Urgente
Late Again transforma coincidência com ex-relacionamentos em dream pop

RESUMO: Late Again, projeto do brasileiro Rafael Melo em Nova York, lança All my exes moved to the countryside, terceiro single do EP I dreamt I was awake, misturando dream pop, bossa nova e uma história real sobre deixar a cidade.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Danilo Rosa e Henrique Barretto / Divulgação
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
O brasileiro Rafael Melo, que toca o projeto Late Again lá em Nova York, continua antecipando o EP I dreamt I was awake, previsto para setembro. O terceiro single, All my exes moved to the countryside, parte de uma coincidência curiosa: todos os ex-relacionamentos dele acabaram trocando a cidade pelo interior.
“É exatamente o que o título diz. Um fato divertido, literal e muito específico da minha vida que, ainda assim, consegue soar universal”, comenta Rafael sobre a música que sai hoje. “Tentei combinar uma melodia minimalista e uma letra bem-humorada para traduzir essa tensão: a incapacidade de se render a uma vida mais simples, mesmo quando uma parte de nós gostaria muito disso”.
- Late Again transforma o caos cotidiano em pop psicodélico, em Crazy or stupid
A música acompanha esse conflito entre permanecer na cidade ou buscar outro ritmo de vida. A letra passeia por imagens do cotidiano urbano e rural – aluguel, fermento natural, tarô, vacas e planos para o futuro – enquanto o personagem percebe que, por mais sedutora que pareça a mudança, ainda não consegue abandonar a vida na metrópole.
Musicalmente, a faixa segue o caminho que o Late Again vem construindo desde os primeiros lançamentos: dream pop de clima contemplativo, com melodias suaves e discretas referências à bossa nova, refletindo as origens brasileiras de Rafael – tudo tocado na guitarra, com uma tranquila programação eletrônica, alguns synths e ruídos de pássaros. E All my exes moved to the countryside também ganhou um lyric video nesse clima, dirigido por Gabriel Rolim (Rollinos), e com fotografia de Danilo Rosa e Henrique Barreto.
Gravado entre o Studio G, no Brooklyn (Nova York), e o Evil Twin, em São Paulo, I dreamt I was awake reúne colaborações de Thiago Dom (Kimbra, Duda Beat), John Lisi (Twin Brother, John Roseboro), Nelson Espinal (Mdou Moctar, YHWH Nailgun, Sessa) e Heal Mura. E vale muito esperar!
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Urgente
A mosca pousou: ouça “The fly”, a primeira inédita solo de Tom Waits desde 2011

RESUMO: Tom Waits lança The fly, sua primeira faixa solo inédita em quase 15 anos: um monólogo falado, sombrio e bem-humorado que antecede um single beneficente com o Massive Attack e marca sua volta às gravações.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
Saiu finalmente inteira nas plataformas The fly, a nova faixa de Tom Waits — a primeira faixa solo inédita do cantor em quase 15 anos. Totalmente falada, ela chega depois de ter sido anunciada como lado B do single beneficente Boots on the ground, parceria de Waits com o Massive Attack lançada no início do ano.
Em abril, Waits liberou um teaser da faixa no Instagram, Quem ouviu aquele teaser já tinha uma boa ideia do que vinha por aí. The fly aposta no humor ácido, no sarcasmo e nas imagens grotescas que sempre fizeram parte do universo de Waits. O narrador dedica seus versos a uma mosca, transformando o inseto em personagem de um monólogo repleto de ironias sobre a condição humana.
Entre os trechos que ele liberou na época, havia versos como “ninguém teve uma vida mais estranha que a sua / você conhece a fome, você conhece a guerra, você conhece o perigo / você foi retirado das calças do Presidente pela coxa / você viveu um dia com o olho de um peixe morto”.
Além de “eu sei que você provavelmente tinha família na manjedoura / baratas, ratos, mosquitos, pulgas, moscas, ninguém vai chorar quando você morrer / se contorça e gagueje, esfregue e ria, e faça aquela dança que sua mãe esquisita coreografou”.
- Medulla volta relendo Um móbile no furacão, de Paulinho Moska
E de “como dois violinos preguiçosos entrelaçados numa sirene baixa e espasmódica para nos alertar sobre nada / e você só recebe o nome por sua capacidade de fazer isso”, declama ele, soltando lá pelas tantas um “e ninguém vai chorar quando você morrer”.
Não é exatamente um terreno novo para o cantor. Faixas como What’s he building in there? já mostravam seu gosto por narrativas faladas e personagens estranhos, mas The fly leva essa veia ao extremo, funcionando quase como um pequeno conto acompanhado apenas pela interpretação rouca e teatral de Waits.
A fai9xa foi escrita em parceria com Kathleen Brennan, esposa e colaboradora de longa data do artista, e ganhou um lyric video animado por Casey Waits, filho do casal. Ao anunciar o lançamento, o cantor resumiu o espírito da faixa: “Hoje, como em todos os ontens da humanidade, há a garantia de que esse tipo de música nunca sairá de moda. A loucura dos fracassos humanos é um banquete para as moscas”.
O tal single com Boots on the ground e The fly chega em 4 de setembro e terá toda a renda destinada a organizações de defesa dos direitos civis e de apoio a comunidades vulneráveis. O lançamento também marca uma fase mais ativa de Waits, que neste ano também contribuiu para uma coletânea em homenagem a Shane McGowan, do The Pogues, e ainda participa do elenco de Wild horse nine, novo filme de Martin McDonagh, previsto para novembro.
E olha o clipe de The fly aí.
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Urgente
Toda a delicadeza do Mojave 3 volta às lojas em relançamentos da 4AD

