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Alex James (Blur): “’Pet sounds’, dos Beach Boys, é uma merda!”

Qualquer país faz rock, mas digamos que só o rock britânico é especialista em provocar aquela sensação de um eita! atrás do outro. Depois de Liam Gallagher sentar a mamona no Suede e no Manic Street Preachers, que começaram uma turnê juntos, Alex James, baixista do Blur, decidiu sair do seu sossego e deu uma entrevista ao periódico The Times em que, entre outras coisas, mexeu com uma vaca mais do que sagrada do rock: classificou Pet sounds (1966), obra-prima dos Beach Boys, como “uma merda”.
Esse papo brabo surgiu num bate-bola que o jornal fez com o músico – uma seleção de perguntas-e-respostas rápidas como a que Marilia Gabriela fazia sempre no fim do programa de entrevistas dela (encerrando invariavelmente com um “fulano / fulana por fulano / fulana” que rendia mil constrangimentos). Ao ser perguntado sobre o que ele achava superestimado, ele respondeu que “Pet sounds é um álbum de merda”, sem dar mais detalhes sobre o assunto – e aproveitou para falar que as pessoas dão valor demais ao festival de Glastonbury.
“Eu simplesmente não gosto do tratamento hagiográfico que a BBC dá ao festival. Parece que é o único festival do mundo”, disse ele, que ao ser perguntado sobre o que acha subestimado, ofereceu um contraponto a Glastonbury. “O Roskilde. É um festival que acontece no mesmo fim de semana que Glastonbury, na Dinamarca”, conta ele.
“Glastonbury é uma farra sangrenta com drogas. Roskilde tem comida incrível porque é Dinamarca, é simplesmente muito civilizado e os banheiros são bons (nota do editor: bom, esse ponto aí é MUITO importante…). É um evento maravilhoso, mágico, um conto de fadas de Hans Christian Andersen”, diz.
Alex fez algumas revelações importantes: adora vídeos de matemática no YouTube, gosta de ler e de ouvir audiolivros (“meu pai morreu durante o confinamento e eu estava no quarto do hospital ouvindo A ilha do tesouro, de Robert Louis Stevenson em audiolivro, ele morreu quando Jim acabava de recapturar a Hispaniola dos piratas”, recorda), assiste ao filme A noviça rebelde todo Natal e lembra de ter levado um esporro na escola aos 15 anos por gostar de Wham! e de The Smiths (!).
O Natal, aliás, é cinematográfico no lar dos James: Alex obriga os cinco filhos a assistir Spinal tap na data – e jura que ele e os pimpolhos riram muito vendo o Spinal tap II. Ele também anda treinando outros instrumentos musicais: comprou um oboé há dois anos, e está aprendendo violoncelo. Aliás, tem praticado muito um instrumento importante no rock britânico: os shakers (que dependendo do tipo, podem ser as boas e velhas maracas, como as que Liam Gallagher vinha usando nos shows de “volta” do Oasis). “Os grooves de muitos discos de música eletrônica incríveis dependem dele”, conta.
O papo dele com o The Times tá todo aqui, mas tem paywall. A Far Out fez um resumão.
Foto: Wikimedia Commons (Σπάρτακος)
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E teve Mike D e Kim Gordon na TV: nomões do alternativo na telinha

Nos últimos dias, dois reis do som alternativo norte-americano invadiram a televisão para mostrar seus trabalhos novos: Mike D, ex-Beastie Boys, foi ao Later with… Jools Holland, e Kim Gordon, ex-Sonic Youth, esteve no programa de Jimmy Fallon.
Quem segue esses programas no Brasil, já teve altas surpresas assistindo aos números musicais, mas foi renovador poder ver Mike mostrando as ruidosas Switch up e What we got – a primeira, mais eletrônica, a segunda, mais garageira e distorcida. A passagem pelo programa marcou uma rara aparição televisiva de um músico que, desde o fim dos Beastie Boys após a morte de Adam Yauch em 2012, tem mantido uma carreira relativamente discreta. Mike vai estrear carreira solo com o álbum Thank you, em 28 de agosto.
Na apresentação, os integrantes da banda de Mike estavam todos com agasalhos esportivos vermelhos – uma lembrança da época do disco Hello nasty, lançado pelos Beastie Boys em 1998. Aos 60, Mike mantém a voz e o pique, e no show televisivo, ele subiu ao palco com a banda Very Nice Person, grupo liderado por seus filhos, Skyler Diamond e Davis Diamond – pelo que ele mesmo disse a Jools, foi justamente trabalhar com seus filhos que animou Mike. Ou melhor, Mike D 5D, que é o codinome adotado por ele.
O projeto novo nasceu justamente dessas sessões caseiras que acabaram virando músicas, shows pequenos e depois um álbum inteiro. Falando com Jools, Mike também disse ter ficado muito tempo sem conseguir fazer música após a perda de Yauch, que foi “devastadora”.
Olha Mike aí.
Já Kim Gordon apareceu em um ambiente bem diferente. A cantora, baixista e artista visual levou seu som experimental ao programa de Jimmy Fallon, um espaço normalmente associado apresentações mais acessíveis. A presença de Gordon chamou atenção justamente por esse contraste. Seu trabalho recente continua explorando ruídos, texturas eletrônicas e estruturas pouco convencionais, herdeiras diretas do espírito de ruptura que marcou a trajetória do Sonic Youth. Play me, seu novo solo, já é bem conhecido (foi resenhado inclusive neste site). Mas se bobear, era novidade pra muita gente que via o programa.
A apresentação dela teve caráter histórico: em 1994, ela se apresentou no Late show de David Letterman – descalça e grávida, ela tocou Bull in the heather com o Sonic Youth, usando a camisa do astro do time de basquete New York Knicks, John Starks. Hoje vivendo em Los Angeles, ela tocou no programa de Fallon na quarta-feira, dia em que os Knicks conquistaram seu primeiro título da NBA em 53 anos.
Dessa vez, ela foi tocou a faixa-título de Play me, e aproveitou a ocasião para relembrar sua apresentação no programa de Letterman: foi com uma roupa inspirada no visual de Jalen Brunson, fera dos Knicks.
E olha ela aí no David Letterman.
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Rolling Stones cogitam trocar turnês por temporadas fixas de shows

