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Michael Pipoquinha, nomão do baixo brasileiro, canta pela primeira vez em single

Após se consolidar como um dos grandes nomes do contrabaixo, dividindo palco com ícones como Djavan e Gilberto Gil, Michael Pipoquinha faz sua estreia como… cantor. É no single Mamãe Luiza, que já está nas plataformas. A música é uma homenagem à sua mãe e recorda um momento especialmente delicado de sua vida, quando ela foi até sua casa lhe oferecer apoio.
Quando ela foi embora, Michael permaneceu com o violão nas mãos – e a canção surgiu quase como resposta, em forma de afeto e agradecimento. E Mamãe Luiza representa uma nova fase na vida dele, focada na letra e na voz. A faixa autoral tem inclusive participação do cantor e baixista camaronês Richard Bona – e a ideia é que a faixa seja uma festa “íntima”, focada nas influências de música africana, e ao mesmo tempo com a tradição da música brasileira.
Michael avisa que Mamãe Luiza serve de batedor para seu próximo álbum, comemorativo: “Esse álbum é, de longe, o mais desafiador. Não desmerecendo a importância dos outros, mas talvez seja um dos mais importantes, porque registra meus 30 anos, e representa a soma de muita coisa. Uma soma sonora, de vivências. Agora, estou colocando para fora coisas mais sérias, sabe? Essa coisa de ter letra, de colocar palavras nas melodias, coisas que eu sempre quis dizer”, comenta.
“Eu quero realmente dizer alguma coisa, causar sensações diferentes das que causei até hoje. Quero alcançar outras pessoas, que elas convivam com minha música. A música instrumental não é tão fácil de compreender para qualquer pessoa, especialmente para quem não é músico. E eu quero esse público também”, finaliza Michael, músico de Limoeiro do Norte, interior do Ceará, que vive em São Paulo desde os 14 anos.
Foto: Pepe Rodrigues / Divulgação
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Sugar ganha mini-documentário, “Changes”, no YouTube

RESUMO: Changes: The story of Sugar, documentário sobre a banda de Bob Mould, revisita a história do grupo, o impacto de Copper blue e o retorno do Sugar em 2025, com imagens raras e depoimentos de fãs e amigos.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução
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Das coisas nas quais eu investiria se tivesse uma banda, lá vai a principal: um mini-doc, de uns 20 minutos, como aqueles que apareciam como extras em DVDs, para jogar no YouTube (epa, dá pra fazer um sobre o Pop Fantasma, quem sabe?). O Sugar, a “segunda banda” de Bob Mould, artífice do punk norte-americano e criador do Hüsker Dü, pegou a tendência no ar e já soltou Changes: The story of Sugar, que mergulha na história do grupo que ele montou em 1992 com os músicos David Barbe e Malcolm Travis. E acompanha também o retorno do grupo no fim de 2025, com depoimentos de amigos e de fãs fiéis.
Dirigido por Rob Hatch-Miller, Changes é imperdível, não apenas por contar parte da história de um dos discos mais legais dos anos 1990 (Copper blue, a estreia do Sugar, de 1992) como também por mostrar o que representou a banda para seus fãs. Criado numa época particularmente difícil para Mould – que tinha lançado dois discos solo pela Virgin e saiu com o bolso vazio da experiência – o trio funcionava como se o personagem juvenil das letras de discos como Zen arcade (1984), do Hüsker Dü, estivesse tendo que encarar a vida adulta.
O lance da “vida adulta” funcionava igualmente para Mould, que já havia passado dos 30 anos mas tinha a sensação de estar sempre recomeçando. No começo da década de 1990, para ganhar grana, tinha resolvido fazer shows de voz e violão – veja bem: voz e violão na era grunge – enquanto juntava material para um disco solo. Mould tocou as fitas com as novas músicas para amigos (Barbe entre eles) e papo vai, papo vem, aquilo acabou virando um grupo.
Changes, vale dizer, traz muitas histórias bem interessantes a respeito da banda: uma delas é a de que todo aquele sucesso do Sugar, com turnês exaustivas e fãs agitados, era novidade até para Bob – David Barbe um dia confessou a Mould seu espanto diante da popularidade do grupo e acabou descobrindo isso. Pelo pouco tempo de duração, o documentário passa batido por algumas coisas, como a insatisfação recorrente do grupo com as gravações do álbum File under, easy listening, o segundo da banda, de 1994.
