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Ouvimos: Xiu Xiu, “13’ Frank Beltrame Italian Stiletto with Bison Horn Grips”

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Ouvimos: Xiu Xiu, “13’ Frank Beltrame Italian Stiletto with Bison Horn Grips”
  • 13’ Frank Beltrame Italian Stiletto with Bison Horn Grips é o décimo-quarto álbum da banda de vanguarda norte-americana Xiu Xiu. O grupo é formado por Jamie Stewart (guitarra, teclados, programações, voz), David Kendrick (bateria) e Angela Seo (teclados, percussão, piano, voz)
  • O título do disco vem de um canivete (!) de Jamie, “Os canivetes, desde a década de 1950, são um símbolo quase clichê da estética do ‘cara durão’. Mas como um instrumento de violência, eles são bastante inúteis… Servir como um símbolo de violência e medo, mesmo sendo bastante inútil, é um símbolo fascinante da violência em geral”, contou ao site Our Culture.
  • Stewart e Angela, que são amigos muito próximos, mudaram-se de Los Angeles para Berlim, na Alemanha. “A mudança não influenciou tanto, mas não estar em Los Angeles influenciou . Eu não esperava sentir tanta falta quanto sinto. Eu presumi que me mudar para Berlim seria um recomeço, mas foi como me ajustar a um conjunto diferente de problemas, o que então me fez sentir que não há lugar bom no mundo e que todo lugar é uma porra de um saco”, contou, rindo, Stewart.

Com discos lançados um atrás do outro, o grupo de vanguarda Xiu Xiu é tido como inacessível – e alguns críticos musicais andam falando que o novo álbum, que tem um nome bem grande, é o mais comercial deles. Comercial, evidentemente, à moda do Xiu Xiu. Em outros tempos,  Jamie Stewart, David Kendrick e Angela Seo se pareciam com a mistura quase exata de Jards Macalé, David Byrne e Brian Wilson, unindo vocais angustiados ou sussurrados, e experimentações musicais “ambientais”, cheias de surpresinhas.

13′ Frank Beltrame Italian Stiletto with Bison Horn Grips lembra algo como o Mercury Rev tentando soar como o Radiohead ou o Nine Inch Nails, muito embora o disco abra com um tema susurrado e tocado apenas no sintetizador (Arp Omni, por acaso o nome de um antigo synth polifônico, queridíssimo da turma pós-punk). Mas ele prossegue com o terror musical da suingada Maestro one chord e com a paredinha de guitarras e teclados da pesada Common loon, indicando que quem se interessa por ambient music e experimentações herdadas do pop setentista está no público-alvo do Xiu Xiu (na verdade sempre esteve, e vários discos do grupo deixaram isso claro).

Dentre as nove faixas do disco, chamam a atenção também o cruzamento de Joy Division e David Bowie (na fase Low) de Pale flower, o suingue psicodélico de Veneficium (que indica que, se bobear, o Xiu Xiu andou ouvindo Boogarins), o peso techno da fria Sleep blvd e o ragga metal de T.D.F.T.W. De modo geral, é o Xiu Xiu se esforçando para mostrar que a estranheza musical está ao alcance de todos.

Nota: 8,5
Gravadora: Polyvinyl

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Ouvimos: Starly Kind – “Inferno (xe/xem)”

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Resenha: Starly Kind – “Inferno (xe/xem)”

RESENHA: Starly Kind mistura lo-fi, screamo, pós-punk e psicodelia em Inferno (xe/xem), EP sombrio sobre angústia queer e demônios internos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: CorpoRAT Records
Lançamento: 8 de maio de 2026

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Musicista agênero do Oregon, Estados Unidos, que se radicou em São Paulo, Starly Lou Riggs criou a Starly Kind como veículo para uma música lo-fi e fantasmagórica. Um som que volta e meia ganha ares math rock, ou que se aproxima de um art rock em clima de pesadelo. Inferno (xe/xem) é um EP sobre demônios xamânicos, angústia existencial queer, dores acumuladas durante uma vida inteira – e sobre como é chamar o inferno de casa.

