Crítica
Ouvimos: The Wombats, “Oh! The ocean”

Em seu sexto disco, Oh! The ocean, os Wombats – uma banda de Liverpool, vale informar – fazem um indie rock que herda tanto das bandas do começo dos anos 2000 quanto de grupos como The Replacements, New Order e até Cheap Trick.
Cheap Trick? Sim. A ironia característica da banda norte-americana sempre esteve presente na música dos Wombats e reaparece aqui em faixas como o indie pop Sorry I’m late, I didn’t want to come (“desculpe pelo atraso, não queria vir”), o soul-indie rock I love America and she hates me (com sonoridade na linha do Arctic Monkeys) e The world’s not out to get me, I am (“o mundo não está contra mim, sou eu que estou”). Esta, soa como uma paródia do rock pesado cool de bandas como The Black Keys e Rival Sons, com versos como “vítima de mim mesmo, não posso culpar mais ninguém / mas você sabe que vou tentar”.
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Oh! The ocean também traz faixas com energia de rock oitentista, como Can’t say no, além de Blood on the hospital floor, que une The Replacements e Kaiser Chiefs, e canções mais ligadas à eletrônica do indie pop, como as boas Lobster, Kate Moss e Grim reaper. As linhas de baixo marcantes de My head is not my friend também se destacam.
Mas as maiores surpresas do álbum são a faixa bônus Reality is a wild ride, uma canção sinuosa e psicodélica que remete ao rock britânico do começo dos anos 1990, e Swerve (101), uma espécie de paródia do emo, com versos como “você nunca deixaria de ser feliz / com um novo sugar daddy / desviando para cima e para baixo na 101 (…)/ a maioria das coisas se resolve sozinha, você não sabe? / e algumas crescem como uma bola de neve até explodirem”. Em vários momentos, um disco que mantém a pose indie, mas sabe rir de si próprio.
Nota: 8,5
Gravadora: AWAL Recordings
Lançamento: 14 de fevereiro de 2025.
Crítica
Ouvimos: Rolimã – “Pior que eu tava de tão de boa que esqueci até que eu tava aqui”

RESENHA: Rolimã estreia com emocore de vibe nostálgica, no álbum Pior que eu tava de tão de boa que esqueci até que eu tava aqui – com dedilhados, memórias e variações que vão do dub ao shoegaze.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Downstage
Lançamento: 26 de março de 2026
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O Rolimã vem de SP, une várias sonoridades em torno do emocore e das lembranças do midwest emo e, no álbum de estreia, Pior que eu tava de tão de boa que esqueci até que eu tava aqui, fazem canções que juntam detalhes (cheiros, imagens, nomes, lembranças esmaecidas) para contar histórias.
2010, som com alguns dedilhados e vocal tranquilo – além de metais – fala em saudades da infância que chegam a doer nos dias de hoje (o nome da faixa vem do verso “não me peça pra sorrir como se eu fosse aquele cara de 2010”). Capim-limão põe um pouco mais de agito e uma cara mais próxima do emocore normal. Faixas como Conosquinho, Singular e nada calmo, Tudo certo (Nada resolvido) e Bão?, por sua vez, vão direto naquela fase em que o mundo ameaça e as coisas parecem rápidas demais.
- Ouvimos: Quedalivre – Seres urbanos
Caprichando em dedilhados que lembram bandas como American Football, o Rolimã ainda cai dentro do dub na vinheta Ursa menor e do emo baladeiro e pesado, com toques de shoegaze, em Retrato do Dr. Nepomuceno (os títulos das músicas são uma atração à parte) e Dos dias nublados que me perdi pensando na vida. No final, emo pop-folk em outra faixa de título inusitado, Quero picles. Boa estreia, com letras e músicas diretas.
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Crítica
Ouvimos: Wuzy Bambussy – “The ghost & the rhythm”

