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Ouvimos: Terrorvision, “We are not robots”

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Ouvimos: Terrorvision, “We are not robots”
  • We are not robots é o sétimo disco do Terrorvision, banda britânica surgida em 1988 e popularizada nos anos 1990. O grupo ficou parado de 2001 a 2007 (com exceção de uma volta breve) e agora tem na formação Tony Wright (voz, guitarra), Mark Yates (guitarra), Leigh Marklew (baixo), Chris Bussey (bateria) e Milton “Milly” Evans (teclados, trompete, backing vocal).
  • Com as separações, os integrantes passaram a se dedicar a outros projetos, musicais e pessoais. “Eu e Mark tínhamos várias bandas diferentes — bem, eu só tinha uma, mas Mark tinha algumas — mas isso está tudo em segundo plano agora. Acho que o resto de nossas vidas, famílias e outras coisas… por exemplo, Mark dirige um estúdio de tatuagem em Baildon, e Tony tem sua cafeteria em Otley, então nossas vidas ficaram muito mais cheias, com algumas coisas interessantes”, contou Leigh aqui.
  • O título e a capa vieram de Mark Yates. “Estávamos pensando em alguns títulos para álbuns, e vou ser honesto… eles eram todos uma porcaria (risos). Então Mark sugeriu o nome, e ele já tinha resolvido a capa do álbum e tudo, e vejam só, nós simplesmente corremos com isso”, continuou Leigh.

Quem não procurar saber, provavelmente não vai ficar sabendo que o Terrorvision, uma das bandas mais interessantes dos anos 1990, voltou. O grupo britânico, na real, está “de volta” desde 2007, e já havia lançado o álbum SuperDelux em 2011. We are not robots sai depois de um buraco de treze anos, e traz de volta as obsessões do grupo com som no talo e temas irônicos (afinal, o álbum mais popular do grupo, lançado há trinta anos, chama-se How to make friends and influence people).

O Terrorvision tem como quartel-general a mesma cidade da Inglaterra (Bradford) que deu origem a uma turma de peso que inclui The Cult e New Model Army. Talvez por isso a intimidade da banda com a união de punk e hard rock seja enorme – e em vários momentos o grupo do cantor e guitarrista Tony Wright pareça-se com uma banda de Los Angeles ou de Nova York. Já era o som clássico dos discos lançados por eles nos anos 1990 e é o que rola em We’re not robots, disco cuja capa parodia aqueles captchas bizarros de “marque todas as fotos em que não aparece o objeto tal” – e que são o terror de muita gente que só quer preencher um documento rapidamente.

We are not robots abre na confluência punk-metal, com faixas como Electrocuted (lembrando Ramones, mas com direito a um coral que lembra T. Rex mesmo com a rapidez da canção) e a significativa The night that Lemmy died, homenagem a Lemmy Kilmister (Motörhead) em clima garageiro e metálico, com letra falando sobre o bom e velho “bom é quando faz mal”: “as carreiras estavam batidas, o estoque era alto/o volume estava no máximo, os cérebros estavam fritos/(…) poderíamos chorar, quase choramos/com dignidade e orgulho rebelde/essa foi a noite que Lemmy morreu”.

Na sequência, Opposites atract, Baby blue e a esperançosa You gotta want to be happy trazem o Terrorvision aderindo ao power pop e operando numa linha próxima à do Cheap Trick e dos Replacements. O hard rock suingado Magic é uma das canções de We are not robots mais identificadas com os anos 1990. Lucifer é glam metal de zoação, lembrando New York Dolls, Gene Loves Jezebel e Alice Cooper. Promises é o lado baladeiro e gótico do disco. Já Don’t spoil tomorrow e o hard country Shine on soam como aquelas bandas dos anos 1990 das quais você guardou um refrão na memória e até hoje se pergunta quem tocava aquela música. Um ótimo retorno.

Nota: 8
Gravadora: Total Vegas.

Crítica

Ouvimos: Codinome Winchester – “Rock ou nada” (EP)

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Resenha: Codinome Winchester – “Rock ou nada” (EP)

RESENHA: No novo EP, Rock ou nada, a banda sul-mato-grossense Codinome Winchester cruza pós-punk, ska-punk, noise rock e rock pesado, com letras entre o existencialismo, o protesto e a celebração.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Sonora Digital
Lançamento: 10 de setembro de 2026

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Banda de Campo Grande (MS), o Codinome Winchester faz do EP novo, Rock ou nada, uma declaração de princípios em tom próximo do pós-punk – ou de uma noção bem guitarrística de new wave, com letras que vão do existencialismo ao protesto. Ou que unem as duas coisas, como no inconformismo religioso de Eureka!, ska-punk com guitarras próximas do hard rock. Você também vai queimar, com vocais fortes, parede de guitarras e clima de viagem noise-rock lá pela metade, dá ao estresse do dia a dia uma imagem destruidora, que vai pondo fogo em tudo ao redor.

