Connect with us

Crítica

Ouvimos: Exclusive Os Cabides, “Coisas estranhas”

Published

on

Ouvimos: Exclusive Os Cabides, "Coisas estranhas"
  • Coisas estranhas é o segundo disco da banda Exclusive Os Cabides, formada por João Paulo Pretto (voz, gutarra), Antônio dos Anjos (voz e percussão), Eduardo Possa (guitarra), Jean Lucas (baixo) e Carolina Werutsky (bateria).
  • O grupo (que é de Florianópolis, SC) fez o hit Lagartixa tropical, que viralizou no Tik Tok em 2023, e retorna no álbum, acompanhado por um coro formado formado por crianças de 10 a 12 anos. O álbum vem amarrado por um conceito: quase todas as faixas “têm um tema estranho ou inusitado”.

Se você esperava ouvir uma banda que representasse uma mescla de pós-punk, Mutantes, Titãs e dream pop, a banda catarinense Exclusive Os Cabides vai para bem perto disso em vários momentos. É a impressão que fica da audição desse Coisas estranhas, no power pop-punk da faixa-título, no pós-punk de AAAAAAAAA e em especial na delicada Sonho estranho, que lembra bandas como The Sundays e Smiths. Ou em músicas brincalhonas como o slacker rock Luminária de lava, e o folk (com acompanhamento de cordas) Música para achar bruxa.

O grupo usa o humor como arma nas dez faixas do disco, mas nem é o que chama mais atenção na audição de Coisas estranhas. Na verdade, títulos como Rua da Lua Cheia (a melhor do disco) e Siris paradinhos em um cantinho bem de boa mostram um lado mais zoeiro de uma banda que tem uma abordagem bem variada e séria na hora de compor e arranjar. Com influências confessas de nomes como Pavement e Daniel Johnston, o grupo traz referências dos anos 1960 na infantil Lagartixa Tropical (com acompanhamento de coral de crianças) e lembra o lado mais urgente do glam rock em Pilha eletrônica.

Nota: 8
Gravadora: Independente/Tratore

  • Apoie a gente e mantenha nosso trabalho (site, podcast e futuros projetos) funcionando diariamente.

Crítica

Ouvimos: Red Recluse – “Orange”

Published

on

Resenha: Red Recluse - "Orange"

RESENHA: O misterioso Red Recluse lança Orange, disco que mistura punk, Stooges, stoner, country-punk e hard rock setentista em uma coleção de faixas sujas e perigosas.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Transient Industries
Lançamento: 4 de julho de 2026

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Mais underground que o próprio underground, o Red Recluse se define como “uma espécie de gravação de campo com um elenco global de convidados: correm rumores de que ex-integrantes do Drunks With Guns, Thee Hypnotics e Drones (de Melbourne) estão entre os participantes”. A banda é criação de um sujeito chamado Red Graves, que trabalha ao lado de colaboradores.

O projeto tem dois discos, White (de 2023, com capa branca) e este Orange – o som é basicamente punk sob uma perspectiva rocker, que se assemelha a Stooges, Iggy Pop, bandas de stoner rock, algo de rock pauleira, vibes de country-punk e coisas do tipo. Uma união que rende clássicos da leseira gelada como Knock it off, o country-jazz-punk de Billy Bad Ass, o true crime de Skin walker. Além da pauleira anti-militarista Lick my boots, do som marcial de Red Recluse stomp, e do mistério pós-punk-metal de The elegy of hop head.

Funcionando como uma marca registrada da banda, as músicas têm efeitos sonoros e riffs de baixo distorcido, além de um clima de perigo herdado do hard rock dos anos 1970. Por acaso, olha só que banda eles escolheram pra fazer uma cover: The Sensational Alex Harvey Band tem sua Midnight Moses relida pelo Red Recluse, com a participação de amigos como James McCann (James McCann and Selfish Gene, Death Groupie) e Stuart Gray (Art Gray Noizz Quintet).

