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Por que Stephen Street virou “co-produtor” de “The queen is dead”, dos Smiths, 40 anos depois?

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Por que Stephen Street virou “co-produtor” de "The queen is dead", dos Smiths, 40 anos depois?

RESUMO: Evento comemorativo de 40 anos do disco The queen is dead, dos Smiths, alçou Stephen Street, engenheiro de som do disco, à categoria de produtor – apesar de, nos créditos originais, os produtores serem Morrissey e Marr. Por que isso aconteceu?

Texto: Ricardo Schott- Foto: Max Knight / Divulgação

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Há uma suposta confusão nos materiais que divulgam atualmente os encontros de Mike Joyce e Stephen Street para debater os 40 anos de The queen is dead (falamos desses encontros aqui). Street aparece ali como “co-produtor” do álbum, embora nos créditos originais do disco ele seja identificado como engenheiro de som, enquanto os produtores são Morrissey e Johnny Marr.

Vale citar que os créditos oficiais não mudaram. O que mudou foi a maneira como seu papel nas gravações passou a ser descrito. E existe uma razão para isso: Street teve uma participação criativa bem maior do que a expressão “engenheiro de som” pode sugerir.

Marr e Morrissey eram os responsáveis pela produção, mas Street trabalhava muito próximo dos dois e funcionava, na prática, também como uma espécie de consultor criativo. Ele próprio já descreveu as sessões como um processo bastante colaborativo.

Além disso, ao longo das décadas seguintes, Street se tornou um produtor bastante conhecido, trabalhando com Blur, The Cranberries, Kaiser Chiefs, Durutti Column, The Psychedelic Furs e o próprio Morrissey (na estreia solo Viva hate, de 1988, ele produziu e ainda compôs tudo ao lado do cantor). Para um material promocional atual, chamá-lo de “co-produtor” acaba sendo uma maneira mais direta de explicar sua importância no processo. E, claro, tem mais peso do que simplesmente “engenheiro de som”.

Tem um detalhe: o próprio Stephen, ao trabalhar no disco, já queria ampliar sua participação. Em 2005 o site Sound on Sound conversou com Stephen sobre seu trabalho em The queen is dead e lembrou que as funções dele, de Morrissey e de Johnny Marr nesse disco eram as mesmas do álbum anterior, Meat is murder (1985). Mas que Stephen viu The queen is dead como uma oportunidade de também fazer parte da produção – mesmo que nem recebesse crédito por isso.

“Obviamente, quando você é o engenheiro de som de uma banda que produz por conta própria, você geralmente é usado como uma espécie de consultor em termos de som e ideias”, disse. “Bem, Morrissey, Johnny e eu tínhamos uma ótima relação de trabalho – éramos todos mais ou menos da mesma idade e gostávamos do mesmo tipo de coisa, então todos se sentiam bastante à vontade no estúdio”.

O texto flagra Stephen fazendo coisas que vão bem além da função de um técnico: ele, por exemplo, deu a ideia de usar um loop de bateria na faixa-título, e de usar um harmonizador AMS para distorcer a voz de Morrissey (daí veio o falso vocal feminino, creditado a uma cantora imaginária chamada Ann Coates, que surge em Bigmouth strikes again).

Enfim: Street era oficialmente o engenheiro de som, mas sua atuação incluía sugestões de arranjo, efeitos, soluções técnicas e decisões que interferiam diretamente no resultado artístico. Mas chamá-lo de co-produtor, além de colocar as coisas em seus lugares, também ajuda a apresentar Street ao público a partir da carreira que ele construiu depois.

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Elephant Run solta seu monstro interior em “Little monster”

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Elephant Run - Foto: Rodrigo Erib / Divulgação

RESUMO: Em Little monster, a banda sueco-brasileira Elephant Run explora impulsos reprimidos em single teatral com clipe de terror que antecipa o álbum Infrared.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Rodrigo Erib / Divulgação

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O pequeno monstro do Elephant Run está cansado de ficar preso dentro de alguém que considera comportado demais. Em Little monster, single da banda sueco-brasileira, é ele quem assume a voz e reclama da pessoa que o mantém escondido. Impulsivo, desinibido e pouco interessado nas regras da convivência, o personagem conduz uma música de origem teatral, que antecipa Infrared, álbum previsto para 2027 pelo selo +um HITS.

A ideia vem de uma composição antiga de Amanda Wahlström Plantin, vocalista e pianista do grupo. Ela tinha vinte e poucos anos quando começou a trabalhar na faixa, então mais próxima do cabaré e inspirada por The trial, aquela orquestral última faixa do disco duplo The wall, do Pink Floyd (1979). Nos ensaios, a música ganhou outros arranjos e uma nova letra. O humor caricato deu lugar a um incômodo mais pessoal: o que fazer com esse lado da gente que quer sair e não liga pra convenções sociais?

“A música de hoje é completamente diferente daquela versão antiga. O que ficou foi a ideia de um ‘little monster’ dentro da gente, que tentamos controlar ou manter escondido, mas que quer sair. Na versão nova, o monstro acabou virando um personagem, um lado mais impulsivo, desinibido, meio vulgar e pouco preocupado em se comportar. Ele é o protagonista e é ele quem conta a história. Está preso dentro de uma pessoa que considera chata e contida demais e passa boa parte da música reclamando disso”, conta Amanda.

Little monster é o segundo single do próximo disco. Além de Amanda, o Elephant Run reúne Fernando Coelho (guitarra e sintetizadores), Ladislau Kardos (bateria) e Renato Cortez (baixo). A banda levou o personagem para um clipe dirigido por Fábio Knoll e pelo próprio grupo, filmado no teatro Arka dos Anjos, em São Paulo.