RESENHA: Wuzy Bambussy estreia com The ghost & the rhythm, disco de pop “fantasmagórico” que cruza jazz, folk, house e cabaré minimalista, em clima teatral e sombrio.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 23 de abril de 2026
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Tem algo meio “de terror” no som do Wuzy Bambussy, a dupla britânica formada pela vocalista Kat Harrison e pelo compositor e produtor Nikolai Jones. A estreia The ghost & the rhythm é um disco de pop fantasmagórico, com mais do que apenas um pé no jazz, tanto pelos vocais de Kat quanto pelas composições.
By candlelight, na abertura, é uma valsa folk que parece um Steeleye Span moderninho, seguida pelo B-52s deprê de The cold applause e pela house music + indie rock de Little lion – na verdade uma faixa com vocais de dance music e clima de indie rock, mas sem soar próxima de rótulos como indie dance e dance punk (muito menos).
- Ouvimos: Blood Wizard – Lucky life (EP)
Na real, após ouvir as nove faixas de The ghost, o Wuzy Bambussy soa mais como uma banda de musicais de bolso – uma coisa meio café-teatro, só que com programações eletrônicas. Tem até um r&b misterioso, Pale moon, que tem bastante de Fleetwood Mac, só que feito com minimalismo, para espaços pequenos. Late libation, definida pelo duo como “um brinde aos que sobreviveram e uma oferenda aos que partiram”, é uma dance music com discrição sonora – uma dance music jazzística, talvez.
Essa variedade aponta para uma espécie de alt pop de cabaré em Rendezvous, uma mescla de reggae e sons irlandeses em The path of least resistance e algo mais próximo do jazz-prog em Perpetuity. Rola até um aceno para Brian Eno no instrumental Go to bed ffs, vinheta que encerra o álbum. O Wuzy Bambussy ao vivo deve ser bem divertido.
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Crítica
Ouvimos: Weird Nightmare – “Hoopla”

RESENHA: No Weird Nightmare, Alex Edkins troca o noise do Metz por power pop melódico: ganchos, distorção e referências 60s/90s no ótimo álbum Hoopla.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 9
Gravadora: Sub Pop
Lançamento: 1 de maio de 2026
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O Weird Nightmare é basicamente o cantor e gutarrista Alex Edkins se afastando do barulho esmagador de sua banda original, o Metz (que está em hiato), e indo pra um lado bem mais melódico e direto. Com o Metz, o lance era ruído e beleza em alto volume, além de vocais gritados, em discos excelentes como Metz (2012) e Up on gravity hill (2024). O Weird Nightmare, por sua vez, existe por causa de bandas como Beatles, Replacements, Guided By Voices, The Who e até Go Go’s (!).
Traduzindo: o som é punk, power pop, new wave com peso, vocais e refrãos cheios de ganchos, distorção surgindo para “manchar” músicas altamente melódicas. Edkins, que trabalhou numa loja de discos antes da banda engrenar, parece ter se inspirado em sua própria história como ouvinte – e chega à sua melhor forma como autor até o momento no segundo disco da banda, Hoopla.
Além das bandas citadas, quem viveu os anos 1990 vai lembrar até de maravilhas pouco recordadas, como Terrorvision, em Headful of rain. E quem entrar na audição com o Metz na cabeça vai se surpreender com as melodias “pra cima” de faixas como Baby don’t, Might see you there e Never in style, power pop com mais ênfase no lado power da coisa.
Vai por aí o Hoopla, unindo referências em torno do barulho altamente melódico. Forever elsewhere une Replacements e The Cure no mesmo balaio, Bright light city soa como George Harrison + Byrds + punk e até uma vibe Roy Orbison surge em If you should turn away. No final, Where I belong tem elementos de The Clash, de Hüsker Dü e estilhaços de psicodelia nas guitarras.
Tem algo bem “perdido” nas letras do Weird Nightmare, como se Alex botasse no papel a própria experiência como autor de power pop. Ele mal consegue prestar atenção em nada em Pay no mind (uma total mistura de Replacements, Iggy Pop e Elvis Costello), luta para compor uma canção de amor em Headful of rain, vê beleza em coisas simples em Might see you there. Mas treina o olhar para ver um pouco de esperança em Little strange (“eu conheço algumas coisas que nunca morrem / eu conheço dias que nunca terminam / eu sei que está logo ali na esquina”), faixa com ruído digno de um ex-Metz e pegada beatle.
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