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Ouvimos: A Place To Bury Strangers, “Synthesizer”

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Ouvimos: A Place To Bury Strangers, "Synthesizer"
  • Synthesizer é o sétimo álbum da banda novaiorquina A Place To Bury Strangers, hoje formada por Oliver Ackermann (baixo, guitarra, voz), John Fedowitz (baixo) e Sandra Fedowitz (bateria). O grupo ganhou desde o começo a reputação de “banda mais barulhenta de Nova York”.
  • Ackermann disse que o disco novo é uma resposta a “essa era em que, na música, tão pouco é DIY (do it yourself, faça você mesmo) e tanto é deixado para a IA (inteligência artificial)”, dizendo também que o ponto do novo álbum é “fazer algo que pareça deliberadamente caótico, bagunçado e humano”.
  • O álbum é o segundo da banda lançado pelo selo Dedstrange, que tem Oliver como um dos chefes. Ele também é criador da Death By Audio, marca de pedais de efeito.

Prepare-se para levar um susto logo na abertura desse Synthesizer, já que o novo disco do A Place To Bury Strangers já começa com a guitarra de Oliver Ackermann apitando como se fosse um sirene do apocalipse – na faixa Disgust, uma canção que não chega a ser gótica ou shoegaze, mas passa por tudo isso, costurando estilos com ruído, eletrônica e sensação de perigo.

Quem é fã da banda sabe que o APTBS já soou ruidoso a ponto de parecer quase inaudível, embora seja igualmente capaz de criar melodias que pegam (como nas faixas Playing the part, de 2021, e Keep slipping away, de 2009, mais associáveis a bandas como New Order e The Cure). Dessa vez o grupo decidiu fazer a melodia funcionar a favor do barulho, com experimentações musicais, programações sujas e vocais podres favorecidos por bons riffs e temas melódicos – como nas faixas Don’t be sorry, Fear of transformation (uma mescla de Bauhaus, Kraftwerk e Alien Sex Fiend, com riff de teclado de guardar na memória) e Join the crowd (que lembra a união exata de Depeche Mode e Suicide). Além da nitroglicerina pura da dançante You got me.

Os fãs do lado podre do grupo vão ficar felizes com a porradaria da desnorteadora Bad idea, mas as melhores músicas são as que pões o APTBS na turma das bandas influenciadíssimas pelo Jesus and Mary Chain de Psychocandy (1985), mas que decidiram aumentar o grau de ruído, como na ágil Plastic future e no peso psicodélico de Have you ever been on live. No final, os quase oito minutos de rajada sonora de Comfort never comes, encerrada com uma guerra de microfonias. Pode ouvir no volume dez que seus vizinhos vão adorar 😉

Nota: 8,5
Gravadora: Dedstrange

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Crítica

Ouvimos: Starly Kind – “Inferno (xe/xem)”

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Resenha: Starly Kind – “Inferno (xe/xem)”

RESENHA: Starly Kind mistura lo-fi, screamo, pós-punk e psicodelia em Inferno (xe/xem), EP sombrio sobre angústia queer e demônios internos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: CorpoRAT Records
Lançamento: 8 de maio de 2026

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Musicista agênero do Oregon, Estados Unidos, que se radicou em São Paulo, Starly Lou Riggs criou a Starly Kind como veículo para uma música lo-fi e fantasmagórica. Um som que volta e meia ganha ares math rock, ou que se aproxima de um art rock em clima de pesadelo. Inferno (xe/xem) é um EP sobre demônios xamânicos, angústia existencial queer, dores acumuladas durante uma vida inteira – e sobre como é chamar o inferno de casa.

Starly kind, a faixa de abertura, é lo-fizaça, com glitches, clima dreamy e vocais torturados e gritados. Held me with soma a isso um clima mais ambient, em que vibrações screamo unem-se ao experimentalismo da música. Superanatural clutches fica entre a psicodelia e a no wave, com direito a uma guitarra próxima do som do Black Sabbath. Uma curiosidade e uma mudança de rumo vêm com Bloodlust rising, algo entre Beach Boys, Residents e Devo – seguida justamente pela onda reggae + dub + fantasmagoria de And the devil watched me dance in.

  • Ouvimos: Delmore – Tão logo cada poste se ilumina

Demon dreams, que encerra o disco, é pós-punk mais do que tudo, e é a música mais bonita do EP – aliás lida com uma noção mais tranquila de “beleza” na melodia, ainda que também invista na vibe sombria das outras faixas. Um disco bem instigante, em todos os momentos.

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Ouvimos: Duo Violeta – “Mar pequeno”

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Resenha: Duo Violeta – “Mar pequeno”

RESENHA: Duo Violeta mistura violão, escaleta e folk nordestino em Mar pequeno, disco contemplativo, viajante e cheio de imagens sonoras.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: The Citadel House
Lançamento: 22 de maio de 2026

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Se você for com muita sede ao pote no disco do Duo Violeta e chegar meio desavisado, pode acabar adorando o encontro do violão com a sanfona. Depois vai dar risada quando descobrir que André Sant’Anna e Rafael Campanaro, são na real, e respectivamente, o encontro da escaleta – teclado de sopro popularizadíssimo pelo reggae e pelo dub – com o violão. Mais que isso, as gravações tiveram vários testes de estúdio, que envolveram posicionamentos dos músicos, microfones diferentes e muitas experimentações sonoras.

Mar pequeno tá bem longe de ser um disco experimental, mas passa perto. É um disco brasileiríssimo e quase sempre nordestino, que parece seguir o curso de um rio e contar uma história – já que as músicas parecem encadeadas e evocam imagens que soam do mesmo modo. Será marés, Na rede e O boto, no começo, são folk nordestino – sendo que a última insere clima sombrio e efeitos de tremolo na escaleta. Para a ilha é forró + jazz, mas tem algo de indie rock na sonoridade, até algo de Beatles no meio da melodia. Inverno no mar é balada, blues e folk, com final contemplativo e várias partes diferentes.

Esse clima de viagem sonora, que insere segmentos diferentes em canções curtas, chega no ápice na última faixa do álbum, Emergiu. Até lá, André e Rafael proporcionam surpresas como a melodia de À deriva, que chega a lembrar um soul no final. Ou a recriação da folclórica Peixe vivo, cujas linhas melódicas só se tornam claras lá pelas tantas. Ou o clima folk brasileiro de Náufrago. Um disco muito bonito.

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Ouvimos: Soma Please – “Ballet” (EP)

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Resenha: Soma Please – “Ballet” (EP)

RESENHA: Soma Please mistura synth pop, pós-punk e dream pop em Ballet, um EP que cruza Queen, U2, LCD Soundsystem e até samba indie.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Skud & Smarty
Lançamento: 14 de maio de 2026

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O Soma Please é um duo luso-britânico, formado pelos músicos Nuno Bracourt e Rob Williamson. Não chega a ser um som muito inovador, mas tem detalhes que conquistam de cara, já que Ballet, o EP, soa às vezes como um encontro entre estilos e épocas. Tipo o que rola com I’m a fan, entre o synth pop e uma onda que lembra o Queen, ou Love, um dream pop com peso. Pockets on my sleeves é pós-punk com alma oitentista, e algo de Radiohead e LCD Soundsystem misturado.

As duas últimas faixas do EP são as mais diferentonas do disco: Alone é um curioso pop meio samba, meio bossa, com cara indie e solar. What’s the score é mais ruidosa, abre com clima sombrio fake, e depois chega a lembrar um blues rock eletrônico. Ballet é um pequeno apanhado do som deles, e uma demonstração de sonoridades que estão no arquivo deles.

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