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Crítica

Ouvimos: Rosetta West, “Night’s cross”

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Ouvimos: Rosetta West, "Night's cross"
  • Night’s cross é o novo disco do Rosetta West, uma banda de blues-rock de Illinois, Estados Unidos. O grupo foi fundado nos anos 1990 por Joseph Demagore (voz, guitarra, produção e teclados), que divide o trabalho com Jason X (baixo, teclados, co-produção e engenharia de som). Um sujeito misterioso chamado Nathan Q. Scratch toca bateria e percussão.
  • O grupo tem “muitos” discos independentes, que estão fora das plataformas digitais. “Confira Bandcamp, YouTube e outras plataformas para esses tesouros raros”, avisam. Eles definem seu som como algo que “mistura rock, blues, psicodélico e música tribal, em uma união inebriante e muitas vezes mística”.

O Rosetta West é uma banda, digamos, bem misteriosa. Já gravaram vários discos que estão ausentes das plataformas digitais mainstream (você encontra tudo no Bandcamp) e dedicam-se a um curiosíssimo blues rock de quarto, que parece feito num estúdio pequeno e gravado em fita K7. Algumas gravações do grupo parecem ser feitas em mono ou num estéreo fake, reprocessado em estúdio. Os vocais e a sonoridade em geral estão mais para um stoner rock alucinado, lembrando uma sessão musical do deserto, só que unindo o Kyuss a alguém como Alexander “Skip” Spence nos vocais. As capas dos álbuns são um primor de mau gosto.

Night’s cross, novo álbum, é basicamente um disco sobre morte – a própria banda avisa no release que o resultado é bem mais mórbido que o álbum anterior, Labyrinth (2024). O som vem próximo de um punk blues neopsicodélico (sério!) em faixas como Save me, Suzie e em Dora Lee. Esta última, uma faixa que, se mexida daqui e dali, chega perto do heavy metal, mas é som acústico tocado no dobro, na percussão e numa bateria leve.

Diana é quase um som de Velho Oeste e de estradas com pó e feno rolando – abrindo com dois violões e bumbo, e deixando parecer que vem por aí algo bem mântrico e meditativo. You’ll be the death of me, chega com  riff de baixo pulsante na linha de frente, enquanto a percussão soa como se tivesse sido feita num case de instrumento. Baby doll é o rock mais prototípico do disco, meio stoner, meio metal.

Desperation tem clima indianista inspirado diretamente pelo Led Zeppelin – a sombra do grupo britânico surge também no violão percussivo de Underground again, que encerra o álbum. Já Oh death é autoexplicativa: blues no violão evocando o fim.

Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 16 de janeiro de 2025.

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Ouvimos: High Hi – “Noonday demon”

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Resenha: High Hi – “Noonday demon”

RESENHA: High Hi mistura dream pop, pós-punk e synthpop em Noonday demon, disco de músicas etéreas, melódicas e cheias de ecos de ABBA, New Order e Cocteau Twins.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: PIAS
Lançamento: 30 de janeiro de 2026

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Rótulos como “dream pop” e “shoegaze” até que servem para definir o som do trio belga High Hi – só dão uma boa apequenada na história. Anne-Sophie Ooghe (vocal, guitarra), Dieter Beerten (vocal, bateria) e Koen Weverbergh (baixo) estão mais para um, er, pop dos sonhos.

“Mas, opa, isso não seria ‘dream pop’?”, você pode perguntar com um sorriso irônico no rosto. Não quando o som em questão é basicamente música voadora, escapista e pop ao extremo – e vale lembrar que recentemente Stephen Patman, guitarrista, vocalista e fundador do Chapterhouse, disse achar ridículo o uso do termo “dream pop” como um genérico de shoegaze, ou até como um termo quebra-galho para definir bandas como Cocteau Twins.

Em Noonday demon, faixas como Ready??? têm eco na voz, clima de sonho, de música vinda de longe – mas o som é cantarolável e bacana como uma música do ABBA. A motivacional Running une uma onda bem oitentista (já que tem uma curiosa batidinha meio bossa) a climas etéreos e bem moderninhos. Whatever tem muito de pós-punk e até de revival emo. Nesta faixa, os vocais de Anna chegam a lembrar os de Hayley Williams, e a letra fala de vulnerabilidades e corações solitários.

O High Hi, na real, pode interessar até a quem curte Chappell Roan, porque volta e meia aparecem coisas que fazem lembrar do som dela. Mas fãs de rock oitentista vão encontrar bastante diversão em sons maquínicos como ??How, Without the words e Scammers. Muita coisa em Noonday demon é bastante alinhada ao New Order, como rola em Odessa e 4k (No grain), assim como Different daze (cuja letra tem clima “the dog days are over”, de volta por cima) une beats latinos e clima meio U2. Uma curiosidade é Arrival, pós-punk com clima pop e vocais que têm algo de house music dos anos 1990.

