um vocal áspero, quase sempre no limite entre cantar e gritar.
O Solarski é formado por três músicos experientes, que dividem baixo, guitarra e bateria. Os integrantes já passaram por palcos importantes da Bélgica, como o Cirque Royal, o Botanique e o festival Dour, em projetos anteriores. Agora, apostam num som que mistura pós-punk e indie rock, mas com uma urgência que lembra mais uma banda tocando à beira de um ataque de nervos. Há pouco espaço para descanso: a música avança com uma tensão quase permanente, sustentada por uma cozinha pesada e guitarras que parecem querer aumentar ainda mais a pressão.
E o assunto não é dos mais tranquilos. Do you need a riot? (“Você precisa de uma revolta?”) fala de um mundo em que guerras e conflitos parecem cada vez menos ligados a ideais e cada vez mais aos interesses de quem controla petróleo, dinheiro e recursos naturais. A letra mistura referências a guerras econômicas e religiosas, manipulação de informações e uma ordem mundial que parece ter perdido qualquer regra. No refrão, a banda repete uma frase simples, quase como palavra de ordem: “Não precisamos de guerra”.
“Queríamos escrever uma música que não dissesse às pessoas o que pensar, mas que as obrigasse a perguntar quem tem interesse em ver o mundo pegar fogo”, explica o trio.
Gravada, mixada e masterizada pelos próprios integrantes, Do you need a riot? é a primeira amostra do álbum de estreia do Solarski, ainda sem data anunciada. A banda prefere não ser colocada numa caixinha, mas já dá para perceber que o pós-punk é sua arma para falar de um mundo que anda difícil de engolir.
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Smile: poesia falada e desespero punk em “Gotta run”

RESUMO: Em Gotta run, o Smile mistura punk, pós-punk e poesia falada numa música sobre traumas e sobrevivência. Single antecipa o álbum Gun-shy, de 2027.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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O Smile tem uma vocalista que diz preferir “entoar suas histórias poéticas, repletas de reflexões pessoais” em vez de simplesmente cantar. Mas é bom não se acostumar: no single Gotta run, Rubee True Fegan começa com uma voz blasé, quase falada, e depois solta o desespero. A banda acompanha com um som elegante e ruidoso, mais punk do que pós-punk (embora definam-se como pós-punk), até mudar de assunto no meio da música. Ou melhor: mudar a maneira de tratar o mesmo incômodo.
Formado por amigos durante a pandemia, o grupo reúne músicos dos Estados Unidos e da Alemanha, hoje espalhados por Amsterdã, Berlim e Colônia. Rubee, também artista performática, põe histórias e reflexões pessoais em letras que nem sempre precisam de uma melodia para funcionar. O EP I hate it here (2022) e o álbum Price of progress (2023) apresentaram esse encontro de poesia falada, guitarras e vontade de experimentar.
Gotta run antecipa Gun-shy, segundo álbum, que sai em 22 de janeiro de 2027 pela Siluh Records. A faixa começa correndo, com bateria rápida e uma urgência que combina com o título. Depois desacelera e vira quase outra música, mais arrastada e cheia de tensão. Rubee levanta a voz, e aquela aparente indiferença do começo vai para o espaço. A fuga ganha um peso que a velocidade inicial ainda permitia disfarçar.
A letra trata do que um sistema violento ensina ao corpo, inclusive depois que a pessoa consegue escapar. Sair de um lugar não resolve automaticamente o que ele fez com você: sobram reflexos de defesa, medos e hábitos que acabam entrando nas relações amorosas e familiares. Dá para desaprender o que foi necessário para sobreviver?
No clipe, Rubee circula por Albuquerque, sua cidade natal (no Novo México), vestida de poodle rosa. A figura absurda atravessa uma paisagem marcada por desigualdade, carros e ruas, com imagens de câmera de mão. O disco foi gravado com Olaf Opal em Colônia, aproveitando demos feitas também em Albuquerque e preservando algumas primeiras tomada. Tudo com uma boa dose de aspereza.
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