Cultura Pop
Oito momentos inesquecíveis de Barros de Alencar

“Alô, mulheres, segurem-se nas cadeiras. Alô marmanjos, não façam besteiras!”. Morto nesta segunda aos 84 anos, o comunicador e cantor Barros de Alencar abria seu programa, que ia ao ar na TV Record nos anos 1980, com essa frase. E fazia a alegria de fãs da música verdadeiramente popular do Brasil, além de promover concursos engraçados e não ter problema algum de resvalar na toscaria quando fosse preciso (ou quando fosse engraçado). Além da TV e do rádio, ele ainda gravou vários discos, teve um monte de hits e lançou sucessos de outros artistas em discos como “As campeãs do Programa Barros de Alencar”. Confira aí oito momentos inesquecíveis dele. E prepare-se porque alguns deles são… bom, “inesquecíveis” é uma boa maneira de defini-los.
Em 1984, quando o Metrô (lembra?) lançou o hit “Beat acelerado”, uma das obrigações do grupo foi visitar o Programa Barros de Alencar. Barros faz piada com “bife acelerado” ao falar da banda e… bom, a piada machista que ele faz antes de apresentar a banda lhe traria muitos problemas hoje em dia.
No mesmo ano, o Menudo apareceu por lá, numa das vindas do grupo portorriquenho ao Brasil.
Extremamente inesquecível: Lucia Santos, que imitava Michael Jackson e era conhecida como Maica Jeca (sério!) em ação no programa.
Gretchen, nos anos 1980, dançando no palco do Barros de Alencar com o palhaço Vassourinha, personagem do programa.
https://www.youtube.com/watch?v=II1cgMpnyOQ
Marquito, imitador que até hoje bate ponto no Programa do Ratinho e é especialista em dublar músicas com rotação acelerada, já tinha carreira televisiva consolidada nos anos 1980 – e apareceu bastante no palco do Barros. Vassourinha não perde a oportunidade.
Roberto Leal vai lá em 1983 cantar o hit “Arrebita”.
Dizem por aí que a sofrência está na moda. Se alguém dissesse isso para Barros de Alencar, talvez o velho radialista, apresentador e cantor caísse na gargalhada. O lance dele era mais do que sofrência: era tortura psicológica. Em 1975, invadiu as paradas com a versão em português do brega inesquecível “Prometimos no llorar”, do argentino Palito Ortega. “Prometemos não chorar” misturava batidinha sem vergonha, coral em clima de soft porn, o choro de uma mulher (também tinha no original, mas era menos desesperador) e uma letra no qual o namorado aplicava um solene pé-na-bunda da ex-amada dizendo que “queria ver um sorriso dela” e torturando-a com um compacto dos melhores momentos da relação.
https://www.youtube.com/watch?v=AlGKxvcNQQA
Barros de Alencar era, digamos assim, um homem que passava longe do “padrão Globo de qualidade”. Em 1977, quem diria, ele conseguiu dar seu jeito de aparecer na Globo. Esteve no musical Globo de Ouro para divulgar o hit “Quero beijar-te as mãos”, que acabou aparecendo no LP “Globo de Ouro vol. 3”, lançado pela Som Livre naquele ano. Esquizofrênica ao extremo, a série de LPs do programa era a saída para os artistas mais orientados para o povão aparecerem nos produtos ligados à Globo – o LP de 1977 tinha Rita Lee & Tutti Frutti, Simone, Ruy Maurity e o sumidaço Wilson Simonal lado a lado com Barros de Alencar, Sidney Magal, Moacyr Franco etc.
https://www.youtube.com/watch?v=hsM6wwPCGAg

Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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