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A mosca pousou: ouça “The fly”, a primeira inédita solo de Tom Waits desde 2011

RESUMO: Tom Waits lança The fly, sua primeira faixa solo inédita em quase 15 anos: um monólogo falado, sombrio e bem-humorado que antecede um single beneficente com o Massive Attack e marca sua volta às gravações.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Saiu finalmente inteira nas plataformas The fly, a nova faixa de Tom Waits — a primeira faixa solo inédita do cantor em quase 15 anos. Totalmente falada, ela chega depois de ter sido anunciada como lado B do single beneficente Boots on the ground, parceria de Waits com o Massive Attack lançada no início do ano.
Em abril, Waits liberou um teaser da faixa no Instagram, Quem ouviu aquele teaser já tinha uma boa ideia do que vinha por aí. The fly aposta no humor ácido, no sarcasmo e nas imagens grotescas que sempre fizeram parte do universo de Waits. O narrador dedica seus versos a uma mosca, transformando o inseto em personagem de um monólogo repleto de ironias sobre a condição humana.
Entre os trechos que ele liberou na época, havia versos como “ninguém teve uma vida mais estranha que a sua / você conhece a fome, você conhece a guerra, você conhece o perigo / você foi retirado das calças do Presidente pela coxa / você viveu um dia com o olho de um peixe morto”.
Além de “eu sei que você provavelmente tinha família na manjedoura / baratas, ratos, mosquitos, pulgas, moscas, ninguém vai chorar quando você morrer / se contorça e gagueje, esfregue e ria, e faça aquela dança que sua mãe esquisita coreografou”.
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E de “como dois violinos preguiçosos entrelaçados numa sirene baixa e espasmódica para nos alertar sobre nada / e você só recebe o nome por sua capacidade de fazer isso”, declama ele, soltando lá pelas tantas um “e ninguém vai chorar quando você morrer”.
Não é exatamente um terreno novo para o cantor. Faixas como What’s he building in there? já mostravam seu gosto por narrativas faladas e personagens estranhos, mas The fly leva essa veia ao extremo, funcionando quase como um pequeno conto acompanhado apenas pela interpretação rouca e teatral de Waits.
A fai9xa foi escrita em parceria com Kathleen Brennan, esposa e colaboradora de longa data do artista, e ganhou um lyric video animado por Casey Waits, filho do casal. Ao anunciar o lançamento, o cantor resumiu o espírito da faixa: “Hoje, como em todos os ontens da humanidade, há a garantia de que esse tipo de música nunca sairá de moda. A loucura dos fracassos humanos é um banquete para as moscas”.
O tal single com Boots on the ground e The fly chega em 4 de setembro e terá toda a renda destinada a organizações de defesa dos direitos civis e de apoio a comunidades vulneráveis. O lançamento também marca uma fase mais ativa de Waits, que neste ano também contribuiu para uma coletânea em homenagem a Shane McGowan, do The Pogues, e ainda participa do elenco de Wild horse nine, novo filme de Martin McDonagh, previsto para novembro.
E olha o clipe de The fly aí.
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Pedro Mello transforma separação em valsa a duas vozes com Jessica Assis

RESUMO: Em Lembrança, Pedro Mello e Jessica Assis contam os dois lados de uma separação numa valsa pop-rock. A faixa antecipa o álbum de estreia do cantor, em 2027.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Luiza Bohrer / Divulgação
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Quando um relacionamento acaba, nem sempre as duas pessoas concordam sobre o que aconteceu. É disso que fala Lembrança, novo single do cantor e compositor carioca Pedro Mello, que chamou Jessica Assis para dividir os vocais. Lançada em 17 de setembro, a música é a primeira prévia de seu álbum de estreia, previsto para janeiro de 2027.
Pedro escreveu a faixa depois de uma separação. No começo, a ideia era cantar tudo sozinho, mas ele achou que faltava alguém para contar o outro lado da história. “A gente estava falando sobre uma história contada por duas pessoas. Então fazia sentido trazer uma outra voz para demarcar bem essa interseção”, explica.
Jessica entrou na música depois que Pedro a ouviu cantar num encontro de artistas independentes. A voz mais suave dela faz um contraste com o registro grave do cantor.
Outra ideia foi tratar o relacionamento como uma dança. Daí o ritmo de valsa, misturado com guitarras, sintetizadores e uma pegada pop-rock dos anos 2000.
“Eu queria trazer a ideia de que se relacionar com alguém é dançar com essa pessoa, tentar se encontrar no meio de uma dança. E queria trazer a imagem de que foi uma dança que não deu certo, de que, em algum momento, você se desencontra com o outro”, conta.
O disco de estreia de Pedro vai passar por diferentes momentos de uma relação, incluindo amores à distância e separações. Lembrança é a única faixa em que a outra pessoa também aparece para contar sua versão.
Pedro começou a cantar ainda criança, acompanhando os pais em ensaios de coral, e passou pelo teatro musical antes de investir nas próprias músicas. Em 2023, lançou Como deveria ser, seu primeiro trabalho autoral.
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Urgente
Agenda: Ploho traz o pós-punk da Sibéria para seis cidades brasileiras

