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Alex James (Blur): “’Pet sounds’, dos Beach Boys, é uma merda!”

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Alex James, baixista do Blur - Foto: Wikimedia Commons (Σπάρτακος)

Qualquer país faz rock, mas digamos que só o rock britânico é especialista em provocar aquela sensação de um eita! atrás do outro. Depois de Liam Gallagher sentar a mamona no Suede e no Manic Street Preachers, que começaram uma turnê juntos, Alex James, baixista do Blur, decidiu sair do seu sossego e deu uma entrevista ao periódico The Times em que, entre outras coisas, mexeu com uma vaca mais do que sagrada do rock: classificou Pet sounds (1966), obra-prima dos Beach Boys, como “uma merda”.

Esse papo brabo surgiu num bate-bola que o jornal fez com o músico – uma seleção de perguntas-e-respostas rápidas como a que Marilia Gabriela fazia sempre no fim do programa de entrevistas dela (encerrando invariavelmente com um “fulano / fulana por fulano / fulana” que rendia mil constrangimentos). Ao ser perguntado sobre o que ele achava superestimado, ele respondeu que “Pet sounds é um álbum de merda”, sem dar mais detalhes sobre o assunto – e aproveitou para falar que as pessoas dão valor demais ao festival de Glastonbury.

“Eu simplesmente não gosto do tratamento hagiográfico que a BBC dá ao festival. Parece que é o único festival do mundo”, disse ele, que ao ser perguntado sobre o que acha subestimado, ofereceu um contraponto a Glastonbury. “O Roskilde. É um festival que acontece no mesmo fim de semana que Glastonbury, na Dinamarca”, conta ele.

“Glastonbury é uma farra sangrenta com drogas. Roskilde tem comida incrível porque é Dinamarca, é simplesmente muito civilizado e os banheiros são bons (nota do editor: bom, esse ponto aí é MUITO importante…). É um evento maravilhoso, mágico, um conto de fadas de Hans Christian Andersen”, diz.

Alex fez algumas revelações importantes: adora vídeos de matemática no YouTube, gosta de ler e de ouvir audiolivros (“meu pai morreu durante o confinamento e eu estava no quarto do hospital ouvindo A ilha do tesouro, de Robert Louis Stevenson em audiolivro, ele morreu quando Jim acabava de recapturar a Hispaniola dos piratas”, recorda), assiste ao filme A noviça rebelde todo Natal e lembra de ter levado um esporro na escola aos 15 anos por gostar de Wham! e de The Smiths (!).

O Natal, aliás, é cinematográfico no lar dos James: Alex obriga os cinco filhos a assistir Spinal tap na data – e jura que ele e os pimpolhos riram muito vendo o Spinal tap II. Ele também anda treinando outros instrumentos musicais: comprou um oboé há dois anos, e está aprendendo violoncelo. Aliás, tem praticado muito um instrumento importante no rock britânico: os shakers (que dependendo do tipo, podem ser as boas e velhas maracas, como as que Liam Gallagher vinha usando nos shows de “volta” do Oasis). “Os grooves de muitos discos de música eletrônica incríveis dependem dele”, conta.

O papo dele com o The Times tá todo aqui, mas tem paywall. A Far Out fez um resumão.

Foto: Wikimedia Commons (Σπάρτακος)

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Lucia Vulcano lança “Animal”, punk rock sobre “retornar ao primitivo”

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RESUMO: Lucia Vulcano antecipa o álbum Chucra e sensível com Animal, faixa que mistura grunge, punk, riffs pesados e ironia para falar da vontade de escapar do trabalho, da exploração e das regras sociais.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Francielle Cota / Divulgação

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Não é por nada, não, mas se você amou a estreia da mineira Lucia Vulcano, Vim, vi e me fudi (2024), parece que vem um disco tão sarcástico e raivoso por aí. Em breve vem o álbum Chucra e sensível, já adiantado pelo single Animal, punk berrado em que Lucia fala “sobre a vontade de largar a civilidade e retornar ao primitivo, onde as coisas são mais fáceis e divertidas – e não existe trabalho, exploração e etc”.

A letra retoma um pouco do discurso de faixas do álbum anterior, como C.A.N.S.A.D.A e Ninguém manda em mim – ou seja: total aporrinhação com as regras do sistema e do capitalismo, além dos padrões cagados do mundo. Musicalmente, Lucia tem como referências Soundgarden, Black Sabbath, Alice in Chains, Hole e L7, misturadas a nomes contemporâneos como Trash No Star, Gritando HC, The Mönic, Roberta de Razão, MC Taya e Eskrota.

E a ideia é sempre juntar peso e ironia, na mesma proporção. “Acho que meu trabalho tem muita honestidade, crueza e sensibilidade também”, conta ela, que segue uma espécie de uniformidade “sensível” nas capas dos discos: Vim, vi e me fudi traz a foto de dois gatos, o single de Ninguém manda em mim tem Lucia à frente de um carrossel – e no de Animal, ela “contracena” com um ursão de pelúcia.