Na segunda metade de Orange, uma vibe bem mais próxima do desert rock passa por músicas como Black daisy e a percussiva e hendrixiana Circe, além da noturna e blueseira Let’s build an ark. Encerrando, algo entre Iggy Pop e The Cars, em All atomic blonde.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

 

Continue Reading

Crítica

Ouvimos: DJ Dengue – “dnb”

Published

on

Resenha: DJ Dengue – “dnb”

RESENHA: No álbum dnb, DJ Dengue transforma metrô, barcas, trânsito e volta para casa em paisagens sonoras que cruzam jungle, breakbeat, drum’n bass e ambient.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 18 de agosto de 2026

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

“Um mosquito fazendo barulho desde 2014”, diz o Instagram de DJ Dengue, que vem de Maricá (RJ), e une no álbum dnb estileiras como jungle, ambient, breakbeat e drum’n bass num clima de trilha sonora para o dia a dia. Ruídos de metrô, barcas, pessoas passando na rua… Tudo isso ganha um tom dramático, diferente, como numa música feita para acompanhar pensamentos a caminho do trabalho ou de casa.

A faixa Terceiro espaço leva o / a ouvinte à estação do metrô Praça da Bandeira (perto da Tijuca, na Zona Norte do Rio), em clima de breakbeat melancólico. Guitarras dedilhadas e circulares ganham espaço na fantasmagórica Barcas, assim como a mistura de samba-soul e batidões corridos, com bpm altíssimo, conduzem TRJG. Cansada é o remix da música lançada por Carol Vieira, originalmente uma baladinha de piano em tons gospel, sobre amores pra lá de mal resolvidos – agora virou um dreampop sintetizado

Sexta à noite e Paradoxo do transporte põem em tema instrumental o compasso de espera pela volta pra casa, assim como o dub Fim de Linha, com Crizin da Z.O., (que traz letra e diálogos sobre trens e ônibus lotados). Eterna rotina põe um pouco de tranquilidade ambient no clima de dnb, com áudios maternos e lembranças boas.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Continue Reading

Crítica

Ouvimos: Black Pantera – “Continental”

Published

on

Resenha: Black Pantera – “Continental”

RESENHA: Em Continental, o Black Pantera amplia seu som entre metal, punk, funk e grunge, combinando letras sobre racismo e resistência com arranjos cada vez mais elaborados.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 10
Gravadora: Deck
Lançamento: 21 de agosto de 2026

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Se o Black Pantera já era uma das melhores bandas brasileiras no palco, o mesmo posto já foi alcançado nos estúdios. Continental é o melhor disco deles, e um dos álbuns mais detalhadamente burilados dos últimos tempos. Chaene da Gama (baixo e vocal), Charles Gama (vocal e guitarra) e Rodrigo “Pancho” (bateria) voltam recriados em técnica, arranjo, referência, teoria e poesia – o disco traz letras cada vez mais bem escritas, combinando pé-na-porta e o dedo-na-cara com versos poéticos, saudades imensas, lembranças amargas e realidades duras.

Como aquele velho conto do peixe que só conhecia a água, porque vivia imerso nela e não sabia o que havia do lado de fora do aquário, é preciso aparecer uma banda como o Black Pantera para esfregar um fato na cara de todo mundo: as histórias do rock já foram demasiadamente contadas a partir da perspectiva de gente branca. Vendo dessa forma, dá pra cair na real no mais puro estilo Nazaré Confusa: há décadas que não apenas o protagonismo, mas também os sonhos de poder, os planos de carreira, os paradigmas de loucura, de riqueza, de faz o que tu queres, de que-se-fodam-todos… Tudo isso partiu dos instintos de gente branca.

  • Bong Brigade transforma crítica aos EUA em clipe de Adeus América

Fácil de entender: se metade do anti-profissionalismo profissional de um Keith Richards fizesse parte do repertório comportamental de um roqueiro preto, talvez a história tivesse parado em Satisfaction – afinal, um hipotético Rolling Stones afro-britânico seria bombardeado pelo racismo do showbusiness, perseguido implacavelmente (mais do que os Stones foram) por delegados antidrogas, abortado em pleno voo. O sucesso de Jimi Hendrix não foi um almoço grátis, muito menos um sonho psicodélico: o guitarrista foi sacaneado até o fim por empresários escrotos, e enfrentou perdas financeiras graves na mesma medida em que ganhava grana.

Dito isso, a faixa-título de Continental põe as coisas em seus lugares ao avisar que “seus heróis morreram de overdose / os meus morreram pelo corre” – seguindo com uma letra que fala em diáspora, nas veias abertas da América Latina, no jogo sujo do governo Trump, e ainda completa com um áudio do professor e pensador Milton Santos (1926-2001). No decorrer de Continental, o Black Pantera mete marcha num som pesado com linguagem afrobrasileira, unindo stoner rock, funk e grunge (Hórus), punk guerrilheiro e oi! music (Velho jeans rasgado, com lembranças de The Clash e New Model Army e versos como “serei tudo que eu sempre quis / por dentro eu grito”), metal + raggamuffin + cultos afro (Negusa nagast) e até metal bélico à moda do Iron Maiden e do Sabaton, mas dentro do universo negro (Yasuke, que recorda o primeiro samurai negro do Japão).