Starly kind, a faixa de abertura, é lo-fizaça, com glitches, clima dreamy e vocais torturados e gritados. Held me with soma a isso um clima mais ambient, em que vibrações screamo unem-se ao experimentalismo da música. Superanatural clutches fica entre a psicodelia e a no wave, com direito a uma guitarra próxima do som do Black Sabbath. Uma curiosidade e uma mudança de rumo vêm com Bloodlust rising, algo entre Beach Boys, Residents e Devo – seguida justamente pela onda reggae + dub + fantasmagoria de And the devil watched me dance in.

  • Ouvimos: Delmore – Tão logo cada poste se ilumina

Demon dreams, que encerra o disco, é pós-punk mais do que tudo, e é a música mais bonita do EP – aliás lida com uma noção mais tranquila de “beleza” na melodia, ainda que também invista na vibe sombria das outras faixas. Um disco bem instigante, em todos os momentos.

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Ouvimos: Duo Violeta – “Mar pequeno”

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Resenha: Duo Violeta – “Mar pequeno”

RESENHA: Duo Violeta mistura violão, escaleta e folk nordestino em Mar pequeno, disco contemplativo, viajante e cheio de imagens sonoras.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: The Citadel House
Lançamento: 22 de maio de 2026

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Se você for com muita sede ao pote no disco do Duo Violeta e chegar meio desavisado, pode acabar adorando o encontro do violão com a sanfona. Depois vai dar risada quando descobrir que André Sant’Anna e Rafael Campanaro, são na real, e respectivamente, o encontro da escaleta – teclado de sopro popularizadíssimo pelo reggae e pelo dub – com o violão. Mais que isso, as gravações tiveram vários testes de estúdio, que envolveram posicionamentos dos músicos, microfones diferentes e muitas experimentações sonoras.

Mar pequeno tá bem longe de ser um disco experimental, mas passa perto. É um disco brasileiríssimo e quase sempre nordestino, que parece seguir o curso de um rio e contar uma história – já que as músicas parecem encadeadas e evocam imagens que soam do mesmo modo. Será marés, Na rede e O boto, no começo, são folk nordestino – sendo que a última insere clima sombrio e efeitos de tremolo na escaleta. Para a ilha é forró + jazz, mas tem algo de indie rock na sonoridade, até algo de Beatles no meio da melodia. Inverno no mar é balada, blues e folk, com final contemplativo e várias partes diferentes.

Esse clima de viagem sonora, que insere segmentos diferentes em canções curtas, chega no ápice na última faixa do álbum, Emergiu. Até lá, André e Rafael proporcionam surpresas como a melodia de À deriva, que chega a lembrar um soul no final. Ou a recriação da folclórica Peixe vivo, cujas linhas melódicas só se tornam claras lá pelas tantas. Ou o clima folk brasileiro de Náufrago. Um disco muito bonito.

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Ouvimos: Soma Please – “Ballet” (EP)

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Resenha: Soma Please – “Ballet” (EP)

RESENHA: Soma Please mistura synth pop, pós-punk e dream pop em Ballet, um EP que cruza Queen, U2, LCD Soundsystem e até samba indie.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Skud & Smarty
Lançamento: 14 de maio de 2026

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O Soma Please é um duo luso-britânico, formado pelos músicos Nuno Bracourt e Rob Williamson. Não chega a ser um som muito inovador, mas tem detalhes que conquistam de cara, já que Ballet, o EP, soa às vezes como um encontro entre estilos e épocas. Tipo o que rola com I’m a fan, entre o synth pop e uma onda que lembra o Queen, ou Love, um dream pop com peso. Pockets on my sleeves é pós-punk com alma oitentista, e algo de Radiohead e LCD Soundsystem misturado.

As duas últimas faixas do EP são as mais diferentonas do disco: Alone é um curioso pop meio samba, meio bossa, com cara indie e solar. What’s the score é mais ruidosa, abre com clima sombrio fake, e depois chega a lembrar um blues rock eletrônico. Ballet é um pequeno apanhado do som deles, e uma demonstração de sonoridades que estão no arquivo deles.

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