O pós-punk russo anda fazendo sucesso fora da Rússia já faz algum tempo. E não é só por causa do Molchat Doma, banda da Bielorrússia que virou uma espécie de fenômeno do gênero. O Ploho, formado em Novosibirsk, na Sibéria, em 2013, também tem uma boa história para contar. E chega ao Brasil para seis shows, começando nesta segunda (2), em São Paulo, e terminando no domingo (8), em Belém.
Liderado pelo vocalista Victor Uzhakov, o grupo faz um som que o deixa parecido com um clássico do pós-punk, com direito a guitarra econômica, sintetizadores e voz grave. Joy Division é uma comparação fácil, mas o Kino, banda fundamental do rock soviético, tem um peso enorme na formação do Ploho.
O grupo vem dando passos decisivos para se tornar mais conhecido fora do Leste Europeu. Em 2018, seu disco Kuda ptitsy uletayut umirat (“onde os pássaros voam para morrer”) esteve na lista de 25 melhores discos do ano da rádio estadunidense XRAY.fm. Em junho de 2020,a banda assinou com a gravadora canadense Artoffact Records, e em fevereiro de 2021, lançaram o primeiro disco pelo selo, Fantomniye chuvstva (“sentimentos fantasma”). Em março de 2022, após a invasão russa da Ucrânia, estabeleceram-se na Sérvia.
O Ploho vem para o Brasil cumprir uma agenda curta, mas intensa: além de SP (no Madame Club) e Belém (Studio Pub), passam por Curitiba (no Basement Cultural, dia 4), Florianópolis (Desgosto Bar, dia 5), Porto Alegre (Gravador Pub, dia 6) e Rio (Garage Grindhouse, dia 7). Vai ser uma turnê em que o pós-punk do Leste Europeu vai se encontrar cm a resistente cena dos espaços alternativos.
SERVIÇO:
02/11 — São Paulo: Madame Club
04/11 — Curitiba: Basement Cultural
05/11 — Florianópolis: Desgosto Bar
06/11 — Porto Alegre: Gravador Pub
07/11 — Rio de Janeiro: Garage Grindhouse
08/11 — Belém: Studio Pub
Ingressos e horários aqui.
Foto: Divulgação
Urgente
Vinícius de Oliveira resgata o brega e o samba-canção em estreia solo

RESUMO: O músico paulista Vinícius de Oliveira estreia com A gente desiste e esquece, canção de dor de cotovelo que resgata o samba-canção, o bolero e o brega.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Fãs de brega, samba-canção e outros estilos musicais dedicados à tristeza amorosa, ponham um sorriso no rosto porque tem coisa nova aí. O contrabaixista, compositor e pesquisador Vinícius de Oliveira, de Jaboticabal (SP), estreia solo com o single A gente desiste e esquece, single que parece ter saído de alguma coleção de discos dos anos 1950, 1960 ou 1970. E que poderia muito bem fazer parte do repertório de algum cantor da Jovem Guarda ou do brega setentista.
“Assumo meu nome e sobrenome como nome artístico pra trabalhar no âmbito do cancioneiro popular brasileiro, sambas-canções, boleros, bregas…”, explica Vinícius, que também lançou um clipe para a faixa.
A gente desiste e esquece tem bastante daquela onda de samba-canção regional que aparece na obra de Sérgio Sampaio. A letra é uma pequena preciosidade de dor de cotovelo, com direito a declarações apaixonadas e acusações nada discretas: “você é mais do que dissimulada / eu fiz de você minha amada / você pisa em meu coração”.
O arranjo começa com cordas e sopros que remetem ao samba-canção antigo, daquela música popular brasileira de antes da própria sigla MPB ganhar força. Lá pela metade, a faixa assume um clima de bolero, com órgão e percussão, sem perder o jeito de canção feita para quem anda lambendo o chão por amor.
É uma música nova que não esconde sua paixão por sonoridades de outras épocas — e que encontra bastante coisa para dizer usando o velho vocabulário das desilusões amorosas.
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