Hatch-Miller também flagrou Bob num período feliz em que ele parecia finalmente estar sendo recompensado pelos seus esforços à frente do Hüsker Dü – que foi uma banda bastante cultuada, mas nunca vendeu muito. “Parece ter sido uma das épocas mais felizes da vida de Bob”, disse Hatch-Miller sobre o filme.
“Encontramos muitas imagens de arquivo incríveis, como o vídeo inédito de Lance Bangs do primeiro show da banda no 40 Watt Club em Atenas, imagens da turnê solo acústica de Bob por festivais europeus com Sonic Youth, Dinosaur Jr. e Nirvana em 1991, e muitos trechos de Bob e da banda no programa 120 Minutes da MTV, onde foram apresentados ao público da televisão aberta”, completa.
E tá aí Changes.
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Em livro, Jean-Michel Jarre conta a história da música eletrônica a partir dos sintetizadores

RESUMO: Jean-Michel Jarre lança em novembro o livro Machines: A History of Electronic Music, que conta a história da música eletrônica a partir de 150 sintetizadores e equipamentos de sua coleção, com mais de 800 ilustrações e depoimentos de artistas.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprdução
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Jean-Michel Jarre vai transformar sua coleção de sintetizadores em uma história da música eletrônica. Em 24 de novembro, o francês lança Machines: A history of electronic music, seu primeiro livro, pela editora Thames & Hudson, reunindo 368 páginas sobre os instrumentos que ajudaram a inventar, transformar e popularizar os sons eletrônicos.
A ideia é contar a história do gênero a partir das próprias máquinas. Jarre apresenta cerca de 150 instrumentos eletroacústicos e eletrônicos de sua coleção, entre sintetizadores modulares conhecidos, protótipos raros e equipamentos únicos – incluindo synths, baterias eletrônicas e demais aparatos. O livro terá mais de 800 ilustrações, incluindo 130 fotografias produzidas especialmente para o projeto.
“Este livro é uma jornada através dessas máquinas: aquelas que adquiri, aquelas que domei, aquelas que imaginei e aquelas que moldaram minha linguagem musical”, escreveu Jarre ao anunciar o projeto. Para ele, os equipamentos “contêm todos os sons do mundo” — e seu trabalho no estúdio seria parecido com o de um garimpeiro tentando extrair algumas pepitas desse universo. Seu “Eldorado pessoal”, como define.
A viagem começa antes mesmo dos sintetizadores. Jarre parte do manifesto futurista L’Arte dei rumori (A arte dos ruídos), de Luigi Russolo, e passa por movimentos como o Surrealismo e a Bauhaus, pelos primeiros laboratórios de rádio e por estúdios fundamentais para a música eletrônica, como o WDR, em Colônia, o Radio France e o BBC Radiophonic Workshop.
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O livro acompanha a evolução da tecnologia sonora, da manipulação de fitas e da síntese analógica à revolução digital, passando por gravação em 3D, experiências multimídia, áudio imersivo e até performances com inteligência artificial. A tese é simples: não dá para contar a história da música eletrônica sem contar a história das máquinas que tornaram aqueles sons possíveis.
E Jarre não faz isso sozinho. Machines reúne depoimentos de gente que ajudou a escrever capítulos diferentes dessa história, entre eles Gary Numan, Armin van Buuren, Vince Clarke, Richie Hawtin, Hans Zimmer, Gillian Gilbert, Nicolas Godin, Johnny Marr (o guitarrista dos Smiths teve uma dupla com Bernard Sumner do New Order, o Electronic, que fazia electropop com a cara deles) e Nick Rhodes.
É um assunto particularmente adequado para Jarre. O músico francês transformou sintetizadores em protagonistas de discos como Oxygène (1976) e Équinoxe (1978), ajudando a levar a música eletrônica instrumental a um público muito maior nos anos 1970. Agora, aos 78 anos, ele resolve abrir a porta do estúdio e mostrar de onde vieram aqueles sons — máquina por máquina.