A segunda metade de Rock ou nada é bastante variada. Se você detesta bandas de rock que usam vocoder, autotune ou qualquer coisa do tipo, passe longe da terceira faixa – mas assim você vai perder a ótima A última polka, rock pesado e ligeiramente progressivo, com vocais eletrônicos e letra propondo uma visita quase surrealista ao Mato Grosso do Sul, em que o Pantanal e seus habitantes não estão para brincadeira. No final, tem até um samba-punk, a positiva O samba parou, com Mauricio Pereira soltando a voz. E com o grupo avisando que, apesar das dificuldades, a festa não acabou.

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Ouvimos: Cobrafuma – “Droga total”

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RESENHA: Cobrafuma – “Droga total”

RESENHA: No álbum Droga total, o português Cobrafuma transforma raiva, abandono e precariedade em punk acelerado, misturando hardcore, thrash metal e rock’n’roll em 20 minutos de pancadaria.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Lovers & Lollypops LDA
Lançamento: 21 de agosto de 2026

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Não tem como deixar passar uma banda com um nome desses, e com um disco desses – um álbum de 20 minutos que recentemente o Bandcamp definiu como “thrash metal, hardcore e rock n’ roll condensados” e “um ataque sonoro tão insidioso quanto robusto”. Já o Cobrafuma é uma banda punk do Porto (Portugal) cuja autodefinição é melhor ainda: “fumo denso, jogos de snooker em que ninguém mete a preta e mais de 666 cervejas entornadas entre o corpo, o chão, e o balcão”.

Droga total mergulha no dia a dia dos jovens da classe pobre, apertada, raivosa, cheia de traumas e medos. Mas faixas como o crossover Trabalho servem para várias existências, com versos como “o patrão tem que ruminar / és a roda desdentada que prometem engrenar / empanturrado de migalhas / e gargantas que cortar”, berrados com precisão de João Gordo e sotaque luso. Meninos das tochas une punk e palhetadas de metal para falar diretamente de abandono e descaso – enquanto a faixa-título, lembrando o D.R.I. de discos como Four of a kind (1988)M trata de abusos e mortes.

No geral, o Cobrafuma lembra uma banda punk dos anos 1980, com a mesma preocupação em demolir fronteiras entre punk e metal, e em cravar refrãos prontos para serem gritados (como em Hoje é dia e Quem é este man, faixas com solos que lembram até a fase Anarkophobia, dos Ratos de Porão, em 1991). Tiro no escuro abre em clima pesado e sombrio, mas emenda no punk. O final, com as palhetadas quase thrash metal de Humildade, põe algo próximo do otimismo no universo do grupo.

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Ouvimos: Jewls – “NeverTheLess” (EP)

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Resenha: Jewls – “NeverTheLess” (EP)

RESENHA: No EP NeverTheLess, a alemã Jewls cruza pós-punk, guitarras atmosféricas, trip hop e shoegaze em canções sobre amores tóxicos e desencontros, com vocal rouco e misterioso.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Motor Entertaiment
Lançamento: 4 de setembro de 2026

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A palavra “nevertheless” significa “mesmo assim”, “no entanto” – e, no título do EP da alemã Jewls, ela surge dividida em três (o que dá um trocadilho torto, tipo “nunca + quanto menos”). O NeverTheLess de Jewls investe em pós-punk, guitarras atmosféricas, canções mais ou menos acessíveis, marcadas pelo vocal rouco, sexy e misterioso dela. E por um clima provocativo herdado de bandas como Garbage e Dry Cleaning.

Essa onda, misturada com climas herdados do pós-punk, dá as caras nas duas faixas de abertura, A rough inbetweener e em Easy rider – completando o cenário com os ruídos e rangidos de The crushed, nada levemente inspirada em Heart shaped box, do Nirvana. Spring once, canção melancólica aberta com voz e violão (e prosseguida em clima quase shoegaze), é o lado The Cure + Smashing Pumpkins do disco – encerrando com o trip hop ruidoso e distorcido da faixa-título.

Jewls, por sinal, fez de NeverTheLess um disco (vá lá) “romântico”, mas sem banalidades – as letras recorrem a imagens bem cruas e sarcásticas para falar de incompreensões, amores tóxicos e casualidades da vida romântica. Soa com cara própria a maior parte do tempo.

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