O racismo é tematizado pelo Black Pantera ao lado de, digamos, questões adjacentes: o corre nosso de cada dia (no metal de videogame Start the game), as lágrimas de crocodilo dos filhos da riqueza (o hardcore WPP) e a cagação geral da meritocracia – na beleza de Banzo, com Chico Cesar nos vocais, base metal-reggae e clima, às vezes, quase screamo. Continental tem outras participações de peso: a rapper Duquesa declama no metalcore industrial Serotonina, Derrick Green solta o berro em Obsoleto e… tem ainda Sandra Sá emocionando em Quando canto, afrometal percussivo, repleto de referências de blues e soul, com clima festeiro e guerreiro.

Em Continental, o Black Pantera surge grande, heroico, e preocupado tanto com peso quanto com beleza – em músicas como a faixa-título, dá pra perceber o quanto os vocais da banda mudaram e se tornaram mais elaborados. O final, com Punhos cerrados, é a comemoração: uma marcha punk-metal em que eles disparam que “demorei pra aceitar que o mundo é meu”. E o rock é preto.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Continue Reading

Acompanhe pos RSS

A Olívia - Foto: Camila Cara / Divulgação
Urgente2 horas ago

A Olívia amplia o álbum “Obrigado por perguntar” com três novas faixas

Tela Vazia - Foto: Dani Duraes / Divulgação
Urgente2 horas ago

Tela Vazia mergulha na música sombria em “Iniciação”

Lia Kapp- Foto: Fran Augusto / Divulgação
Urgente2 horas ago

Lia Kapp transforma inquietação e resistência em “Burn this house down”

Resenha: Red Recluse - "Orange"
Crítica3 horas ago

Ouvimos: Red Recluse – “Orange”

Resenha: DJ Dengue – “dnb”
Crítica3 horas ago

Ouvimos: DJ Dengue – “dnb”

Applegate mistura pós-punk, dub e krautrock no sombrio “Duo”
Urgente4 horas ago

Applegate mistura pós-punk, dub e krautrock na sombria “Duo”

Giu Lenda cruza hardcore e música urbana em fase solo distópica
Urgente4 horas ago

Giu Lenda cruza elementos de música urbana em fase solo distópica

Resenha: Black Pantera – “Continental”
Crítica15 horas ago

Ouvimos: Black Pantera – “Continental”

Resenha: Weezer – “Weezer (Gold album)”
Crítica15 horas ago

Ouvimos: Weezer – “Weezer (Gold album)”

Beck - Foto: Autumn De Wilde / Divulgação
Urgente15 horas ago

Beck: o que já dá pra esperar do álbum “Ride lonesome”

Bong Brigade (Foto: Divulgação)
Urgente3 dias ago

Bong Brigade transforma crítica aos EUA em clipe de “Adeus América”

Catiça- Foto: Bernardo Sardi / Divulgação
Urgente3 dias ago

Catiça transforma frase do desenho do Pica-Pau em declaração de amor à música

Elton John volta a 1995 em show histórico no Rio, agora nos cinemas
Urgente3 dias ago

Elton John volta a 1995 em show histórico no Rio, agora nos cinemas

Nouvelle Vague leva Depeche Mode para o jazz em versão de "Only when I lose myself"
Urgente3 dias ago

Nouvelle Vague leva Depeche Mode para o jazz em versão de “Only when I lose myself”

WAY - Foto: Bruno Silva / Divulgação
Urgente3 dias ago

WAY ensina em “20 anos” que pista de dança é lugar de liberdade

Luiz e as Consequências de Suas Escolhas (Foto: Divulgação)
Urgente3 dias ago

Luiz e as Consequências de Suas Escolhas: recomeços no single “A receita”

Purse Thief estreia entre rock de garagem e pós-punk
Urgente3 dias ago

Purse Thief estreia entre rock de garagem e pós-punk

Drama - Foto: Divulgação
Urgente3 dias ago

Drama: banda gótico-industrial volta falando em dificuldade para dialogar no single novo