“Na parte musical, tem muita coisa interessante pois gosto muito de tempos quebrados, tem muitos compassos ímpares e mudanças de compasso durante as música. Gosto de pensar que é uma mistura de grunge e punk pois, às vezes, musicalmente, é muito grunge, mas com letras voltadas para o punk – e ainda tem músicas que tem a simplicidade do punk, com poucos acordes”, diz.

Animal, continua ela, “é uma continuação do meu estilo de ter riffs bem definidos e partes melódicas para contrastar, com bastante guitarra, barulhos, baixo melódico e uma bateria com quase um riff também”.

Olha Animal aí.

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Elephant Run procura desejos escondidos no single “Laser fields”

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Elephant Run - Foto: Rodrigo Erib / Divulgação

RESUMO: A banda sueco-brasileira Elephant Run apresenta Laser fields, primeiro single de Infrared, álbum que explora emoções, memórias e desejos escondidos além do que conseguimos perceber imediatamente.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Rodrigo Erib / Divulgação

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A banda sueco-brasileira Elephant Run apresenta Laser fields, primeiro single de seu próximo álbum, Infrared. A faixa abre o caminho para um disco que, segundo a vocalista e pianista Amanda Wahlström Plantin, parte da ideia de investigar tudo aquilo que existe além do que conseguimos perceber imediatamente: emoções, memórias, forças, motivações e o próprio tempo.

Musicalmente, Laser fields aposta em um groove que lembra bastante bandas como New Order e The Cure, com baixo conduzindo a canção, e uma guitarra mais dançante. A música foi gravada no Mato Records, estúdio mantido pelo baixista Renato Cortez, e reúne Amanda, Fernando Coelho (guitarra e synths), Ladislau Kardos (bateria) e o próprio Cortez.

A letra trata da busca por aquilo que está fora do “espectro visível”, tanto no sentido literal quanto como metáfora para desejos e inquietações pessoais. “A música fala sobre o que acontece quando deixamos de nos satisfazer com aquilo que já conseguimos ver e passamos a buscar o que está além do espectro visível”, explica Amanda. Para ela, essa procura pode levar tanto à descoberta quanto à obsessão.

A cantora também prefere não fechar a música em uma única interpretação. “Eu gosto quando as canções ganham vida própria. Se alguém ouvir Laser fields e enxergar algo completamente diferente do que eu, isso significa que a música cumpriu o seu papel”, afirma.

O single chega acompanhado de um videoclipe dirigido por Carlos Zalasik, diretor de fotografia de filmes e séries. A ideia foi registrar a banda tocando ao vivo em um cenário dominado por um canhão de laser. A fotografia trabalha com enquadramentos próximos, cores e uma edição dinâmica, acompanhando o ritmo da música.

A capa também foi pensada a partir do conceito da faixa. Criada por Fernando Coelho, a colagem combina referências do universo da Elephant Run, como as montanhas de Minas Gerais, equipamentos analógicos e uma coruja que estabelece uma ligação visual com Leftover land, álbum lançado pela banda em 2024. E abaixo você ouve/vê Laser fields e confere a capa do single.

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Leo Santi transforma detalhes do cotidiano em música brasileira em “Cores no jardim”

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Leo Santi (Foto: Matheus Bonafé / Divulgação)

RESUMO: O músico e produtor de Taubaté (SP) Leo Santi apresenta Cores no jardim, primeiro single de Mormaço da gente, álbum de estreia que cruza ritmos brasileiros e lembranças das paisagens do Vale do Paraíba e São Paulo.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Matheus Bonafé / Divulgação

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Cores no jardim é a primeira amostra de Mormaço da gente, álbum de estreia do músico e produtor Leo Santi, de Taubaté (SP), que será lançado em parceria com o selo Ajabu! Records. A faixa abre o caminho para o disco, previsto para novembro de 2026.

A música parte de uma ideia simples: prestar atenção no que está por perto. Em vez de procurar inspiração em algum lugar distante, Cores no jardim encontra nos detalhes do cotidiano uma maneira de transformar um dia comum em matéria para uma canção. Como resume Santi: “As cores no jardim são os detalhes do dia a dia que, quando você para pra pensar, transformam dias comuns em algo que vale a pena cantar”.

Musicalmente, a faixa combina violão e vozes em camadas com um groove leve, dentro da sonoridade que atravessa Mormaço da gente. O álbum trabalha com ritmos e referências da música brasileira a partir de uma abordagem contemporânea, aproximando paisagens distintas — das praias de Ubatuba ao ambiente urbano de São Paulo.

Cores no jardim é o primeiro de dois singles que antecipam o disco. Em outubro, Leo Santi lança Samba da pedra; em novembro, chega Mormaço da gente completo.

O álbum foi construído com músicos que já são parceiros de Santi em outros projetos. A mixagem e a masterização ficaram a cargo de Vitor Hirtsch. As gravações aconteceram nos estúdios Movido, Kina, Havok Lab, André Cortada e Bangue Estúdio.

Para Santi, Cores no jardim funciona como uma espécie de porta de entrada para o álbum: uma canção sobre perceber as coisas pequenas antes que elas passem despercebidas. A partir daí, Mormaço da gente amplia essa investigação pela música brasileira e pelas paisagens que fazem parte do universo do artista.

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