Os Rolling Stones talvez não estejam prontos para encarar outra maratona mundial de shows. Mas isso não significa que a banda esteja pensando em se aposentar dos palcos. Em entrevista à revista Uncut, Keith Richards sugeriu que o grupo pode voltar a se apresentar ao vivo em um formato diferente daquele que marcou sua história nas últimas décadas. Em vez de uma longa turnê internacional, o guitarrista falou na possibilidade de uma temporada fixa em alguma cidade.
“Não sei se turnês são possíveis. É a viagem que desgasta. Mas vejo a possibilidade de fazermos uma temporada em algum lugar”, afirmou Keith, mencionando cidades como Londres, Nova York, Paris e Roma como opções.
A observação faz sentido vindo de uma banda que já existe há décadas e que sente os desgastes da estrada e do tempo. Aos 82, Keith reconhece que o maior desafio não é necessariamente subir ao palco, mas lidar com a rotina exaustiva de deslocamentos, hotéis, aeroportos e mudanças constantes de cidade.
Os comentários dele aparecem poucos dias depois de Mick Jagger falar sobre o futuro dos Stones em entrevista ao programa Today Show, da NBC. O vocalista descartou a possibilidade de shows em 2026, mas não fechou a porta para uma volta em 2027. “Não acho que faremos shows este ano, mas espero que possamos fazer no ano que vem”, disse.
Se uma nova turnê mundial continua parecendo improvável, a ideia de uma residência fixa ao menos sugere que os Stones ainda não consideram encerrada sua história nos palcos. Para uma banda que passou mais de seis décadas na estrada, já é uma notícia considerável. Mas por enquanto, a parada do momento para a banda é o lançamento de Foreign tongues, seu 25º álbum de estúdio, previsto para chegar às plataformas no dia 10 de julho.
Dia 26 sai mais um single do álbum, Jealous lover, música apresentada pela banda como sendo de sonoridade mais soul e R&B, conduzida por um vocal em falsete de Mick Jagger. A letra é o ponto de vista de um sujeito que tem uma parceira excessivamente ciumenta, unindo “influências clássicas a uma sonoridade atual e vibrante”.
O time que tocou na faixa, além dos três Stones, tem Darryl Jones (baixo), Steve Jordan (bateria, percussão), Steve Winwood (piano rhodes e órgão), Andrew Watt (guitarra, synth, violão, piano) e Matt Clifford (synths). Há alguns dias, os Stones publicaram um vídeo no Instagram avisando que, nesse dia, sairia um single cujo título de trabalho é Fuck ur pizza – uma brincadeira da banda, então, já que os músicos da lista estão no vídeo.
No tal anúncio, a banda aparece com o produtor Andrew Watt no estúdio comendo pizza, e surgem algumas conversas sobre comida. Mick Jagger, por exemplo, diz que não curte pizza, mas come se o alimento for “pequeno e crocante”. Ron Wood pergunta se tem de cogumelo.
Foto: Kevin Mazur / Divulgação
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José Cândido une viola, synths e memória afetiva no single “Saudade”

“Escrevi essa música tentando entender / por que a saudade insiste em ficar”, diz o cantautor do interior paulista José Cândido em seu novo single, Saudade – uma música que combina voz, viola caipira, sintetizadores e percussão programada. O resultado é definido por ele como “pop rural”, ou seja: um encontro entre a nova MPB e a vida caipira contemporânea.
Natural de São Simão (SP) e morando atualmente em Ribeirão Preto, José Cândido atua profissionalmente na música há mais de 20 anos, e além da carreira solo, integra a banda Balaco e o grupo instrumental Quarteto Tirisco. Saudade parte de uma ideia mais comum à música interiorana: a da saudade não como falta, mas como presença. “Um sentimento que permanece vivo, que atravessa o tempo e continua existindo dentro de quem sente”, como diz o texto de lançamento da faixa.
Tem mais: o lançamento de Saudade chega acompanhado de um videoclipe que levou mais de um ano para ficar pronto. Em vez de seguir o ritmo acelerado das imagens digitais, José Cândido e Mariana Abreu apostaram em um processo artesanal: depois de gravado e editado, o vídeo foi dividido em mais de mil fotografias.
Cada imagem foi impressa, recebeu intervenções em desenho e acabou sendo fotografada novamente antes da montagem final. O resultado é um clipe marcado pelas texturas, imperfeições e pequenos detalhes deixados pelo trabalho manual, reforçando a presença do gesto humano em cada cena. Tudo a ver com uma música cujo autor diz ser “um lembrete de que sentir também exige tempo”.
Foto: Divulgação







