Amanda interpreta uma criatura cuja mordida transforma humanos em monstros. As referências incluem A maldição da besta, de Paul Naschy, e Um lobisomem americano em Londres, de John Landis, num cenário gótico que aproveita o gosto da banda pelo cinema. Amanda e Ladislau também são atores, e ajudaram os colegas a entrar na brincadeira. Outras ideias surgiram nas conversas durante a filmagem.

Fernando, o guitarrista do grupo, idealizou e produziu o vídeo e assina a colagem da capa. O vermelho acompanha o que ele define como uma música quente, enquanto os pássaros representam entidades brasileiras protegendo a personagem de um olhar externo.

Confira abaixo a capa e o clipe de Little monster.

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Solarski estreia com pós-punk tenso e crítica às guerras em “Do you need a riot?”

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Solarski - Foto: Shoot Me Again Webzine

RESUMO: O trio belga Solarski estreia com Do you need a riot?, single de pós-punk tenso e guitarras cortantes que critica guerras, interesses econômicos e manipulação.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Shoot Me Again Webzine

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“Não nos ponha numa caixinha. Somos o Solarski”. É assim que o trio belga Solarski se apresenta, deixando claro que não está muito interessado em rótulos. Mas dá para começar pelo pós-punk, que aparece com bastante força no single Do you need a riot?, primeiro single da banda, formada na região de Namur, na Bélgica. O som é tenso, nervoso, com baixo pulsante, bateria insistente, guitarras cortantes e um vocal áspero, quase sempre no limite entre cantar e gritar.

O Solarski é formado por três músicos experientes, que dividem baixo, guitarra e bateria. Os integrantes já passaram por palcos importantes da Bélgica, como o Cirque Royal, o Botanique e o festival Dour, em projetos anteriores. Agora, apostam num som que mistura pós-punk e indie rock, mas com uma urgência que lembra mais uma banda tocando à beira de um ataque de nervos. Há pouco espaço para descanso: a música avança com uma tensão quase permanente, sustentada por uma cozinha pesada e guitarras que parecem querer aumentar ainda mais a pressão.

E o assunto não é dos mais tranquilos. Do you need a riot? (“Você precisa de uma revolta?”) fala de um mundo em que guerras e conflitos parecem cada vez menos ligados a ideais e cada vez mais aos interesses de quem controla petróleo, dinheiro e recursos naturais. A letra mistura referências a guerras econômicas e religiosas, manipulação de informações e uma ordem mundial que parece ter perdido qualquer regra. No refrão, a banda repete uma frase simples, quase como palavra de ordem: “Não precisamos de guerra”.

“Queríamos escrever uma música que não dissesse às pessoas o que pensar, mas que as obrigasse a perguntar quem tem interesse em ver o mundo pegar fogo”, explica o trio.

Gravada, mixada e masterizada pelos próprios integrantes, Do you need a riot? é a primeira amostra do álbum de estreia do Solarski, ainda sem data anunciada. A banda prefere não ser colocada numa caixinha, mas já dá para perceber que o pós-punk é sua arma para falar de um mundo que anda difícil de engolir.

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Smile: poesia falada e desespero punk em “Gotta run”

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Smile (Foto: Divulgação)

RESUMO: Em Gotta run, o Smile mistura punk, pós-punk e poesia falada numa música sobre traumas e sobrevivência. Single antecipa o álbum Gun-shy, de 2027.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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O Smile tem uma vocalista que diz preferir “entoar suas histórias poéticas, repletas de reflexões pessoais” em vez de simplesmente cantar. Mas é bom não se acostumar: no single Gotta run, Rubee True Fegan começa com uma voz blasé, quase falada, e depois solta o desespero. A banda acompanha com um som elegante e ruidoso, mais punk do que pós-punk (embora definam-se como pós-punk), até mudar de assunto no meio da música. Ou melhor: mudar a maneira de tratar o mesmo incômodo.

Formado por amigos durante a pandemia, o grupo reúne músicos dos Estados Unidos e da Alemanha, hoje espalhados por Amsterdã, Berlim e Colônia. Rubee, também artista performática, põe histórias e reflexões pessoais em letras que nem sempre precisam de uma melodia para funcionar. O EP I hate it here (2022) e o álbum Price of progress (2023) apresentaram esse encontro de poesia falada, guitarras e vontade de experimentar.

Gotta run antecipa Gun-shy, segundo álbum, que sai em 22 de janeiro de 2027 pela Siluh Records. A faixa começa correndo, com bateria rápida e uma urgência que combina com o título. Depois desacelera e vira quase outra música, mais arrastada e cheia de tensão. Rubee levanta a voz, e aquela aparente indiferença do começo vai para o espaço. A fuga ganha um peso que a velocidade inicial ainda permitia disfarçar.

A letra trata do que um sistema violento ensina ao corpo, inclusive depois que a pessoa consegue escapar. Sair de um lugar não resolve automaticamente o que ele fez com você: sobram reflexos de defesa, medos e hábitos que acabam entrando nas relações amorosas e familiares. Dá para desaprender o que foi necessário para sobreviver?

No clipe, Rubee circula por Albuquerque, sua cidade natal (no Novo México), vestida de poodle rosa. A figura absurda atravessa uma paisagem marcada por desigualdade, carros e ruas, com imagens de câmera de mão. O disco foi gravado com Olaf Opal em Colônia, aproveitando demos feitas também em Albuquerque e preservando algumas primeiras tomada. Tudo com uma boa dose de aspereza.

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