Tem o lado Cocteau Twins + Kate Bush do High Hi, que surge com força em músicas como The show e a já citada Scammers. Mas o fato de Noonday demon ter faixas com os nomes Odessa (nome de um álbum de 1969 dos Bee Gees) e Arrival (o disco do ABBA de 1976, com o hit Dancing queen) devem querer dizer algo. Ou muita coisa.

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Crítica

Ouvimos: Barking Poets – “The red EP” (EP)

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Resenha: Barking Poets – “The red EP” (EP)

RESENHA: Power pop punk com alma de Motown, Beatles e Ramones. Barking Poets misturam energia, crítica e ótimas melodias em The red EP.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Engineer Records
Lançamento: 5 de junho de 2026

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Essa banda de Londres define seu som como “power pop punk que soa como um encontro entre Motown, Beatles e Ramones”. Em The red EP, os Barking Poets unem essa onda sonora a muitas referências do lado mais suingado do punk setentista, como The Clash e The Jam – bandas que, de fato, faziam esse tipo de som herdando características do soul sessentista, numa onda “heroica” que, necessariamente, passava pelas referências do The Who.

Nas letras, por sua vez, os Barking Poets abraçam distopias dos novos tempos, falando de guerras de propaganda onde nenhuma bomba é detonada (Modern war), ruínas pessoais (The mess I made, punk-reggae na cola do Clash, e os excessos de Pure blood) e a resistência da arte apesar de tudo (o punk estradeiro Change our ways, dos versos “quatro anos inteiros ligando equipamentos e fazendo barulho / ninguém se importa, ninguém se importa / os sonhos são frágeis quando não há mais para onde ir ou fugir”).

Tem ainda as duas melhores faixas do disco: a lindíssima Arizona, punk com cara power pop, cuja letra é o retrato da paralisia diante de vida – e Losing contact, som intenso de quase seis minutos, com ótimas guitarras, e que deve render muito bem ao vivo. Em Losing, contatos vão se perdendo, aos poucos, numa relação perdida em que uma das pessoas está totalmente fora da realidade e parece ter sido abduzida. Acontece nas melhores famílias.

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Ouvimos: Brockhoff – “Easy peeler”

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Resenha: Brockhoff – “Easy peeler”

RESENHA: Brockhoff une alt-rock noventista e indie confessional em Easy peeler, estreia sobre amadurecimento, memória e vulnerabilidade.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: PIAS
Lançamento: 5 de junho de 2026

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O ruído noventista é o combustível do primeiro álbum da alemã Lina Brockhoff, Easy peeler – e o desconforto pessoal e existencial, tanto da época quanto o de hoje, também. Lembrando um mescla de Mazzy Star, Pixies, Soccer Mommy e Kate Bush, a faixa-título abre o álbum falando de relacionamentos difíceis e momentos em que sangue e pele trocam de lugar. The carpet song, na sequência, alude tanto a Weezer e à própria Soccer Mommy quanto a Avril Lavigne (citada em material promocional do disco). A ligeiramente sixties Cruel lembra um Hole mais sensível.

Easy peeler traz uma mistura bem feita de guitarras e melodias do alt-rock dos anos 1990, com a vulnerabilidade confessional do indie atual – e sai numa época em que vulnerabilidades pessoais rendem mais discos do que os momentos em que uma pessoa constantemente atacada precisa se fazer de durona. Willows, balada alt-rock de guitarras circulares e clima soft, fala de aceitação numa cidade pequena (“fiquei entediada enquanto me ocupava pulando poças em uma cidade tão orgulhosa / você acha que eu mereço algo melhor? / você acha que me perdi correndo atrás da multidão?”).

  • Ouvimos: Olivia Rodrigo – You seem pretty sad for a girl so in love

Muito de Easy peeler, tanto em músicas quanto em letras, mistura emoções solares e lembranças doloridas – como no sing-along de Sunny day (Deadline), ou no clima imagético do punk-pop triste Blue star. Há momentos em que a coisa ganha ares de “ferrou tudo!”, como em Nothing can be fixed in this place, canção triste de arranjo criativo e produção esmerada, e nas baladas Dirty dream e It never happened, que lembram uma Phoebe Bridgers em tom mais alt-rock e distorcido. Japanese garden, por sua vez, é uma balada distorcida, pesada e quase shoegaze – uma das mais ruidosas do disco.

A atenção a detalhes do dia a dia (jardins, árvores, cantos da casa dos pais, carrinhos Hot Wheels) transformam Easy peeler num disco basicamente sobre crônicas do crescimento. Mas que acaba fazendo sentido em várias fases da vida, como rola no power pop pandêmico I’ve stopped getting chills for a while now (“é o verão de 2020, agosto passou voando / faz um tempo que não fecho os olhos / porque tenho medo de todos os pesadelos que apontam para a mudança que me atingiu”).

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