RESUMO: A 4AD relançou os cinco álbuns de estúdio do Mojave 3 com remasterização dos Abbey Road, novas edições em vinil, CD e streaming, revisitando toda a trajetória da banda formada por ex-integrantes do Slowdive.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
Os fãs do Mojave 3 ganharam um bom motivo para comemorar. A 4AD relançou toda a discografia de estúdio da banda britânica, com os cinco álbuns remasterizados nos estúdios Abbey Road e disponíveis em novas edições em vinil, CD e plataformas digitais.
O pacote reúne Ask me tomorrow (1995, relançado trazendo capa nova com fotos do britânico Colin Gray), Out of tune (1998), Excuses for travellers (2000), Spoon and rafter (2003) e Puzzles like you (2006). Além das edições individuais, a gravadora fez uma caixa especial para colecionadores com os cinco LPs em vinil transparente e um pôster exclusivo de 20 x 25 cm (a essa altura reze para achaar alguma por aí, mas diz a lenda que dá pra comprar no site da gravadora)
Formado em 1995 por Neil Halstead e Rachel Goswell logo após o fim da primeira fase do Slowdive, ao lado do baterista Ian McCutcheon, o Mojave 3 seguiu um caminho bem diferente do shoegaze que consagrou seus fundadores. As guitarras cobertas de efeitos deram lugar a canções acústicas, folk e country, marcadas por arranjos delicados e um clima intimista que transformou a banda em um dos nomes mais bacanas do catálogo da 4AD.
A série de relançamentos percorre toda essa evolução. Da estreia melancólica de Ask me tomorrow ao indie pop ensolarado de Puzzles like you, passando pelo folk cada vez mais sofisticado de Out of tune, pelas paisagens sonoras de Excuses for travellers e pelas experimentações de Spoon and rafter, a coleção revisita uma das mudanças de rumo mais legais do rock alternativo noventista. E para marcar a novidade, o Mojave 3 também inaugurou uma página oficial no Bandcamp.
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Urgente
Tianastácia celebra 30 anos com audiovisual e versão acústica de “O sol”

RESUMO: Tianastácia celebra 30 anos com uma nova versão acústica de O sol, clássico da banda mineira inspirado na luta contra a síndrome do pânico, antecipando o audiovisual 30 anos ao vivo no Palácio das Artes.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Bia Gontijo / Divulgação
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
O Tianastácia não pode reclamar do alcance de sua música. O sol, um dos maiores hits da banda mineira, foi gravado por Jota Quest, Milton Nascimento e até pela dupla César Menotti & Fabiano. E a faixa volta em novo formato, numa época de celebração. Em nova fase e comemorando três décadas de existência, a banda regrava a música com arranjo acústico, incluindo cordas.
A nova O sol é o primeiro single liberado do audiovisual 30 Anos ao Vivo no Palácio das Artes, previsto para o segundo semestre – já dá pra ver o clipe no canal do grupo no YouTube. A faixa, aliás, tem uma história bem pessoal, vivida por Antônio Júlio Nastácia, guitarrista, fundador e atual vocalista da banda. Ele fez a música como uma forma de cura e “remédio” para sua mãe, que enfrentava a síndrome do pânico em uma época em que o tema ainda era um tabu. A ideia era que versos como “ei, dor, eu não discuto mais, você não me leva a nada” representassem a superação.
Com carreira iniciada em 1992, o Tianastácia tem na formação hoje os fundadores Beto Nastácia (baixo) e Antônio Júlio (guitarra e vocais), além de Bruno Egler (guitarra) e Amanda Barbosa (bateria). Para a banda, o audiovisual vai ser o fim de um ciclo, como eles próprios afirmam – e deve vir um novo disco autoral em breve.
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.


