Jarre vai continuar mostrando a história ao vivo, além do livro. Em outubro, ele será um dos convidados de honra da edição de 30 anos do Amsterdam Dance Event, na Holanda. No dia 21, fará um show no AFAS Live como parte da programação de abertura do evento, celebrando os 50 anos de Oxygène. E Machines: A history of electronic music já está em pré-venda.
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A BrooklynVegan pode acabar – e a história envolve os irmãos do Good Charlotte

RESUMO: Good Charlotte tem ligação direta com BrooklynVegan, Alternative Press, Revolver e Goldmine: os irmãos Benji e Joel Madden, fundadores da Veeps, adquiriram as publicações, que agora enfrentam demissões em massa e possível encerramento.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução
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Juro: não fazia a menor ideia de que a banda emo Good Charlotte era dona de sites como BrooklynVegan, Alternative Press, Revolver e Goldmine. Isso acontece porque Benji e Joel Madden, os dois irmãos gêmeos que criaram a banda, são os fundadores da Veeps, uma plataforma de transmissão ao vivo paga. A firma hoje pertence à gigante do mundo dos shows LiveNation, mas adquiriu os sites “em 2024 ou 2025” (a data é incerta).
Vai daí que na quinta (6) brotou a notícia de que esses sites vão fechar as portas – apesar de ainda continuarem online até o momento – após a Veeps fazer uma verdadeira sangria nas redações, demitindo (diz o site Pitchfork) praticamente todo mundo. O Pitchfork tentou falar com todo mundo, mas não rolou – no caso da BrooklynVegan, aparentemente os e-mails dos funcionários já tinham sido descontinuados, com exceção do fundador Dave Levine.
A Veeps é bem conhecida – foi responsável, por exemplo, pela transmissão online da sessão em que os Foo Fighters revelaram Josh Freese como substituto do falecido baterista Taylor Hawkins. Freese, por sinal, já havia tocado como baterista substituto do Good Charlotte em 2003. O fato da empresa ter pego essas publicações mostra bem a força de cada uma delas no universo indie.
A BrooklynVegan, fundada no olho do furacão do indie roock novaiorquino, em 2003, funciona como um radar de cenas, shows e artistas, com olhar especialmente atento ao underground, punk, hardcore, metal e indie. A Revolver, por sua vez, assume uma persona mais clássica de revista de rock, apostando em grandes nomes, personagens, bastidores e uma estética visual marcante, sobretudo no metal, hard rock e punk.
A Alternative Press mantém sua identidade ligada à cultura jovem do rock alternativo, emo, pop-punk e hardcore, com forte relação com bandas e fandoms. E a Goldmine ocupa um território mais histórico e colecionista, voltado a discos, reedições, vinil, memorabilia e histórias de artistas, falando principalmente com um público que valoriza memória e conhecimento musical.
Essas duas últimas são as publicações mais antigas: a primeira começou em 1985 e a segunda em meados dos anos 1970. Não há ainda confirmação oficial de que os veículos vão acabar mesmo, mas o caso já é tratado por muita gente como o fim de todos esses canais. O assessor de imprensa Jacob Daneman chegiu a postar no Xwitter um “RIP Brooklyn Vegan”, se solidarizando com a equipe, e reclamando que a Veeps foi “totalmente desrespeitosa” com a publicação.
Um detalhe que chama a atenção já há algum tempo nessas quatro publicações, é que o acesso a elas – possivelmente desde a tal compra pela Veeps – tem ficado mais complicado. Se você entra no site da BrooklynVegan, por exemplo, é recebido com uma verificação para saber se você não é um robô tentando pegar informações do site. O mesmo acontece nos outros sites.
Não acontece a todo momento, mas volta e meia quem entra depara com isso, e o acesso acaba demorando um pouco. Mas a razão para isso é uma só: IA. Nos últimos tempos, sites de música estão recebendo uma quantidade crescente de acessos automatizados. Não são apenas bots maliciosos, já que existem crawlers de buscadores, agregadores, ferramentas de monitoramento e, mais recentemente, agentes de IA tentando ler e indexar páginas.
A mensagem mandada com essas demissões é aquela mesma que você está pensando: é mais caro manter jornalistas e analistas de cenas trabalhando, e bem menos dispendioso dar tudo pra IA fazer, ou simplesmente não fazer nada. De resto, só vendo o que vai rolar: se as publicações continuam, se vão render vários outros canais e newsletters, etc.
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